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O cardeal Kasper preside um Pentecostes ecumênico em Liverpool

LIVERPOOL, sexta-feira, 28 de maio de 2010 (ZENIT.org). Mais de dois mil cristãos da região inglesa de Merseyside participaram da celebração ecumênica da festa de Pentecostes, clamando pela unidade na rua que une as duas catedrais – católica e anglicana – de Liverpool.

O presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Walter Kasper, viajou de Roma para se unir à Celebração das Duas Catedrais, informou a diocese de Merseyside.

O ato começou na catedral anglicana, continuou com uma procissão para Hope Street e concluiu-se na catedral metropolitana.

A Celebração das Duas Catedrais acontece todos os domingos de Pentecostes desde 1982, ano em que João Paulo II visitou Liverpool, participou de uma procissão pela rua que une as duas catedrais e celebrou a Missa.

Em sua homilia, antes de unir-se à peregrinação por Hope Street, o cardeal se referiu aos desafios do ecumenismo e a importância de caminhar unidos “pelo caminho da esperança”.

Realçou que nos Atos dos Apóstolos lemos como todos escutaram os apóstolos no próprio idioma e estavam unidos escutando a mesma mensagem.

“Mas esta nova unidade e nova universalidade não era, de nenhuma maneira, uma uniformidade; significa unidade na diversidade e diversidade na unidade”, explicou.

“E que outro objetivo tem o ecumenismo hoje, mais que este tipo de unidade na diversidade de todos os que acreditam em Jesus Cristo!”, acrescentou.

Porém, reconheceu em referência à realidade atual do Cristianismo, não só existem a unidade e o amor.

“Esta realidade está ao contrário da vontade de Deus, está ao contrário do testamento que Ele nos deixou na véspera de sua morte quando pediu que todos sejam um… esta realidade de uma cristandade dividida é pecado e é um escândalo”, afirmou.

E acrescentou: “Danifica a tarefa sagrada que é a missão dada pelo Espírito de difundir o Evangelho no mundo inteiro para reconciliar os povos e uni-los”.

Para o cardeal Kasper, “não podemos alcançar a reconciliação e a paz, e ao mesmo tempo estar divididos e não reconciliados entre nós”.

E isto, com maior urgência no começo do século XXI, com as tensões sociais, culturais, políticas, militares e raciais e os conflitos de nosso mundo.

“Temos que admitir com tristeza que ainda não existe a plena comunhão entre nós”, disse.

E verificou: “Todavia não estamos juntos nem unidos na única mesa do Senhor: ainda não podemos compartilhar o pão Eucarístico, ainda não podemos beber de um mesmo cálice”.

Ao mesmo tempo, destacou que a unidade almejada é uma unidade na verdade e no amor e, por isso, “não podemos fazer uma mescla ou uma salada mista com as diferentes Igrejas”.

“Devemos nos reconhecer e amar ao próximo em nossa alteridade e em nossa diversidade”, indicou.

O cardeal Kasper afirmou que Jesus Cristo é o objetivo máximo do ecumenismo. “Somente estando mais unidos a Cristo seremos mais unidos também entre nós”, explicou.

E acrescentou: “Não se trata de um ecumenismo barato: o ecumenismo tem seu preço e requer riscos valentes”.

“A peregrinação ecumênica é uma peregrinação de aprofundamento da santidade e da santificação. O ecumenismo espiritual é o verdadeiro coração do movimento ecumênico”.

De acordo com o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o ecumenismo é um processo de crescer juntos.

“Há muitos campos nos quais podemos cooperar hoje, muitos mais que pensamos e muitos mais que nesses que atualmente estamos já comprometidos”, mostrou.

“Nosso mundo necessita da cooperação de todos os bons cristãos, necessita que falemosa uma voz sobre os valores humanos e cristãos, especialmente sobre os valores familiares que correm tanto perigo na atualidade” disse.

E destacou: “Nosso mundo também precisa de nossa cooperação no âmbito da cultura, da paz, da justiça social e da preservação da criação”.

“Nosso tempo necessita especialmente de coragem e esperança, deve ver que não só passam coisas ruins, mas bastantes coisas boas também são possíveis”, somou.

E concluiu: “Devemos dar testemunho de que, até mesmo depois de uma história às vezes dolorosa entre as Igrejas, a reconciliação, a cooperação e a amizade são possíveis”.

 
 
 

Em visita à paróquia de São João da Cruz, em Roma

ROMA, domingo, 7 de março de 2010 (ZENIT.org). – Um convite a superar a própria “preguiça espiritual” para que nos tornemos autênticos missionários de Cristo: foi essa a mensagem deixada por Bento XVI ao visitar, na manhã deste domingo, a paróquia de São João da Cruz, em Roma.

Este foi o segundo encontro da paróquia com um Pontífice – em 27 de março de 2004, representantes da comunidade foram recebidos em audiência por João Paulo II na Sala Paulo VI, junto com representantes de outras paróquias italianas.

A comunidade foi fundada em 1989 por seu atual pároco, Enrico Gemma, hoje com 68 anos, que, quando jovem, viveu a experiência do carmelo e decidiu dedicar a paróquia a são João da Cruz.

