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E

ECUMÊNICO

significa universal, e diz-se particularmente de um Concílio quando se quer dar a entender que é reconhecido por toda a Igreja.

EDUCAÇÃO

é a progressiva e harmônica cultura das faculdades, pelas quais as crianças, pouco a pouco e ordenadamente, se fazem homens perfeitos. Na educação hão de intervir:

1.° — Os pais, cultivando as boas qualidades e propensões dos filhos, dirigindo-os à prática da virtude, para que consigam o seu fim natural e sobrenatural.

2.° — O Estado, suprindo as deficiências dos pais, com escolas para formar bons cidadãos, que consigam o mesmo fim natural e sobrenatural.

3.° — A Igreja, ministrando aos batizados a formação moral e religiosa que os fortaleça contra a corrupção do meio em que se encontram.

A instrução e educação religiosa e moral dos fiéis deve logo, desde a infância, ocupar o primeiro lugar na sua formação, e intensificar-se e ampliar-se paralelamente ao desenvolvimento da inteligência e dos conhecimentos profanos de cada um (C. 1372).

Alguns meios a empregar para a educação das crianças:

a) inculcar os princípios morais e religiosos;

b) dar bom exemplo em tudo;

c) moderar e guiar as paixões logo ao despertar;

d) cultivar a inteligência com o estudo, com a meditação, com o costume de nada empreender senão por um motivo honesto e sobrenatural;

e) impedir ou vencer hábitos maus;

f) evitar excessos que debilitem o corpo e perturbem o sistema nervoso;

g) exercitar virilmente e constantemente a vontade, mesmo nas pequenas coisas;

h) orar e frequentar os Sacramentos.

EMOLUMENTOS PAROQUIAIS

são lucros eventuais que o Pároco tem direito a receber dos seus paroquianos por serviços que lhes presta, segundo o costume aprovado, ou legítima taxação. Não deve, em regra, o Pároco deixar de receber o que lhe pertence como Pároco, nem fazer favores que possam vir a prejudicar o seu sucessor. Os emolumentos temporais recebidos pelo Pároco não são salários do seu ministério, que é espiritual; são simplesmente subsídios para a sua sustentação, e a eles tem direito ainda que possua outros bens.

É obrigado, porém, a distribuir o supérfluo pelos pobres ou por obras pias (C. 1473). Àqueles que não puderem pagar por falta de meios, não deve o Pároco negar o seu ministério gratuito (C. 463).

ENCÍCLICA

é uma Carta circular dirigida pelo Papa a todos os Bispos, ou aos de uma Nação somente, versando algum assunto de interesse geral para a Comunidade cristã.

ENDOENÇAS

Dá-se este nome às cerimônias litúrgicas que se celebram nos três últimos dias da Semana Santa, comemorando a instituição da Missa, a paixão e a morte de Jesus Cristo, e a sua Ressurreição. As igrejas não paroquiais não podem fazer as funções da Semana Santa sem solenidade, isto é, segundo o Memoriale Rituum a não ser com Indulto da Santa Sé (S. C. R.). Na Quinta-feira santa não deve tapar-se a luz das janelas da igreja com panos pretos ou quaisquer outros.

Quando se não fazem as funções da Semana Santa pode conservar-se a píxide no seu altar até ao sol posto, para que os fiéis possam adorar o Santíssimo Sacramento, mas a píxide não pode ser exposta à boca do Sacrário. Nas igrejas paroquiais em que não se celebram as funções da Semana Santa pode o Pároco, com licença do Bispo, dizer Missa rezada, e também com a mesma licença, pode cantar Missa, mas não pode fazer a procissão do Santíssimo Sacramento.

Não pode tolerar-se que o altar-mor seja o altar da exposição do SS. (S. C. R.). As solenidades de Quinta-feira não podem separar-se das de Sexta, mas podem fazer-se as de Sábado sem aquelas (S. C. R.). A Missa de Sábado deve ser precedida da benção do lume e do círio pascal. A benção da água para o Batismo é obrigatória em todas as igrejas paroquiais. Desde a Missa de Quinta-feira até à Missa de Sábado não se tocam os sinos, nem música na igreja, em sinal da tristeza que causa a lembrança da Paixão e morte de Jesus Cristo.

Os atos principais que se celebram Quinta-feira Santa são:

a) a Missa solene, que recorda a instituição da Sagrada Eucaristia;

b) — a procissão do SS. em seguida à Missa;

c) — a desnudação dos altares, depois da procissão, cerimônia que recorda Jesus despojado dos seus vestidos para ser açoitado;

d) — o lava-pés, feito à tarde, que recorda o ato de humilhação praticado por Jesus Cristo lavando os pés aos seus discípulos, após a última Ceia.

Os atos principais de Sexta-feira são:

a) — o canto da Paixão, que deve ser ouvido de pé;

b) — a adoração da cruz, à qual é nesse dia prestado um culto especial;

c) — a procissão do SS., e a Missa chamada dos pre-santificados, porque o Sacerdote não consagra, mas comunga a Sagrada Hóstia consagrada na véspera;

d) — a procissão chamada do enterro, porque nela é levada a imagem de Jesus morto.

Os atos principais de Sábado Santo ou Sábado de Aleluia são:

a)— a benção do fogo;

b) — a benção da pia batismal, seguida da Ladainha de todos os Santos;

c) — a Missa solene.

ENFERMIDADES

Muitas das nossas enfermidades são uma consequência dos nossos pecados. Quando doentes, recorremos aos remédios para obtermos a cura, e por vezes gastamos nisso os nossos haveres. E também, se temos fé, recorremos ao poder de Deus por meio da oração, com o mesmo fim de recuperarmos a saúde.

As enfermidades da alma são muito mais perigosas que as do corpo; estas são passageiras, purificadoras ou expiatórias, aquelas fazem perder a amizade de Deus e, se não forem curadas pela Confissão sacramental, levam às penas do inferno. Sem desprezar a cura do corpo, cuidemos principalmente de obter o perdão dos nossos pecados.

EPIFANIA

é a festa que a Igreja celebra no dia 6 de Janeiro, para comemorar a manifestação de Jesus Cristo aos gentios, nas pessoas dos Reis de Nações pagãs. Esses Reis que segundo a tradição eram três — Melchior, Gaspar e Baltazar — viram aparecer no Oriente uma estrela de extraordinário brilho.

Resolveram seguir a direção da estrela e, guiados por ela, foram a Belém, onde tinha nascido e ainda estava o Menino Jesus. Adoraram Jesus, ofereceram-lhe valiosos presentes — ouro, mirra, e incenso — e voltaram para os seus Países anunciando que tinha nascido Jesus, o Filho de Deus, que era esperado como Salvador do mundo. O dia da Epifania é dia Santo de Guarda.

EPISCOPADO

é uma Ordem sagrada e suprema, que confere a quem a recebe o poder de confirmar os fiéis, ordenar os Ministros do altar, e consagrar as coisas pertencentes ao culto religioso. Os Bispos na sua Ordenação recebem a plenitude do Poder Sacerdotal: Poder de Ordem, para ordenarem os ministros do altar; Poder de Jurisdição, para governarem a Igreja.

Embora o Papa seja o Chefe da Igreja Católica e Superior aos Bispos, não é dele que recebem a Jurisdição e sim do Espírito Santo, que os estabeleceu Bispos para governarem a Igreja de Deus como sucessores dos  Apóstolos. Também se entende por Episcopado o Corpo Episcopal, isto é, os Bispos considerados como um corpo moral.

EREMITAS

eram ascetas cristãos que aspiravam a uma vida mais perfeita no Cristianismo, e que se separavam da convivência social para viverem no deserto. Faziam voto de castidade, abstinham-se do uso de carnes e de vinho, repartiam os seus bens com os pobres, e viviam pobremente.

ESCÂNDALO

é o que se diz, se faz, ou se omite menos retamente, embora licitamente, dando a outrem ocasião de cair em pecado, ou causando-lhe alguma ruína espiritual. O escândalo pode ser dado diretamente, se há intenção de levar outrem ao pecado; ou indiretamente, se somente se prevê que outrem cairá em pecado.

É severamente condenado por Jesus Cristo, quando diz: «Aquele que escandalizar um destes pequeninos que crêem em Mim, melhor é que se lhe pendure ao pescoço uma mó de azenha e seja lançado ao fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos» (Ev. S. Mat. XVIII, 6.)

Quem escandaliza fica obrigado a reparar o escândalo dado, umas vezes por caridade, outras vezes por motivo de justiça. Devemos, pois, abster-nos de toda a palavra ou ação de que possa resultar escândalo para alguém.

ESCAPULÁRIO

dos Religiosos é uma tira larga de pano que os Religiosos trazem sobre o hábito, e que dos ombros desce ao longo do peito e das costas. Para os simples fiéis o escapulário consta de dois bocados de pano unidos por dois cordões que se suspendem ao pescoço, ficando uma parte para o lado do peito e outra para o lado das costas.

O escapulário é um distintivo para os fiéis que entram em alguma Ordem Terceira ou Confraria que concede esse privilégio, e ao seu uso andam anexas muitas indulgências. Para lucrá-las é necessário receber nos ombros o escapulário, benzido por Sacerdote que tenha a faculdade de benzê-lo, trazê-lo ao pescoço dia e noite, e ter o nome inscrito no Registro da Ordem Terceira ou da Confraria.

Só o primeiro escapulário — o da imposição — tem de ser benzido; qualquer outro que o substitua não carece de benção, exceto o das Ordens. O escapulário de algumas Associações pode ser substituído por uma medalha de metal, tendo de um lado a imagem do Coração de Jesus, e do outro lado a imagem de Nossa Senhora. A medalha tem de ser benzida por quem tem o privilégio de benzer o escapulário.

Aquele que tendo recebido o escapulário o tivesse deixado, mesmo por tempo considerável, não carecia de nova imposição (a não ser que o tivesse repelido por desprezo ou impiedade), para tornar a trazê-lo e lucrar as Indulgências. Estando deteriorado o escapulário ou tendo-se perdido, é preciso substituí-lo por outro igual, quer benzido quer não. A medalha que substitui o escapulário pode trazer-se ao pescoço ou de outro modo qualquer, e, se for perdida, deve ser substituída por outra, que há de ser benzida.

ESCRITURA SAGRADA

— Ver a palavra BÍBLIA ou CANÔNICOS.

ESCRÚPULO

é uma ansiedade ou temor excessivo de pecar, sem razão suficiente. Confunde-se por vezes com a consciência delicada, que é um sentimento que percebe e procura corrigir os menores defeitos, não por julgar que são graves, mas porque impedem de caminhar para a perfeição. Os sinais que dão a conhecera consciência escrupulosa são: pertinácia no juízo, mudança frequente de opinião, reflexões importunas, ansiedade no modo de falar. O grande remédio contra o escrúpulo é a obediência ao confessor.

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ESMOLA

é qualquer benefício corporal dado ao indigente, por compaixão, para aliviá-lo em suas necessidades. A esmola é de preceito divino, pois Jesus disse: «Dai esmola do que é vosso» (Ev. S. Luc. XI, 41) e o Apóstolo São Paulo escreveu: «Não vos esqueçais de fazer o bem e de repartir dos vossos bens com os outros, porque com tais sacrifícios se agrada a Deus» (Ep. Hebr. XIII, 16).

A esmola é como que um imposto suplementar lançado por Jesus Cristo sobre os ricos em proveito dos pobres, pelos quais se faz substituir. De sorte que quem dá esmola é um auxiliar da divina Providência junto dos necessitados. A esmola deve ser dada, não por vaidade nem com ostentação, mas por compaixão e com caridade, acompanhando a dádiva com alguma palavra carinhosa que console a alma do pobre, e deve ser dada com generosidade, segundo as possibilidades de quem dá e as necessidades daquele a quem é dada.

Em casos iguais deve ser dada:

a) aos mais indigentes;

b) aos de melhor vida moral;

c) aos parentes;

d) aos benfeitores;

e) aos que prestam serviços espirituais.

O pobre deve ver na esmola a bondade da divina Providência, deve ficar, e mostrar-se reconhecido a quem a dá e deve fazer bom uso da esmola recebida.

ESMOLAS

Os Párocos e Superiores das igrejas podem coligir esmolas para a sustentação do culto nas suas igrejas ou capelas, e bem assim para outras obras pias, segundo as prescrições do Bispo (C. P.). — Ninguém poderá colocar nas igrejas ou capelas públicas, ainda que em propriedade pertencendo a particulares, quaisquer caixas destinadas a receber esmolas ou donativos dos fiéis, sem licença do Bispo ou do Sacerdote legitimamente encarregado do culto dessa igreja ou capela, e as chaves dessas caixas pertencem ao dito Sacerdote ou à Associação aí canonicamente ereta (C. P.).

