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– Ver a palavra SACRÁRIO.

TALMUDE

nome dado aos comentários do Antigo Testamento, que desenvolvem e completam os mais antigos comentários feitos pelos Rabinos e que são fundados sobre tradições orais. Há o Talmude de Jerusalém (3.° e 4.° séculos) e o de Babilônia (5.° e 6.° séculos). É a base da teologia judaica atual e contém odiosas calúnias contra Jesus Cristo e sua Mãe e contra os cristãos em geral. É o grande livro dos judeus, contém todas as suas tradições, é o seu compêndio de teologia moral. Dois grandes centros da influência judaica — Jerusalém e Babilônia, — deram origem a duas redações diferentes do Talmude.

Nos séculos III e IV os doutores judeus da Palestina, de um modo particular os de Tiberíades, acrescentaram novos comentários jurídicos e casuísticos aos mais antigos comentários da Lei, formando assim o chamado Talmude de Jerusalém, que está redigido em arameu, mas, no entanto, as citações dos doutores mais antigos estão em hebreu.

Outra redação do Talmude é a escrita em Babilônia, no século V e VI, em arameu babilônico, conservando também em hebreu as citações dos antigos doutores.

O Talmude é uma obra de escassíssimo valor, quer na sua forma literária, quer no pensamento; é uma obra obscura e cheia de incoerências, carecendo, em suas páginas intermináveis, de estilo, de ordem e de talento. No Talmude é pouco o que se encontra útil para a boa compreensão da Sagrada Escritura.

A respeito das passagens do Talmude que contêm calúnias contra Jesus Cristo, Maria Santíssima e os cristãos, um Sínodo judeu celebrado na Polônia em 1631, para não excitar a indignação dos cristãos, ordenou que tais passagens fossem suprimidas na impressão, indicando-as apenas por um sinal que chamaria a atenção dos doutores judeus que as deviam explicar oralmente.

TEIMOSIA

é o apego imprudente e exagerado às próprias ideias. Esta disposição do espírito pode nascer de entendimento acanhado ou de falta de prudência, que é virtude indispensável em todos os atos da vida humana. A teimosia ou obstinação do juízo impede de julgar razoavelmente, faz desprezar as advertências alheias e, em certos casos, chega a diminuir o vigor da fé.

Em tudo devemos dar lugar à prudência, aceitando com docilidade os conselhos e os conhecimentos dos superiores e dos velhos, em quem o estudo, a experiência da vida e as graças de estado, formaram ideias mais largas e mais seguras.

não nos leva a fugir de Deus, mas a fugir de tudo o que pode ser-lhe desagradável. Deus quer que O temamos, pois disse-nos: «Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes ao que pode lançar no inferno tanto a alma como o corpo» (Ev. S. Mat. X, 28). Já antes de Jesus Cristo, havia dito: «Temei Deus e observai os seus Mandamentos» (Eccli. XII, 13). E o Apóstolo São Paulo escreveu: «Obrai a vossa salvação com receio e temor» (Ep. Filip. II, 12).

Por isso, se estamos na graça de Deus, devemos fugir da ocasião do pecado, com medo de pecar; se caímos em pecado, devemos logo pedir sinceramente perdão a Deus, com medo da justiça divina ofendida. Em muitas circunstâncias da nossa vida, em muitas tentações que nos assaltam, só o temor de ofender a Deus pode impedir a nossa queda, o nosso pecado e a nossa desonra. Por isso o Apóstolo São Paulo nos manda estar firmes na fé e conservarmo-nos no temor (Ep. Rom. XI, 20).

TEMPERAMENTO

é o complexo das propensões que, ou próprias do organismo, ou herdadas, cada indivíduo tem, e que constituem a sua índole especial. Estas propensões nativas podem ser influenciadas pela educação ou por várias circunstâncias externas, ou pelo próprio esforço.

TEMPERANÇA

é uma das quatro virtudes cardeais, a qual nos dispõe a usar com moderação das coisas necessárias para a vida — comer, beber e uso do Matrimônio — unicamente para satisfazer à nossa conservação e para utilidade do próximo. Os prazeres sensíveis não são um mal; podem, todavia, arrastar à desordem dos sentidos. É a virtude da temperança que os modera, impedindo qualquer excesso. A temperança na comida chama-se abstinência; na bebida chama-se sobriedade; nos prazeres sensuais ou venéreos chama-se castidade.

TEMPLO DOS HEREGES

É lícito aos católicos entrar neles para vê-los, contanto que não pratiquem aí nenhum ato de culto nem ouçam a pregação dos hereges, nem haja escândalo. Também lhes é lícito, havendo graves motivos, assistir aos funerais e aos casamentos dos hereges e a outros atos civis, contanto que não manifestem adesão aos atos religiosos que eles praticam, nem haja perigo de escândalo ou de perversão.

TÊMPORAS

são três dias de jejum — Quarta, Sexta e Sábado — que a Igreja estabeleceu, quatro vezes por ano.

O jejum das Quatro têmporas aparece em Roma, aí pelo século V. No princípio não eram mais que uma extensão do jejum da Quarta e Sexta-feira, através do Sábado, até às primeiras horas de Domingo.

A Liturgia das Quatro têmporas conserva igualmente a estrutura das antigas missas estacionais.

Chamam-se semanas das Quatro têmporas as que vêm imediatamente depois do III Domingo do Advento, do 1 Domingo da Quaresma, depois do Domingo de Pentecostes e da Festa da Exaltação da Santa Cruz (14 de Setembro) (D. Ant. Coelho O. S. B., C de Lit. Rom. ed. de 1941, vol. I, págs. 200 e 329).

Estabelecendo estes dias de penitência, nas quatro Estações do ano, a Igreja tem em vista atrair as bênçãos de Deus sobre os frutos da terra e graças particulares sobre os Clérigos que recebem o Sacramento da Ordem nos sábados das Têmporas.

Nos dias das Têmporas os fiéis são obrigados ao jejum e à abstinência, mas os que tiverem tomado a Bula e o Indulto, ficam obrigados somente à abstinência nas sextas-feiras das Têmporas.

TENTAÇÃO

é uma inclinação ou um incitamento ao pecado. Provém da nossa concupiscência ou natureza corrompida, do mundo e do diabo. «Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que atrai e alicia», escreveu o Apóstolo São Tiago (Ep. S. Tiag. I, 14). Senti-la não é pecado; é pecado consenti-la.

A tentação incomoda as almas piedosas, mas tem utilidade apreciável.

O Apóstolo São Paulo escreveu: «Deus não permitirá que sejais tentados mais do que podem as vossas forças; antes, fará que tireis ainda vantagem da mesma tentação para a poderdes suportar» (Ep. 1 Cor. X, 13). Com efeito, a tentação ensina a apreciarmos a nossa fraqueza e a necessidade que temos de recorrer ao auxílio de Deus; reanima a nossa vigilância, fortifica a nossa virtude, pelo seu exercício contínuo, faz-nos merecer diante de Deus e dos homens.

São meios de vencer a tentação: a vigilância contínua contra as ciladas do demônio, as más inclinações dos nossos sentidos e as seduções do mundo; a oração para obter a graça de Deus, sem a qual não vencemos; a fuga das ocasiões do pecado, a frequência dos Sacramentos, a meditação, a boa leitura e o bom emprego do tempo. «Vigiai e orai para não entrardes em tentação», disse Jesus (Ev. S. Mat. XXVI, 41).

TENTAÇÃO DE DEUS

é uma palavra ou um fato pelos quais manifestamos esperar de Deus, sem justa causa, algum efeito extraordinário, com o fim de experimentar se Deus é onipotente, ou se tem alguma outra perfeição que se Lhe atribui, ou simplesmente para satisfazer a nossa vontade.

A tentação de Deus, se procede da dúvida acerca das suas perfeições, é pecado grave e envolve incredulidade. Se não procede da dúvida, mas é feita por leviandade, pode ser pecado venial, como, por ex.: esperar de Deus um auxílio, sem causa suficiente e sem empregar os meios naturais para conseguir o que se espera.

Não há tentação de Deus se, havendo causa justa e grave, se pede um milagre para utilidade nossa ou de outrem.

TEOLOGIA

Etimologicamente deriva de duas palavras gregas: «Teos + logos», que significam «palavra de Deus». Teologia é a ciência que trata de Deus.

A Teologia pode ser natural (Teodicéia), se procede de princípios naturais; sobrenatural se procede de princípios revelados e tira conclusões a respeito de Deus e das coisas divinas.