Antes de entrar, o Papa, acompanhado pelo cardeal vigário Agostino Vallini, deteve-se por um tempo para cumprimentar os muitos fiéis reunidos do lado de fora dos portões paroquiais.

Em sua saudação inicial a Bento XVI, o padre Gemma disse: “Padre santo, hoje gostaríamos de dar muita alegria a seu coração de padre e pastor, apresentando-lhe um povo em festa, uma comunidade unida no amor de Cristo, uma assembléia santa convocada à presença de seu pastor”.

“Acolha, Padre Santo, a vida e as esperanças de todas as nossas crianças. Abençoa o trabalho e o amor de seus pais. Conforte nos sofrimento nossos doentes e queira confirmar nossos tão numerosos colaboradores no serviço generoso à comunidade”, continuou.

“Permitam-se envolver-se cada vez mais pelo desejo de anunciar a todos o Evangelho de Jesus”, disse o Papa aos fiéis em sua homilia. “Não esperem que outras venham trazendo outras mensagens, que não conduzam à vida. Façam de vocês mesmos missionários de Cristo para os irmãos, onde vivem, trabalham e estudam”.

Abordando em seguida o tema referente ao período litúrgico que estamos vivendo, o Pontífice lembrou que “na Quaresma, cada um de nós é convidado por Deus a reorientar a própria existência, pensando e vivendo segundo o Evangelho, corrigindo o modo de falar, de agir, de trabalhar e de se relacionar com os outros”.

“Jesus nos faz este apelo não com severidade, mas porque está preocupado como nosso bem, nossa felicidade, nossa salvação” – enfatizou Bento XVI. “Cabe a nós responder com um sincero esforço interior, pedindo que nos ajude a entender os pontos que devemos nos converter”.

Ao final, o Papa parabenizou as iniciativas de caridade da comunidade, que fazem frente aos problemas sociais da região. De fato, a paróquia atua com voluntários da Cáritas e da Comunidade Sant’Egídio na assistência de mais de 80 famílias necessitadas.

“Minha visita tem a intenção de encorajá-los a realizarem sempre o melhor por essa Igreja de pedras vivas que são vocês”.

“Exorto agora a fazerem desta Igreja um lugar no qual se aprende a escutar sempre melhor ao Senhor que nos fala nas Sagradas Escrituras”, concluiu.

Após a missa, antes de retornar ao Vaticano, Bento XVI reuniu-se com os membros do conselho paroquial, pedindo que continuassem a “construir a Igreja de pedras vivas, sendo assim também um centro de irradiação da Palavra de Deus em nosso mundo, que tanto dela necessita.”

 
 
 

O Natal, «muito mais que o nascimento de um grande personagem»

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 17 de dezembro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI declarou que para os cristãos o Natal é muito mais que a lembrança do «nascimento de um grande personagem». 

O Papa aproveitou que nesta quarta-feira começava a Novena de Natal para dedicar a catequese da audiência geral, concedida na Sala Paulo VI, a explicar o sentido desta festa, na qual «inclusive os não-crentes percebem como algo extraordinário e transcendente, algo íntimo que fala ao coração». 

Os valores da simplicidade, da amizade e da solidariedade, que tanto se exaltam nestas festas, afirmou o Papa, «não bastam para assimilar plenamente o valor do Natal». 

«No Natal, portanto, não nos limitamos a comemorar o nascimento de um grande personagem; não celebramos simplesmente e em abstrato o mistério do nascimento do homem ou em geral o nascimento da vida; tampouco celebramos só o princípio de uma nova estação.»

«Nós sabemos que se celebra o acontecimento central da história: a Encarnação do Verbo divino para a redenção da humanidade», acrescentou. 

Explicando o significado que em grego tem a palavra Logos, que é a que São João utiliza no prólogo de seu Evangelho para referir-se a Cristo, o Papa fez notar que além de traduzir-se como «o Verbo», que é a transposição corrente, Logos significa também «o Sentido». 

Portanto, explicou o Papa, o «Sentido eterno» do mundo «se fez tangível a nossos sentidos e à nossa inteligência: agora podemos tocá-lo e contemplá-lo», e esse «sentido» «não é simplesmente uma idéia geral inscrita no mundo», mas é «uma Pessoa que se interessa por cada um de nós». 

«Sim, existe um sentido, e o sentido não é um protesto impotente contra o absurdo. O Sentido é poderoso: é Deus bom, que não se confunde com qualquer poder excelso e distante, ao que nunca se poderia chegar, mas um Deus que se fez próximo de nós.»

Mas, por que Deus se fez um menino indefeso? Pergunta o Papa. 

«Na gruta de Belém, Deus se mostra a nós como humilde ‘infante’ para vencer nossa soberba», responde. 

«Talvez tivéssemos nos rendido mais facilmente frente ao poder, frente à sabedoria; mas Ele não quer nossa rendição; apela mais ao nosso coração e à nossa decisão livre de aceitar seu amor.»

 
 
 
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