As esmolas e ofertas a alguma igreja, capela, altar, imagem ou corporação eclesiástica, serão sempre aplicadas conforme a intenção do oferente; se esta não for expressa nem se puder conjecturar qual fosse, aplicar-se-ão em atos de Religião ou de piedade (C. P.).

ESPÉCIES SACRAMENTAIS

são as aparências do pão e do vinho depois da consagração na Missa sob as quais espécies, que os nossos olhos vêem, sabemos, pela Fé, que está o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo.

ESPERANÇA

é uma virtude sobrenatural que nos dá a confiança certa da nossa salvação, mediante os auxílios divinos para a merecermos. Esta confiança é fundada na palavra de Jesus Cristo, que disse: «Vós recebereis o cêntuplo neste mundo e a vida eterna no outro» (Ev. S. Marc. X, 30). E o Apóstolo São Paulo afirma que «na esperança é que temos sido salvos»; e ainda: «meus amados irmãos, estai firmes e constantes, trabalhando sempre cada vez mais na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor» (Ep. I Cor. XV, 58).

A esperança anima-nos ao cumprimento do dever, por causa do bem que daí nos resulta, impede de nos prendermos aos bens da terra, que havemos de deixar para recebermos os bens celestes; consola-nos e eleva-nos o espírito quando somos feridos pela adversidade, pois sabemos que todas as penas desta vida não têm comparação com a glória que esperamos na eternidade. Tenhamos, pois, esperança firme na bondade de Deus e digamos com o Salmista: «Em Vós, Senhor, esperei, não serei confundido eternamente» (Salmo XXX, 1).

ESPIRITISMO

é um conjunto de superstições prejudiciais à Fé católica. Pretendem os espíritas evocar as almas dos finados para saberem delas coisas que não se podem saber naturalmente, ou por meios naturais. Como evocação dos espíritos é ilícito; como doutrina é contrário à Fé.

A Igreja proíbe assistir a reuniões espíritas, mesmo no caso de os assistentes protestarem excluir todo o pacto com o demônio, e ainda que nessas reuniões nada se ouça contra a doutrina da Igreja, ou se peçam sufrágios pelos defuntos. Ficam excomungados todos os que tomarem parte ativa nas reuniões do espiritismo, ou as promoverem, ou simplesmente a elas assistirem (C. P.).

ESPÍRITO SANTO

é uma Pessoa Divina, a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Esta verdade é ensinada pela Sagrada Escritura, dizendo Jesus Cristo aos seus Apóstolos que batizassem «em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo» (Ev. S. Mat. XXVIII, 19). Com estas palavras proclama que o Espírito é igual ao Pai, que é Deus, e ao Filho, que é igualmente Deus.

Nos Atos dos Apóstolos conta São Lucas que o apóstolo São Pedro, repreendendo Ananias, disse-lhe: «Satanás tentou o teu coração para que tu mentisses ao Espírito Santo; não mentiste aos homens, mas a Deus» (Act. V, 3-4).

Deus Pai e Deus Filho e Deus Espírito Santo são um só Deus em três pessoas divinas, e, embora estas três divinas Pessoas operem igualmente em toda a nossa vida natural e sobrenatural, atribuímos a Deus Pai a nossa criação, a Deus Filho a nossa redenção e a Deus Espírito Santo a nossa santificação. Peçamos ao divino Espírito Santo que nos conceda as graças precisas para cooperarmos com as graças que lhe pedimos, e nos santificarmos.

ESPOSOS

— Ver a palavra CÔNJUGES.

ESTAMPAS

Nas estampas religiosas que piedosamente se distribuem para pedir preces e outros sufrágios pelos defuntos, não devem imprimir-se elogios dos mesmos, nem quaisquer textos da Escritura ou orações, sem a aprovação do Bispo.

ESTOLA

era entre os Romanos um pano de linho muito fino e muito limpo, que as pessoas de distinção usavam em volta do pescoço.

Como ornamento sacerdotal, é uma longa faixa de seda com uma cruz no meio e duas nas extremidades, que o Sacerdote usa, caindo dos ombros sobre o peito, quando exerce alguma função sagrada. Em regra não deve ser usada senão nos atos litúrgicos em que é exigida pelas rubricas. É permitida, mas não é preceituada, ao Sacerdote, para pregar, se esse for o costume.

ETERNIDADE

é a posse perfeita e permanente de vida interminável. A eternidade em Deus é permanência sem princípio nem fim, sem passado nem futuro; é um presente continuado. Neste sentido só Deus é eterno. Para nós, a eternidade, ou a vida eterna, começa no momento da morte; nesse momento termina o passado e começa um presente que nunca mais acaba.

Então, a alma entra na morada da sua eternidade, que será ou o Céu, embora passando pelo Purgatório, ou o Inferno. E a vida, quer de felicidade quer de tormentos, nunca mais acaba. Eternidade de gozo no céu com Deus, ou eternidade de tormentos no inferno com o demônio.

EUCARISTIA

é um Sacramento que contém, verdadeira, real e substancialmente, o próprio Jesus Cristo sob as espécies do pão consagrado, para alimento espiritual da nossa alma. Foi instituída por Jesus Cristo na véspera da sua morte por amor de nós, e foi dada em comunhão aos seus Apóstolos, comunicando-lhes também o poder de fazerem o mesmo que Ele acabava de fazer. Por isso, todas as vezes que um Sacerdote na Missa pronuncia sobre a hóstia as mesmas palavras que Jesus Cristo pronunciou sobre o pão — «Isto é o meu Corpo» — a hóstia deixa de ser pão, e nela fica sob as aparências de pão, o Corpo, o Sangue e Alma e Divindade de Jesus Cristo, ou a Eucaristia.

É um mistério profundo, mas é um dogma da Fé católica. Devemos adorar a Eucaristia porque ela é o próprio Jesus Cristo, invisível sob as espécies visíveis do pão consagrado. Devemos receber a Eucaristia em Comunhão, porque foi principalmente para a recebermos que Jesus Cristo a instituiu, dizendo «Tomai e comei. Isto é o meu Corpo» (Ep. I Cor. XI, 24).

A Eucaristia, que significa ação de graças, é designada por vários nomes: Sagrada Hóstia, porque nos recorda o sacrifício da cruz, de que é em certo modo a renovação incruenta. Santíssimo Sacramento, em razão da sua dignidade, superior a todos os outros Sacramentos. Mistério de Amor, porque é o prolongamento da Encarnação; — por amor encarnou o Verbo divino, e por amor permanece entre os homens. Vínculo de Caridade, porque é sinal e causa da paz, da concórdia e da unidade na Igreja.

Viático, quando é dado aos fiéis moribundos como alimento no seu caminho para a pátria celeste. Jesus Cristo permanece na Eucaristia enquanto as espécies sacramentais não estão inteiramente corrompidas; está na hóstia consagrada no mesmo estado de glória, de felicidade e de impassibilidade como está no Céu, e está não com as dimensões da sua quantidade material e com a sua extensão, mas no estado de substância, como a substância do pão está sob as suas espécies, pois o Corpo de Jesus Cristo substitui a substância do pão, e só no Céu está com as suas propriedades de dimensão. Nas igrejas onde está a Sagrada Eucaristia deve haver ao menos uma Missa cada semana. — Com licença do Bispo pode conservar-se a Eucaristia nas capelas públicas e nas semi-públicas das casas pias ou religiosas.

Para se conservar a Eucaristia noutras capelas é necessário Indulto Apostólico, mas o Bispo pode conceder essa licença e somente para capela pública, havendo justa causa e per modum actus (C. 1265). — A Eucaristia não pode ser conservada habitualmente senão num altar da mesma igreja, e convém que esteja no altar-mor, exceto nas igrejas Catedrais e Colegiadas onde, por causa dos Ofícios eclesiásticos, deve estar numa capela lateral (C. 1268).

A Eucaristia deve conservar-se em sacrário inamovível, colocado no meio do altar, e a chave do sacrário deve ser cuidadosamente guardada, à responsabilidade do Reitor da igreja (C. 1269). — Diante do sacrário deve haver ao menos uma lâmpada, acesa dia e noite, alimentada com azeite ou cera (C. 1271).

EVANGELHO

é o primeiro livro do Novo Testamento, o livro sagrado que narra a vida de Jesus Cristo, com o fim de crermos que Ele é Deus, e para que crendo, pratiquemos a sua doutrina, sigamos os seus exemplos, vivamos santamente, e consigamos a felicidade eterna.  Jesus Cristo mandou pregar o Evangelho em todo o mundo, dizendo aos seus Apóstolos: «Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura» (Ev. S. Mar. XVI, 15).

E não há outro evangelho senão aquele que Jesus pregou na Palestina e mandou pregar em todo o mundo. Assim o afirma o Apóstolo São Paulo, dizendo: «Ainda que nós mesmos ou um Anjo do Céu vos anuncie um Evangelho diferente do que vos anunciamos, seja anátema» (Ep. Gal. I, 8). Devemos tomar o Evangelho como Regra de conduta para a nossa vida moral, guiados sempre pela Autoridade da Igreja, à qual Jesus confiou o seu ensinamento, e devemos repudiar como falsa e errônea toda a doutrina, seja de quem for, que estiver em oposição como a doutrina do Evangelho.

EVANGELISTAS

são os quatro escritores que redigiram o Evangelho, isto é: os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, a sua vida, morte, ressurreição, e ascensão ao Céu. São os dois Apóstolos São Mateus e São João, e São Marcos discípulo de São Pedro, e São Lucas, companheiro de São Paulo.

EXAME DE CONSCIÊNCIA

para a Confissão, consiste em procurar conhecer os pecados cometidos depois da última Confissão. Para fazer o exame de consciência, implora-se o auxílio de Deus, e interroga-se cuidadosamente a consciência sobre se os nossos pensamentos, as nossas palavras, ações e omissões têm sido conforme ou contra os Mandamentos da Lei de Deus e da Igreja e os deveres do nosso estado. Nesta investigação deve-se procurar saber não somente a qualidade dos pecados cometidos, mas também, quanto possível, o número deles, e a sua gravidade.

EXCOMUNHÃO

é uma censura eclesiástica ou pena canônica, pela qual o cristão delinquente e contumaz é privado dos bens espirituais de que a Igreja é dispensadora. Disse Jesus: «Se teu irmão pecar contra ti… di-lo à Igreja, e se não ouvir a Igreja tem-no por um pagão ou um publicano» isto é, como um separado da Igreja (Ev. S. Mat. XVIII, 17). A excomunhão é a maior pena que a Igreja impõe aos seus súditos.

Os bens espirituais de que o excomungado fica privado são:

a) da participação das orações públicas que a Igreja faz por todos os fiéis:

b) de administrar e receber os Sacramentos;

c) de assistir aos ofícios divinos, exceto aos sermões;

d) de ser sepultado com honras litúrgicas. A Igreja excomunga ou afasta os indignos, não para que se percam, mas para que se convertam e se salvem; para que se conserve a disciplina eclesiástica, e para que os fiéis não se corrompam com os maus exemplos do excomungado. Só os Bispos e Prelados maiores podem excomungar, porque só eles têm jurisdição no foro judicial.

EXÉQUIAS

são honras litúrgicas que a Igreja presta àquele que faleceu em paz com Deus. — Ver a palavra FUNERAL.

EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS

são práticas que, por meio de exames de consciência, de oração vocal e mental, e de outros atos de vida espiritual, têm por fim preparar e dispor a alma para tirar de si todas as afeições  desordenadas, e, depois de tiradas, procurar conhecer a vontade divina para segui-la, conformando com ela a vida. Os exercícios espirituais são feitos no silêncio do recolhimento, onde não cheguem as notícias mundanas, nem as ocasiões de dissipação do espírito. São os meios mais aptos para cada um se conhecer e conhecer a vontade de Deus a seu respeito. Quem os faz com as devidas disposições ganha sempre em perfeição espiritual.

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EXORCISMOS

são orações que o Sacerdote reza, invocando o nome de Deus, para expulsar o demônio do corpo dos obsessos. Ninguém, nem mesmo o Sacerdote, pode ler os exorcismos aos obsessos sem licença expressa do Bispo (C. 1151), e essa licença só é concedida depois de ter averiguado por meio de uma investigação cuidadosa e prudente, que o exorcismando está realmente obsesso.

EXORCISTA

é aquele que recebe a Ordem do Exorcistato, a qual confere o poder de expulsar os demônios dos corpos dos possessos, e de preparar a água que há de ser benzida para as bênçãos litúrgicas usadas na Igreja. Segundo a disciplina atual, nem os Exorcistas nem mesmo os Sacerdotes podem exercer o poder de fazer os exorcismos sem autorização expressa do Bispo (C. 1151).

