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LETRA “K” – DICIONÁRIO DA DOUTRINA CRISTÃ

KYRIE

Trata-se das invocações que são feitas durante a Missa e as Ladainhas, onde se acrescentas a palavra “ELEISON“.

As duas palavras gregas querem dizer: “Senhor, tende misericórdia de nós”.

Elas são dirigidas à Santíssima Trindade, e são ditas nove vezes na Missa, e três vezes na Ladainha.

Assim, a segunda invocação se dirige a Jesus Cristo, em vez de “KYRIE” diz-se “CHRISTE“.

 
 
 

J

JACULATÓRIA

é uma aspiração doce e fervorosa, repetida ou por palavras ou só mentalmente, para nos recordarmos da presença de Deus, do amor que Lhe devemos, e para nos conservarmos em união com Ele.

JAZIGOS

Nos cemitérios paroquiais, com autorização por escrito do Ordinário, ou do seu delegado, podem os fiéis construir, para si e para os seus, jazigos que, com licença do mesmo Ordinário, podem também alienar (C. 1209), mas as sepulturas dos jazigos devem ser benzidas (S. C. R).

JEJUM

O jejum, como a abstinência, são mortificações impostas pela Igreja aos seus súditos, em cumprimento da lei geral, pela qual todos temos de fazer penitência para nos livrarmos da condenação eterna (Ev. S. Luc. XIII).

A lei do jejum prescreve uma única refeição ao dia, mas não proíbe que se tome algum alimento de manhã e à noite, observando-se, quanto à sua quantidade e qualidade, o costume aprovado dos lugares; nem proíbe comer carne e peixe à refeição principal, quando não é dia de abstinência. Convém não confundir a abstinência com o jejum. (Ver a palavra ABSTINÊNCIA). Pode-se estar isento da obrigação do jejum sem por isso ficar dispensado da obrigação da abstinência (C. 1251).

Estão obrigados à lei do jejum todos os cristãos desde que completaram 21 anos, até ao começo dos 60 (C. 1254). Nos dias de jejum é permitido permutar a hora do jantar com a da consoada (C. 1251).

Durante o dia é permitido beber o que em geral é considerado como simples bebida, e em quantidade indeterminada: água, vinho, café, chá, etc., mas não o leite nem o caldo, que são considerados como alimentos. Uma vez quebrado o jejum, com ou sem culpa, o preceito já não obriga o resto do dia. Pelo contrário, nos dias de abstinência peca-se tantas vezes quantas se come carne sem motivo suficiente que isento do preceito.

A lei do jejum, como a da abstinência, obrigam gravemente, a não ser que haja dispensa ou impossibilidade física ou moral (doença, convalescença, trabalhos pesados, grande pobreza, etc.). Será pecado venial se a quantidade de alimentos, além da permitida, for pouca. Pela lei geral da Igreja (C. 1252) para os que não têm Indulto são dias só de abstinência: todas as sextas-feiras do ano; de abstinência e jejum: quarta-feira de Cinzas, sextas e sábados da Quaresma e das Quatro Têmporas, Vigílias de Pentecostes, Assunção de Nossa Senhora, Todos os Santos e Natal; só de jejum: todos os outros dias da Quaresma.

Pelo Indulto e Bula são dias só de abstinência: sextas-feiras do Advento e das Quatro Têmporas; de abstinência e jejum; sextas-feiras da Quaresma e as 4 vigílias acima mencionadas, podendo — e segundo alguns, devendo — a do Natal ser transferida para o sábado anterior; só de jejum; quartas e sábados da Quaresma.

Para compensar de um certo modo a dispensa ou redução de tantos dias de sacrifício do jejum e da abstinência concedida pelo Indulto a Santa Sé exige o sacrifício de uma esmola proporcionada aos rendimentos de cada um, e que se destina aos Seminários e Igrejas pobres.

No Sábado Santo, ao meio dia, nos dias santos de guarda, fora da Quaresma, e nas vigílias, quando são antecipadas, cessa a lei do jejum e da abstinência.

JEJUM EUCARÍSTICO

Além do jejum ordinário que é penitência, há o jejum eucarístico ou natural que consiste em não comer nem beber nada desde a meia noite até à comunhão. À meia noite pode-se contar indiferentemente segundo a hora solar, legal ou local.

Quebra-se o jejum eucarístico quando alguma coisa digerível, vinda do exterior, se toma a modo de comida ou bebida. Pode-se comungar sem estar em jejum: em perigo de vida para receber o sagrado Viático; para evitar a profanação das sagradas espécies; para evitar em certos casos o escândalo ou a infâmia.

Os doentes que estão há um mês de cama (e de que não se espera com certeza uma rápida convalescença dentro de cinco ou seis dias) podem comungar, segundo o prudente parecer do confessor, uma ou duas vezes por semana, ainda que antes tomem algum alimento líquido ou algum remédio, mesmo sólido.

A Santa Sé também dispensa, em casos particulares, por motivos graves do jejum eucarístico, que foi instituído pela Igreja, para inculcar nos fiéis maior respeito pela sagrada eucaristia.

JESUS CRISTO

é um Personagem histórico. É impossível negar a realidade da sua natureza humana. Mas não é somente homem; é Deus também, como Ele mesmo afirmou e como se demonstra por fatos históricos. Foi em Jesus Cristo que se realizarem as Profecias do Antigo Testamento relativas ao Messias, o Filho de Deus que se faria homem.

O seu nascimento e a sua morte foram acompanhados de prodígios que manifestam ser Ele o Senhor do Universo, dos homens e dos Anjos. A sua vida, e a sua doutrina, e os milagres que fez para provar que era Deus são a prova de que é realmente Deus.

A sua Ressurreição, os seus triunfos após a Ressurreição atraindo tudo a Si, como predissera, assim como a realização das suas profecias acerca da ruína de Jerusalém, da dispersão dos judeus, da pregação do seu Evangelho, da perpetuidade da sua Igreja, confirmam absolutamente a sua palavra, dizendo que era Deus.

É bem fundada a nossa fé afirmando que Jesus Cristo é Deus Filho feito homem.

Nasceu da Virgem Maria, em Belém; viveu na Palestina; morreu numa cruz, no Calvário; vive gloriosamente no Céu, e está sacramentado nos sacrários das nossas igrejas. Adoremos e amemos Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Deus feito homem por amor de nós.

