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Comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap., sobre a liturgia do próximo domingo

ROMA, sexta-feira, 19 de janeiro de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. — pregador da Casa Pontifícia — sobre a liturgia do próximo domingo, III do Tempo Comum.

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Os Evangelhos são relatos históricos?

III Domingo do Tempo Comum Neemias 8, 2-4ª.5-6.8-10; I Coríntios 12, 12-31a; Lucas 1, 1-4; 4, 14-21

Antes de começar o relato da vida de Jesus, o evangelista Lucas explica os critérios que o guiaram. Assegura que refere fatos transmitidos por testemunhas oculares, verificados pelo mesmo com «comprovações exatas» para que quem lê possa perceber a solidez dos ensinamentos contidos no Evangelho. Isso nos oferece a ocasião de nos ocuparmos do problema da historicidade dos Evangelhos.

Até pouco tempo atrás, não se mostrava entre as pessoas o sentido crítico. Tomava-se por historicamente ocorrido tudo o que era referido. Nos últimos dois ou três séculos nasceu o sentido histórico, pelo qual, antes de crer em um fato do passado, ele é submetido a um atento exame crítico para comprovar sua veracidade. Esta exigência foi aplicada também aos Evangelhos.

Resumamos as diversas etapas pelas que a vida e o ensinamento de Jesus atravessaram antes de chegar a nós.

Primeira fase: vida terrena de Jesus. Jesus não escreveu nada, mas em sua pregação utilizou alguns recursos comuns às culturas antigas, os quais facilitavam muito a retenção de um texto na memória: frases breves, paralelismo e antítese, repetições rítmicas, imagens, parábolas… Pensemos em frases do Evangelho como: «Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos», «Larga é a entrada e espaçoso o caminho que leva à perdição…, estreita a entrada e o caminho que leva à Vida» (Mt 7, 13-14). Frases como estas, uma vez escutadas, até as pessoas de hoje dificilmente as esquecem. O fato, portanto, de que Jesus não tenha escrito Ele mesmo os Evangelhos não significa que as palavras neles referidas não sejam suas. Ao não poder imprimir as palavras no papel, os homens da antiguidade as fixavam na mente.

Segunda fase: pregação oral dos apóstolos. Depois da ressurreição, os apóstolos começaram imediatamente a anunciar a todos a vida e as palavras de Cristo, levando em conta as necessidades e as circunstâncias dos diversos ouvintes. Seu objetivo não era o de fazer história, mas de levar as pessoas à fé. Com a compreensão mais clara que agora temos disso, eles foram capazes de transmitir aos outros o que Jesus havia dito e feito, adaptando-o às necessidades daqueles a quem se dirigem.

Terceira fase: os Evangelhos escritos. Cerca de trinta anos após a morte de Jesus, alguns autores começaram a escrever esta pregação que lhes havia chegado por via oral. Nasceram assim os quatro Evangelhos que conhecemos. Das muitas coisas chegadas até eles, os evangelistas escolheram algumas, resumiram outras e explicaram finalmente outras, para adaptá-las às necessidades do momento das comunidades às quais escreviam. A necessidade de adaptar as palavras de Jesus a exigências novas e diferentes influiu na ordem com o que se relatam os fatos nos quatro Evangelhos, na diversa colocação e importância que revestem, mas não alterou a verdade fundamental deles.

Que os evangelistas tenham tido, na medida do possível naquele tempo, uma preocupação histórica e não só edificante é demonstrado na precisão a que situam o acontecimento de Cristo no espaço e no tempo. Pouco mais adiante, Lucas nos proporciona todas as coordenadas políticas e geográficas do início do ministério público de Jesus (Lc 3, 1-2).

Em conclusão, os Evangelhos não são livros históricos no sentido moderno de um relato o mais neutro possível dos fatos ocorridos. Mas são históricos no sentido de que o que nos transmitem reflete em substância o acontecimento.

Mas o argumento mais convincente a favor da fundamental verdade histórica dos Evangelhos é o que experimentamos dentro de nós cada vez que somos tocados em profundidade por uma palavra de Cristo. Que outra palavra, antiga ou nova, teve o mesmo poder?

[Traduzido por Zenit]

 
 
 

Comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap., sobre a liturgia do próximo domingoROMA, sexta-feira, 7 de julho de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap. — pregador da Casa Pontifícia — sobre a liturgia do próximo domingo, XIV do tempo comum.

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Saiu dali e viu sua pátria

XIV Domingo do tempo comum (B) Ezequiel 1, 13-15-2, 23-25; 2 Coríntios 12, 7-10; Marcos 6, 1-6

Quando já se havia tornado popular e famoso por seus milagres e seu ensinamento, Jesus voltou um dia ao seu lugar de origem, Nazaré e, como de costume, se pôs a ensinar na sinagoga. Mas dessa vez não suscitou nenhum entusiasmo, nenhum hosana! Mais do que escutar o que dizia e julgá-lo segundo isso, as pessoas se puseram a fazer considerações alheias: «De onde tirou esta sabedoria? Não estudou; nós o conhecemos bem; é o carpinteiro, o filho de Maria!». «E se escandalizavam dEle», ou seja, encontravam um obstáculo para acreditar nEle no fato de que o conheciam bem.

