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A SEMPRE VIRGEM Autor: Joel Adán Domínguez Fonte: http://www.voxveritas.com.mx Tradução: Carlos Martins Nabeto
Os irmãos separados têm em Maria uma das principais armas para atacar o católico ignorante, pois em um minuto, se não estiver preparado, poderá ficar sem saber o que responder àquilo que eles aprendem memorizar e que, certamente, você já ouviu: “Veja: aquela a quem vocês chamam ‘virgem’ não foi sempre virgem, porque teve relações sexuais com José! Mateus 1,25: ‘E não a conheceu até que desse à luz o seu filho primogênito’. E mais: como a Bíblia chama Jesus de ‘primogênito’, ele teve mais irmãos, filhos de Maria! Mateus 13,55: ‘Sua mãe não se chama Maria? E seus irmãos, Tiago, José, Judas e Simão?’; Marcos 3,31: ‘Chegaram sua mãe e seus irmãos; e, ficando do lado de fora, mandaram chamá-Lo'”. Um católico sem preparação bíblica não sabe como responder estes argumentos dos irmãos separados.
Na verdade, a Bíblia nunca fala dos “filhos de Maria”, mas dos “irmãos do Senhor” (cf. 1Coríntios 9,5; Gálatas 1,19; 2,9). Isto porque o povo judeu, às pessoas muito próximas da família como primos e amigos, chama-os também de “irmãos”, independentemente de serem ou não filhos da mesma mãe. A palavra “irmão” tem um sentido bem amplo.
Por exemplo, Jesus chama os Doze Apóstolos de “irmãos” e diz que Pedro deve confirmar os Apóstolos na fé; mas estes não eram irmãos de Pedro, exceto André (cf. Mateus 10,2):
– João 20,17-18: “Disse-lhe Jesus: ‘Não me toques, pois ainda não subi ao Pai. Porém, vai até meus irmãos e diz a eles: ‘Subo para meu Pai’ (…) Maria Madalena foi e disse aos discípulos”;
– Lucas 22,32: “E quando te converteres, confirma os teus irmãos (os Doze Apóstolos)”.
Paulo chama Tito de “irmão”, mas Tito não era filho da mãe de Paulo (cf. 2Coríntios 2,13), mas irmão na fé, tal como você, amigo leitor, e eu somos irmãos na fé e não somos filhos de uma mesma mãe.
No Antigo Testamento, inclusive, tio e sobrinho se tratavam como irmãos:
– Gênesis 12,5: “Abrão tomou Sara, sua mulher, e Lot, seu sobrinho”;
– Gênesis 13,8: “Então Abrão disse a Lot: ‘Não haja disputas entre tu e eu, nem entre os teus pastores e os meus, pois somos irmãos”.
Vejamos ainda estes exemplos em que pessoas se chamam de irmãos sem serem filhos da mesma mãe:
– Levítico 10,1-6: “…tirar nossos irmãos do santuário…” – Nadab e Abihú são filhos de Aarão; seriam irmãos de Moisés?;
– Atos 9,30: “…os irmãos, ao saberem disso, o levaram para Cesareia…” – Os Apóstolos; seriam irmãos de Paulo?
Estes irmãos de Jesus que encontramos nos Evangelhos (Mateus 13,55: “Sua mãe não se chama Maria? E seus irmãos [não se chamam] Tiago, José, Judas e Simão?”) não são filhos de Maria. A própria Bíblia esclarece que eram primos de Jesus, filhos de outras mulheres:
Tiago e José filhos da outra Maria, prima da Virgem:
– Marcos 15,40: “Ali estavam: Maria Madalena; Maria, a mãe de Tiago Menor e de José”.
Também é de se observar que os protestantes desconhecem a tradição judaica de que os pais nunca dão o mesmo nome próprio aos filhos. Por isso, o José mencionado como irmão de Jesus não pode ser filho de Maria, visto que sendo José seu esposo não teria colocado o mesmo nome de José ao seu filho.
Judas era apóstolo de Jesus Cristo (cf. Lucas 6,16; Marcos 3,8), primo do mesmo. E Judas, em sua epístola, diz que possui um irmão chamado Tiago; e não diz que Jesus é seu irmão, mas afirma que ele é servo de Jesus Cristo:
– Judas 1,1: “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago [não o Tiago Menor], aos que foram chamados por Deus…”.