Ouçamos a magnífica descrição que Lacordaire faz do divino Salvador:

«Há um homem a quem o amor guarda o túmulo, um homem cujo sepulcro não é só glorioso, como disse um profeta, mas cujo sepulcro é amado…

Há um Homem cuja recordação é sempre viva no coração de milhões de homens…

Há um Homem, cujos passos são seguidos, por uma porção considerável da humanidade, sem se cansar jamais… Há um Homem morto e enterrado há muito tempo, de que a mais pequena palavra continua a ecoar ainda no meio de nós, e produz mais do que amor, produz virtudes que frutificam no amor.

Há um Homem, há séculos ignominiosamente pregado numa cruz; e esse Homem, milhões de adoradores todos os dias O despregam do trono do seu suplício, ajoelham piedosamente diante d’Ele, prostram-se em vergonha no pó da terra, e aí, por terra, beijam-lhe com indizível amor os pés ensanguentados.

Há um Homem, flagelado, morto e crucificado, que todos os séculos adoram na glória dum amor que nada faz desfalecer, que encontra n’Ele a paz, a honra, a alegria e até o êxtase. Há um Homem perseguido no suplício e no túmulo por um ódio que se não extingue, — o qual, pedindo apóstolos e mártires a toda a posteridade, encontra apóstolos e mártires no seio de todas as gerações.

Há um Homem, enfim, o único que fundou indestrutível reino de amor na terra: esse Homem, sois vós, — é Jesus, vós que me quisestes batizar, ungir e consagrar no vosso amor, e cujo Nome, só de O pronunciar, me abre o mais íntimo das entranhas e me arranca este grilo de fé e amor que a mim mesmo me perturba».

JOGO

é a combinação que os jogadores fazem de entregarem um certo preço, como prêmio, ao que ganhar. É honesto e lícito: como entretenimento ou distração de espírito, com pequenas somas de dinheiro, observando as regras do jogo, e com parceiros iguais. Sem estas condições é ilícito, favorece a ociosidade e a ambição, e causa a ruína de fortunas.

JUBILEU

é uma Indulgência plenária, por meio da qual se pode receber plena remissão da pena temporal devida pelos nossos pecados. O Papa concede um Jubileu para toda a Igreja de 25 em 25 anos (e só ele o pode conceder), indicando na Bula ou documento de concessão as condições a que os fiéis devem satisfazer para lucrarem essa indulgência. Além do Jubileu ordinário de 25 em 25 anos, o Papa pode conceder um Jubileu extraordinário, em qualquer tempo, por motivo de uma causa grave.

JUGO DE CRISTO

é a sua Religião. É ela que nos ensina e leva à prática da mansidão e da humildade. Quem pratica estas virtudes conserva a paz na sua alma e não perturba a paz do próximo. Para quem vive em paz, as cruzes que acompanham a vida são suaves; Deus alivia o seu peso. Foi Jesus que disse: «tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim que sou manso e humilde de  coração, e achareis descanso para as vossas almas, porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve» (Ev. S. Mat. XI, 29 30).

JUÍZO FINAL

é o julgamento que Deus fará de todos os homens, no fim do mundo.

Nesse momento cada um pode ver tudo o que está na consciência dos outros, pois diz o Apóstolo: «Virá o Senhor, o qual não só porá às claras o que se acha escondido nas trevas, mas descobrirá os desígnios dos corações» (Ep. I Cor. IV, 5).

A Sagrada Escritura previne-nos de como será feito o julgamento final. Serão todas as gentes congregadas diante de Jesus Cristo, que separará uns dos outros como o pastor separa os cabritos das ovelhas, e assim porá as ovelhas à direita, e os cabritos (os pecadores) à esquerda. Então dirá o Rei aos que hão de estar à sua direita (que são os justos): «Vinde, benditos de meu Pai, possuí o reino (celeste) que vos está preparado desde o princípio do mundo». Então dirá também aos que estão à esquerda: «afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo e para os seus anjos». E irão estes para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna (Ev. S. Mat. XXV, 32, 34, 41, 46).

Tal é o fim de todo o homem que vem a este mundo, seja ele quem for, queira ou não queira, creia ou não creia.

JUÍZO PARTICULAR

é aquele a que a alma se há de sujeitar imediatamente após a morte, para lhe ser determinado o lugar da sua morada eterna. Assim o ensina São Paulo dizendo: «Está estatuído que o homem morre uma só vez, e que depois se lhe segue o julgamento» (Ep. Hebr. IX, 27), «todos devemos comparecer diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo cada um tiver feito bem ou mal» (Ep. II Cor. V, 10).

O julgamento é mental e momentâneo. A alma ao separar-se do corpo, encontra-se com Deus, que está em toda a parte; vê em si mesma todos os atos da sua vida, que estão todos presentes a Deus; Deus faz-lhe conhecer a sentença que merece, e a alma entra no lugar do seu justo destino: ou no purgatório, ou no céu ou no inferno.

JUÍZO TEMERÁRIO

é a firme convicção, sem razão suficiente, do pecado ou do vício do próximo. É pecado contra a justiça, porque ofende, embora interiormente, a fama do próximo. Jesus Cristo previne-nos contra o juízo temerário, dizendo: «Não queirais julgar segundo as aparências, mas julgai segundo a reta justiça (Ev. S. Jo. VII, 24).

Não devemos julgar os outros sem estarmos, ao menos moralmente, certos de que é justo o nosso juízo.

O juízo temerário procede de alguma destas causas: da maldade do que julga, do ódio, da vingança, ou da experiência da fragilidade humana. Quem não tem autoridade para julgar não se constitua juiz do seu próximo. As dúvidas que se nos apresentam sobre as ações do próximo devem ser julgadas favoravelmente.

JUÍZOS DO MUNDO

são contrários aos juízos do Evangelho, e por isso conduzem ao erro e ao pecado. Não nos podem tornar melhores do que somos, e tornam-nos piores se os seguimos. É dever do cristão desprezar o temor de que o mundo o acuse de espírito fraco, de hipócrita, do que quiser, por praticar rigorosamente a Religião, e deve lembrar-se e recordar aos outros que só lhe importam os juízos de Deus.

JURAMENTO

é a invocação do nome de Deus em testemunho e confirmação daquilo que se diz ou que se promete. A dignidade do juramento é afirmada por São Paulo com estas palavras: «Os homens juram pelo que é maior do que eles, e o juramento é a maior segurança que podem dar para terminar todas as suas contendas (Ep. Hebr. IV, 16).