EXPOSIÇÃO DO SANTÍSSIMO

pode fazer-se sem licença do Bispo, com a píxide à boca do sacrário, havendo causa justa (C. 1274), mas não depois do sol posto sem licença do Bispo (S. C. R.). A Exposição solene só se pode fazer sem licença do Bispo no dia do Corpo de Deus e dentro da sua Oitava, durante a Missa, e a Vésperas (C. 1274). Durante a Exposição com a píxide à boca do Sacrário devem arder 6 velas, ao menos. Durante a Exposição, sob dossel ou baldaquino, devem arder 12 velas.

Sendo a Exposição no trono, devem arder 16 velas, ao menos, e na devoção das Quarenta Horas devem arder 20, pelo menos, não sendo permitido substituir as velas exigidas por lâmpadas elétricas. Na Exposição privada a píxide deve ficar dentro do Sacrário, tirando-se apenas para dar a benção (S. C. R). Sem licença do Bispo não se pode dar a benção do Santíssimo mais de uma vez por dia na mesma igreja, salvo se aí tiverem a sua sede várias Confrarias ou Associações pias (S. C. R.).

Nunca se pode dar a benção do Santíssimo sem o véu de ombros, que deve ser sempre de cor branca. Na benção com a custódia é indispensável que o celebrante revista também o pluvial. Durante a benção, nem os sacerdotes, nem os músicos, nem quaisquer outras pessoas podem cantar coisa alguma, devendo haver profundo silêncio (S. C. R.).

A incensação é necessária na Exposição solene; é facultativa na particular. É proibido colocar sobre o altar em que está o Santíssimo exposto quaisquer imagens ou relíquias, com exceção das imagens dos Anjos em adoração (S. C. R.).

Na Exposição solene far-se-á a incensação, tanto na ocasião da exposição como depois do Genitori, ainda que entre a exposição e o Tantum ergo não tenha havido nenhumas preces, mas neste caso não se faz nova imposição de incenso (S. C. R.). Não é lícito intercalar entre o Tantum ergo e o Genitori, assim como entre este hino e a oração Deus qui… e entre esta oração e a benção, nenhumas outras preces (S. C. R.).

EXTREMA-UNÇÃO

é um Sacramento que Jesus Cristo instituiu para alívio da alma, e também do corpo, dos enfermos que estão em perigo de morte. Já os Apóstolos administravam este sacramento, como se afirma em São Tiago, dizendo: «Está entre vós algum enfermo? Chame os Presbíteros da Igreja e orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor, e a oração (nascida) da fé salvará o enfermo, e se estiver em pecados ser-lhes-ão perdoados (Ep. S. Tiag. V, 14, 15). — Este Sacramento só pode ser administrado ao fiel que, depois de ter atingido o uso da razão, se veja em perigo de morte, ou por causa da enfermidade ou pela velhice (C. 940), mas não pode ser conferido aos que perseveram, de modo contumaz, impenitentes, em manifesto pecado mortal. Se disso houver dúvida, seja conferido sob condição (C. 942).

Na mesma doença não se pode receber a Extrema-unção mais de uma vez (C. 940). Se o enfermo tiver expirado há pouco tempo, deverá ser ungido sob condição (Const. Bisp. Coimbra).

 
 
 

D

DALMÁTICA

é uma veste litúrgica, comprida, estreita, com ou sem mangas, aberta dos lados, que cai dos ombros, e cobre o corpo por diante e por trás. E usada pelo Diácono e pelo Subdiácono, nas Missas cantadas e em outros atos litúrgicos.

DECÁLOGO

são os dez Mandamentos da Lei que Deus deu aos Israelitas, por intermédio de Moisés, depois de saírem do Egito e ao chegarem ao monte Sinai, 1500 anos antes do nascimento de Jesus Cristo. Os três primeiros Mandamentos pertencem à glória de Deus, os outros sete são para o bem do próximo. Todos os deveres do homem para com Deus, e para consigo mesmo, e para com o próximo estão implícitos nos dez Mandamentos, e todos os homens são obrigados a praticá-los, porque estão impressos no coração de todos como lei natural.

DEÍSMO

sistema filosófico que, em religião, admite somente a existência de Deus, e nega a Revelação divina, a possibilidade do milagre, a intervenção de Deus nos acontecimentos particulares da vida humana.

DEÍSTAS

são os que seguem o deísmo. Fazem consistir a sua Religião em crer em Deus.

DEMISSÓRIAS

Dá-se este nome à autorização do Bispo a um ordinando, seu súdito, para ser ordenado noutra Diocese.

DEMÔNIO

Dá-se o nome de demônios aos Anjos que pecaram e que Deus castigou com os tormentos do inferno, como ensina a Sagrada Escritura, dizendo: «Deus não perdoou aos anjos que pecaram, e precipitou-os no abismo do inferno, para serem atormentados» (Ep. II S. Ped. II, 4). O demônio é um espírito maligno, que pela mentira seduziu os nossos primeiros pais, levando Adão a cometer o pecado original, de que resultou a morte e todos os sofrimentos da humanidade. Rebelde a Deus e punido por Deus, tem ódio a Deus, e o seu empenho é levar os homens à revolta contra Deus, para serem punidos como ele.

Os demônios não são maus por natureza, mas por vontade. Tentar para fazer o mal é próprio do demônio; o mundo e a carne são instrumentos seus para nos tentar (Ep. Efes. VI, 11, 12). Pode exercer uma ação imediata sobre o homem, não diretamente sobre a inteligência e sobre a vontade, e sim sobre a imaginação e sobre o apetite sensitivo; permitindo-o Deus também pode exercer a sua ação maligna sobre os objetos exteriores e sobre o nosso corpo, sendo causa de males físicos que sofremos (Ev. S. Mat. XVII, 14-17 e VIII, 28). Pode conhecer as coisas exteriores materiais, mas não pode saber o que se passa no íntimo da nossa alma, se não o manifestarmos por algum sinal exterior. Podemos vencer as tentações do demônio com o auxílio da graça divina, que obtemos por meio da oração, da penitência e da vigilância. O Apóstolo São Pedro deixou-nos esta advertência: «Sede sóbrios e vigiai, porque o demônio, vosso adversário, anda ao redor de vós como um leão que ruge, buscando a quem devorar; resisti-lhe, fortes na Fé, sabendo que os vossos irmãos que estão espalhados pelo mundo sofrem a mesma tribulação» (Ep. I S. Ped. V, 8, 9).

DENÚNCIA

é a manifestação feita à Autoridade, de um crime ou de um fato grave, prejudicial à moral ou à sociedade. Não se façam denúncias imprudentemente, mas não se omitam covardemente quando o exigir o interesse geral ou superior, porque em tais casos a denúncia é um dever.

DESÂNIMO

é um dos grandes tormentos da vida espiritual. Chega, por vezes, quando a alma tem ganhado alguma coisa no seu progresso, que, todavia, não se faz sentir. Como a uma virtude praticada ou, a um bom desejo, não corresponde sempre a graça sensível, a alma desanima porque não vê premiada a virtude. O desânimo não é razoável; é, antes, filho do orgulho, e como uma espécie de repreensão a Deus, por não dispor as coisas de outro modo. Quem quer progredir no caminho da vida espiritual não se deixa dominar pelo desânimo; não pára: caminha, animado pela confiança na bondade de Deus.

DESEJOS

O desejo é um movimento da alma para um bem ausente. Os nossos desejos são tendências naturais para o bem que não possuímos, e em cuja posse julgamos encontrar algum gozo. Há desejos que devemos repelir, há outros que devemos moderar, e outros a que devemos excitar-nos.

a) Devemos repelir todos os desejos que tendem àquilo que é contrário à lei de Deus.

b) Devemos moderar os desejos que, embora não sejam contrários à lei de Deus, podem ser-nos prejudiciais se não forem regulados pela prudência e pela humildade, como são os desejos inspirados pelas satisfações sensuais e os que têm por objeto os bens temporais,

c) Devemos excitar-nos aos desejos que tendem à glória de Deus e ao bem das nossas almas, como ao bem das almas dos nossos semelhantes.

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DESESPERAÇÃO

é a voluntária desconfiança de conseguir a felicidade eterna, ou os meios necessários para consegui-la. O pecado de desesperação, que é mortal, procede principalmente da luxúria e da preguiça. Da luxúria, porque pela afeição aos prazeres carnais o pecador se desgosta dos bens espirituais, e já não os espera por lhe parecer coisa muito difícil. Da preguiça, porque, sendo ela uma tristeza que abate e afrouxa o espírito, mostra-lhe a felicidade eterna como fora de toda a esperança. Aos que querem, na verdade, caminhar para o Céu e fazem por isso, Deus concede as graças necessárias para vencerem as dificuldades, e chegam ao fim desejado.

DEUS

A Sagrada Escritura ensina não só que Deus existe, mas também quem Deus é. O Apóstolo São Paulo diz que: «as perfeições invisíveis de Deus, depois da criação do mundo, consideradas pelas obras que foram feitas, passaram a ser visíveis, como a sua virtude sempiterna e a sua divindade » (Ep. Rom. I, 20). — O Santo Evangelho como os santos Apóstolos ensinam que: «Deus é Espírito Onipotente, Invisível, Imenso, Uno em natureza e Trino em Pessoas — Pai, Filho, Espírito Santo — , Remunerador sobrenatural, Infinito em todas as perfeições, a Quem devemos amar sobre todas as coisas, adorar, servir e glorificar. Deus é o Ente Supremo que existe por Si mesmo, Eterno, Criador e Governador de tudo o que existe. Devemos honrar a Deus:

a) pela Fé, reconhecendo-O como único e verdadeiro Deus, nosso Senhor e Mestre infalível;

b) pela esperança nas suas promessas, reconhecendo que é Fiel;

c) pela caridade ou amor de todo o coração, reconhecendo que é infinitamente Bom;

d) pela adoração, reconhecendo que é infinitamente Grande;

e) pelo temor, reconhecendo que é inquebrantavelmente Justo. A sua vontade todos devemos obedecer, para O irmos ver face a face no Céu e aí gozarmos a eterna felicidade.

DEVER

é o conjunto das nossas obrigações para conosco, para com o próximo e para com Deus. O dever tem o seu fundamento na lei natural e na lei divina positiva, que nos determinam e nos impõem todas as nossas obrigações. Para cumprirmos o dever havemos de consagrar-lhe todas as nossas forças da alma e do corpo, sem que coisa alguma nos afaste dele. O dever primeiro que tudo; o dever é a Regra da nossa conduta. Nem o prazer, nem o dinheiro, nem as honras nos hão de afastar do cumprimento do dever. Mas cumpramos o dever não tanto para agradar aos homens, e sim porque é essa a vontade de Deus e para lhe sermos agradáveis. Há deveres que se apresentam difíceis de cumprir; perante as dificuldades sejamos corajosos, esforcemo-nos por vencê-las, peçamos auxílio a quem no-lo pode prestar, e recorramos a Deus com humildade, com fé e perseverança. O cumprimento do dever dá paz à consciência e alegria ao espírito; atrai a consideração dos bons e é recompensado por Deus.

DEVERES DO CRISTÃO CONSIGO MESMO

Para o homem viver como cristão há de cumprir deveres relativos à sua vida corporal, à sua vida intelectual, à sua vida moral e à sua vida sobrenatural.

a) Relativamente à vida corporal, o cristão tem de aceitá-la como lhe é comunicada, sem murmurar se alguns defeitos físicos a acompanham; têm de dar ao corpo o alimento, o trabalho, o repouso e a higiene que lhe são necessários para conservação da vida e da saúde; na doença tem de tratar-se segundo os meios ordinários de que pode dispor, ou lhe sejam oferecidos,

b) Relativamente à vida intelectual, o cristão deve esclarecer e aperfeiçoar a sua inteligência pelo conhecimento da verdade, tanto de ordem natural segundo a condição de cada um, como de ordem sobrenatural segundo os ensinamentos da Igreja Católica,

c) Relativamente à vida moral, o cristão deve habituar-se à ordem, à disciplina, à prática do bem; deve combater e procurar vencer as inclinações más que sentir, deve seguir os bons exemplos e bons conselhos das pessoas justas, e deve evitar as más companhias e as más leituras, d) Relativamente à vida sobrenatural, o cristão deve formar um ideal de vida virtuosa, que procurará realizar fazendo só o que a sua consciência lhe disser que é bem; deve aperfeiçoar a sua vida moral pela oração, pelos vários exercícios do culto divino e pela frequência dos sacramentos da Confissão e da Comunhão; deve tomar como modelo da sua vida a vida de algum Santo, ou a do próprio Jesus Cristo.