E, finalmente, o “irmão Simão” era o próprio Simão Cananeu (cf. Marcos 3,18; Mateus 10,4), visto que Maria não teve outros filhos, nem nunca viveu em Caná. Possivelmente, este Simão era filho de Cléofas, parente que convidou Maria para um casamento em Caná da Galileia (cf. João 2,1). Foi aqui, podemos quase afirmar, que algum familiar cananeu se uniu [a Jesus] como discípulo, já que os únicos discípulos que Ele tinha neste momento eram Pedro, André, Felipe e Natanael (Bartolomeu), cf. João 1,39-48. Ainda que a Bíblia não mencione quais parentes convidaram Maria e Jesus para o casamento em Caná, onde você imagina que Jesus recebeu um discípulo cananeu? Note que antes do casamento de Caná, Jesus e Maria aparecem sozinhos (cf. João 2,1), mas após o casamento, sai com seus discípulos e, como numa mágica, surgem “alguns irmãos” (cf. João 2,11-12) e, entre estes, o mais provável é que esteja também o seu primo Simão de Caná.
Pois bem: algum irmão separado poderia dizer: “Mas esses irmãos – Judas, Simão, José e Tiago – não são necessariamente nomeados como irmãos de Jesus; mas então, quem são aqueles filhos de outras mulheres? As Escrituras não mencionam o parentesco de alguém por acaso. Quem seriam ou o que diz a Bíblia sobre outras pessoas chamadas Simão, José, Judas e Tiago?”
A palavra “irmão” segundo a língua aramaica (“adelpho” [em grego]) era muito empregada sem dar importância de ser ou não filho da mesma mãe, pois era mais fácil usar a palavra irmão para se referir a primos, parentes e amigos (assim também para irmãos de carne) do que especificar o grau de parentesco. Na Bíblia, pouquíssimas vezes se aponta o parentesco e só quando precisa mencionar; por exemplo:
– Quando Jesus diz: “Não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos” (João 15,13), isto para especificar que os Apóstolos eram seus amigos e não irmãos de carne, visto que é mais fácil dar a vida por algum irmão de sangue do que por um amigo;
– Indica-se também a palavra “prima” ou “parente”, quando Maria foi visitar Isabel (cf. Lucas 1,36), que ia dar à luz a João Batista, que seria portanto primo de Jesus. A Bíblia não o aponta como “irmão do Senhor” visto que não esteve ligado a Jesus, mas permaneceu separado; é por isso que certa vez João aponta Jesus para seus próprios discípulos (cf. Lucas 7,20-22).
– Atos 1,14-15 diz ainda que “todos perseveravam na oração com um mesmo espírito, na companhia de algumas mulheres, de Maria, Mãe de Jesus, e de seus irmãos. Certo dia, Pedro se levantou diante dos irmãos, eis que o número de congregados era de 120…”
Se Maria tivesse tido outros filhos além de Jesus, este, antes de morrer, não teria motivo nenhum para deixá-la sob os cuidados de João, visto que se houvesse outros filhos verdadeiros de Maria, isto seria uma grande ofensa da parte de Jesus – e sabemos que Jesus jamais pecou em qualquer momento da sua vida (cf. Hebreus 4,15). Isto porque, quando o filho mais velho morria, aquele que vinha logo depois, segundo a ordem de idade, teria o encargo de cuidar da mãe e de ser o homem da casa, caso o pai já tivesse falecido (e sabemos que José, o pai adotivo de Jesus, já era falecido nesse tempo):
– João 19,26-27: “E Jesus, vendo sua mãe junto do discípulo que amava, disse à sua mãe: ‘Mulher: eis aí o teu filho’. A seguir, disse ao discípulo: ‘Filho, eis aí a tua mãe’. E a partir daquele momento, o discípulo a recebeu em sua casa”.