Mas não é lícito jurar sem verdadeira necessidade, e, quando a houver, só se pode jurar com verdade, com reverência pelo nome de Deus, e em coisa honesta. Quando se faz com juramento a promessa de uma coisa honesta fica-se com a obrigação de cumpri-la.

O juramento feito por violência ou por medo grave, vale, mas pode ser anulado pelo Superior eclesiástico (C. 1317). Em muitos casos as fórmulas de juramento não são um verdadeiro juramento, porque são proferidas levianamente, ou por hábito inveterado e sem reflexão.

JURISDIÇÃO

é o poder de governar. O Papa tem jurisdição em toda a Igreja e sobre todos os membros da Igreja. Exerce a sua jurisdição por meio dos Cardeais, dos Núncios, e de Legados seus. Os Bispos têm jurisdição sobre os fiéis das Dioceses que o Papa lhes confia. Os Párocos só têm jurisdição delegada pelos Bispos, de quem são auxiliares, para a poderem exercer sobre os súditos que os Bispos lhes determinam. Os superiores das Ordens religiosas têm jurisdição sobre súditos das suas respectivas Ordens.

JUSTIÇA

é uma virtude moral, cardeal, que inclina a vontade do homem a dar a outrem o que lhe é devido. Difere da caridade no seguinte: a caridade considera os homens como unidos entre si, devendo auxiliar-se mutuamente; a justiça considera-os como distintos uns dos outros, tendo cada um direitos que os outros não podem violar. São de quatro espécies os bens do homem, que os outros devem respeitar:

a) os bens da vida;

b) os bens da honra, da reputação, da dignidade;

c) o bem da castidade;

d) os bens da fortuna.

O fundamento da justiça é o domínio ou o direito que se tem sobre uma coisa, da qual se pode dispor como própria. Pratica a verdadeira justiça para com Deus aquele que é sempre fiel cumpridor dos Seus Mandamentos, que satisfaz aos próprios propósitos e é grato a Deus pelos benefícios recebidos, e que pratica todas as ações com o fim de glorificar a Deus. Pratica a verdadeira justiça para com o próximo aquele que nunca faz a outrem o que justamente não queria que lhe fizessem a si mesmo, e que faz em favor do próximo aquilo que justamente queria que lhe fizessem a si mesmo.

JUSTIFICAÇÃO

consiste na remissão do pecado mortal pela infusão da graça habitual. É a passagem do estado de pecado mortal ao estado de graça de Deus, de sorte que a alma que recebe a graça santificante ou habitual fica completamente transformada como se fosse uma alma nova.

Assim o indica o Apóstolo São João, dizendo: «Se confessarmos os nossos pecados, fiel é (Deus) e justo para nos perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda a iniquidade» (I Ep. S. Jo. 1′, 9). Purificados de toda a iniquidade, ficamos em estado de entrar no Céu, como ensina o Apóstolo São Paulo, dizendo: «Onde abundou o pecado superabundou a graça, para que assim como o pecado reinou para a morte, assim também reine a graça pela justiça para a vida eterna, por meio de Jesus Cristo Senhor nosso» (Ep. Rom. XX, 31).

O homem justificado não pode julgar-se seguro de não perder a graça que o justificou; pode perdê-la, e perde-a logo que comete um pecado mortal. Jesus nos faz esta prevenção: «Vigiai e orai para não cairdes em tentação» (Ev. S. Mat. XXVI, 41). O que o Apóstolo São Paulo diz por estas palavras: «Aquele que julga estar seguro acautele-se para não cair» (Ep. 1 Cor. X, 12).

Não troquemos a graça de Deus pela vileza dos prazeres sensíveis.

 
 
 

IDADE CANÔNICA

é a que a Igreja determina aos fiéis para cumprirem certas obrigações e aceitarem certos encargos. Assim:

a) Às leis meramente eclesiásticas ninguém é obrigado antes dos sete anos completos, ainda que tenha chegado ao uso da razão, salvo se a lei determinar outra coisa (C. 12);

b) Ninguém é obrigado à lei da abstinência antes dos sete anos completos, nem ao jejum antes dos 21 anos completos ou depois dos 60 anos começados (C. 1254):

c) É considerado de maior idade aquele que completou 21 anos;

d) Só podem receber validamente o sacramento do Matrimônio o homem depois de 16 anos completos, e a mulher depois dos 14 anos completos (C. 1067):

e) Para entrar no Noviciado de uma Ordem Religiosa é preciso ter completado 15 anos (C. 555); para fazer Profissão religiosa é preciso ter 16 anos completos; para receber o Subdiaconato é preciso ter 21 anos completos; para o Diaconato 22; para o Presbiterato 24 completos (C. 975); para exercer o múnus episcopal é preciso ter 30 anos (C. 331). São obrigados ao preceito da Confissão e da Comunhão anual os fiéis que chegam ao uso da razão (C 906).

IDEAL

é uma luz que brilha no horizonte da vida guiando-nos para um determinado fim, para o fim a que Deus nos destina.

O ideal de cada um há de ser em harmonia com a sua condição, com as suas forças, com as suas faculdades, com o seu temperamento; mas qualquer que ele seja deve ser uma aspiração à verdade, a uma realidade realizável por meio do exercício da virtude. O ideal de cada um pode resumir se em quatro palavras:

a) trabalhar contra as suas inclinações viciosas, e por ser útil a si mesmo e à sociedade;

b) amar, saindo do próprio egoísmo para se dar ao serviço de Deus e do próximo;

c) sofrer, dizendo: seja feita a vontade de Deus;

d) morrer na graça de Deus;

e) gozar a vida eterna feliz no céu.

IDÓLATRA

é aquele que adora os seres criados como se fossem Deus.

IDOLATRIA

é o culto de adoração prestado a uma criatura. A idolatria é um erro muito antigo. A Sagrada Escritura fala da idolatria no livro do Gênesis, (Cap. XXX, 1-30 e segs.), dizendo que Raquel furtara os ídolos a seu pai; na verdade Labão chamava-lhes os seus deuses, e Jacob chamou-lhes deuses estranhos e abomináveis.

A idolatria existe ainda nas regiões onde o Evangelho não é conhecido. Os homens que ignoram Deus inventam deuses a seu capricho, quer sejam os astros ou os animais, ou qualquer outra criatura, e prestam-lhes culto de adoração, sentindo a necessidade de um ser que lhes seja superior e que os proteja.

A idolatria é o mais grave dos pecados. Proibiu-a Deus na Antiga Lei, dizendo: «Não tenhas deuses estranhos, não adores as imagens que fizeres» (Êxod. XX, 3).