Neste último sentido a Teologia pode definir-se: «a ciência que dos princípios da fé, mediante raciocínio reto, tira conclusões acerca de Deus e das coisas que, de qualquer modo que seja, se relacionam com Ele».

Sendo a Teologia uma ciência, é costume dividi-la em:

a) Dogmática, que é o conjunto das verdades reveladas, que todo o cristão deve crer;

b) Moral, que é o conjunto dos deveres que o cristão tem de cumprir para conseguir a vida eterna;

c) Ascética e mística, que trata dos conselhos dados por Deus, para que o cristão chegue a atingir a perfeição da vida crista e expõe os caminhos por onde Deus conduz as almas à mais elevada santidade.

TEOSOFISMO

ressuscita erros grosseiros, tais como o panteísmo, a emanação dos seres da substância divina e a transmigração das almas, através dos corpos, mesmo dos animais, em expiação das culpas de uma vida anterior. A Igreja proíbe fazer parte das sociedades teosóficas, assistir às suas reuniões, ou ler os livros, periódicos e quaisquer outras publicações (C. P.).

TERCEIROS SECULARES

– Ver a palavra ORDEM TERCEIRA.

TÉRCIA

é uma das Horas Canônicas do Ofício Divino, que se segue à Hora de Prima e que corresponde às 9 horas da manhã; era a terceira hora do dia, segundo o modo de contar dos antigos.

TERÇO DO ROSÁRIO

– Ver a palavra ROSÁRIO.

TESTAMENTO (ANTIGO)

é o nome que se dá ao pacto ou aliança que Deus fez com os Patriarcas, antes da vinda de Jesus Cristo. Compreende 45 livros, inspirados e escritos antes da vinda do Messias, Nosso Senhor Jesus Cristo. O Antigo Testamento é como que uma preparação do mundo para a vinda de Jesus Cristo e para a vida da Igreja.

TESTAMENTO (NOVO)

é a segunda parte da Sagrada Escritura. Chama-se novo, porque compreende os livros inspirados e escritos depois da morte de Jesus Cristo e chama-se Testamento, porque é a aliança de Jesus Cristo com os homens que recebem o sacramento do Batismo e seguem a Religião cristã.

Ver a palavra CANÔNICOS.

TESTEMUNHAIS

são documentos comprovativos de um aspirante ao Estado eclesiástico ou religioso, ter recebido o Batismo e a Confirmação. Também se dá aquele nome às informações do Bispo da Diocese de origem e às de outros em cujas Dioceses tivesse habitado durante um ano, depois dos 14 anos, assim como às dos Superiores de colégio ou Noviciado, em que tenha vivido. Tais informações são secretas e conservam se na posse de quem as recebe (C.544, 546).

Uma alma tíbia é a que cai com facilidade em pecado venial por não lhe dar importância; é a que reconhece ter hábitos viciosos e não se esforça por se corrigir; é a que, praticando a piedade, despreza os meios de progredir; é a que afrouxa no serviço de Deus, quando não sente consolação espiritual.

São causas da tibieza: a facilidade em omitir os exercícios ordinários de piedade, o desprezo das pequenas faltas, a ausência aos atos do culto social, o gosto pelas reuniões mundanas e pelas leituras frívolas. Uma pessoa tíbia pratica muitos atos bons, mais por amor de si do que por amor de Deus; daí resulta a perda de méritos sobrenaturais e de graças correspondentes.

TONSURA

é uma cerimônia estabelecida pela Igreja, pela qual o homem batizado e Confirmado fica pertencendo ao Estado eclesiástico, para que se disponha a receber o Sacramento da Ordem. Chama-se Tonsura, porque a cerimônia consiste no corte de uma parte do cabelo, acompanhado de uma oração recitada pelo Bispo que faz a tonsura. A Igreja não dá nenhum poder espiritual ao tonsurado; somente o introduz na classe daqueles que são destinados ao serviço de Deus, no Estado Clerical.

TRABALHO

é o exercício da atividade humana ordenada, tendo em vista um fim útil. Não é trabalho o exercício físico que é simples movimento, ou que tem por fim apenas o passatempo e o prazer. O trabalho é necessário à humanidade, porque a natureza não satisfaz a todas as suas necessidades.

Há várias espécies de Trabalho:

a) Trabalho corporal, o que interessa principalmente ao corpo;

b) intelectual, o que interessa principalmente ao espírito;

c) lucrativo, o que se executa com remuneração;

d) desinteressado, o que se executa sem remuneração;

e) individual, o que aproveita diretamente ao indivíduo;

f) social, o que aproveita diretamente à sociedade.

O trabalho é ordenado: à alimentação, a evitar o ócio, a combater a concupiscência e à esmola. É útil contra o furto, contra a cobiça, contra os negócios torpes.

é a palavra de Deus não escrita, transmitida de viva voz à Igreja, e vinda de geração em geração até nós, pela voz da Igreja, nos seus ensinamentos, nas suas orações e na sua disciplina.

A Tradição e a Sagrada Escritura são, para os católicos, as duas fontes da Revelação divina, os dois órgãos igualmente infalíveis da nossa Fé.

Os escritores sagrados do novo Testamento não escreveram tudo o que ouviram a Jesus Cristo durante três anos, nem tudo o que eles mesmos pregaram durante dezenas de anos. O Apóstolo São Paulo escreveu: «Irmãos, estai firmes (na Fé) e conservai as tradições (ou doutrina) que aprendestes ou de palavra ou por escrita nossa (Ep. 2 Tessal, II, 15). O próprio Jesus Cristo não mandou escrever, mandou pregar. De sorte que a palavra de Deus pertence igualmente à Sagrada Escritura e à Tradição, a qual se conserva nos escritos dos Santos Padres e nas decisões dos Concílios. A Tradição, pois, merece a mesma Fé que a Bíblia, porque foi inspirada pelo mesmo Deus.

é a conversão de toda a substância do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo, permanecendo somente as espécies do pão e do vinho. A Transubstanciação opera-se no Sacrifício da Missa, no momento em que o Sacerdote, representando Jesus Cristo, investido do poder divino recebido no Sacramento da Ordem, pronuncia as palavras da Consagração, sobre o pão e sobre o vinho: «ISTO É O MEU CORPO», «ESTE É O MEU SANGUE». São as mesmas palavras que Jesus pronunciou e mandou pronunciar; é o mesmo poder, embora comunicado; são os mesmos os efeitos.

Em consequência da Transubstanciação fica na hóstia consagrada o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, sob as mesmas espécies que continham o Pão; o Sangue, o Corpo, Alma e Divindade de Jesus Cristo, sob as espécies do vinho, não ficando nada da substância do pão e do vinho, como exprimem as palavras da consagração.

A Transubstanciação é um mistério profundíssimo, mas diz São Gregório de Nissa: «Quando Jesus vivia na Palestina, o pão e o vinho eram o seu alimento; transformavam-se na sua Carne e no seu Sangue, pela ação e pelo poder dos sucos do estômago, exatamente como acontece com os alimentos que nós comemos. Não tenho pois nenhuma repugnância em admitir que o pão se mude hoje no Corpo de Jesus Cristo, em um ato instantâneo, como efeito da sua vontade».

é uma pregação solene, durante três dias, com o fim de instruir sobre determinado assunto religioso e de afervorar os fiéis em alguma devoção particular.

TRINDADE DIVINA

é o mistério da Santíssima Trindade: três Pessoas em um Deus. Isto quer dizer que há só uma natureza divina e que nessa única natureza há três Pessoas, de sorte que a unidade de natureza não impede a pluralidade de Pessoas.

A primeira Pessoa chama-se Pai, a segunda chama-se Filho, a terceira chama-se Espírito Santo.

A mesma natureza divina no Pai e no Filho e no Espírito Santo; três pessoas divinas distintas, não à maneira das pessoas humanas que são distintas porque separadas, mas distintas enquanto às relações próprias de cada uma a respeito das outras.

Assim o Pai gera o Filho, como semelhantemente a nossa alma gera o pensamento; o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, como semelhantemente da nossa alma e do nosso pensamento procede o amor com que amamos a nossa alma e o nosso pensamento.

A alma, o pensamento e o amor são coisas distintas, têm a mesma natureza espiritual e são inseparáveis.

A nossa fé na Trindade divina é fundada na Sagrada Escritura.

Jesus Cristo mandou batizar, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Em nome de um Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, três Pessoas divinas (Ev. S. Mat. XXVIII, 19). São João na sua l.a Ep. V, 7, escreve: «três são os que dão testemunho no céu: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e estes três são uma só coisa».