Um dos argumentos dos irmãos separados para este texto é que os “irmãos do Senhor” eram incrédulos (cf. João 7,3-5; Marcos 3,20-21) e, por isso, João ficou com Maria. Mais isto ignora o fato de que Jesus iria ressuscitar, não partiria definitivamente deste mundo logo após morrer na cruz. Portanto, seus “irmãos” ao saberem que Jesus morreu e logo depois ressuscitou, já teriam se tornado crentes. Então, por que deixar Maria ao encargo de João se eram apenas três dias de ausência e obscuridão para os “seus irmãos”? Ademais, que espécie de irmãos são esses que não se encontram na hora da crucificação do seu irmão, acompanhando sua mãe? Resta aqui por demais explícito que estes “irmãos do Senhor” são os próprios discípulos de Jesus – os primos Tiago, Judas e Simão Cananeu – que se ocultaram por medo, no momento da prisão [de Cristo]; é por isso que não estavam ao pé da cruz com Maria (v. João 19,25).
E o “irmão José” não era Apóstolo, mas irmão de Tiago Menor. Possivelmente José era menor de idade e, por isso, vem mencionado após Tiago Menor (cf. Marcos 15,40).
Também é impossível que estes “irmãos incrédulos” sejam filhos de Maria porque, sendo Jesus o mais velho e já sendo falecido o seu pai José, era impossível que um irmão menor oferecesse conselho e, muito menos, que repreendesse um primogênito consagrado segundo a Lei de Moisés (cf. Lucas 2,23), já que na ausência do pai o senhor da casa tinha que ser o primogênito, especialmente quando não era casado, como no caso de Jesus. Esta tradição continua sendo observada pelas famílias judias até o dia de hoje: nenhum menor tem o direito de repreender ou aconselhar nas decisões do irmão mais velho. Por isso, com muito certeza, estes eram amigos ou primos de Jesus.
Outra coisa que se deve notar é que na peregrinação de seus pais a Jerusalém, quando Jesus tinha 12 anos de idade, não vemos nenhum irmão (cf. Lucas 2,41-49). Observe que a Virgem exclama: “Olha que teu pai e eu estávamos angustiados, procurando-te”, não diz: “Olha que teu pai, eu e teus irmãos estávamos angustiados, procurando-te” (versículo 48). Daí podemos afirmar que, após 12 anos de casados, Maria e José não tinham outro filho além de Jesus. Então isto significa que se Maria tivesse tido relações sexuais com José após o nascimento de Jesus (cf. Mateus 1,25), sem dúvida teriam tido pelo menos mais um filho, já que nessa época não havia métodos de planejamento familiar. Poderíamos afirmar que depois de 12 anos casada com José, se tivessem tido relações sexuais, nunca pensaram em ter outro filho? É certo que não tiveram relações [e não tiveram outros filhos], pois Maria estava na idade em que as mulheres estão mais férteis. E a expressão “até que” de Mateus 1,25 não quer dizer que “depois sim”, como podemos ver neste exemplo: Jesus prometeu estar com a Igreja “até o fim dos tempos” (cf. Mateus 28,20); será que após o fim dos tempos Ele já não estará conosco, nós que somos sua Igreja? Há também o exemplo da filha de Saul, que não teve mais filhos “até o dia da sua morte” (cf. 2Samuel 6,23); será que depois de morta, teve outros filhos? Na verdade, o que o Evangelista quer nos dizer é que sem que José a tivesse recebido em casa, isto é, tomado por esposa, Maria concebeu Jesus (cf. Mateus 1,20), uma vez que Maria era apenas prometida (cf. Mateus 1,18) e não constituíam família, a não ser depois do nascimento de Jesus.
Então, quando a Bíblia fala de irmãos de Jesus, se fossem filhos de Maria, teria que deixar muito claro a idade que tinham. Quando Jesus iniciou seu ministério, tinha 30 anos (cf. Lucas 3,23). Então, o mais velho entre os irmãos deveria ter, no mínimo, 18 anos, pois, como vimos, quando Jesus tinha 12 anos, era filho único. Pois bem: sabemos que José, seu pai, morreu em algum momento da vida oculta de Jesus, pois nas bodas de Caná não o encontramos mais; logo, seria praticamente impossível que depois de 12 anos sem conceber, Maria tivesse tido tantos filhos e filhas durante um período aproximado de 9 anos, já que se contarmos todos os irmãos de Jesus, seriam pelo menos seis, eis que mencionam-se José, Simão, Tiago, Judas e as irmãs (no plural) do Senhor, sendo estas também conhecidas nas sinagogas (cf. Mateus 13,53-57); porém, considerando a idade que o irmão mais próximo de Jesus deveria ter, seria praticamente impossível uma jovem judia ingressar nas sinagogas com essa idade, muito menos para mais de uma irmã, especialmente em razão dos fariseus zelosos, eis que estes mesmos dizem: “Suas irmãs não estão entre nós?”; isso nos faz pensar que suas irmãs eram já mulheres adultas, não menores de 18 anos, senão estariam indo contra a tradição judaica: as meninas, sendo mulheres judias, estavam subordinadas à família até a adolescência (15 anos), quando adquiriam liberdade para casar, porém não podiam frequentar a sinagoga até essa idade; enquanto fossem meninas, não podiam sequer ter amizade com menino nenhum. Por isso, é impossível que fossem filhas de Maria. E quanto aos irmãos que repreenderam Jesus (cf. João 7,3-5; Marcos 3,20-21), se eram adolescentes menores de 18 anos, como poderiam estes adolescentes judeus repreenderem um irmão de 33 anos? Logo, não eram [também] filhos de Maria!