IGREJA

é o edifício dedicado ao culto divino, com o fim, principalmente, de servir a todos os fiéis para o exercício público da Religião (C. 1161).

As igrejas distinguem-se pelo grau da sua dignidade, e tomam vários nomes: Basílica é uma igreja, à qual a Santa Sé concede esse título honorífico. Catedral ou Sé é a Igreja onde o Bispo tem a sua cátedra ou sede. Paroquial é a igreja, à qual o Bispo dá um Pároco para governar uma determinada porção de fiéis.

A igreja tem: Nave, que é o espaço onde se agrupam os fiéis; Cruzeiro, que é a parte transversal da igreja entre a nave e a capela-mor; Coro ou presbitério é a capela-mor, lugar reservado aos Ministros que exercem funções sagradas; Altar ou altares, onde é celebrada a Santa Missa; Púlpito ou tribuna destinada à pregação; Pia batismal, Confessionário e Pias de água benta.

Nenhuma igreja seja edificada ou reparada com modificações da forma primitiva, sem expressa licença do Prelado, dada por escrito.

A bênção da primeira pedra de uma igreja e a bênção da própria igreja pertencem ao Bispo (C. 1163, 1156). Não se guardem na igreja objetos estranhos ao culto, nem mesmo os móveis que algumas vezes virão a servir para o culto ou ornato (C. P).

A LICENÇA DO BISPO

Sem licença do Bispo não se ponham na igreja inscrições, estátuas, ou outros monumentos ou coroas fúnebres (S. C. R.). A determinação do lugar onde devem ser colocados na Igreja os dons votivos pertence não ao oferente mas ao Pároco ou Superior da igreja (C. P.). A igreja não pode ter portas ou janelas que comuniquem com casas de seculares. Se tiver subterrâneos ou sótãos, estes não podem ser destinados a usos meramente profanos (C 1164).

As chaves da igreja assim como as da sacristia e das dependências da mesma igreja estejam em poder do Pároco ou do Superior respectivo, ou, com licença destes, em poder doutra pessoa de confiança (C. P.).

A igreja é execrada quando perde a bênção ou a sagração, o que acontece se esta ou a maior parte for destruída e reconstruída; em tal caso tem de ser de novo benzida ou sagrada.

A igreja é poluta, ou violada, se dentro dela ocorre: homicídio voluntário e injusto; efusão de sangue humano causada por ferida gravemente injuriosa; ações ímpias ou indecentes; sepultura do cadáver de um infiel ou de um excomungado vitando. Mas é necessário que qualquer destes crimes seja notório. Numa igreja poluta não se podem realizar os Ofícios divinos. Tem de ser reconciliada.

IGREJA CATÓLICA

é a sociedade de todos aqueles que sendo batizados, professam a doutrina de Jesus Cristo e obedecem à Autoridade do Papa, Vigário de Jesus Cristo na terra. Foi instituída por Jesus Cristo e confiada aos seus Apóstolos, para que fosse conservada, propagada e praticada em todos os tempos e em todas as Nações a Religião divina, como Jesus mesmo a ensinou.

Para que a igreja fundada por Jesus Cristo se conservasse sempre a mesma até ao fim dos tempos e se tornasse católica ou universal, o próprio divino Fundador deu-lhe um governo composto de um Chefe supremo, que é o Papa, e Chefes inferiores, que são os Bispos, e Ministros, que são os Sacerdotes, em obediência ao Papa.

É missão da Igreja ensinar a todos os homens a doutrina que Jesus mandou aos seus Apóstolos que pregassem, e administrar os Sacramentos que Jesus instituiu para os homens poderem conseguir a vida eterna. Por isso a Igreja goza do privilégio da Infalibilidade, e os homens não conseguem a vida eterna se não quiserem obedecer à Igreja. Foi esta a ordem de Jesus Cristo aos seus Apóstolos: «Assim como meu Pai me enviou, assim eu vos envio» (Ev. S. Jo. XX, 21): «ide, ensinai todas as Nações» (Ev. S. Mat. XXVIII, 19). «Eu estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos». «Quem vos ouve a mim ouve, quem vos despreza a mim despreza» (Ev. S. Luc. X, 16).

A Igreja é constituída do seguinte modo: o Papa é o Chefe supremo; os Bispos são os Chefes imediatamente inferiores, escolhidos pelo Papa para governarem as Dioceses que ele lhes designa; os Sacerdotes são os auxiliares dos Bispos no governo das Paróquias.

Dignidades que concorrem mais ou menos para a perfeição do governo da Igreja: os Cardeais, os Patriarcas, os Primazes, os Metropolitas, os Vigários gerais, os Cônegos. Finalmente, os fiéis, a cuja salvação eterna dedicam a vida todas aquelas entidades.

Além da Igreja Católica existem outras sociedades religiosas chamadas igrejas, ensinando doutrinas opostas mas afirmando cada uma ser a verdadeira Igreja. Nenhuma delas pode ser a verdadeira Igreja porque cada uma tem como fundador alguém que nasceu e viveu muitos séculos depois de Jesus Cristo ter fundado a sua Igreja.

IGREJA GREGA

começou a existir no século IX, quando a Igreja Católica já tinha 800 anos de vida. Foi fundada por um homem ambicioso chamado Fócio, que pretendeu ser Patriarca de Constantinopla. Como o Papa não aprovasse tal pretensão, Fócio e os seus sectários separam-se da união com a Igreja Católica e formaram uma igreja à parte. Dividida em várias igrejas que se espalham pelas Nações orientais, cada uma governada por um chefe com o título de Patriarca, e todos em oposição com o Papa, e com algumas verdades da doutrina católica.

IGREJA PROTESTANTE

apareceu no século XVI, tendo como chefe Lutero, sacerdote alemão que se revoltou contra o Papa por ter condenado os seus erros em matéria religiosa. A igreja protestante começou a existir quase 1600 anos depois de Jesus Cristo ter fundado a sua Igreja ou a Igreja Católica.

Como, porém, a igreja fundada por Lutero não tem um chefe, está dividida em várias seitas religiosas sem unidade de doutrina nem de disciplina, dizendo-se todas elas igrejas cristãs, ou dizendo-se cada uma a verdadeira Igreja de Jesus Cristo, o que é evidentemente falso.