é um sentimento penoso e desagradável, produzido pela presença de um mal físico ou moral. A tristeza, sendo imoderada e desordenada, pode tornar- se nociva ou pelo menos inútil. Da tristeza imoderada podem resultar: a perda da energia e do gosto para a investigação da verdade e para a prática da virtude, inquietações de espírito, temores que tornam a alma pusilânime, frieza no serviço de Deus e o desgosto de viver. Os principais meios de vencer a tristeza são:

a) julgar as várias provações da vida à luz da razão e da fé e não pelas impressões desagradáveis que em nós produzem;

b) afastar do espírito as recordações incômodas;

c) recrear o espírito e o corpo em passatempos honestos e com pessoas doutas e alegres;

d) recordar que os sofrimentos são ocasiões favoráveis à aquisição de grandes méritos;

e) confiar inteiramente em Deus, nosso Pai infinitamente bom.

TURÍBULO

é um objeto de metal com correntes, que serve para fazer as incensações nos atos litúrgicos.

TURIFERÁRIO

é aquele que, nas funções litúrgicas, se ocupa do turíbulo. Nas procissões, o seu lugar é logo adiante da Cruz processional, quando na procissão não vai o Santíssimo Sacramento ou alguma relíquia da paixão, porque indo, o seu lugar é imediatamente diante do Santíssimo ou da relíquia.

 
 
 

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SACERDOTE

é o Clérigo que recebeu a Ordem do Presbiterato. Em Portugal é conhecido pela designação geral de Padre. Os Sacerdotes são os continuadores dos setenta discípulos que acompanharam Jesus Cristo e o próprio do seu Ofício é serem medianeiros entre Deus e o povo. O Sacerdote recebe, na Ordenação sacerdotal, o poder de celebrar o Sacrifício da Missa, de pregar e de administrar os Sacramentos.

O Sacerdote faz os homens cristãos pelo Batismo, alimenta-os na Comunhão, reconcilia-os com Deus na Confissão, conforta-os na ExtremaUnção, instrui-os na Pregação, educa-os na Catequese, entrega as suas almas ao Criador na hora da morte, abrevia-lhes a entrada no Céu com os sufrágios litúrgicos, põe o fundamento da vida cristã no sacramento do Matrimônio, une a todos no Sacrifício da Missa; distribui ao povo cristão as graças de Deus e em nome do povo cristão oferece a Deus as honras que lhe são devidas; fala aos homens em nome de Deus e fala a Deus em nome dos homens.

SACRAMENTAL

é uma coisa ou uma ação de que a Igreja costuma servir-se para obter efeitos, principalmente espirituais. As coisas são os objetos benzidos: a água benta, os escapulários, medalhas, Agnus Dei, velas ou ramos bentos, etc.

As ações são as bênçãos que os Ministros Sagrados fazem sobre as pessoas ou sobre as coisas que consagram ao culto divino. Os Sacramentais foram instituídos pela Igreja; são úteis mas não necessários; podem obter a graça de Deus, mas só por virtude da oração da Igreja e da piedade de quem a reza. Os seus principais efeitos são: o perdão dos pecados veniais, a colação da graça atual, a preservação de males de ordem temporal, a separação de coisas e de pessoas do uso profano, o afastamento do demônio para que não nos moleste. O Apóstolo São Paulo ensina que «toda a criatura é santificada pela palavra de Deus e pelas orações (Ep. 1 Tim. IV, 4, 5) e é precisamente a oração que acompanha as bênçãos da Igreja que atrai sobre os Sacramentais a virtude que têm de produzir os seus efeitos de santificação.

SACRAMENTO

é um sinal sensível que, por instituição divina, tem a virtude de significar e produzir a graça. Quem recebe um Sacramento recebe a graça de Deus, que faz Santo aquele que o recebe dignamente e produz nele o efeito próprio de cada Sacramento. Foi esse o fim porque Jesus Cristo os instituiu.

São sete: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimônio.

Pelo Batismo, que apaga o pecado original, o homem nasce para a vida espiritual e sobrenatural; pela Confirmação robustece e cresce na vida sobrenatural; pela Comunhão alimenta a vida espiritual; pela Penitência recebe o perdão dos pecados; pela Extrema-Unção limpa os restos do pecado; pela Ordem é confiado a alguns fiéis o poder de reger e dirigir os outros na sociedade religiosa; o Matrimônio torna legítimos os atos da geração e santifica a propagação do gênero humano. Pelos sete Sacramentos providenciou Jesus Cristo acerca da vida sobrenatural do homem como ser individual e social.

SACRÁRIO

é o tabernáculo ou pequeno armário colocado sobre o altar, para nele se conservar a Sagrada Eucaristia. Deve ser de metal ou de madeira dourada e forrado por dentro de seda branca; dispensa-se, porém, o forro de seda, se for dourado interiormente (S. C. R). Dentro do sacrário está um pequeno vaso chamado cibório ou píxide, sobre um corporal, contendo a Sagrada Eucaristia e não pode estar mais nada.

Deve estar sempre coberto com um pavilhão, que pode ser sempre de cor branca, sendo preferível da cor dos paramentos litúrgicos do dia. Diante do sacrário não se pode colocar a cruz, nem vasos de flores, nem quaisquer objetos.

É também proibido sobrepor-lhe qualquer objeto (com exceção da cruz). Só pode haver um em cada igreja, e há de estar colocado de modo inamovível, no altar-mor ou principal, exceto nas igrejas em que haja Colegiada ou nas Sés episcopais, onde deve estar em altar lateral. Convém todavia que na igreja haja outro sacrário, que possa receber o Santíssimo em alguma circunstância inesperada.

O sacrário deve ser benzido.

SACRAS

são três quadros em que estão impressas algumas orações fixas da Missa e que se colocam no altar para o Celebrante as rezar mais comodamente do que olhando para o Missal.

SACRIFÍCIO

é a oblação externa de uma coisa sensível com a sua destruição ou mudança, feita exclusivamente a Deus pelo legítimo Ministro, em reconhecimento do Seu supremo domínio sobre todas as criaturas. Há também um sacrifício interior, invisível, o qual consiste na oferta que fazemos a Deus de nós mesmos, para vivermos unidos a Ele e fazermos a sua vontade.

O único Sacrifício da Religião Cristã é a oblação do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, debaixo das espécies do pão e do vinho consagrados na Missa, Sacrifício que fica completo com a comunhão do Sacerdote que, em nome de Jesus Cristo mesmo, o oferece.

Pode entender-se por sacrifício qualquer ato em honra de Deus para o aplacar, assim como todos os obséquios feitos ao próximo enquanto se referem a Deus, e também qualquer mortificação. O homem precisa de fazer sacrifícios por causa da remissão dos pecados, da conservação da graça e da consecução da glória eterna.

SACRILÉGIO

é a profanação das coisas santas ou consagradas a Deus, ou a violação ou mau trato de pessoas ou coisas sagradas, enquanto sagradas.

É pessoal, real ou local, segundo é praticado em pessoa, em coisa ou em lugar consagrados a Deus. É pecado mortal porque constitui grave irreverência às pessoas, coisas ou lugares consagrados ao culto divino. Porém, para se julgar da gravidade do pecado é preciso atender ao grau de santidade da pessoa, da coisa ou do lugar violados, ao grau de irreverência e à intenção do agente.

SACRISTÃO

desempenha o ofício de serventuário do Pároco no ministério paroquial e sacerdotal. Deve ser pessoa de costumes exemplares, de provada honradez e piedade, zeloso com a decência e esplendor da igreja, respeitoso para com as coisas santas, asseado na sua pessoa e de boas maneiras para com os fiéis e deve manter a ordem e o asseio na igreja, na sacristia e noutras dependências.

Deve abrir e fechar a igreja às horas designadas; vigiar a lâmpada do Santíssimo para que esteja sempre acesa, de dia e de noite; zelar os paramentos e todas as alfaias da igreja, conservando-as sempre nos seus lugares e em boa ordem.

Pode usar batina e sobrepeliz nos atos litúrgicos, ou pelo menos há de apresentar-se vestido convenientemente no serviço da igreja (C. 683).

SACRISTIA

é uma dependência da igreja, onde os Sacerdotes se paramentam para celebrarem os atos do culto. Não é propriamente um lugar santo, mas também não é um lugar completamente profano.

É proibido fumar na sacristia (C. P.).