DEVERES DE ESTADO

são as obrigações inerentes ao modo de vida que cada um tem. Primeiro que qualquer outro dever estão os deveres de estado, os quais obrigam em consciência; por isso faltar a eles é ofender a Deus. Os deveres de estado hão de ser cumpridos com a perfeição possível, embora sem gosto e com sacrifício. É zelo mal entendido ou vaidade pôr de parte algum dever de estado para satisfazer o gosto próprio ou de outrem, ainda que não seja coisa má, ainda que seja coisa boa.

DEVERES FAMILIARES.

No lar doméstico todos os membros da família devem propor-se estes fins:

a) o bem-estar pelo trabalho, segundo as aptidões e as forças de cada um;

b) a paz suportando-se mutuamente e perdoando-se;

c) a alegria, dedicando-se mutuamente, sem olhar aos incômodos próprios;

d) a vida virtuosa, orando uns pelos outros, edificando-se com os bons exemplos, amparando com bons conselhos, sendo fiéis à prática da lei de Deus e da Igreja;

e) alívio mútuo dando os cuidados da caridade aos que os necessitam, particularmente aos velhos, aos doentes e às crianças.

DEVOÇÃO

consiste na prontidão da vontade em dedicar-se ao serviço de Deus. Não se deve confundir com a devoção uma certa doçura espiritual que por vezes dela resulta; aquela é da vontade, esta é da sensibilidade. A consideração das coisas que distraem do que é divino, impede a devoção; a consideração da Humanidade de Jesus Cristo excita grandemente a devoção. Abunda nas pessoas simples por causa da humildade; mas a ciência e qualquer perfeição conhecida em Deus aumenta a devoção. A devoção há de levar-nos a amar e servir a Deus de todo o nosso coração, com uma confiança firme na sua divina bondade.

DEVOÇÕES

Há uma grande variedade de devoções na vida cristã, mas nem todas podem ser facilmente praticadas por todos os cristãos, nem todas são igualmente recomendadas pela Igreja, nem convém que os cristãos embaracem as suas obrigações com as devoções. As principais são:

a) ao Santíssimo Sacramento, devoção que se manifesta pela Comunhão frequente, pela visita ao Sacrário, pelo respeito na Igreja, por tomar parte nas procissões em sua honra;

b) ao Sagrado Coração de Jesus. Os seus devotos fazem parte da Associação do Apostolado da Oração, comungam na primeira sexta-feira de cada mês, e fazem a devoção do mês de Junho;

c) À Virgem Maria. Os seus devotos rezam o Terço do Rosário todos os dias, assistem à Missa nos dias das festas, fazem a devoção do mês de Maio e do mês de Outubro;

d) Às almas do Purgatório, pelas quais se deve mandar celebrar a Santa Missa e fazer outros sufrágios, particularmente no mês de Novembro.

e) A Via Sacra, devoção que consiste em fazer a visita de 14 Estações diante de 14 cruzes suspensas na parede de uma igreja, meditando na Paixão e morte de Jesus.

DIACONATO

é a Ordem Sacra concedida ao Subdiácono, a qual dá o poder de servir imediatamente ao celebrante na Missa, de pregar, e, em caso de necessidade, de administrar a Sagrada Comunhão. Para a ordenação de Diácono requere-se a idade de 22 anos completos, o IV ano teológico começado, 3 meses passados depois da ordenação de Subdiácono, salvo, quanto a este requesito, se a necessidade da Igreja outra coisa exigir (C. 975, 976, 978).

DIACONISAS

Dava-se este nome às mulheres, virgens ou viúvas, que nos primeiros tempos da Igreja eram destinadas para certos ofícios, que por causa do pudor não podiam ser desempenhados por homens. Assistiam ao Batismo das mulheres adultas, que era feito por imersão, e indicavam às mulheres os lugares que deviam ocupar na igreja para assistirem aos atos do culto. O ofício das diaconisas foi abolido quando o Batismo começou a fazer-se só na cabeça do batizando.

DIAS SANTOS DE GUARDA

são, além dos Domingos, os seguintes:

Natal,

Circuncisão (l de Janeiro),

Epifania (6 de Janeiro),

Ascensão, Corpus Christi,

Imaculada Conceição (8 de Dezembro).

Assunção (l5 de Agosto),

São José (19 de Março),

São Pedro (29 de Junho),

Todos os Santos (1 de Novembro).

Nestes dias os cristãos, a partir dos 7 anos, têm obrigação de ouvir Missa e de se abster de trabalhos servis e de atos forenses. Os trabalhos servis são proibidos nestes dias, não porque sejam maus, mas porque distraem do serviço de Deus e afastam do culto divino, que é o principal fim do preceito. Quando, porém, os fiéis tiverem necessidade, verdadeira e urgente, de trabalhar nesses dias, peçam a precisa licença ao seu Bispo ou ao seu Pároco, ainda que esse trabalho se destine a obras de caridade (C. 1245).

DIFAMAÇÃO

consiste em denegrir injustamente a fama do próximo. O difamador fica gravemente obrigado, por motivo de justiça, e mesmo com incômodo proporcionalmente grave, a restituir a fama e a satisfazer por todos os danos que a difamação causou.

DEFINIÇÃO EX-CÁTEDRA

é a declaração feita pelo Papa, como Chefe da Igreja, sobre doutrina de Fé ou de Moral, isto é, sobre verdades reveladas que devemos crer ou viver, declaração solene que obriga toda a Igreja. Em tal caso o Papa é infalível, não por inspiração divina ou por revelação, e sim por assistência divina, isto é, por auxílio divino que não permite que erre quando define doutrina da Revelação.

DINHEIRO DE SÃO PEDRO

é uma obra estabelecida pela Igreja, que consiste em fazer um peditório anual, em todas as igrejas e capelas públicas onde houver Missa. O peditório é feito no dia 6 de Janeiro, e o produto é destinado a auxiliar o Sumo Pontífice nas suas enormes despesas no governo da Igreja em todo o mundo. Os fiéis devera mostrar-se generosos para com o Vigário de Jesus Cristo, Pai espiritual de todos.

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DIOCESE

é o território atribuído pela Santa Sé a cada Bispo, para o exercício do seu Poder Ordinário. A um grupo de certo número de Dioceses dá-se o nome de Província Eclesiástica, da qual é Superior o Bispo da cidade principal, com o nome de Metropolita e o título de Arcebispo, que quer dizer Chefe dos Bispos, seus sufragâneos. Cada Diocese é formada por várias Paróquias com o Clero respectivo, sob a obediência do próprio Bispo.

DIRETOR ESPIRITUAL

é um sacerdote por meio do qual Deus conduz as almas no caminho da perfeição. O modo ordinário porque as almas se hão de conduzir na vida espiritual é confiarem-se à direção de um Sacerdote. Diz São Vicente Ferrer: «quem tem Diretor e a ele se sujeita no pouco e no muito, chegará mais fácil e prontamente à perfeição do que governando-se por si mesmo, seja qual for o seu talento, e quaisquer que sejam os livros que possua sobre as virtudes e o modo de adquiri-las».

DISCRIÇÃO

é a qualidade que regula a sinceridade e a contém nos limites da prudência. Não se deve dizer tudo o que se sabe sem pensar na conveniência ou inconveniência de tudo dar a saber. Muitas coisas sabemos, sobretudo da vida alheia, que o respeito ou outros motivos exigem que calemos.

DISPARIDADE DE CULTO

é um impedimento dirimente do Matrimônio pelo fato de um dos nubentes não ser batizado e o outro ter sido batizado na Igreja Católica, ou por se ter convertido da heresia ou do cisma (C. 1070).

DISPENSA

é a permissão de obrar contra o Direito comum, ou é a sua relaxação por causa justa. Nunca se deve dispensar com prejuízo do bem comum. Não se pode dispensar contra o Direito natural comum. O Papa não pode dispensar nos preceitos divinos. Nem Deus pode dispensar nos preceitos do Decálogo. Quando se dispensa em alguma lei humana não se dispensa da obediência à lei, mas determina-se que aquilo que era lei não o seja em tal caso. Os que governam a multidão podem dispensar nas leis humanas quando falham em algum caso, ou em necessidade iminente, ou quando não convém a alguma pessoa. Na lei pública humana só pode dispensar aquele de quem a lei tem autoridade, ou aquele a quem a comunica. Das leis gerais da Igreja só o Papa pode dispensar, ou os Bispos, se o Papa lhes der esse poder, ou se for difícil o recurso à Santa Sé e houver perigo de grave dano na demora (C. 81). Os Bispos podem dispensar nas Diocesanas. Da lei eclesiástica não se deve dispensar sem causa justa e razoável (C. 84).

DISPENSA MATRIMONIAL

é a dispensa de algum impedimento eclesiástico para o Matrimônio, concedida por quem tem o direito de dispensar em algum caso particular. Só o Papa pode dispensar de todos os impedimentos de Direito eclesiástico (C. 1040). A dispensa, porém, não pode ser concedida sem que haja causa grave para a pedir. Os Bispos e mesmo os Párocos podem dispensar em casos especiais indicados no Código de Direito Canônico (C. 1043 e segs.).

DIVÓRCIO

é a separação dos cônjuges com a intenção de não tornarem a viver sob o mesmo teto. Pode ser:

a) — pleno, e consiste na separação para passar a outras núpcias, o que nunca é lícito;

b) — semi-pleno, e consiste na separação dos cônjuges sem intenção de romperem o vínculo conjugal, o que é lícito havendo causa. As causas são: adultério de um dos cônjuges; afastamento da verdadeira Religião para a apostasia ou heresia; grave dano para a alma ou para o corpo; mútuo consentimento. O Matrimônio válido e consumado não pode ser dissolvido por nenhuma Autoridade humana (C. 1118). Sobre a indissolubilidade do Matrimônio escreveu o Apóstolo São Paulo o seguinte: «Aqueles que estão unidos em Matrimônio mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido e, se se separa (por causa justa) que fique sem casar ou que se concilie com seu marido. E o marido, da mesma maneira, não deixe a sua mulher» (Ep. I Cor. VII, 10, 11). E Jesus Cristo já tinha condenado o divórcio com estas palavras: «Qualquer que repudiar a sua mulher e se casar com outra comete adultério contra a sua primeira mulher. E, se a mulher repudiar o seu marido e se casar com outro, comete adultério» (Ev. S. Mar. X, 11). É, pois, absolutamente proibido por lei divina que os casados, se tiverem de se separar por causa justa, façam novo casamento, enquanto ambos forem vivos. Não podem os fiéis aceitar o divórcio pleno embora seja admitido pelo Poder civil.

DÍZIMO

é a porção de bens materiais que os fiéis devem aos Párocos, para sua decente sustentação, e à Igreja para as despesas do culto e para a sua conservação. É uma obrigação imposta pelo V Mandamento da Igreja.

DOGMA CATÓLICO

é uma verdade divina que a Igreja propõe à nossa fé, e em que devemos crer, sob pena de cairmos em heresia. Os principais Dogmas da nossa Fé estão contidos no Símbolo dos Apóstolos ou Credo. Não pode ser considerado católico aquele que nega alguma das verdades ensinadas pela Igreja como dogma católico ou verdade divinamente revelada.

DOMICÍLIO

é o lugar onde alguém habita com intenção de longa permanência; não o perde pelo fato de ausência temporária.

QUASE-DOMICÍLIO

é o lugar onde alguém habita durante a maior parte do ano, com intenção de regressar ao seu domicílio. Pode, pois, alguém ter domicílio numa paróquia e quase domicílio noutra. A esposa não legitimamente separada retém o domicílio de seu marido, e os filhos menores, embora ausentes da casa paterna, têm o seu domicílio onde os pais habitam (C. 92, 93).

DOMINGO

é chamado entre os cristãos o dia do Senhor. Por preceito divino os Judeus santificavam um dia na semana, que era o Sábado. Não trabalhavam e reuniam-se nas Sinagogas para orar e ouvir a palavra de Deus. Os cristãos, em memória da Ressurreição de Jesus Cristo, substituíram o dia de Sábado pelo dia de Domingo, cumprindo nesse dia a lei divina da santificação de um dia na semana. É, pois, lei dos cristãos absterem-se de trabalhos servis e ouvirem Missa todos os Domingos do ano. Entende-se por trabalhos servis aqueles em que o corpo tem maior parte que o espírito, e que tendem ordinariamente para benefício do corpo, como são o cultivar a terra, qualquer trabalho dos trabalhadores e dos operários e outros semelhantes. Da santificação do domingo resultam grandes benefícios para a família, para a sociedade, como para o indivíduo; grandes benefícios de ordem material, moral e religiosa.