IMACULADA CONCEIÇÃO

É uma verdade de Fé que a Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo, foi concebida sem pecado original. Esta verdade foi definida por Pio IX em 1854. Em 1858, a Virgem Maria apareceu em Lourdes a Bernadete, e confirmou a definição do Papa, dizendo que se chamava IMACULADA CONCEIÇÃO.

IMAGENS DOS SANTOS

O culto que prestamos às imagens de Jesus Cristo, da Virgem Maria e dos Santos é legítimo, e é antiquíssimo na Igreja.

Devemos honrar, respeitar e reverenciar as imagens dos Santos, não porque julguemos que elas tenham alguma virtude particular em si mesmas, mas porque a honra que lhes damos se refere às pessoas que elas representam, de tal sorte que, quando saudamos ou nos pomos de joelhos diante das imagens, adoramos a Deus e veneramos os Santos, de que elas são uma representação.

O nosso culto não é à imagem que os nossos olhos vêem, é ao Santo que a imagem representa.

Respeita-se a imagem como se respeita a estátua ou o retrato de uma pessoa que nos merece consideração e amizade.

Não é permitido expor ao culto imagens novas e insólitas sem que sejam aprovadas peio Bispo do lugar (C. 1279).

A bênção solene das imagens para serem expostas ao culto público é reservada ao Bispo, que pode delegar em qualquer Sacerdote (C. 1279).

Na mesma igreja não pode haver mais de uma imagem do mesmo Santo, ou, tratando-se da imagem de Nossa Senhora, mais de uma imagem do mesmo título (S. C R.).

Com o consentimento do Bispo pode colocar-se a Imagem do Sagrado Coração de Jesus por trás do sacrário (S. C. R.), mas é preferível colocá-la ao lado, podendo ser.

Não se coloque nas imagens, fitas, flores, ou outros ornamentos (C. P ).

No sábado da Paixão devem velar-se com véu roxo todas as cruzes e imagens, mas esta obrigação estende-se somente às imagens dos altares e não às outras (S. C. R.). No tempo da Paixão podem tolerar-se as procissões com as imagens descobertas (S. C. R.). É digno de louvor que os fiéis tenham e venerem em suas casas as imagens, especialmente de Jesus e de Maria, mas é preciso que não se diminua o culto de Deus por causa do culto dos Santos.

A melhor maneira de honrar os Santos é imitar as suas virtudes (C. P.). As imagens preciosas pela antiguidade, ou pela arte, ou pelo culto que lhes prestam, nunca podem ser restauradas sem consentimento por escrito do Bispo, que antes consultará os peritos; nem podem ser alienadas nem perpetuamente transferidas para outra igreja sem autorização da Santa Sé (C. 1280, 1281)

IMENSIDADE DE DEUS

quer dizer que Deus está substancialmente presente em toda a parte. Está em todas as criaturas, enche todos os lugares, todos os espaços; cria, conserva, governa, vê, conhece todos os seres, conhece mesmo os nossos pensamentos e os segredos do nosso coração.

Todavia não é contido em nenhum lugar, nem é limitado por alguma criatura. Já o Sábio dizia: «O espírito do Senhor enche todo o Universo» (Sap. 1, 7), e São Paulo afirma que «em Deus vivemos, nos movemos e existimos» (Act. XVII, 28).

Deus está no Céu comunicando a sua glória aos Anjos e aos Santos; está na terra governando tudo com a sua Providência; está no Purgatório exercendo a sua justiça com as almas dos Justos; está no inferno fazendo sentir aos condenados as penas da condenação.

IMPASSIBILIDADE

é um dote ou qualidade do Corpo de Jesus Cristo depois da sua ressurreição, e será também o do nosso corpo no Céu, após o julgamento final. Consiste em estar absolutamente isento de todo o sofrimento e de todo o mal. Afirma-o São Paulo, dizendo: «O corpo semeado em corrupção ressuscitará na incorrupção» (Ep. I Cor. XV 42).

IMPEDIMENTO DO MATRIMÔNIO

é a causa que obsta a que o matrimônio seja contraído lícita ou validamente. O impedimento é impediente, se, não obstante a proibição, não invalida o matrimônio, no caso de ser contraído; e é dirimente se o torna inválido no caso de ser contraído; e é público, se pode ser provado no foro externo, no caso contrário é oculto (C. 1036, 1037).

Os impedimentos impedientes ou proibitivos são:

a) voto simples de virgindade ou de castidade perfeita, o voto de não casar, ou de receber Ordens Sacras ou de abraçar o Estado religioso;

b) religião mista;

c) parentesco legal, nos Países onde é impedimento civil.

Os impedimentos dirimentes são:

a) falta de idade canônica;

b) impotência antecedente e perpétua, relativamente ao matrimônio:

c) vínculo matrimonial;

d) disparidade de culto;

e) Ordem Sagrada;

f) profissão religiosa solene;

g) rapto;

h) crime de adultério;

i) consanguinidade;

j) afinidade em linha reta;

k) honestidade pública;

l) parentesco espiritual;

m) parentesco legal nos Países que o consideram dirimente.

IMPERFEIÇÕES

são negligências em seguir as inspirações para o bem, ou para o melhor, em coisas que não são mandadas pela Lei de Deus.

IMPOTÊNCIA

em matéria conjugal, é um impedimento dirimente do matrimônio. Consiste na incapacidade dos cônjuges ou de um deles poder consumar o matrimônio, contanto que essa incapacidade existisse antes do casamento e seja perpétua. Se o impedimento da impotência for duvidoso, não impede o matrimônio. A esterilidade, porém, não impede nem dirime o matrimônio (C. 1068).

IMPRENSA CATÓLICA

são as publicações — jornais, folhas periódicas, opúsculos, livros — que não ofendem da menor forma a Fé e os bons costumes, que prestam a devida submissão ao Romano Pontífice e aos Bispos, e que se mostram sinceramente conformes com as suas prescrições, advertências e conselhos (C. P.). É dever de todos os fiéis ajudar, conforme as suas forças, as publicações verdadeiramente católicas (C. P.).

INCARDINAÇÃO

é a inscrição ou admissão de um Clérigo na Diocese para o serviço da qual foi ordenado. O Clérigo fica incardinado pela recepção da Prima Tonsura, e não pode mudar de Diocese sem autorização do seu próprio Bispo e aceitação do Bispo da Diocese para onde pretende mudar. A licença para mudar da Diocese onde está incardinado chama-se EXCARDINAÇÃO. Pela profissão religiosa o que a faz fica excardinado, e pertence à Ordem em que fez profissão (C. 111 e segs.).