Não só na igreja, mas também na sacristia, não se venderão estampas, mortalhas, cera, medalhas ou outros objetos, nem tão pouco se efetuarão rifas, leilões ou atos semelhantes, ainda que seja para auxiliar obras pias ou de caridade (C. 1178 e C. P.). A não ser que haja causa justa, os Párocos e Superiores das igrejas não permitirão que os leigos se demorem na sacristia e muito menos que nela conversem ou assistam daí aos atos do culto (C. P.).

SAL

é um elemento usado na liturgia, e que benzido, se mistura com a água, como símbolo de incorruptibilidade. É posto na língua do que se batiza, como símbolo de sabedoria e de alimento celeste.

SALMOS DE DAVI

formam um livro da Sagrada Escritura, no Antigo Testamento.

São 150, e chamam-se de Davi porque foi este Rei quem compôs a maior parte deles. Os Salmos são a forma antiquíssima de orar publicamente, usada no tempo da sinagoga. Estão cheios da moral mais pura, respiram o espírito de piedade, despertam todos os sentimentos dignos dum coração cristão. Os Salmos formam a oração oficial da Igreja na recitação do Ofício divino e em muitas orações litúrgicas.

SANTA SÉ OU SEDE APOSTÓLICA

Por esta designação entende-se o Romano Pontífice, as Congregações Romanas, os Tribunais e Ofícios, pelos quais o Romano Pontífice costuma tratar os negócios da Igreja (C. 7).

SANTIDADE

é o mais elevado grau de perfeição a que podemos chegar, pelo cumprimento da Lei de Deus e pela obediência aos conselhos de Jesus Cristo. O Apóstolo São Pedro escreveu: «Como é santo Aquele que vos chamou (Jesus Cristo), sede vós também santos em todas as vossas ações». (Ep. I Ped. 7, 15). E São Paulo disse: «Procurai a paz com todos e a santidade (devida), sem a qual ninguém verá a Deus» (Ep. Hebr. XII, 14;) e ainda: «esta é a vontade de Deus, a vossa santificação» (Ep. I Tessal. IV, 3).

Deus quer que sejamos santos e, para o sermos, havemos de fazer todas as nossas ações com a perfeição possível e com a intenção de Lhe sermos agradáveis. É esse o nosso maior interesse.

SANTOS

são os fiéis que gozam a felicidade eterna no Céu. Foram pessoas humanas como nós, fracas como nós, tentadas como nós, sujeitas às mesmas misérias que nós; mas seguiram a luz da fé divina, a mesma que nós temos; cumpriram os Mandamentos divinos, a que também nós somos obrigados; receberam os mesmos Sacramentos que nós podemos receber; esforçaram-se por santificar a sua vida, como nós podemos fazer. Façamos como eles e iremos gozar a felicidade que eles gozam no Céu.

SATISFAÇÃO SACRAMENTAL

é a reparação voluntária que o pecador faz a Deus, penitenciando-se, pela injúria que Lhe tem feito com os seus pecados.

É uma parte do Sacramento da Penitência, não parte essencial, mas sem ela cumprida, o penitente fica privado de satisfazer a parte da pena temporal que merece, pelos pecados cometidos e que, não sendo satisfeita neste mundo, terá o de ser no Purgatório.

É certo que a nossa satisfação só tem valor em virtude da satisfação de Jesus Cristo na Cruz, por isso havemos de estar em graça quando fazemos obras de satisfação.

Também é certo que Jesus Cristo satisfez suficientemente por todos os homens, mas não eficazmente, isto é, torna-se necessário que os homens queiram aplicar a si mesmos os méritos da satisfação de Jesus Cristo, o que farão pelo arrependimento dos seus pecados e pelo amor a Jesus.

SECULARIZAÇÃO

é o indulto concedido pela Santa Sé aos religiosos de direito Pontifício, ou pelo Bispo aos de direito diocesano, o qual tem por efeito separar perpetuamente o religioso da Ordem ou da Congregação a que pertencia, voltando ao estado secular.

SEGREDO

é aquilo que não sendo público se deve guardar oculto, ou que não se deve comunicar a outro. Revelar um segredo sem causa justa e proporcionada à sua gravidade é um pecado ou contra a justiça, se é causa de algum dano, ou contra a fidelidade, se o segredo foi prometido. Se não é lícito, de modo geral, violar segredos também não é lícito explorá-los injusta e maliciosamente. Por isso pecam, não só os que revelam segredos, mas também os que os querem arrancar, os que escutam às portas, os que lêem cartas a outros dirigidas.

Casos há, porém, em que é lícito revelar os segredos: quando o bem público da sociedade ou da Igreja assim o exigir, quando a caridade para com o próximo ou para conosco assim o reclamar. Também a autoridade legítima pode, por justas razões, procurar conhecer os segredos que digam respeito ao bem da sociedade, como seria a necessidade de descobrir um criminoso.

SEMANA SANTA.

Ver ENDOENÇAS.

SEMINÁRIO

é o estabelecimento de educação e ensino que tem por fim experimentar a vocação dos que pretendem entrar no estado eclesiástico, dirigindo-os e educando-os na prática de todas as virtudes cristãs, e instruindo-os em todos os conhecimentos necessários para o melhor desempenho das funções sacerdotais, sempre em conformidade com a doutrina da Santa Igreja Católica.

A direção e governo, tanto espiritual como temporal do Seminário pertence ao Bispo (C. 1357), ao qual compete escolher:

a) um Reitor para presidir à administração do mesmo Seminário;

b) um Vice-Reitor e Prefeitos, que façam observar a disciplina e cuidem da educação dos seminaristas;

c) um Diretor espiritual, cujo principal cuidado consiste em infundir e cultivar nos seminaristas a vida de piedade;

d) Professores, que se ocupam da instrução dos alunos, ao mesmo tempo que concorrem para a sua formação moral e piedosa.

SEMINARISTAS

são os alunos que frequentam o Seminário.

A sua admissão é reservada ao Bispo. Só em casos muito extraordinários poderá algum ficar externo. Somente podem ser alunos do Seminário os que se propuserem receber nele educação para o estado eclesiástico (C. 1363), e não podem ser admitidos os filhos ilegítimos, nem os filhos de país divorciados.

Os estudos dos seminaristas abrangem cinco anos de Humanidades, três de Filosofia e quatro de Curso Teológico. Para a admissão no Seminário devem os pretendentes entender-se com os seus respectivos Párocos, os quais não aceitarão a proposta de nenhum que seja filho ilegítimo, filho de divorciados, ou de pais alcoólicos, ou de conduta imoral, e cujas intenções não sejam puras e retas.

SENSUALIDADE

é a busca dos prazeres dos sentidos fora das leis estabelecidas por Deus. Produz efeitos que são a vergonha da humanidade. A quantos crimes ela arrasta, a quantas baixezas faz descer, em que misérias morais e físicas faz cair! Ela cega os que a reprovam, vence os que a condenam, domina os que a detestam, escraviza mesmo aqueles a quem repugna. Cautela devemos ter, porque naquilo que censuramos aos outros podemos também cair, se não correspondemos à graça de Deus.

SEPULTURA

Todos podem, não lhes sendo isso expressamente proibido pelo direito, escolher a igreja do seu funeral ou o cemitério da sua sepultura, exceto os impúberes (C. 1223, 1224). Mas para se eleger sepultura em cemitério diverso do da paróquia própria do defunto, requer-se licença, concedida por aquele de quem depender o cemitério (C. 1228).

A sepultura eclesiástica consiste na trasladação do cadáver para a igreja, nas exéquias perante ele celebradas e na sua deposição em lugar legitimamente destinado ao enterramento dos fiéis defuntos (C. 1204).

São privados de sepultura eclesiástica os que morrem sem Batismo e também, a não ser que antes da morte tenham dado algum sinal de penitência:

1.° Os notórios apóstatas da Fé ou notoriamente filiados em seita herética ou cismática, ou seita maçônica, ou noutras associações da mesma natureza.

2. o Os excomungados ou interditos, depois da sentença condenatória ou declaratória.

3.° Os que deliberadamente se suicidaram.

4.° Os mortos em duelo ou em consequência de ferimento nele recebido.

5.° Os que tenham mandado que o seu corpo seja queimado.

6.° Outros pecadores públicos e manifestos (C. 1240).