DONS DO ESPÍRITO SANTO

são hábitos sobrenaturais que dispõem as faculdades a obedecer prontamente à moção do divino Espírito Santo. Posto que as virtudes movam aos atos bons, os Dons são necessários para a prática dos atos mais perfeitos e para atos heróicos. Nisso se distinguem as virtudes dos Dons do Espírito Santo. São sete:

I – Sapiência — move-nos a julgar retamente das coisas divinas e a dedicarmo-nos a elas. II – Entendimento — faz-nos penetrar as verdades da Fé. III – Conselho — dirige-nos em todas as circunstâncias particulares da vida. IV – Fortaleza — aperfeiçoa a vontade, quanto aos nossos deveres em ocasião de perigo. V – Ciência — faz-nos julgar acertadamente das coisas humanas. VI – Piedade — aperfeiçoa a vontade, quanto aos deveres relativos ao próximo e a Deus. VII – Temor de Deus — aperfeiçoa a vontade, quando é necessário resistir ao atrativo dos prazeres proibidos.

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DOTES DOS CORPOS GLORIOSOS

são disposições próprias dos corpos ressuscitados que fazem com que o corpo se sujeite perfeitamente à sua alma. São quatro:

I – Claridade — O vidro é feito de areia. A areia não brilha; feita vidro e recebendo a luz do sol, brilha, reflete o mesmo. Assim o nosso corpo ressuscitado quando receber a glória que a alma goza.

II – Sutileza — O nosso pensamento penetra, entra por toda a parte e o nosso corpo agora fica onde está. Quando ressuscitar segue a alma, vai a toda a parte como agora o nosso pensamento.

III – Agilidade — Como o vento leva uma palha, assim a alma levará o corpo onde ela quiser e em tempo imperceptível.

IV – Impassibilidade — O corpo ressuscitado para o céu não sofrerá, não morrerá; gozará a vida eternamente feliz da alma junto de Deus.

DOUTORES DA IGREJA

Dá-se este nome aos escritores eclesiásticos que se distinguiram dos outros pela excelência da doutrina que ensinaram. São quatro na Igreja Ocidental ou Latina: Santo Ambrósio, São Jerônimo, Santo Agostinho, São Gregório Magno. São quatro na Igreja Oriental ou Grega: Santo Atanásio, São Basílio, São Gregório Nazianzeno, São João Crisóstomo. Além destes, que são maiores, há outros Doutores da Igreja, que são mais recentes: Santo Tomás de Aquino, São Boaventura, etc. A sua doutrina, nas coisas divinas, goza grande autoridade na Igreja, pela ciência que possuem e pelo zelo da verdade.

DOUTRINA CRISTÃ

é a doutrina de Jesus Cristo, que os Apóstolos pregaram e que a Igreja Católica ensina. Consta de verdades que os cristãos devem crer, de Mandamentos que devem cumprir, de Sacramentos que precisam de receber, de promessas cuja realização hão de pedir. Tem por fim preparar os homens para viverem virtuosamente, para glorificarem a Deus devidamente, para conseguirem a felicidade eterna após a morte. É dever grave dos pais ensinar a doutrina Cristã aos seus filhos o dar-lhes exemplo de que a praticam.

DUELO

é a luta entre duas ou mais pessoas, feita por pacto privado quanto ao tempo e lugar de combate, com armas aptas para matar ou ferir gravemente. O duelo é condenado pela lei da Igreja, que impõe a pena de excomunhão aos que se batem em duelo, ou simplesmente a ele provocam ou aceitam, assim como aos seus cúmplices, e aos que auxiliam ou favorecem os duelistas, aos que de propósito deliberado assistem ao duelo, aos que o permitem ou não o impedem, se podem. A igreja impõe a nota de infames aos duelistas e aos chamados padrinhos do duelo (C. 2351), e recusa sepultura eclesiástica aos que morrem em duelo ou de ferimento nele recebido, a não ser que tenham dado sinais de arrependimento (C. 1240).

DULIA

— Ver a palavra CULTO.

 
 
 

A

ABADE

é o Padre Superior dum Mosteiro. Em Dioceses de Portugal também se dá o nome de Abade aos Párocos das freguesias, e o povo também chama Abade a qualquer Sacerdote.

ABADESSA

é a Superiora duma Comunidade nos Mosteiros de Religiosas.

ABADIA

é a igreja, ou também o território, dum Mosteiro, cujo superior tem o título de Abade.

ABANDONO À DIVINA PROVIDÊNCIA

é a nossa inteira conformidade com as disposições da vontade de Deus. É muito racional este abandono, por mais misteriosa que seja a vontade divina, porque Deus ama-nos e quer o nosso bem, conhece as nossas necessidades e pode sempre auxiliar-nos. A um tal abandono nos convida Jesus, dizendo: «Não andeis cuidadosos da vossa vida, de que vos sustentareis, nem do vosso corpo de que vos vestireis. Olhai para as aves do céu, que não semeiam nem ceifam, nem recolhem em celeiros, e contudo vosso Pai celestial as sustenta. Porventura não sois vós mais do que elas? Procurai primeiro que tudo o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo». Ev. S. Mat. VI, 25 e segs. Jesus não reprova as nossas preocupações legítimas relativas às necessidades da vida; o que condena é a ansiedade exagerada, que provém do apego às coisas do mundo e da falta de confiança em Deus.

ABORTO

Aquele que procura produzi-lo, sem excetuar a mãe, incorre em pena de excomunhão reservada ao Bispo, quando o efeito se realiza. C. 2350. É gravíssimo o crime daquele que provoca um aborto ou o consente, pois o mesmo é que matar um inocente que não se pode defender.

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ABSOLVIÇÃO

é uma sentença que o Sacerdote confessor pronuncia em nome de Jesus Cristo, no tribunal da Penitência, em favor do seu penitente. Pela absolvição são perdoados todos os pecados àquele que ali os confessa com arrependimento, e com propósito de não mais cair em pecado e de cumprir a penitência que o Confessor lhe impuser. Há vários casos em que o Confessor pode e deve negar a absolvição àquele que se confessa. Citam-se alguns: quando o que se confessa não quer restituir os bens que furtou;

— quando não quer reparar, quanto possível, o escândalo público que causou;

— quando não quer deixar a ocasião próxima do seu pecado;

— quando exerce uma profissão diretamente contrária aos bons costumes;

— quando não manifesta arrependimento sincero dos pecados que confessa (Rit. Rom.), porque, em tais casos, o pecador não se apresenta com a disposição essencial, que é a contrição, para ser absolvido.

ABSTINÊNCIA

consiste em não comer carne nem caldo de carne em alguns dias determinados pela Igreja. São dias de abstinência; a) todas as sextas-feiras do ano; b) quarta-feira de Cinzas e das Quatro Têmporas; c) sábados da Quaresma e das Quatro Têmporas; d) vigílias do Natal, do Pentecostes, da Assunção e de Todos os Santos, salvo os privilégios da Bula e do Indulto pelo qual só são dias de abstinência a) sextas-feiras do Advento, da Quaresma e das Quatro Têmporas b) vigílias do Pentecostes, Assunção de Nossa Senhora, Todos os Santos e Natal. Por lei da Igreja são obrigados à abstinência todos os cristãos que completem sete anos de idade e que não estejam legitimamente dispensados. A abstinência é recomendada pelo Apóstolo São Paulo, quando diz: «Bom é não comer carne nem beber vinho, nem coisa em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou enfraqueça» (na fé). Ep. Rom. XIV, 21. A Igreja impõe este preceito para que façamos penitência dos pecados passados, evitemos os futuros, mortificando a gula e paixões e santifiquemos as principais épocas e festas do ano. O uso de qualquer comida só constitui pecado por ser proibido pela lei da Igreja, ou por ser prejudicial à saúde, pois, se não é coisa má comer carne ou beber vinho, é coisa má transgredir a lei da Igreja ou prejudicar a saúde.

AÇÃO CATÓLICA

é a participação dos leigos no apostolado da Hierarquia; isto é, uma instituição de católicos militantes, uma santa milícia, um exército de apóstolos, de ativos e generosos auxiliares da Hierarquia eclesiástica, sob a direção dos Bispos. A Ação Católica constitui um verdadeiro apostolado. Todos os seus diretores e promotores devem ser católicos praticantes, convictos da sua fé, solidamente instruídos na doutrina religiosa, dotados de verdadeira piedade, de virtudes varonis, de costumes tão puros e vida tão ilibada que sirvam de exemplo eficaz para todos. A Ação Católica deve consistir essencialmente em duas coisas: na fase de formação para a vida católica, e na fase de ação, isto é, na comunicação da vida adquirida durante a fase de formação. O fim essencial das obras da Ação Católica é a formação dos militantes que operarão nos seus meios.

ACOLITATO

é uma das quatro Ordens Menores, pela qual é conferido o poder de acender velas para a Missa, e de ministrar ao celebrante as galhetas com água e vinho.

ACÓLITO

é aquele que recebe a Ordem de Acolitato. Atualmente o ministério próprio do acólito é exercido pelo sacristão, o qual pode usar batina e sobrepeliz quando faz o ofício de acólito.

ATO HERÓICO DE CARIDADE

consiste em oferecer a Deus, pelas almas do Purgatório, mentalmente ou por meio de alguma fórmula, todas as obras satisfatórias que o oferente fizer durante a vida, e todos os sufrágios que fizerem por ele depois da sua morte. Este ato, posto que lhe dêem o nome de voto, não obriga sub gravi, e pode ser rescindido pelo próprio oferente.

ATO HUMANO

é o ato que o homem quer praticar, sabendo o que faz. Para que o homem produza um verdadeiro ato humano e dele tenha a responsabilidade, não é necessário que conheça com toda a perfeição o que faz e que nisso consinta plenamente; basta que haja um conhecimento imperfeito e um consentimento livre, embora com hesitação e alguma relutância. O ato humano é bom, se direta ou indiretamente é ordenado pela razão e de harmonia com a lei eterna ao fim último; é mau, se, por estar em desarmonia com a razão e a lei eterna, afasta do fim último para que o homem foi criado. Se o ato é bom, produz algum bem e merece recompensa; se é mau, produz algum mal, e merece punição. É nosso interesse fazer sempre o bem e evitar tudo o que seja mal; e em todos os nossos atos devemos ter em vista agradar a Deus, para merecermos recompensa eterna.

ATOS DOS APÓSTOLOS

é o livro do Novo Testamento que segue imediatamente ao Santo Evangelho. Compreende a história de trinta anos, desde a morte de Jesus Cristo até ao ano 63 da era vulgar. O seu autor é o Evangelista São Lucas, que descreve todas as coisas notáveis que os Apóstolos fizeram por inspiração do divino Espírito Santo. Este livro é uma perfeita e admirável imagem da Igreja nascente.

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ADIVINHAÇÃO

é o conhecimento de coisas ocultas por obra do demônio. É uma espécie de curiosidade quanto ao fim, mas quanto ao modo de a satisfazer é uma espécie de superstição. Não é lícita, quer seja por invocação do demônio, ou pelos astros, ou pelos sonhos, ou por sortes, ou pelos lineamentos das mãos. Cai neste pecado de adivinhação não só o adivinho ou feiticeiro mas também aquele que o consulta, por querer saber, por obra do demônio, alguma coisa oculta, presente ou futura.

ADORAÇÃO

é ato de culto de latria devido só a Deus, nosso Criador e supremo Senhor. De três modos devemos adorar a Deus: com adoração interior, que consiste em fazer atos de fé, de esperança, de amor, de gratidão, de submissão, apenas com pensamento; — com adoração exterior, manifestando o nosso pensamento por meio de sinais sensíveis, tais como a genuflexão, a oração vocal, o sacrifício, e outros atos semelhantes; — com adoração social ou pública, que consiste na oração feita em comum, na assistência à Missa e a outros atos de culto público. — Podemos adorar a Deus em toda a parte, mas a igreja é o lugar mais próprio para manifestarmos a Deus o nosso culto de adoração — A adoração é devida igualmente a Jesus Cristo, porque é igualmente Deus. Devemos, pois, adorar a Deus não só com atos exteriores, mas de maneira que esses atos sejam a expressão sincera do amor que nos merece. Assim disse Jesus Cristo: «Deus é Espírito, e é necessário que aqueles que O adoram, O adorem era espírito e em verdade». Ev. S. Jo. IV, 24.

ADRO

era um pátio quadrado junto à igreja, no meio do qual, antigamente, havia uma fonte com uma taça, onde os fiéis lavavam as mãos e o rosto antes de entrarem na igreja, símbolo da purificação dos pecados. Na taça da fonte estavam gravadas estas palavras: «Lavai os vossos pecados e não o vosso rosto». Esse uso desapareceu, e a taça foi substituída pelas pias de água-benta à entrada interior da igreja, para os fiéis, tocando-a com devoção, serem purificados dos pecados veniais.