ENCARNAÇÃO

é o mistério de Deus Filho feito homem, ou a união da natureza divina com a natureza humana na Pessoa do Verbo divino, da qual união resultou Jesus Cristo, Deus e homem. O modo porque foi feita a Encarnação é indicado pelas palavras que o Anjo Gabriel dirigiu à Virgem Maria de Nazaré, dizendo-lhe que o Divino Espírito Santo a cobriria com a sua sombra, e que ela daria à luz um filho que seria chamado Jesus, porque a Deus nada é impossível (Ev. S. Luc. 1, 30-38).

O fim que Deus se propôs na Encarnação foi a salvação dos pecados e a manifestação da sua justiça, da sua bondade, da sua virtude, do seu poder, da sua sabedoria, e do seu amor aos homens, como diz o Evangelista São João: «Deus amou tanto os homens que lhes deu seu Filho único, para que todo o que crê nele não pereça mas tenha a vida eterna» (Ev. S. Jo. III, 16); e o Apóstolo São Paulo escreveu: «É verdade certa que Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores» (Ep. I Tim I, 15). A fé no mistério da Encarnação é o princípio do caminho que nos conduz ao Céu.

INCENSAÇÃO

é o ato de incensar com o turíbulo em algumas funções litúrgicas.

Incensa-se a Sagrada Hóstia, incensam-se os Ministros do altar, o povo, o livro do Evangelho, e o altar nas Missas cantadas, assim como vários objetos que têm relação com o culto religioso.

A incensação é ao mesmo tempo um símbolo das nossas orações, subindo ao céu como se eleva o suave perfume do incenso, e uma demonstração de honra devida a Deus, a Quem servem as pessoas e os objetos incensados.

INCREDULIDADE ou descrença

Há incrédulos que negam em absoluto todas as verdades religiosas; há incrédulos que negam algumas verdades religiosas e aceitam outras, sendo indiferentes à prática da Religião; há incrédulos que negam em público o que crêem secretamente ou em família. A incredulidade não tem fundamento algum racional. Provém:

a) ou da ignorância das verdades religiosas;

b) ou das idéias falsas bebidas na opinião corrente contra a Religião divina;

c) ou do respeito humano;

d) ou da covardia;

e) ou do orgulho.

Um homem sem fé não tem sobre que assente as suas esperanças, e um homem sem esperança é um triste, um melancólico, ou um doido.

INDEX

Dá-se este nome ao catálogo dos livros condenados pela Igreja, como prejudiciais para a Fé ou para os costumes, e cuja leitura e posse a Igreja proíbe aos fiéis.

INDIFERENTISMO RELIGIOSO

proclama que os homens podem ter a Religião que lhes aprouver, porque todas são agradáveis a Deus, tanta esperança devendo nós ter na salvação eterna dos filhos da Igreja Católica como na daqueles que morrem fora dela. Conclusão: praticar a verdadeira Religião ou uma religião falsa, ou não praticar nenhuma é para o indiferentismo coisa igual. É uma aberração da inteligência.

INDISSOLUBILIDADE DO MATRIMÔNIO

consiste em não poder romper-se o vínculo matrimonial senão pela morte de um dos esposos. Foi o que Jesus Cristo afirmou quando disse, falando do matrimônio: «O que Deus uniu, o homem não separe» (Ev. S. Mat. XIX, 6). E também disse: «Aquele que repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra a sua primeira mulher; e se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro comete adultério» (Ev. S. Mar. X, 11, 12). De sorte que o Matrimônio válido e consumado não pode ser dissolvido por nenhuma autoridade humana e por nenhuma causa (C. 1118).

INDULGÊNCIA

é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, remissão concedida do tesouro da Igreja pela Autoridade eclesiástica, aos vivos por modo de absolvição, e aos defuntos por modo de sufrágio (C. 911).

O tesouro da Igreja é constituído pelas satisfações de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Virgem Maria e dos Santos. A indulgência é Plenária, se é intenção de quem a concede remir toda a pena temporal; a indulgência é Parcial, se a intenção é remir uma parte da pena temporal. Só o Papa pode conceder indulgência plenária; o Bispo pode conceder indulgências parciais. Só aproveitam as indulgências àquele que faz o que é exigido para as lucrar.

A indulgência plenária só pode ser lucrada uma vez cada dia, embora se repitam os atos prescritos para as lucrar, a não ser que outra coisa seja determinada.

A indulgência parcial, a não ser que o contrário seja expresso, pode ser lucrada mais duma vez cada dia, tantas vezes quantas forem repetidos os atos para as lucrar (C 928). Ninguém pode aplicar em benefício dos vivos as indulgências que lucrar; pelas almas do Purgatório podem ser aplicadas todas as indulgências concedidas pelo Sumo Pontífice, a não ser que determine o contrário (C. 930).

INDULGÊNCIAS APOSTÓLICAS

chamam-se as que o Sumo Pontífice costuma aplicar aos objetos de devoção por ele benzidos, objetos que não sejam de chumbo, estanho, vidro, ou outra matéria que facilmente se possa quebrar. As mesmas indulgências podem ser aplicadas por qualquer Sacerdote que obtenha concessão da Santa Sé.

Não podem ser indulgenciados os objetos de matéria que quebre ou se deteriore facilmente, como são os crucifixos, as medalhas, etc., de estanho, chumbo ou outra matéria frágil.

Todavia os Terços do Rosário, ainda que de chumbo, madeira, e mesmo de vidro ou cristal sólido, podem ser indulgenciados, e não perdem as indulgências pelo fato de quebrar a cadeia ou de se perderem algumas contas; neste caso substituem-se por outras e não precisam de nova bênção ou de ser novamente indulgenciados. As indulgências anexas a Terços ou a outros objetos somente cessará quando estes deixarem completamente de existir ou forem vendidos (C. 924).

INDULTO

— Ver a palavra BULA.

INFALIBILIDADE

é um privilégio que Deus concede à Igreja, por virtude do qual não pode errar quando, pela voz do Papa, propõe aos homens doutrina de Fé ou de Moral, como necessidade de crer e de praticar para entrar no Céu. Esta verdade foi definida no Concílio do Vaticano I e é fundada nas palavras de Jesus Cristo, dizendo ao Apóstolo Pedro, depois de constituí-lo Chefe da Igreja: «Eu roguei por ti, a fim de que a tua fé não desfaleça; uma vez convertido confirma os teus irmãos», que eram os outros Apóstolos (Ev. S. Luc. XXII, 32). E aos Apóstolos em união com Pedro disse: «Eu estarei convosco até à consumação dos séculos» (Ev. S. Mat. XXVIII, 20). E ainda: «Quem vos ouve a Mim ouve» (Ev. S. Luc. X, 16).