Jesus comentou amargamente: «Um profeta só em sua pátria, entre seus parentes e em sua casa carece de prestígio». Esta frase se converteu em provérbio na forma abreviada: Nemo propheta in pátria, ninguém é profeta em sua terra. Mas isso é só uma curiosidade. A passagem evangélica nos lança também uma advertência implícita que podemos resumir assim: cuidado para não cometer o mesmo erro que cometeram os nazarenos! Em certo sentido, Jesus volta a sua pátria cada vez que seu Evangelho é anunciado nos países que foram, em um tempo, o berço do cristianismo.

Nossa Itália, e em geral a Europa, são, para o cristianismo, o que Nazaré era para Jesus: «o lugar onde foi criado» (o cristianismo nasceu na Ásia, mas cresceu na Europa, um pouco como Jesus havia nascido em Belém, mas foi criado em Nazaré!). Hoje correm o mesmo risco que os nazarenos: não reconhecer Jesus: A carta constitucional da nova Europa unida não é o único lugar do qual Ele é atualmente «expulso»…

O episódio do Evangelho nos ensina algo importante. Jesus nos deixa livres, propõe, não impõe seus dons. Aquele dia, ante a rejeição de seus conterrâneos, Jesus não se abandonou a ameaças e invectivas. Não disse, indignado, como se conta que fez Publio Escipión, o africano, deixando Roma: «Ingrata pátria, não terás meus ossos!». Simplesmente foi para outro lugar. Uma vez não foi recebido em certo povoado; os discípulos lhe propuseram fazer baixar fogo do céu, mas Jesus se virou e os repreendeu (Lc 9, 54).

Assim também hoje. «Deus é tímido». Tem muito mais respeito pela nossa liberdade do que temos nós mesmos uns dos outros. Isso cria uma grande responsabilidade. Santo Agostinho dizia: «Tenho medo de Jesus que passa» (Timeo Jesum transeuntem). Poderia, com efeito, passar sem que eu percebesse, passar sem que eu esteja disposto a acolhê-lo.

Sua passagem é sempre uma passagem de graça. Marcos disse sinteticamente que, tendo chegado a Nazaré no sábado, Jesus «se pôs a ensinar na sinagoga». Mas o Evangelho de Lucas especifica também o que ensinou e o que disse naquele sábado. Disse que havia vindo «para anunciar aos pobres a Boa Nova, para proclamar a liberdade aos cativos e a vista aos cegos; para dar a liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça do Senhor» (Lucas 4, 18-19).

O que Jesus proclama na sinagoga de Nazaré era, portanto, o primeiro jubileu cristão da história, o primeiro grande «ano de graça», do qual todos os jubileus e «anos santos» são uma comemoração.

 
 
 

Bispo Gerald F. Kicanas

Nós pensamos frequentemente que as questões e problemas que enfrentamos nos tornam únicos. Colocá-los em perspectiva, questionando-nos se outros no passado terão também sido desafiados por eles, ajuda-nos.

No que diz respeito à difusão do Evangelho, o Senhor Jesus identificou desde o início os problemas que estavam e estarão sempre na base do desafio que enfrentam os comunicadores Cristãos.


A Parábola do Semeador

Ele fê-lo na parábola do semeador e na sua explicação, que encontramos no oitavo capítulo do evangelho de S. Lucas (também em Mt. 13.1-23 e Mc.4.1-20). Aí Jesus fala aos seus apóstolos de um semeador que deixa cair algumas sementes pelo caminho que são pisadas e comidas pelos pássaros. Outras caem em terreno rochoso e secam por não criarem raízes. Algumas caem no meio de espinhos e são abafadas. Finalmente algumas das sementes caem em solo fértil e dão fruto abundante.

Quando os apóstolos pedem a Jesus para explicar esta parábola, Ele diz-lhes que a semente é a palavra de Deus. As que caem no caminho representam todos aqueles cujos corações o diabo consegue que esqueçam o que ouviram, ignorando a mensagem de Deus e não conseguindo a salvação. As que caem em solo rochoso são as pessoas cuja fé é superficial e que perante uma dificuldade, depressa lhes falta a coragem e perdem essa fé. As sementes caídas no meio dos espinhos são aquelas pessoas que são seduzidas pelos prazeres mundanos e cujo coração é sufocado pela ambição e pelo desejo de riqueza. Finalmente as sementes que caem em solo fértil são aqueles que escutam a Palavra de Deus com “um coração bom e generoso e dão fruto através da perseverança.”