Devem considerar-se pecadores públicos manifestos os que vivem em público concubinato, estejam ou não registrados civilmente (C. P.). Aos que recusam os últimos Sacramentos será negada sepultura eclesiástica, se tal recusa tiver sido diante de várias pessoas, de maneira que a concessão de sepultura eclesiástica seja ocasião de escândalo. Ocorrendo dúvida sobre se pode ser dada sepultura eclesiástica aos que o Direito Canônico enumera como excluídos, consulte-se o Ordinário, se houver tempo; permanecendo a dúvida, dê-se sepultura eclesiástica, mas de sorte que se remova o escândalo (C. 1240).

Nenhum corpo pode ser sepultado, principalmente se a morte for repentina, sem que passe o intervalo de tempo bastante (24 horas) para remover a dúvida sobre a certeza do óbito (C. 1213). Depois de dada a sepultura eclesiástica em qualquer lugar a um cadáver, não pode este ser exumado sem licença do Bispo (C. 1214).

SEXTA

é a hora canônica que se rezava ao meio dia, correspondendo à hora sexta do dia.

SEXTA FEIRA SANTA

— Ver a palavra ENDOENÇAS.

SIGILO SACRAMENTAL

é o absoluto segredo que o Confessor guarda, de tudo o que conhece por meio da Confissão sacramental e de cuja revelação pode resultar gravame ao penitente. Assim determina o Código de Direito Canônico: O sigilo sacramental é inviolável; por isso acautele-se diligentemente o Confessor, para que nem por palavra, nem por escrito, nem por sinal ou qualquer outro modo, nem por motivo nenhum denuncie o pecador. A mesma obrigação têm o intérprete e todos aqueles que de qualquer modo tiverem notícia da Confissão (C. 889).

É inteiramente proibido ao Confessor o uso da ciência adquirida pela Confissão, com gravame do penitente, excluído mesmo o perigo de revelação (C. 890).

Nem pode o Confessor ser testemunha, em tribunal, dos penitentes que confessa, ou do que soube pela Confissão sacramental (1757).

SÍLABO

é a coleção de 80 proposições que contêm os principais erros modernos condenados pelo Papa Pio IX e publicado em 1864. São erros em defesa do panteísmo, do socialismo, do naturalismo, do comunismo, das sociedades secretas e erros contra os direitos da Igreja sobre a sociedade civil, sobre o casamento civil e vários outros. Condenados como estão pela suprema Autoridade da Igreja, nenhum católico os pode defender nem admitir.

SIMONIA

é a deliberada vontade de comprar ou vender alguma coisa espiritual (como a graça e os Sacramentos,) ou coisa temporal anexa a coisa espiritual (como o cálice consagrado, por causa da consagração, um benefício eclesiástico, etc.). É pecado mortal, por falta de reverência para com as coisas divinas, tais como a consagração do cálice (C. 727). Mas não há simonia quando se dá alguma coisa espiritual, segundo legítimo costume reconhecido pela Igreja.

Como não há simonia comprando, por exemplo, um cálice consagrado pelo preço do cálice, sem aumento por causa da consagração. (C. 730).

SINCERIDADE

é uma virtude natural que nos faz dizer sempre a verdade.

É tão essencial na vida cristã que nenhuma prática de piedade a pode suprir ou compensar. É um laço social e a base das relações sociais. «Seja a vossa palavra sim, sim, não, não», disse Jesus Cristo, ensinando-nos que devemos falar com lealdade e sinceridade. Em todos os atos da nossa vida, pois, sejamos verdadeiramente sinceros, leais.

SÍNODO DIOCESANO

é a assembléia, presidida pelo Bispo, na qual tomam parte os sacerdotes que a isso têm direito. Deve ser celebrado em cada Diocese ao menos de dez em dez anos. No Sínodo são tratados assuntos que dizem respeito às necessidades particulares ou à utilidade do Clero e do povo dessa Diocese. É convocado e presidido pelo Bispo, que é o único legislador nos Sínodos, tendo somente voto consultivo os Sacerdotes convocados (C. 356, 357, 362).

SINÓTICOS (Evangelhos)

Dá-se este nome à narração evangélica dos três primeiros Evangelistas, porque, dispondo em três colunas os textos das partes comuns, obtém-se uma sinopse (vista de conjunto) concordando em muitos pontos.

SINOS

Por serem destinados ao culto divino, por meio de sagração ou bênção litúrgica, o seu uso está unicamente sob a dependência da autoridade eclesiástica; por isso, fora do caso de necessidade, não se devem tocar senão de harmonia com as prescrições litúrgicas e as determinações do Bispo. O seu uso seja moderado, principalmente de noite (C. P.), cada toque de sinos não deve prolongar-se por mais de três minutos. A chave da torre dos sinos esteja em poder do Pároco ou do Superior respectivo, ou, com licença destes, em poder de pessoa de confiança (C. P.).

Nos dias em que, pela solenidade, não é permitido celebrar exéquias ou funerais com pompa e canto, também não se pode tocar a finados. Aos domingos e dias santificados, só depois de terminada a Missa paroquial se podem fazer toques fúnebres, e onde se fizer a Procissão pelos defuntos ao domingo, durante ela são proibidos os sinais fúnebres. De noite não se pode tocar a finados, exceto na véspera de fiéis defuntos.

Não são permitidos dobres ou sinais fúnebres dos sinos por aqueles a quem é recusada sepultura eclesiástica.

Os toques dos sinos anunciam aos fiéis os vários atos do culto religioso, convidando-os a recordar e a tomar parte na oração, nas alegrias e nas tristezas de que os toques dão sinal.

SOBERBA

é o primeiro dos sete pecados capitais. É a estima excessiva ou o amor desordenado que o homem tem de si mesmo e da própria excelência, a qual faz com que atribua tudo a si e não a Deus.

De quatro modos podemos cair no pecado da soberba:

a) gloriando-nos dos bens naturais e sobrenaturais que temos, como se os tivéssemos de nós mesmos;

b) atribuindo só aos nossos méritos os benefícios que recebemos de Deus;

c) jactando-nos de ter o que não temos ou mais do que temos;

d) rebaixando ou desprezando os outros. A soberba é um pecado que dá origem a muitos outros pecados.

De modo particular procedem da soberba: a presunção, a ambição, a vanglória, a jactância, a hipocrisia, a teimosia, a sobranceria, a insubmissão e a incredulidade. Jesus Cristo condena a soberba, dizendo: «Todo o que se exalta será humilhado» (Ev. S. Mat. XXIII, 12).

SOBREPELIZ

é uma veste litúrgica de tecido branco, que, entrando pela cabeça, desce dos ombros até aos joelhos, com mangas compridas e largas. Em Portugal, geralmente é curta e sem mangas. É conveniente que seja de linho ou de cânhamo.

SOLITÁRIOS

É o nome dado aos cristãos que no IV século se retiravam da sociedade, ainda, paganizada, para viverem nos desertos do Egito, em oração, jejum e outras penitências, com o fim de perpetuarem na Igreja a prática de todas as virtudes.

SOFRIMENTO

A causa do sofrimento no gênero humano é o pecado original; por isso todo o homem está sujeito à dor. A cada maldade voluntariamente praticada, corresponde algum castigo que faz sofrer. Mas o sofrimento é remédio que nos preserva de cair em pecado, oferece-nos ocasião de praticarmos grandes virtudes e é meio de expiarmos pelos nossos pecados.

Para o sentirmos menos amargo e o tornarmos meritório, devemos suportá-lo com resignação, lembrando-nos de que Deus é nosso Pai, que nos castiga para nosso bem e de que as tribulações desta vida são nada em comparação com a glória eterna que o sofrimento nos ajuda a conseguir.

SUBDIACONATO

é a Ordem que confere o poder de preparar nos vasos sagrados a matéria do Sacrifício da Missa, de cantar a Epístola na Missa solene, de purificar os sanguíneos e os corporais e de oferecer o cálice com a patena ao Diácono nas Missas cantadas. O Subdiaconato só pode ser recebido depois do 3.° ano do curso teológico e com a idade de 21 anos completos (C. 975, 976).

SUFRÁGIO

é toda a obra feita com a intenção de prestar alívio às almas que sofrem no Purgatório. O livro 2.° dos Macabeus, XII, 43, ensina que é santo e salutar o pensamento de orar pelos defuntos, para que lhes sejam perdoados os pecados, isto é, para que sejam aliviados das penas que sofrem por causa dos seus pecados.

As almas que estão no Purgatório permanecem em união de caridade com os que ficaram neste mundo; podemos por isso, e devemos, usar de caridade para com elas, pois são-lhes proveitosas as nossas boas obras. As principais, que têm o nome de sufrágios, são: a Missa, a Sagrada Comunhão, a oração, os atos de piedade, os sacrifícios próprios, a esmola e as indulgências.