ADULAÇÃO

é o excesso de louvores dirigidos a alguém para lhe ser agradável, ou por causa de algum lucro. É pecado sobretudo quando se faz com intenção de prejudicar, ou com escândalo.

ADULTÉRIO

é a cópula entre pessoa casada e outra que não seja o seu cônjuge. É pecado mortal contra a castidade, e também contra a justiça, porque viola o direito do cônjuge inocente; é uma profanação da santidade do Matrimônio; é uma quebra da promessa feita solenemente à face da Igreja. O Apóstolo São Paulo condena o adultério, dizendo que os adúlteros serão excluídos do Reino de Deus. Ep. I Cor. VI., 9. Aquele que pratica adultério, com o fim combinado de casar com o seu cúmplice após a morte do legítimo cônjuge, não pode validamente contrair tal matrimônio. C. 1075.

ADVENTO

é o tempo de quatro semanas anteriores à festa do Natal. O primeiro dia do Advento ocorre no fim de Novembro ou primeiros dias de Dezembro, e com ele começa o ano litúrgico ou ano eclesiástico. Quer a Igreja que durante o tempo do Advento os fiéis se preparem com a oração e o jejum, para comemorarem cristãmente a vinda ou o nascimento de Jesus Cristo. — As sextas-feiras do Advento são de abstinência sem jejum, mesmo para os fiéis que têm o Indulto Quaresmal.

AFILHADO

é o indivíduo que tem um padrinho quando recebe o sacramento do Batismo ou o da Confirmação. Deve-lhe respeito especial, porque contrai com o seu padrinho um grau de parentesco espiritual. Na falta dos pais, o padrinho tem o direito e o dever de o instruir e educar na Religião Cristã.

AFINIDADE

é o parentesco espiritual que resulta dum casamento legítimo entre cristãos e existe entre o marido e os consanguíneos da mulher, e entre a mulher e os consanguíneos do marido. É impedimento dirimente do Matrimônio até ao segundo grau de linha colateral inclusive; em linha reta dirime o Matrimônio em qualquer grau. C. 1077.

ÁGAPE

refeição entre os cristãos dos primeiros séculos da Igreja, para manifestarem mutuamente os laços de caridade que os uniam. Este banquete começou por ser uma comemoração da última Ceia de Jesus Cristo, mas não tardou em desaparecer tal uso.

AGNÓSTICO

é aquele que, sem negar a existência de Deus, afirma que não podemos provar que Deus existe. O agnóstico afirma um erro. Nós sabemos com certeza que Deus existe, porque sem Deus não se explica nada do que existe, visto como as coisas não existem por si mesmas, e porque Deus revelou ou manifestou a sua existência a pessoas que tal nos afirmam e que são dignas de crédito. Com efeito, desde a primeira geração humana as pessoas mais dignas de fé afirmam que Deus se revelou aos homens, provando com milagres que era Deus que se lhes revelava. A existência de Deus é afirmada na história de todos os povos e em todos os tempos. Tal afirmação não seria universal se não houvesse a certeza da existência de Deus.

AGNUS DEI (significa Cordeiro de Deus)

é uma breve oração que o Sacerdote repete três vezes, na Missa, antes de comungar. — Também se dá este nome a uma espécie de medalha de cera branca, feita dos restos do círio pascal de anos anteriores, tendo de um lado a efígie de um cordeiro. Por virtude da oração da bênção, que é reservada ao Papa, a medalha protege contra os perigos das doenças contagiosas, do mar, do incêndio, das inundações.

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AGREGAÇÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

é uma Associação fundada pelo Venerável Pedro Eymard, fundador da Congregação do Santíssimo Sacramento, a qual tem por fim desenvolver no povo cristão a devoção à Sagrada Eucaristia, e especialmente a prática da oração.

ÁGUA BATISMAL

é a que os Párocos benzem nas vigílias da Páscoa e do Pentecostes, segundo as rubricas do Missal, para a administração solene do sacramento do Batismo. A água simboliza a purificação da alma. — Se a água estiver demasiado fria, para não prejudicar a saúde da criança que se batiza, pode acrescentar-se-lhe uma pequena quantidade de água natural, tépida (Rit. Rom.) A água usada no batismo duma criança não deve cair na água conservada na mesma pia.

ÁGUA BENTA

é aquela sobre a qual o Sacerdote faz uma bênção com orações prescritas pela Igreja. Serve para aspergir os fiéis antes da Missa conventual, para aspergir as imagens dos Santos, os paramentos, as casas, os frutos, etc. Está em pias próprias à entrada das igrejas para os fiéis a tocarem com devoção, e é recomendável que a tenham em casa para se aspergirem com ela, podendo por isso ser purificados dos seus pecados veniais.

ALFAIAS

são os vários objetos usados nos atos do culto religioso, tais como: o cálice, a patena, a custódia, os paramentos, etc. O cálice e a patena, para serem usados na Missa, têm de ser sagrados pelo Bispo diocesano, e não perdem a sagração por ter desaparecido ou por se ter renovado a douradura, salvo contudo no primeiro caso a obrigação de os mandar dourar novamente. C. 1305. — Os cálices, patenas, sanguíneos, corporais e palas usados na celebração da Missa não devem ser tocados senão por clérigos, ou por seculares de confiança, a quem esteja entregue a guarda dos mesmos. C. 1306.

ALELUIA

Palavra hebraica conservada nas preces litúrgicas, e que significa «Louvai a Deus». É uma exclamação de alegria, por isso se chama «Sábado de Aleluia» ao sábado da semana santa, dia em que se comemora a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

ALMA

é um espírito imortal, incorruptível, dotado de inteligência e de vontade, criado por Deus para forma do corpo humano. É criada para cada corpo humano depois de concebido, e contrai o pecado original no momento da sua união com o corpo. É operação própria da alma entender o que abstrai das coisas sensíveis por meio dos sentidos. É pela alma que conhecemos e queremos. Está toda em todo o corpo e em cada parte do corpo, dando-lhe unidade e vida. Após a morte, vai imediatamente ou para o Céu, ou para o Purgatório, ou para o Inferno, segundo a sentença que Deus lhe der, e conserva os conhecimentos adquiridos neste mundo. Pode conhecer as ações dos vivos pelas almas que vão entrando na eternidade, ou pelos Anjos, ou pelos demônios, ou por revelação de Deus, e pode aparecer aos vivos, mas tal aparição é miraculosa. — A alma, porque é puramente espiritual, não tem forma, nem peso, nem cor; é invisível, mas todos vêem os seus efeitos, atos que nenhum corpo é capaz de produzir: entender, querer, amar, raciocinar. — Devemos querer-lhe mais do que ao corpo. — A salvação da nossa alma é o negócio mais importante da nossa vida, pois disse Jesus: «Que aproveita ao homem ganhar todo o mundo, se vier a perder a sua alma?». Ev. S. Mat. XVI. 26. É também um negócio absolutamente pessoal, pois ninguém pode substituir outrem no trabalho da sua santificação. Ao mesmo tempo é um negócio urgente, porque a vida é breve e a morte pode chegar repentinamente. Por isso Jesus preveniu: «Estai preparados». Há quem diga que a alma não existe, que o homem é apenas um animal aperfeiçoado. Isto é uma afirmação falsa. Com efeito, se o homem fosse apenas um animal aperfeiçoado, não haveria entre ele e os outros animais senão uma diferença de grau, isto é, as faculdades que existem nos animais seriam mais perfeitas no homem, e nele não haveria mais faculdades que nos animais. Mas sucede o contrário: o homem é menos forte que o boi, menos ligeiro que o cão, etc. Há no homem faculdades que nenhum animal possui: a faculdade de pensar, a de compreender, a de julgar, a de falar, a de progredir, a de prestar culto. Estas faculdades são absolutamente distintas das faculdades do corpo, são de natureza mais elevada, mais nobre, são de natureza espiritual. Os animais têm o instinto preciso para se conservarem e se reproduzirem. Só o homem tem a inteligência indispensável para progredir. As faculdades que são só do homem existem na alma humana.

ALTAR

é a mesa sobre a qual se faz o sacrifício da Missa. Pode ser fixo ou portátil. É fixo, se a mesa é uma só pedra, embora o suporte seja de alvenaria; é portátil, se sobre a mesa de alvenaria ou de madeira é colocada uma pedra chamada pedra d’ara, que é consagrada pelo Bispo e contém relíquias dum Santo Mártir numa cavidade coberta e cimentada. — Para a celebração da Missa o altar há de estar coberto com três toalhas de linho, devendo a toalha superior tocar com as extremidades laterais no chão; há de ter um crucifixo bem visível no meio, com duas velas de cera em castiçais aos lados. — Sobre o altar não se deve pôr coisa alguma que não seja precisa para o Sacrifício da Missa, ou que não sirva para ornato do mesmo altar. — É uso colocar sobre a parte posterior do altar um degrau ou banqueta, na qual se põem os castiçais, o crucifixo e as flores; embora estas sejam permitidas como ornamento, não se deve esquecer que o melhor ornamento do altar é a limpeza, o asseio. — O altar deve ter um supedâneo, isto é, deve haver junto ao altar um estrado do comprimento do mesmo, e bastante largo para o celebrante da Missa poder fazer a genuflexão sem pôr o pé fora. — O altar em que se conserva o Santíssimo deve ser o mais ornamentado de todos, para que o mesmo, desta forma, excite a devoção e piedade dos fiéis (C. 1268). — Não pode o crucifixo ser colocado diante da porta do sacrário, nem sobre o trono em que se costuma expor o Santíssimo na custódia (S. C. R.). — É proibido colocar sobre o altar outro lume que não seja o de cera (S. C. R.). — Com consentimento do Bispo, pode colocar-se a imagem do Coração de Jesus por detrás do sacrário (S. C. R.), mas é preferível que fique ao lado, podendo ser. — Sem licença do Bispo, não é permitido colocar de novo, na igreja, quaisquer altares, imagens de Santos, ou transferir de lugar, uns e outros, nem abrir nichos nas paredes, destinados a imagens de Santos (C. P.).

ALTAR PRIVILEGIADO

é aquele em que à Missa nele dita e aplicada por uma alma, anda ligado o privilégio de uma Indulgência Plenária. No dia da Comemoração dos Fiéis Defuntos todas as Missas gozam desse privilégio, como se fossem celebradas em altar privilegiado. Igualmente são privilegiados todos os altares da igreja, nos dias em que nela se faz a solenidade das Quarenta Horas (C. 917). O Bispo pode designar um altar privilegiado em cada igreja paroquial (C. 916).

ALVA

é uma veste de linho ou cânhamo, que o Sacerdote põe sobre a batina, nalgumas funções litúrgicas, cobrindo-a totalmente. Pelo seu comprimento e brancura, a alva recorda ao Sacerdote a perseverança nas boas obras, a gravidade que deve acompanhar as funções sagradas, e a pureza com que deve subir ao altar. — A alva era uma veste de dignidade entre a nobreza romana. A Igreja adotou-a, porque não há dignidade igual à do Sacerdote. — A alva deve ser benzida antes de começar a ser usada.

AMENTA

é uma oração que o Pároco faz (onde há esse costume) pelos defuntos da sua paróquia. Geralmente é feita ao domingo, antes da Missa paroquial. Por essa obra de piedade recebe dos seus paroquianos uma determinada oferta.

AMITO

é uma veste litúrgica feita de linho ou de cânhamo, de forma retangular, bastante ampla para envolver a cabeça e cobrir as espáduas do Sacerdote quando tem de vestir a alva. — Começou a ser usado nas frias e vastas igrejas da Idade Média, como precaução, nos Ofícios divinos, para a conservação da voz. Cobria primitivamente, até ao aparecimento do barrete, a cabeça e o pescoço do sacerdote. Recorda ao Sacerdote o cuidado que deve ter em omitir, durante o Sacrifício da Missa, toda a palavra estranha ao ato que pratica, e que o deve ocupar inteiramente. — O amito deve ser benzido antes de começar a ser usado.

AMIZADE

é o amor de mútua benevolência, fundado sobre alguma comunicação. Conserva-se e aumenta com o exercício de obras amigáveis, pela meditação e pela recompensa de benefícios. Cinco coisas são próprias da amizade: querer estar e conviver com o amigo, querer-lhe bem, fazer-lhe bem, conversar com ele amigavelmente, manter-se em concórdia com ele. Pode haver discrepância de opiniões entre os amigos, conservando, todavia, a amizade e a paz. O homem deve sofrer corporalmente pelo amigo, mas não deve sofrer detrimento espiritual.