A exemplo da sua própria pregação, Jesus ensina-nos que há muitos adversários da Palavra de Deus e que nem todas as pessoas a aceitarão com generosidade.

Meios de Comunicação de Massas

Aplicando esta parábola aos nossos tempos, temos de ter em conta que Jesus não falou nem poderia falar dos imensos novos poderes aplicados ao próprio acto de comunicar. Jesus falou no máximo a alguns milhares de pessoas de uma só vez. Se estivesse nos tempos de hoje poderia falar ao mundo inteiro.

Tal como o Papa João Paulo II apontou na sua Encíclica Redemptoris Missio de 1990, o desenvolvimento dos meios de comunicação social tem influído mais do que o modo como a informação é comunicada. O Santo Padre falou da “nova cultura” criada pelas comunicações modernas que “tem origem não só no conteúdo que é comunicado, mas no próprio facto de existirem novas formas de comunicação, com novas linguagens, novas técnicas e uma nova psicologia.”

Assim enfrentamos uma nova situação na comunicação da mensagem do evangelho que resulta dos meios que agora existem para comunicar qualquer informação e – igualmente importante – qualquer desinformação, quase generalizadamente e em simultâneo. Contribuíram assim para um forte sentimento da parte das pessoas do direito de serem informados, o que é bom. No entanto, a própria informação massificada disponível torna difícil discernir com critério. Duas tentações contrárias surgem como resultado – ou o cepticismo acerca de toda a informação ou a aceitação incondicional e sem espírito crítico. Esta última atitude pode ser observada nas reacções a O Código Da Vinci.

Um Desafio Ampliado

Assim, os desafios que Jesus identificou estão ampliados por meio das comunicações em massa. Olhemos para eles de novo.

O mal que se opõe ao bem, simplesmente porque é o bem, permanece um mistério para a maioria das pessoas, mas o problema existe. Isso ficou bem evidente nas ditaduras comunistas em todo o mundo que fizeram uso dos meios de comunicação de massas para enganar os seus povos. Essas tiranias pisavam a Palavra de Deus, identificando o Evangelho como um inimigo particular que tinha de ser exterminado ou pelo menos controlado. Nas notícias do dia a dia, somos lembrados constantemente de presença do mal entre nós – tanto o mal social como o mal pessoal. Ele despoja algumas pessoas da sua humanidade e faz com que outras que assistem aos seus efeitos percam a esperança em Deus e na própria raça humana. É nestas situações que a esperança inspirada pelo Evangelho precisa de ser especialmente comunicada.

A massa de informação disponível hoje em dia é um incentivo adicional para que os “cristãos superficiais”, cuja fé é frágil, experimentem algo diferente se o Cristianismo não lhes oferece satisfação imediata ou funciona como um obstáculo às suas preferências pessoais. Se Mateus, Marcos, Lucas ou João não “servem”, então tentem O Código Da Vinci.

E a Igreja poderá ter a sua quota de responsabilidade pela superficialidade dos nossos tempos. O Papa João Paulo II aponta para o facto na Redemptoris Missio, dizendo que a Igreja terá negligenciado o mundo dos meios de comunicação de massas numa altura, “em que a juventude, em particular, está a crescer num mundo condicionado” por eles. O Santo Padre acrescenta que o juízo do Papa Paulo VI de que “a cisão entre o Evangelho e a cultura é sem dúvida a tragédia dos nosso tempo” é confirmado na área das comunicações.

E ainda temos os “espinhos” que são tanto as ansiedades como os prazeres da vida diária. Nós podemos ficar enredados no imediatismo e encontrar pouca disponibilidade de tempo para ouvir mensagens sobre o nosso destino eterno. Uma vez mais os meios de comunicação de massas têm sido instrumentais em dirigir a nossa atenção somente para as realidades terrenas. Por um lado aumentam a nossa ansiedade com notícias instantâneas de todo o mundo e por outro ajudam a anestesiar essa ansiedade com as suas ofertas de divertimento e acesso a cada vez mais sedutores bens de consumo. Sendo algo de bom por si próprio, estas coisas tornam-se más se substituem o Evangelho nas nossas vidas.

Será que estes meios de comunicação ajudam as sementes que caíram em solo fértil a produzir abundante fruto? Certamente que sim, se dermos testemunho com uma generosa resposta para auxiliar as vítimas de desastres naturais em todo o globo cujo sofrimento não seria tão vivamente e rapidamente conhecido sem esses meios.

Jesus identificou os desafios que enfrentaremos sempre para comunicar o Evangelho. A genialidade humana inventou meios que podem ao mesmo tempo ajudar e intervir com essa comunicação. É tarefa da Igreja fazer uso deles e ajudar para que sejam usados para serviço do bem.

 
 
 
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