Para que as orações e boas obras dos fiéis aproveitem às almas do Purgatório, é necessário que quem as faz esteja na graça de Deus e tenha intenção de aplicálas a essas almas.

SUICÍDIO

é o ato pelo qual o homem se dá a morte a si mesmo, diretamente e por própria autoridade. Em nenhum caso é lícito o suicídio. Deus é o autor da vida; confia o uso desse bem a cada homem para este realizar um fim determinado durante o tempo que Deus lhe conceder. Aquele que se suicida usurpa os direitos de Deus, morrendo por sua vontade antes de ter realizado o fim para que foi chamado à vida. O suicídio é um pecado mortal; se não é um ato de loucura, é um ato de covardia. O suicida é privado de sepultura eclesiástica (C. 2360 e 1240).

SUPÉRFLUO

é o que sobeja dos bens materiais, tirado o necessário rara a vida e para a posição social, isto é, para a decente conservação da família, criados, hóspedes, honestas ofertas e moderadas recreações. Do supérfluo dá-se aos pobres, quer em dinheiro, quer noutros benefícios.

SUPERSTIÇÃO

Vulgarmente dá-se o nome de superstição a certas crenças ou preconceitos que não têm nenhum fundamento sério, como o número 13 à mesa, o cair azeite no chão e semelhantes.

A superstição é uma espécie de culto prestado, direta ou indiretamente, ao demônio, com o fim de obter por meio de certas práticas uma coisa que se deseja.

Praticam a superstição os feiticeiros, os adivinhos, os mágicos e os que a eles recorrem.

Detestem os fiéis todas e quaisquer práticas supersticiosas.

Desprezem as cartas ou escritos em que se propõem certas orações de piedade para serem distribuídas a certo número de pessoas para se conseguir algum bem ou evitar algum mal.

Detestem especialmente a consulta de espíritos e as sessões de espiritismo, quer nas mesmas intervenha médium, quer não. Incorrem, ipso fato, em excomunhão os que tomarem parte ativa nas sessões de espiritismo, ou as promoverem, ou apenas assistirem a elas (C. P.).

 
 
 

R

RACIONALISTA

rejeita toda a sujeição da razão humana a Deus; proclama que a mesma razão é a fonte única de toda a verdade especulativa e prática; exclui toda a revelação; nega a ordem sobrenatural e despreza a autoridade da Igreja (C. P.).

RAPTO

é um impedimento dirimente do Matrimônio, que resulta do fato de o nubente haver raptado a noiva para casar com ela. Este impedimento dura enquanto a raptada estiver em poder do raptor. Se ela, porém, separada do raptor e posta em lugar seguro e livre, consentir em o receber por marido, cessa o impedimento. Para a nulidade do Matrimônio é equiparado ao rapto o fato de um homem, com o fim de casar com uma mulher, a reter violentamente no lugar onde ela mora ou em qualquer outro onde ela tenha ido livremente (C. 1074).

RECIDIVO

no sentido jurídico, é aquele que, depois de condenado, comete delito do mesmo gênero, deixando perceber, por várias circunstâncias, que cai com pertinácia da má vontade (C. 2208).

RECOMPENSA

prometida, é um estímulo para cumprirmos o nosso dever, ainda que penoso. Jesus Cristo estimula-nos à prática da virtude, dizendo: «Todo o que der a beber a um destes pequeninos, somente um copo de água fria por ser meu discípulo, não perderá a sua recompensa». E acrescenta: «O Filho do homem (o próprio Jesus Cristo) há de vir na glória de seu Pai com os seus Anjos (a julgar os homens), e então dará a cada um a paga, segundo as suas obras» (Ev. S. Mat. X, 42; XVI, 27). A recompensa, porém, não é prometida para o momento em que a obra meritória é praticada, e sim para o dia do nosso julgamento após a morte, para a gozarmos eternamente.

REDENÇÃO DO GÊNERO HUMANO

Por causa do pecado original em que todos os homens são concebidos, ninguém podia conseguir a salvação eterna por méritos próprios. O Filho de Deus fez-se Homem, padeceu e morreu por amor dos homens, oferecendo a seu eterno Pai a sua Vida, Paixão e Morte, como sacrifício para remir os homens do pecado e poderem entrar no Céu. Deste modo foi feita a redenção do gênero humano.

RECONCILIAÇÃO

é o ato pelo qual se une a amizade, que fora quebrada por qualquer motivo. Deve procurar a reconciliação, e sem demora, aquele que ofendeu, ou que ofendeu mais gravemente, ou que ofendeu primeiro. Pode ser procurada por intermédio de amigos, ou pedindo perdão, ou por aproximação em conversa.

O ofendido é obrigado a perdoar a ofensa, logo que seja pedida a reconciliação. Disse Jesus: «Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe» (Ev. S. Luc. XVII, 3).

RECONCILIAÇÃO

de igreja violada deve ser feita o mais breve possível, segundo o rito aprovado nos livros litúrgicos. Havendo dúvida sobre se foi violada, pode ser reconciliada ad cautelam (C. 1174). O mesmo está disposto sobre reconciliação de cemitério (C. 1207).

REGULARES

são os religiosos que fizeram votos em alguma Ordem Religiosa, onde se fazem votos (C. 488). São obrigados à clausura papal (C. 697) e estão isentos da jurisdição episcopal, exceto nos casos expressos no Direito (C. 615).

REINO DE DEUS

na terra é a Igreja Católica, com a sua vida social, sob o regime espiritual da hierarquia, de que é Chefe visível universal o Romano Pontífice. A Igreja, reino de Deus exterior, está encarregada de manter e propagar o reino de Deus interior, ou reinado de Deus nas almas neste mundo.

Na eternidade, o Reino de Deus é o Céu, onde entram os homens que na terra fizeram parte da Igreja Católica. Ao Reino de Deus na terra podem pertencer todos os homens, sem distinção de raça, de nacionalidade, de condição, mas não devem procurar nele bens materiais; encontrarão, porém, a paz, a justiça e a alegria de uma vida virtuosa. Assim escreveu o Apóstolo São Paulo: «O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo» (Ep. Rom. XIV, 17).

REITORES DAS IGREJAS

são os Sacerdotes aos quais é confiado o culto numa Igreja que não é paroquial, nem capitular, nem anexa a uma casa de Comunidade religiosa (C. 479). É livremente nomeado, ou aprovada a sua nomeação pelo Bispo, que o pode remover, havendo causa justa (C. 480, 486).

Na sua igreja pode celebrar os Ofícios divinos, salvo os que pertencem ao ministério paroquial e de maneira que não prejudique as funções paroquiais (C. 482). Sem licença, ao menos presumida, do Reitor ou de outro Superior legítimo, a ninguém é lícito celebrar Missa, administrar Sacramentos e fazer outras funções sagradas na sua igreja.

O Pároco, porém, pode levar da igreja do Reitor o Santíssimo Sacramento aos enfermos (C. 484). Pertence ao Reitor a administração dos bens destinados à reparação, ao decoro e ao culto divino na sua igreja, a não ser que outra coisa conste de título especial, ou de legítimo costume (C. 1182).

RELIGIÃO

é a virtude sobrenatural que nos inclina a prestar a Deus o culto que lhe é devido, por causa da sua infinita excelência e supremo domínio. Tudo aquilo que importa reverência a Deus pertence à Religião, a qual se pratica por atos interiores, que são os principais, os que elevam o nosso espírito até Deus, e por atos exteriores, manifestando pelos membros do corpo os sentimentos do nosso espírito.

A Religião é constituída por um conjunto de verdades e de preceitos, pelos quais a nossa vida tem de ser ordenada a Deus. Essas verdades, como os preceitos, foram dados por Deus ao homem, para saber o que deve crer e praticar para viver como Deus quer e para que, vivendo assim, possa ir gozar a Deus na eternidade.

A Religião é um fato universal; existiu sempre e existe em todos os povos.

Revelou-a Deus no começo da Humanidade; conservou-a como foi revelada o povo de Israel; os outros povos afastaram-se do verdadeiro Deus, desconheceram-no, caíram em erros grosseiros acerca da divindade e criaram várias religiões, prestando culto a vários deuses, segundo os concebiam, porque sempre os homens consideraram a religião como uma coisa necessária.

Jesus Cristo, Deus feito Homem, veio ao mundo há 19 séculos, chamar todos os homens à prática da Religião divina, que tomou o nome de Religião cristã.