AMOR

é a complacência do amante no amado, é um movimento unitivo da alma, que se compraz no bem, um atrativo poderoso que nos impele para um objeto, ou por causa da sua bondade (amor de benevolência), ou pelas vantagens que a sua posse nos oferece (amor de concupiscência). A origem do amor encontra-se na simpatia natural que existe entre a vontade e o bem; simpatia tal que não é possível a vontade aperceber-se do bem sem que se mova a amá-lo. É tão estreita a relação que existe entre a vontade e o bem, que sendo-lhe proposto o mal sob aparências de bem, também o ama, mas detestá-lo-ia se o apreendesse como mal. O amor de Deus causa bondade nas coisas; em nós causa amor. Deus deve ser amado sobre todas as coisas, e devemos amar a Deus mais do que a nós mesmos. Disse Jesus: «Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças». (Ev. S. Mar. XII, 30). Para cumprir este preceito, devemos: procurar conhecer Deus e a sua Lei, ter as nossas afeições unidas a Deus, preferir Deus a tudo, dedicar as nossas forças ao serviço de Deus, tomar Deus como objeto principal dos nossos pensamentos. O amor a Deus manifesta-se não tanto por palavras como por obras; assim o disse Jesus: «Se me amas, guarda os meus mandamentos. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama». (Ev. S. Jo. XV, 15 e 20). O nosso amor próprio, ou o amor que temos a nós mesmos, posto que seja natural o bom, dentro dos justos limites, por causa dos excessos a que arrasta, torna-se um agente muito perigoso. O amor desordenado de nós mesmos é o princípio de toda a culpa, e é origem de todas as paixões más e de todas as desordens da vida. Por isso é preciso combater eficazmente o amor próprio, até que se sujeite e se submeta ao que o amor de Deus exige, e não subtraia o que ao amor do próximo é devido. Devemos amar o próximo como a nós mesmos. Assim foi preceituado por Jesus Cristo, dizendo: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Ev. S. Mat. XXII, 39). E acrescentou: «Assim como quereis que vos façam os homens, da mesma sorte fazei vós a eles também» (Ev. S. Luc. VI, 31). O amor ao próximo tem olhos que vêem as necessidades de seja quem for, tem ouvidos que ouvem as súplicas dos necessitados, tem coração que se compadece das misérias alheias, tem mãos que praticam o bem, tem pés que caminham em procura das misérias escondidas. E, se tem dinheiro, tem também uma bolsa sempre aberta para socorrer os pobres que necessitam de dinheiro. De entre o nosso próximo, os nossos consanguíneos devem ser mais amados que os outros, e os filhos mais do que os irmãos. Devemos amar os nossos inimigos, não como inimigos, mas por serem nosso próximo. Também é preceito de Jesus Cristo: «Amai os vossos inimigos; fazei bem aos que vos têm ódio, e orai pelos que vos perseguem e caluniam» (Ev. S. Mat. V, 44). «O nosso amor para os nossos inimigos, é verdadeiro quando nos não afligimos da sua prosperidade ou quando nos não alegramos de suas perdas e angústias», diz São Gregório Magno.

AMOS

são pessoas que recebem em sua casa, para serviços que não podem ou não querem fazer, outras pessoas que lhes prestam esses serviços a troco de um ordenado estabelecido em contrato. Devem: pagar aos seus criados, com exatidão, o que foi contratado; poupá-los a trabalhos excessivos ou demasiado pesados para a idade ou para as forças que têm; dar-lhes o necessário para a sua alimentação: tratá-los com bondade, antes aconselhando do que repreendendo, e, tendo de castigar, castigando com caridade, paternalmente; vigiar sobre a sua conduta moral, dar-lhes bom exemplo, facilitar-lhes o cumprimento das obrigações da vida cristã; considerá-los como irmãos pobres e humildes, que procuram abrigo e pão em casa dos seus irmãos ricos, a troco dos serviços grosseiros e pesados da casa.

ANÁTEMA

é a pena de excomunhão aplicada solenemente pela Igreja ao cristão por algum crime grave que pratica. O cristão anatematizado fica excluído da comunhão dos bens espirituais da Igreja (C. 2257, 2262).

ANIQUILAÇÃO

Se Deus retirasse a sua ação conservadora sobre as criaturas, tudo seria subitamente reduzido ao nada. Mas é da ordem da divina Providência não aniquilar nenhuma criatura; nem mesmo aniquila os pecadores, para que a justiça não seja sem misericórdia, e para que a pena corresponda à culpa. O nosso corpo após a morte é reduzido a pó, mas não é aniquilado, e ressuscitará no fim do mundo.

ANJOS

são espíritos sem corpo criados por Deus para O louvarem, servirem, amarem e gozarem por toda a eternidade. Muitos, porém, tornaram-se soberbos, e Deus expulsou-os para o Inferno, onde sofrem eternamente o castigo do seu pecado. A existência dos Anjos é muitas vezes afirmada na Sagrada Escritura. A respeito dos Anjos que pecaram disse Jesus Cristo: «Retirai-vos de mim, malditos, para o fogo do Inferno que está preparado para o diabo e para os seus anjos» (Ev. S. Mat. XXV, 41). Quanto aos Anjos fiéis, disse: «Os meus Anjos vêem sempre a face de meu Pai que está nos Céus» (Ev. S. Mat. XVIII, 10). Os Anjos do Céu — Anjos bons — protegem os homens contra muitos males, e cada pessoa tem um Anjo da Guarda, ao qual deve recorrer todos os dias, invocando-o em seu auxílio, para que o livre de cair em tentação, e de ser vítima de algum perigo. Por isso devemos invocá-los e amá-los. Os Anjos do Inferno — Anjos maus ou demônios — são inimigos da nossa alma, tentam-nos para o pecado a fim de cairmos no Inferno. Por isso devemos estar vigilantes contra a tentação, e desprezá-la.

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ANTICRISTO

Nome por que é designado aquele que será o chefe de todos os maus em malícia completa, e cuja vinda, segundo o pensar dos teólogos, é um dos sinais do fim do mundo. O Apóstolo São Paulo chama-lhe o «homem do pecado», filho da perdição, que suscitará contra a Igreja a maior de todas as perseguições; que fará milagres falsos e aparentes, com os quais muitos hão de ser enganados; que se assentará no templo de Deus, ostentando-se como se fosse Deus. Mas Jesus Cristo o matará com o sopro da Sua boca, o destruirá com o esplendor da Sua vinda (Ep. 2, Tessal. II, 8). O Anticristo só virá pouco tempo antes do fim do mundo, e depois que o Santo Evangelho tiver sido pregado em todo o mundo e a todos os povos da terra (Ev. S. Mar. XIII).

APARIÇÃO DOS ESPÍRITOS

Deus permite que os Anjos apareçam aos homens, não quando os homens querem, mas quando Deus quer. Para que os homens os vejam, os Anjos assumem ou tomam um corpo formado misteriosamente. — Também quando Deus quer, os mortos aparecem aos vivos, mas essa aparição é feita por operação dos Anjos ou dos demônios. Deus permite tais aparições unicamente para instrução dos vivos e para benefício das almas do Purgatório. Devemos, todavia, ser muito reservados quanto à aceitação, como verdadeiras, de todas as coisas que se contam como aparições de espíritos. São possíveis, mas são raras.

APOCALIPSE

é o último livro do Novo Testamento, e com ele terminam as Sagradas Escrituras. Foi escrito pelo Apóstolo São João quando esteve degredado na ilha de Patmos por ordem do imperador Domiciano. O Apóstolo prediz que a Igreja triunfará após o reinado do Anticristo, e, diz São Jerônimo: «compreende tantos mistérios quantas são as suas palavras».

APÓCRIFOS (livros)

são os livros que certos autores consideram como inspirados pelo divino Espírito Santo, dando-lhes a mesma autoridade que aos Santos Evangelhos, mas que a Igreja não admite no número dos livros sagrados do Novo Testamento.

APOSTASIA

é o afastamento total da fé cristã. Ê pecado gravíssimo, filho da soberba. As principais causas da apostasia dos jovens são: adesão às seitas maçônicas, as más leituras, as más companhias e as paixões.

APÓSTATA

é aquele cristão que renegou da fé e caiu no pecado da apostasia (C. 1325). O apóstata notoriamente reconhecido, morrendo na apostasia, não pode ter sepultura eclesiástica (C. 1240); nem missa exequial, mesmo de aniversário, nem outros Ofícios fúnebres públicos (C. 1241).

APOSTOLADO

é o trabalho para a salvação das almas. É a grande necessidade de todos os tempos. Sem apostolado não se salvam as almas, porque não conhecem Jesus Salvador, não O amam, não praticam a Sua Lei, não participam dos Seus méritos. Foi essa a missão que Jesus confiou aos Seus Apóstolos, e que estes transmitiram aos seus sucessores — os Bispos — e de que estes encarregaram os seus auxiliares — os Padres. O apostolado dos Bispos e dos Padres, atualmente, é insuficiente para chegar a todas as almas; os leigos são, por isso, chamados à obra do apostolado. Não devem recusar a sua cooperação; pelo contrário, devem acudir, pressurosos, a receber a honra que lhes é oferecida, e desempenhar-se com a máxima dedicação e diligência da sua missão. São meios fáceis de fazer apostolado: a oração pelos pecadores e pelo bom êxito do apostolado; — a expiação, aceitando os sofrimentos, o trabalho e as renúncias que a sua ação exigir; — a palavra instrutiva, educativa, sempre que haja oportunidade; — o bom exemplo, com uma conduta sempre edificante; — a bondade, mostrando interesse pelas almas, e desculpando as faltas de consideração, de gratidão, de delicadeza daqueles a quem se quer fazer bem.

APOSTOLADO DA ORAÇÃO

é uma pia união de vontades e esforços para levar a efeito, frutuosamente, a obra ou apostolado por meio da oração, em nome de Jesus Cristo e em união com as intenções do Seu divino Coração. São três os graus deste Apostolado: O 1.° Grau, essencial e comum a todos, é constituído por aqueles que, estando inscritos num Centro do Apostolado, e tendo Patente de admissão, oferecem a Deus em cada manhã as obras do dia, segundo as intenções do Coração de Jesus. O 2.° Grau compreende os que, além do oferecimento quotidiano, oferecem todos os dias a Nosso Senhor um Pai-Nosso e dez Ave-Marias, segundo as intenções do Apostolado. O 3° Grau compreende todos os associados que se comprometem a fazer a Comunhão reparadora semanal ou mensal pelas mesmas intenções.

APOSTOLICIDADE

é um dos quatro caracteres da Igreja Católica, e significa que a Igreja Católica é a mesma que os Apóstolos receberam de Jesus Cristo e estabeleceram no mundo com a sua pregação. O fato é demonstrado pelo catálogo dos Bispos e dos Papas, que, sem interrupção de tempo, vêm sucedendo como Pastores da Igreja desde os primeiros Apóstolos de Jesus Cristo, ensinando a mesma doutrina, o mesmo culto, e mantendo o mesmo regime. Só a Igreja Católica apresenta esta nota de apostolicidade, nota da verdadeira Igreja fundada por Jesus Cristo.

APÓSTOLOS

foram os doze discípulos que Jesus Cristo escolheu para seremos continuadores da Sua missão divina entre os homens até ao fim dos tempos. Para isso lhes comunicou um tríplice poder:

ENSINAR — «ensinai todas as gentes a cumprir o que vos mandei» (Ev. S. Mat. XXVIII, 19);

REGER — «tudo o que ligardes na terra será ligado ao Céu » (Ev. S. Mat. XVIII, 18).

SANTIFICAR — «recebei o Espírito Santo, serão perdoados os pecados a quem os perdoardes» (Ev. S. Jo , XX, 23). — Jesus Cristo ordenou-os Sacerdotes em Quinta-feira Santa, quando instituiu a Sagrada Eucaristia, dizendo-lhes: «Fazei isto em memória de mim». Por este Sacramento receberam o poder de consagrar a Eucaristia ou de oferecer o Santo Sacrifício. Os Apóstolos eram homens de condição humilde e ignorantes, mas, tendo recebido de Jesus e do divino Espírito Santo toda a ciência de que necessitavam para converter os homens à Religião cristã, dedicaram-se de tal modo à obra do apostolado que fizeram, de fato, milhões de conversões, e deram a vida por amor de Jesus Cristo.

ARCEBISPO

é o Bispo que preside a uma Província Eclesiástica, o qual tem na própria Diocese os mesmos direitos e as mesmas obrigações que um Bispo na sua (C. 272, 273).

ARCIPRESTE

é o Sacerdote que o Bispo coloca à frente de um Arciprestado ou grupo de Paróquias, com os direitos e os deveres estatuídos na legislação canônica (C. 217). Nalgumas Dioceses o Arcipreste tem o nome de Vigário da Vara, e o Arciprestado tem o nome de Vigararia.