É um fato histórico que a Igreja nunca errou no seu ensinamento em matéria de Fé ou de Moral. De sorte que ou o Papa só, ou os Bispos em união com o Papa, quando ensinam doutrina de Fé ou de Moral como sendo doutrina que todos os fiéis devem crer e praticar para entrar no Céu, por todos deve ser aceita como verdade infalível, pois em tal caso o Papa não pode errar, por virtude de um auxílio divino.

INFIDELIDADE

é a carência da fé naqueles que não foram batizados, ou naqueles que a perderam. Há três espécies de infidelidade: a dos hereges, a dos judeus e a dos pagãos. Os hereges perderam a fé; os judeus não a querem receber; os pagãos ou não a conhecem porque não lhes foi anunciada, ou conhecendo-a não a quiseram receber.

O pecado dos hereges é mais grave que o dos judeus; o dos judeus mais grave que o dos pagãos.

A infidelidade é o último pecado a que o homem chega por via doutros pecados.

As causas principais da infidelidade daqueles que conhecem a Fé são: a ignorância dos motivos de credibilidade; a independência da vontade que não quer sujeitar-se a nenhuma autoridade; o desprezo da oração; a educação neutra ou irreligiosa dada nas escolas; a leitura de livros contrários às verdades da Fé; a frequentação com incrédulos; a corrupção dos costumes.

Os meios de vencer estes obstáculos são: procurar sólida instrução religiosa; considerar as funestas consequências da falta de Fé, e as vantagens que ela oferece para a vida presente e para a vida futura; rezar; frequentar os atos do culto religioso.

INFINIDADE DE DEUS

é atributo pelo qual Deus é infinito; isto quer dizer que não podemos conceber perfeição alguma que não haja em Deus, mas em tal  grandeza que nenhuma tem limites. Também há perfeições nas criaturas, mas são limitadas como as mesmas criaturas, porque estas e as suas perfeições não o são de si mesmas, vêm de Deus. Deus, porém, não recebeu de nenhum ser as perfeições que tem; tem-nas de Si mesmo, e por isso ilimitadas, infinitas. Deus é infinito no poder, no saber, na bondade, na misericórdia, na justiça, em todas as perfeições.

INFERNO

é o estado e lugar dos condenados que morrem em pecado mortal, os quais sofrem as penas da separação de Deus (penas de dano) e as penas de fogo (penas de sentido por toda a eternidade. A existência do inferno é uma verdade de Fé, afirmada na Sagrada Escritura e na Tradição, e cuja necessidade é reconhecida pela razão.

São de Jesus Cristo estas palavras: «Temei o que pode lançar no inferno tanto a alma como o corpo» (Ev. S. Mat. X, 28); melhor é entrar para a vida eterna coxo do que tendo dois pés ser lançado ao fogo inextinguível do inferno» (Ev. S. Mar. IX, 44). E no dia do julgamento final Jesus dirá aos condenados: «Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo e para os seus anjos (ou ministros)» (Ev. S. Mat. XXV, 41).

Ora, sendo o fogo do inferno de natureza corpórea, afirmar que é apenas metafórico seria estar em oposição com a doutrina comum entre os teólogos e recebida na Igreja. Por muito que custe ao nosso orgulho, temos de crer na existência do inferno, para satisfação da justiça divina contra aqueles que rejeitaram o perdão de Deus e quiseram morrer em pecado mortal, ou em estado de rebelião contra Deus.

INFIÉIS

Ver a palavra INFIDELIDADE.

INIMIGOS

Por preceito de caridade devemos amá-los, não por serem nossos inimigos mas apesar de inimigos, embora abominando o pecador por causa do mal que fez, ou porque é um mal para nós como pecador.

Não é lícito querer-lhe mal, nem conservar contra ele espírito de vingança; não devemos negar-lhe a saudação, nem a esmola, nem a oração, nem a venda do que temos a vender. Por ser nosso inimigo não deixa de ser nosso próximo, e Deus manda amar o próximo como a nós mesmos. Disse Jesus: «Amai os vossos inimigos; fazei bem aos que vos têm ódio, e orai pelos que vos perseguem e caluniam» (Ev. S. Luc. VI, 27).

E o Apóstolo São Paulo escreveu: «Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber, porque fazendo isto, amontoarás brasas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem (Ep. Rom. XII, 20, 21).

INSPIRAÇÃO DA SAGRADA ESCRITURA

é a ação do divino Espírito Santo sobre os escritores sagrados para escreverem o que Deus quis que escrevessem, de sorte que o que escreveram é a própria palavra de Deus.

Deus é o Autor dos livros da Sagrada Escritura; os escritores foram os instrumentos de que Deus se serviu para que a sua palavra ficasse escrita e fosse conhecida dos homens. Para que os escritores sagrados escrevessem o que Deus quis ensinar, o Espírito Santo moveu-lhes a vontade, iluminou-lhes a inteligência para conceberem tudo e só o que Deus quis que escrevessem, assistiu-lhes enquanto escreveram, para não omitirem nada do que deviam escrever, nada acrescentarem e não errarem. Por isso aceitamos tudo o que está nos livros Sagrados como tendo sido inspirado por Deus, e lhe chamamos a palavra de Deus.

INTENÇÃO

é o fim ou motivo porque se faz alguma coisa. As nossas ações tiram a sua principal moralidade do fim ou da intenção com que as praticamos. De sorte que uma ação boa praticada com um fim mau ou com má intenção torna-se inteiramente má. Mas uma ação má como tal conhecida, embora praticada com um fim bom, fica sempre má, porque a intenção boa não lhe tira a maldade conhecida.

INTERDITO

é uma censura pela qual a Igreja proíbe em certos lugares e a certas pessoas os Ofícios divinos, alguns Sacramentos, e sepultura eclesiástica.

É pessoal, se a proibição afeta diretamente a pessoa acompanhando-a em toda a parte; e tanto pode afetar uma pessoa como uma associação de pessoas.

É local, se afeta diretamente um lugar, de sorte que as pessoas só não podem celebrar os Ofícios divinos nesse lugar (C. 2268 e segs.).