Mandou a seus Apóstolos que a ensinassem a todas as gentes. Mas há ainda muitos povos que não conhecem a Religião de Jesus Cristo e que continuam a seguir as religiões que receberam dos seus antepassados, religiões falsas porque humanas, pois a divina é uma só, como um só é o verdadeiro Deus.

As religiões não cristãs que maior número do aderentes contam são as seguintes:

Hinduísmo, com cerca de 25 milhões, nas índias, na Birmânia e nas Antilhas.

Budismo, com 213 milhões, na China, nas Índias, na Indochina, no Japão e na Coréia.

Xintoísmo, é a religião oficial do Japão.

Confucionismo, com 350 milhões, é a religião oficial da China.

Há ainda um grande número de religiões pagãs, espalhadas pela África, pela Oceania e por algumas regiões da América e da Ásia. E há o Judaísmo, com 16 milhões de judeus, espalhados por todos os povos do mundo. Os judeus adoram o verdadeiro Deus e têm os seus Mandamentos, mas negam Jesus Cristo e rejeitam a sua religião.

Também se dá o nome de Religião, à Sociedade aprovada pela legítima Autoridade eclesiástica, cujos membros se ligam pelos três votos de: pobreza, castidade e obediência, com o fim de tenderem à perfeição evangélica, vivendo sob as leis próprias da Sociedade. A Sociedade religiosa chama-se Ordem, se nela se fazem votos solenes; Congregação religiosa, se se fazem somente votos simples, quer temporais ou perpétuos; de Direito Pontifício, se tem aprovação ou ao menos Decreto de louvor da Sé Apostólica; de Direito Diocesano, se é ereta pelo Bispo e não obteve aquele Decreto de louvor (C. 488).

RELIGIÃO MISTA

é um impedimento impediente do Matrimônio, que resulta do fato de um dos contraentes ser católico e o outro, posto que batizado, pertencer a alguma seita herética ou cismática. A Igreja proíbe tal casamento, por causa do perigo de perversão do cônjuge católico ou da prole.

RELIGIOSOS (frades)

são os cristãos que, por voto solene, se obrigam voluntariamente a seguir a vida monástica ou conventual, segundo a Regra da Ordem a que pertencem. Aos Religiosos dá-se o nome de frades, que quer dizer irmãos, porque se tratam como irmãos os que entram no Estado Religioso.

Estado Religioso consiste essencialmente na observância dos três votos de: pobreza, castidade e obediência. A Regra particular de cada Ordem deve ser aprovada pela Igreja. Há quatro Regras principais: a de São Basílio, a de Santo Agostinho, a de São Bento e a de São Francisco; debaixo destas quatro Regras há diversas espécies de Ordens  Religiosas. Há também muitas Congregações Religiosas que não pertencem a estas quatro Regras.

Antes de o cristão se ligar para sempre a uma Ordem Religiosa ou a uma Congregação, faz o seu Noviciado, isto é, durante um determinado período de tempo, estuda a vida da Ordem ou da Congregação e examina as suas próprias forças físicas e morais, para saber se é adaptável ao espírito e às obras próprias da Ordem ou da Congregação. Decorrido o tempo do Noviciado, se quer abraçar a vida Religiosa e se o Superior o admite, faz a sua Profissão, isto é, emite os votos e não pode mais abandonar o Estado Religioso senão nas condições previstas na legislação Canônica.

RELÍQUIAS DOS SANTOS

são restos dos corpos dos Santos, ou objetos de que fizeram uso. São classificadas em duas categorias: Insignes ou grandes, e são o corpo, a cabeça, o braço, a perna, ou a parte do corpo em que o Santo sofreu o martírio, o antebraço, a mão, a língua e o coração.

A segunda categoria é formada pelas relíquias pequenas (C. 1281). O Santo Lenho, ainda que seja uma pequenina parte, é sempre considerada como relíquia insigne, por ser uma parte da cruz em que Jesus Cristo morreu.

A Igreja aprova e recomenda o culto das relíquias, mas um culto relativo à pessoa ou ao Santo a que as relíquias pertencem (C. 1255).

A qualquer relíquia de Santo é devido o culto de veneração com uma inclinação de cabeça e é incensada com dois duetos.

O Santo Lenho tem o culto de veneração de joelhos e é incensado com três duetos.

As relíquias insignes não podem conservar-se em casas ou oratórios particulares, sem expressa licença do Bispo do lugar.

As relíquias não insignes podem conservar-se em casas particulares, sendo tratadas com honra. Não podem as relíquias ser expostas ao culto público, sem estarem autenticadas em documentos por algum Cardeal, ou pelo Bispo do lugar, ou por algum Eclesiástico com faculdades especiais. As relíquias, quando são expostas, devem estar encerradas numa cápsula. A relíquia do santo Lenho nunca deve estar exposta à veneração pública na mesma cápsula com relíquias de Santos. As relíquias dos Beatos, sem Indulto especial, não devem ser levadas nas Procissões, nem expostas na igreja, a não ser naquela onde se celebra Ofício e Missa por concessão da Sé Apostólica.

As santas relíquias não são objeto de comércio; não se podem vender (C. 1282 e segs.).

REMISSÃO DOS PECADOS

foi confiada à Igreja por Jesus Cristo, dizendo aos seus Apóstolos: «Àqueles a quem perdoardes os pecados serão perdoados» (Ev. S. Jo. XX, 23). A remissão dos pecados é fruto da Paixão e morte de Jesus Cristo, como se lê no Santo Evangelho: «Importava que Cristo padecesse e que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia e que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados em todas as Nações» (Ev. S. Luc. XXIV, 46, 47).

Pela remissão dos pecados somos justificados, isto é, recebemos a graça de Deus e ficamos na sua amizade, capazes de viver virtuosamente e de gozar a bem-aventurança celeste. A remissão dos pecados faz-se por meio dos Sacramentos, particularmente pelo Batismo e pela Penitência ou Confissão sacramental.

RESERVADOS

são os pecados cuja absolvição o Papa ou o Bispo reservam para si próprios (C. 893). O único pecado ratione sui reservado à Santa Sé é a falsa denúncia, pela qual o Sacerdote inocente é acusado do crime de solicitação perante os juízes eclesiásticos (C. 894). Dos casos ipso jure, reservados ao Bispo, os Párocos podem absolver durante o tempo da Missão ao povo (C. 899).

Toda a reserva cessa:

a) quando se confessam os doentes que não podem sair de casa;

b) os noivos por causa do casamento, quando, segundo juízo prudente do Confessor, este não pode pedir ao legítimo Superior as faculdades de absolver, sem grave incômodo do penitente ou sem perigo de violação do sigilo sacramental (C. 900).

RESPEITO HUMANO

é um sentimento produzido pelo temor de desagradar ao mundo, quando há um dever religioso a cumprir. É uma fraqueza na Fé, é uma covardia na ação.

A Religião de Jesus Cristo não exige de nós coisa alguma de que tenhamos de nos envergonhar.

Pelo contrário, todos os atos da Religião têm por fim levar-nos à prática da virtude, elevar-nos para Deus.

Ter respeito humano é ter vergonha de servir a Deus, é preferir a estima dos homens à graça de Deus. Que nos importa o que digam de nós, se Deus aprova as nossas ações? E que dirá Deus e que fará Deus se nos envergonharmos de servi-Lo? A resposta é dada por Jesus Cristo, dizendo: «Se alguém se envergonhar de Mim e das minhas palavras, também o Filho do homem (que é Jesus Cristo mesmo) se envergonhará dele, quando vier na sua majestade e na de seu Pai e na dos Anjos» (Ev. S. Luc. IX, 26).

RESSURREIÇÃO DA CARNE

é a união da alma separada ao seu corpo, no fim do mundo, para nova vida, que será eterna.

É uma verdade ensinada por Jesus, dizendo: «Todos os que se acham nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que obraram bem neste mundo sairão para a ressurreição da vida (eterna), mas os que obraram mal sairão ressuscitados para a condenação» (Ev. S. Jo. V, 28, 29). E o Apóstolo São Paulo escreveu: «Todos ressuscitaremos num abrir e fechar de olhos; porquanto, é necessário que este corpo mortal se revista da imortalidade» (Ep. I Cor. XV. 51, 52, 53).

A ressurreição não é natural, é miraculosa.

Deus criou o homem, infundindo no pó da terra uma alma imortal e espiritual, que lhe deu a vida. Deus tira a vida ao homem separando a alma do seu corpo.

Deus dá novamente vida ao homem, unindo novamente a alma ao pó que foi o seu corpo. A Deus nada é impossível.

RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO

é o fundamento da nossa Fé, como escreveu o Apóstolo São Paulo: «Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa Fé» (Ep. 1 Cor. XV, 17.). A ressurreição de Jesus Cristo foi profetizada por Ele mesmo, operada por Sua própria virtude, três dias após a sua morte, e reconhecida pelos Seus Apóstolos e discípulos, que O viram vivo, depois de ser sepultado, que Lhe falaram, que O ouviram, que com eles se sentou à mesa, o que tudo consta do santo Evangelho.

RESTITUIÇÃO

é o ato de justiça comutativa, que tem por fim reparar a lesão do direito alheio. A restituição dos bens alheios tem preferência sobre o socorro aos parentes, a não ser que estejam em extrema necessidade. Aquele que injustamente impede alguém de conseguir um rendimento é obrigado a restituir, ao arbítrio de pessoa conscienciosa. A restituição pode ser feita pelo Confessor, ou por outro meio, secretamente, para o crime não ser conhecido.

Se aquele a quem é devida a restituição morreu, é feita aos herdeiros; se é desconhecido, dá-se aos pobres; se está muito distante, remete-se ou deposita-se à sua ordem.

RESTRIÇÃO MENTAL

consiste no uso de palavras que têm um sentido diferente daquele que naturalmente significam, quando não se quer dizer a verdade. Por ex.: a alguém que não foi a Lisboa pergunta-se se já viu aquela cidade; responde que sim, subentendendo em fotografia. Não é lícito usar de tal restrição mental.

De outra maneira se faz a restrição mental, empregando palavras que, embora não exprimam a verdade, a deixam perceber pelo sentido da frase. Por ex.: a alguém a quem foi confiado um segredo perguntam se o conhece, e responde que não, subentendendo que não o conhece para o descobrir. Esta restrição mental é lícita. Mas não convém fazer uso da restrição mental, para evitar o caminho aberto à mentira, e para não diminuir a mútua confiança que deve haver na vida social.

RETIRO ESPIRITUAL

é a suspensão, por alguns dias, da vida habitual, para os consagrar a um trabalho interior mais intenso e preparar o futuro, estudando em melhores condições a vontade de Deus sobre nós e renovando o fervor da alma para uma vida mais cristã, mais sobrenatural. O isolamento durante o Retiro deve ser o mais completo possível, para que todo o tempo seja aplicado à meditação, aos exames de consciência, à oração, às resoluções, à organização da vida para o futuro.

REVELAÇÃO

é a manifestação de alguma verdade, feita por Deus iluminando sobrenaturalmente a nossa inteligência. Deus revelou as verdades da Religião aos Judeus, por meio dos Profetas; as verdades da Religião Cristã foram reveladas por Jesus Cristo, Deus Filho feito homem. A nossa Fé funda-se nas revelações feitas por Jesus Cristo e escritas no santo Evangelho, nas Epístolas dos Escritores Sagrados e na Tradição conservada na Igreja Católica.

O Apóstolo São Paulo escreveu: «Deus, tendo falado (revelado) muitas vezes e de muitos modos, noutro tempo a nossos pais pelos Profetas, nestes dias nos falou pelo (seu) Filho (Jesus Cristo)» (Ep. Hebr. I, 1, 2).

RIQUEZA

por mais avultada que seja, não nobilita o homem nem o engrandece, porque o homem é maior que todos os bens do mundo e tudo lhe é inferior. Mas a riqueza não é um mal; pode servir para o mal como para o bem, segundo o uso que dela se fizer.

O Apóstolo São Paulo escreve: «Os ricos deste mundo não sejam altivos, nem se fiem na incerteza das riquezas. Pratiquem o bem, façam-se ricos em boas obras, dêem e repartam com boa vontade» (Ep. I Tim. VI, 17, 18).

Têm os ricos o direito de utilizar a riqueza na própria sustentação, segundo a condição de vida de cada um; e têm o dever de repartir com os pobres, mas de maneira que estes sintam o alívio da sua pobreza.

RITO

Chama-se rito ao conjunto de fórmulas e cerimônias que a Igreja usa para prestar a Deus o culto que lhe é devido. O rito pode ser de instituição divina e de instituição eclesiástica. O de instituição divina chama-se essencial porque constitui a essência mesma do Sacrifício e dos Sacramentos; o de instituição eclesiástica é chamado também acidental e tem como fim desenvolver e aclarar os ritos essenciais.

Os ritos acidentais formaram-se sob a influência de fatores climatérios e históricos e podem até desaparecer; na Igreja são muitos e variados. Podemos dividi-los em dois grupos: orientais e ocidentais. Nos orientais, temos o rito grego, siríaco, maronita, russo, eslavo, búlgaro, romeno, copta e abissínio.

Nos ocidentais podemos distinguir o romano, o milanês, o galicano, o mozárabe, o céltico e, em Portugal, o bracarense que foi restaurado pela bula de 14 de Maio de 1919. No ocidente, o rito predominante é o Romano. Dos outros ritos ocidentais nenhum existe na sua pureza primitiva; têm sofrido de tal modo a influência do rito romano que já pouco se encontra da sua primeira forma. Podem, no entanto, encontrarem-se vestígios da sua existência na liturgia de algumas Ordens religiosas e na de algumas regiões.

ROGAÇÕES

são orações públicas que se fazem na igreja, nos três dias anteriores à Quinta-feira da Ascensão. Estas orações foram ordenadas no século V, na cidade de Viena de França, pelo Bispo São Mamerto, com o fim de obter de Deus a cessação de calamidades que havia 50 anos se repetiam naquela região, afligindo os povos com grandes desgraças. Reza-se a Ladainha de Todos os Santos, pedindo a Deus o afastamento de todo o mal para a alma e para o corpo.

ROMANO PONTÍFICE

é o sucessor do Apóstolo São Pedro, o Vigário de Jesus Cristo na terra. Tem, não só o primado de honra, mas também supremo e pleno poder de jurisdição sobre toda a Igreja, tanto nas coisas que dizem respeito à Fé e aos costumes, como nas coisas que se referem à disciplina e regime da Igreja, espalhada por todo o mundo. Este Poder é independente de toda a autoridade humana (C. 218). Todos os fiéis devem obedecer ao Papa como ao próprio Jesus Cristo. É infalível quando ensina, como Chefe da Igreja, doutrina revelada sobre a Fé e a moral.

ROQUETE

é uma veste semelhante à sobrepeliz, mas distinguindo-se dela por ter as mangas compridas e estreitas. É antes uma insígnia prelatícia reservada a certos dignitários do que propriamente uma veste litúrgica. O roquete pode ter nos punhos um transparente da cor da batina da pessoa que tem direito a usá-lo.

Não pode substituir a sobrepeliz na administração dos Sacramentos.

ROSÁRIO

é uma devoção composta de 150 Ave-Marias, divididas em 15 dezenas, sendo cada uma precedida de um Pai Nosso. Em cada dezena se medita um mistério da vida de Nosso Senhor.

Divide-se o Rosário em três séries de 5 mistérios cada. A primeira lembra-nos a Encarnação e a infância do Salvador, são os mistérios Gozosos; a segunda recorda a Paixão e morte do Filho de Deus por nosso amor, são os mistérios Dolorosos e a terceira põe diante do nosso espírito o triunfo de Jesus e de sua Mãe Santíssima, são os mistérios Gloriosos. Entre as devoções à Virgem Maria, nenhuma há que leve vantagem à recitação do Rosário, ou do seu Terço (a terça parte do Rosário), com a respectiva Ladainha. No Rosário se resume tudo o que há de mais piedoso e devoto, de mais ascético e sublime na Religião Católica; nele se recitam as orações vocais mais excelentes; nele se encontram as meditações dos principais Mistérios do Cristianismo.

A Igreja recomenda, com toda a insistência, a recitação do Rosário ou do seu Terço e preceitua que durante o mês de Outubro se recite publicamente nas igrejas e capelas. É muito recomendável o uso da reza do Terço, diariamente, em comum, no lar doméstico.

RUBRICAS

são indicações nos livros litúrgicos (escritas primitivamente a vermelho (rubro), para dirigirem os Clérigos na recitação das orações e cerimônias litúrgicas. Devem ser cuidadosamente observadas na administração dos Sacramentos e principalmente na celebração da Missa. Reprovado qualquer costume em contrário, o Sacerdote celebrante não acrescente por seu próprio arbítrio outras cerimônias ou preces às que estão designadas nas rubricas dos seus livros rituais (C. 818).

 
 
 
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