ARQUICONFRARIA

é a Confraria que tem o direito de agregar outras Associações da mesma espécie; assim como se chama UNIÃO PRIMÁRIA a que pode agregar outras Pias Uniões (C. 720). Nenhuma Associação pode validamente agregar outras sem Indulto Apostólico (C. 721). Pela agregação comunicam-se à Associação agregada privilégios e outras graças comunicáveis, que à Associação agregante tenham sido ou venham a ser concedidas pela Santa Sé. Por essa comunicação, a Associação agregante nenhum direito adquire sobre a agregada (C. 722), mas esta perde todas as Indulgências Papais que antes tivesse obtido.

ASCENÇÃO DE JESUS CRISTO

é comemorada festivamente quarenta dias após a festa da Ressurreição. Jesus subiu ao Céu por sua própria virtude com as duas naturezas, divina e humana. Após a Ressurreição apareceu doze vezes aos seus Apóstolos para os confirmar na fé. Não se sabe onde permaneceu antes de subir ao Céu. Quinta-feira da Ascensão é dia santo de guarda. Assiste- se à missa e não se trabalha. A Ascensão de Jesus ao Céu é um dogma da nossa fé, expresso no Santo Evangelho (S. Mar. XVI, 19). Como Jesus subiu ao Céu com a sua natureza humana, também nós podemos subir ao Céu após a nossa ressurreição. É esta uma verdade que nos conforta durante a passagem por este mundo.

ASCETA

é o cristão que, seguindo a doutrina ascética, se esforça por conseguir a perfeição da sua vida espiritual.

ASCÉTICA

é a doutrina que propõe os exercícios pelos quais podemos, com o concurso ordinário da graça, tender ativamente à perfeição espiritual. A ascética insiste mais no lado negativo, mas absolutamente indispensável, da vida espiritual: no combate ao pecado, às paixões más, ao apego às criaturas e às imperfeições, e assim nos dispõe para a união com Deus que é a parte mística da vida espiritual.

ASSOCIAÇÕES PIAS OU RELIGIOSAS DOS FIÉIS

Na Igreja há três espécies de Associações pias ou religiosas, em que os fiéis se podem congregar: Ordem Terceira Secular, Confraria, Pia União (C. 700). A primeira tende a promover entre os associados a perfeição da vida cristã; a segunda visa especialmente ao incremento do culto público; a terceira procura o exercício de alguma obra de piedade ou de caridade. Nenhuma Associação é reconhecida na Igreja se não for ereta ou ao menos aprovada pela legítima Autoridade eclesiástica, que é o Papa para toda a Igreja, e o Bispo para a sua Diocese; excetuam-se as Associações, cuja instituição foi reservada por privilégio Apostólico a outras entidades (C. 686), como, por exemplo, a Confraria do Rosário, cuja instituição é reservada ao Mestre Geral da Ordem dos Pregadores. Cada Associação há de ter os seus Estatutos examinados e aprovados pela Santa Sé ou pelo Bispo do lugar (C. 689). Todas as Associações sem exclusão das que foram eretas pela Santa Sé, se não tiverem privilégio especial que as isente, estão subordinadas à jurisdição e vigilância do Bispo do lugar. Salvos os casos expressamente excetuados, todas as Associações legitimamente eretas podem possuir e administrar bens temporais, sob a autoridade do Bispo do lugar, a quem devem prestar contas da sua administração (C. 1525), não sendo, porém, obrigadas a prestá-las ao Pároco, embora estejam eretas no seu território (C. 691), a não ser que o Bispo determine outra coisa. Para gozar os direitos e graças espirituais da Associação, é necessário e suficiente que o fiel seja nela validamente admitido e não seja legitimamente expulso (C. 692). — Não podem admitir-se validamente os acatólicos, os que pertencem a alguma seita condenada, os que estão notoriamente incursos em censura, e em geral os pecadores públicos (C. 693). A mesma pessoa pode ser admitida em várias Associações, a não ser que se trate das Ordens Terceiras (C 693). A admissão deve ser feita de harmonia com o direito e com os respectivos Estatutos. Para que as Pias Associações consigam o seu fim, devem os sócios ou irmãos santificar-se pelo fiel cumprimento dos Mandamentos da Lei de Deus e da sua Igreja, pela frequência dos Sacramentos da Penitência e da Comunhão, pelo bom exemplo ao povo cristão, e pelo exercício das obras de caridade tanto espirituais como corporais. O Bispo do lugar pode demitir ou expulsar sócios ou irmãos em todas as Associações (C. 696), a não ser que por indulto apostólico estejam isentas. Os associados podem sair da Associação por sua própria renúncia, e não são obrigados sob culpa a observar os Estatutos da Associação, nem podem ser coagidos a isso por meio de penas eclesiásticas. O Pároco, não sendo irmão, não pode intervir no regime da Associação, a não ser que seja seu Diretor ou delegado do Bispo, ou que isso seja permitido pelos Estatutos. A ordem de precedência entre Associações de pessoas leigas é a seguinte:

1 — Ordens Terceiras;

2 — Arquiconfrarias;

3 — Confrarias ou Irmandades;

4 — Pias Uniões Primárias;

5 — Outras Pias Uniões.

Dissolvida que seja a Associação, os bens não pertencem aos associados, mas devem ser aplicados pela Autoridade eclesiástica competente para outro fim piedoso (C. 1501). Salvos os direitos legitimamente adquiridos, a vontade dos fundadores e benfeitores e os Estatutos da Associação.

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

É doutrina da Igreja que a Virgem  foi elevada ao Céu em alma e corpo após a sua morte. Em memória deste fato celebra-se a festa da Assunção no dia 15 de Agosto. Os Portugueses têm um motivo especial para solenizar a festa da Assunção de Nossa Senhora: foi na véspera desse dia, em 14 de Agosto de 1385, que D. Nuno Álvares Pereira firmou a independência de Portugal, derrotando os Castelhanos na batalha de Aljubarrota. É dia santo de guarda.

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ATEU

é aquele que não crê na existência de Deus. O ateu é néscio e insensato, porque, conhecendo o mundo e a sua grandeza, ignora o seu Autor, e, observando as leis admiráveis do Universo, nega o seu Ordenador.

ATRIBUTOS DIVINOS

são perfeições que, segundo o nosso modo de ver, atribuímos à essência divina: a eternidade (quer dizer que não tem princípio nem fim); a imensidade (quer dizer que está presente em todas as coisas); a imutabilidade (quer dizer que não muda nem no entender nem no querer): a onipotência (quer dizer que pode tudo o que não é contrário às suas perfeições), a bondade (quer dizer que é bom em si mesmo e comunica os seus bens a todas as criaturas); a justiça (quer dizer que aprecia todas as coisas segundo o seu valor real e dá a cada um segundo o mérito das obras que fizer); e outras perfeições.

ATRIÇÃO

é o arrependimento e a detestação do pecado por motivo sobrenatural distinto da caridade, como por exemplo: o medo do Inferno, a perda do Céu, a consideração da maldade do pecado. A atrição, também chamada «contrição imperfeita», é suficiente para obter o perdão dos pecados no Sacramento da Penitência, pois a detestação do pecado, segundo Santo Agostinho, não se pode separar de um certo princípio de amor de Deus; não se aborrece verdadeiramente o pecado senão quando se principia a amar a Deus.

AUDÁCIA

é um movimento da alma que nos leva a combater com vigor a dificuldade que se opõe à aquisição de um bem esperado. É necessário não confundir a audácia com o ímpeto natural; este move a atacar com bravura o mal e as dificuldades em vencê-lo, mas no meio da luta enfraquece e faz voltar as costas ao inimigo — é a covardia. Também é necessário não permitir que a audácia degenere em temeridade, para evitar excessos perigosos; deve ser sempre regulada pela prudência, de sorte que não empreenda qualquer ação que seja superior às suas forças ou contrária à razão.

AURÉOLA DOS SANTOS (coroa de ouro)

Designa-se por este nome o prêmio especial que Deus dá aos Santos, correspondente a virtudes especiais, tais como o martírio, a ciência, a virgindade, ele.

AUTORIDADES

legítimas na sociedade civil, quaisquer que sejam, têm o poder que Deus lhes comunica, visto como «todo o poder vem de Deus » (Ep. Rom. XIII, 1), que é o único Senhor absoluto. — As  autoridades não dispõem de um poder ilimitado, nem podem usá-lo contra a lei natural nem contra a lei divina positiva. Como a sociedade foi instituída para o bem comum dos cidadãos, aqueles que à sociedade presidem devem trabalhar por que o bem comum dos cidadãos, quer material, quer espiritual, seja uma realidade. Devem pois: pôr em prática os meios de fazer prosperar material e moralmente o País; distribuir com justiça os diversos encargos e favores da administração pública; fazer leis justas, sempre de harmonia com a lei natural e a lei divina positiva; manter a ordem social, proteger os bons costumes, promover e proteger as Associações particulares que têm por fim o bem material, intelectual ou moral dos seus associados. Todos os homens constituídos legitimamente em autoridade devem considerar-se e ser considerados como ministros de Deus para o bem dos que lhe são inferiores. O Apóstolo São Paulo escreve: «Toda a pessoa esteja sujeita aos poderes superiores, porque não há poder que não venha de Deus. Aquele pois que resiste ao poder, resiste à ordenação de Deus. E os que lhe resistem, a si mesmos atraem a condenação. Porque os Príncipes não são para temer quando se faz o que é bom, mas quando se faz o que é mau. Queres pois não temer o poder? Faz o bem, e terás louvor dele, porque é ministro de Deus para o bem. Mas se fizeres o mal, teme, porque não é debalde que ele traz a espada» (Ep. Rom. XIII, 4).

AVARENTO

é o escravo do vício da avareza, quer seja rico, quer seja pobre. O avarento é um infeliz; escravo dos bens que possui, não tem coragem para os gozar.

AVAREZA

é um dos sete pecados capitais. É o amor desordenado aos bens do mundo, principalmente ao dinheiro. A avareza manifesta-se: se nos alegramos desordenadamente pela posse da riqueza ou nos afligimos desordenadamente pela sua perda; se usamos meios injustos e criminosos em a procurar; se a procuramos com demasiada cobiça; se não socorremos os pobres conforme podemos. São efeitos da avareza: a dureza do coração, a inquietação do espírito, a fraude, a traição, a indiferença pelos bens do Céu. São remédios contra a avareza: a oração, a esmola, a meditação da morte, a recordação das palavras de Jesus Cristo, que disse: «Guardai-vos de toda a avareza, porque a vida de cada um não está na abundância das coisas que possui» (Ev. S. Luc. XII, 15). O Apóstolo São Paulo adverte-nos, dizendo: «Sejam os vossos costumes isentos de avareza, contentando-vos com o que tendes, porque Deus mesmo disse: não te deixarei nem te desampararei; de maneira que possamos dizer com confiança: «o Senhor é quem me ajuda, não temerei o que me possa fazer o homem» (Ep. Heb. XIII, 5, 6). É insensatez pôr o homem as suas esperanças na riqueza para a conservação e gozo da vida. A vida dos ricos não é mais nem menos crucificada que a dos pobres, se for da vontade de Deus enviar-lhes o sofrimento, ou encurtar-lhes a existência.

AVE-MARIAS

é uma devoção que consiste em saudar a Virgem Maria quando toca o sino, de manhã, ao meio-dia e ao sol-posto, rezando três Ave-Marias em memória dos mistérios da Encarnação e da Anunciação. É uma prática antiquíssima e enriquecida com muitas Indulgências. Lucram as mesmas Indulgências os fiéis que, ouvindo o toque do sino, rezarem às horas devidas, assim como os que, não sabendo as orações, rezarem cinco Ave-Marias.

AVERSÃO

O é um movimento da alma que nos afasta de um mal iminente. Sentimo-la quando se apresenta ao nosso Espírito alguma coisa que julgamos ser-nos nociva ou perniciosa; instintivamente produz-se em nós um movimento de repulsa e uma repugnância invencível, que nos dispõe a evitá-la. Porque a aversão pode ser o produto mórbido da natureza mal educada, devemos procurar vencer as nossas repugnâncias, praticar as virtudes que desagradam à natureza, e evitar tudo o que pode oferecer algum obstáculo ao nosso progresso espiritual.

ÁZIMO

é o pão fabricado sem fermento, do qual se fazem as hóstias que hão de ser consagradas na Missa, conforme o uso na Igreja Latina, a qual tem por certo que Jesus Cristo, na última Ceia, consagrou o pão ázimo. Todavia, a Igreja ensina que não é inválida a consagração Eucarística com o pão fermentado, como usa a Igreja Grega.

 
 
 
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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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