O interdito geral sobre o território ou sobre as pessoas de uma Diocese ou de uma Nação só pode ser lançado pelo Papa; o interdito geral sobre uma Paróquia ou sobre o povo de uma Paróquia, assim como o particular, local ou pessoal, pode ser lançado pelo Bispo (C. 2269).

INTERSTÍCIOS

são intervalos de tempo que devem decorrer entre a recepção dos vários graus do Sacramento da Ordem. São necessários para que o Clérigo se exercite no grau da sua Ordem, e reconheça e mostre se, pela vida e pela doutrina, pode subir ao grau seguinte.

O interstício entre a Prima Tonsura e primeiro grau de Ordens Menores e entre cada um dos graus das mesmas depende da vontade do Bispo; do Acolitato ao Subdiaconato deve mediar um ano; do Subdiaconato ao Diaconato e deste ao Presbiterato, pelo menos três meses; a não ser que o Bispo julgue necessário reduzir o tempo dos interstícios.

INVEJA

é a tristeza causada pelos bens que outros têm enquanto se julga diminuírem a glória própria. A inveja nasce geralmente da soberba, e é um dos 7 pecados capitais. Dá origem à maledicência, à calúnia, à intriga, à rivalidade, ao ódio, à alegria nas adversidades e aflição na prosperidade do próximo.

Devemos combater a inveja dos bens alheios, e contentar-mo-nos com aquilo que podemos legitimamente conseguir e que Deus nos conceder.

O Apóstolo São Paulo escreveu: «Não nos façamos cobiçosos da vanglória, provocando-nos uns aos outros» (Ep. Gal. V, 26).

INVOCAÇÃO DOS SANTOS

é o pedido que fazemos aos Santos para que roguem a Deus por nós e conosco, pela intercessão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Invocamo-los e confiamo-nos ao seu patrocínio, porque esperamos que, como Santos, serão atendidos mais favoravelmente do que nós.

IRA

é um dos 7 pecados capitais.

É um movimento desordenado da alma que nos leva a rejeitar com violência o que nos desagrada e a nos vingarmos dos que nos ofendem. A ira é condenada por Jesus Cristo, dizendo: «Todo o que se ira contra seu irmão será réu no juízo» (Ev. S. Mat. V, 22). As origens deste pecado são as paixões, tais como a soberba, a sensualidade, a avareza. São efeitos da ira: as inimizades, as contendas, as injúrias, o desejo de vingança, de fazer mal, e até o desejo de matar.

Os remédios contra a ira são: reprimir os primeiros ímpetos, a paciência, a humildade, refletir antes de falar, pensar nos males a que a ira dá origem, recordar os exemplos de Jesus Cristo.

A ira pode irromper em nós contra nossa vontade, e, nesse caso, não é um pecado; se, porém, a conservarmos refletidamente pecamos contra a caridade.

Há, porém, uma espécie de ira, que é antes justa indignação, a qual não só não é pecado, mas é manifestação de zelo por uma justa causa.

IRMÃOS

estão ligados por deveres de afeição e de proteção muito particulares, porque procedem do mesmo tronco de modo imediato.

Devem ter como coisa comum o que diz respeito às alegrias e às penas, e aos bens materiais do lar doméstico; devem tratar-se com intimidade delicada e sacrificar-se cada um pelo bem de todos.

Devem proteger-se reciprocamente, vigiando os mais velhos pela inocência dos mais novos, defendendo-os dos perigos, aconselhando-os, guiando-os com o bom exemplo, exercendo junto deles o ofício de pai e de mãe quando estes faltaram.

Os mais novos devem guardar respeito afetuoso aos irmãos mais velhos, devem receber de boa vontade as advertências que lhes fizeram e seguir os bons conselhos que lhes derem.

IRMÃOS DE JESUS

Toda a tradição afirma e a Igreja ensina como dogma que Nossa Senhora foi sempre Virgem. Os hebreus designavam por irmãos não só os filhos dos mesmos pais, mas os sobrinhos (Gen. XIII, 8: XIV16), qualquer primo ou parente (I Par. XV. 5-10), um homem da mesma tribo (Lev. X, 4), etc. Não há dúvida nenhuma que a expressão «irmãos de Jesus» se deve entender por «parentes de Jesus».

Nossa Senhora nunca é apresentada como mãe deles, mas só como «mãe de Jesus». Ao morrer na cruz o Salvador a nenhum deles confiou sua mãe e ao apresentar-lhe João, filho de Zebedeu, disse-lhe «eis o teu filho» como que substituindo-o a Ele e excluindo qualquer outro.

São Paulo afirma que viu em Jerusalém o Tiago «irmão do Senhor» (Ep. Gal. I, 19). Mas Tiago (o menor) é um dos que os Nazarenos chamam irmãos de Jesus, como José, Judas e Simão (Ev. Mar. VI, 3). Ora, junto da Cruz no Calvário está a Mãe de Jesus (Ev. Jo. XIX, 25) com outras piedosas mulheres, entre elas «Maria (esposa) de Alfeu, mãe de Tiago e de José» (Ev. Mar. XV, 40) e entre os Apóstolos está um «Tiago, filho de Alfeu» (Ev. Mar. III, 18). Por estes documentos vê-se que se trata do mesmo Tiago, chamado «o menor», para o distinguir de Tiago, irmão de São João, filhos de Zebedeu. São Judas na sua epístola (V 1) diz-se «irmão de Tiago» e na enumeração dos Apóstolos o seu nome vem logo a seguir.

De tudo isto se conclui que os «irmãos de Jesus» podiam ser, quando muito, seus primos. Os evangelistas não estiveram com explicações porque para eles como para a Igreja primitiva, cuja opinião tem sido fielmente conservada através dos séculos pela tradição, a questão era clara e não oferecia dificuldades.

IRREGULARIDADE

é um impedimento canônico que deixa inábil, aquele que o tem, para receber o sacramento da Ordem, ou para exercê-la, se a tiver já recebido. A irregularidade pode ser por defeito ou por delito daquele que pretende receber o Sacramento, ou que já o recebeu.

O Bispo pode dispensar os seus súditos de todas as irregularidades provenientes de delito oculto, exceto o do Canon 985, n.°4.

A mesma faculdade compete a qualquer Confessor, em casos ocultos e urgentes, nos quais não seja possível recorrer ao Bispo, e haja perigo de grave dano ou de infâmia, mas isso somente para que o penitente possa exercer licitamente as Ordens já recebidas (C. 990).

 
 
 
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