Muito bem: podemos agora examinar a palavra “primogênito”, já que os irmãos separados alegam que esta palavra significa “o primeiro entre os demais filhos de uma mulher”. Entre o povo de Israel, o primogênito era o filho de sexo masculino que abria o ventre da mãe, nada importando que depois dele viessem ou não outros filhos. O primogênito, ainda que fosse filho único, era chamado também como “primogênito” ou “unigênito”, pois era o filho consagrado da família segundo a Lei de Moisés. Ainda que nascesse primeiro uma menina, de forma nenhuma era ela chamada “primogênita”, visto que “primogênito” é, em si, um título de consagração, que somente os meninos nascidos em primeiro lugar podiam ter, nada importando que depois nascessem ou não outros filhos, ou que nascesse primeiro uma menina:
– Lucas 2,22-23: “Todo primogênito de sexo masculino será consagrado ao Senhor”; v.tb. Êxodo 13,1-2.
Vemos isto mais claro no fato de Jesus Cristo ser o Filho Único de Deus e também ser chamado “primogênito de Deus” (Hebreus 1,6). Será que Deus gerou outros filhos além de Jesus?
– Hebreus 1,5-6: “Tu és meu Filho; eu hoje te gerei (…) E novamente, ao inserir o primogênito no mundo…”;
– Colossenses 1,15: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, porque nele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis; tronos, principados e potestades”.
É por isso que a palavra “primogênito” era empregada para nomear o primeiro filho, nada importando que nascessem outros depois.
Outro argumento dos irmãos separados é que muitos Salmos falam de Jesus Cristo. Disto, não temos dúvidas: há muitos Salmos messiânicos, porém nem todos o são. Os irmãos apontam o Salmo 69 a Jesus, para dizer que Maria teve outros filhos. O referido Salmo diz em certo trecho:
– Salmo 69,8: “Sou um estranho para meus irmãos; um desconhecido para os filhos da minha mãe”.
Isto concordaria com os irmãos apontados em João 7,5, porém é impossível que se trate de um Salmo messiânico, visto que Jesus nunca foi tocado pelo pecado, nem ofendeu a Deus (cf. 1Pedro 2,22). Ora, este Salmo de Davi diz também:
– Salmo 69,5: “Ó Deus: tu conheces minha torpeza; minhas ofensas não te são ocultas”.
Portanto, não é possível aplicá-lo a Jesus. Quem quer que indique este Salmo como prova dos irmãos de Jesus, para afirmar que Maria teve outros filhos, estará cometendo um grave erro contra o Messias, tornando-o pecador.
A vinda do Messias para o povo judeu é ainda iminente. Nestes tempos, como nos antigos, ainda aguardam o sinal do profeta Isaías (cf. Isaías 7,14) sobre a Virgem-Mãe. O povo judeu fala de uma jovem, uma mulher pura e perfeita tanto quanto possível, que dará à luz um só filho, o qual será o Messias. Nestes tempos, como naqueles, o sinal do Messias é que uma jovem dará à luz sem ser tocada por homem. Assim, se os judeus [daquele tempo] tivessem conhecido verdadeiros filhos de Maria, não creriam desde logo que Jesus era o Messias aguardado. Logo de cara não creriam nele, por verem sua mãe com muitos filhos. Cairiam na gargalhada…
A descendência do rei Davi deveria terminar com a vinda do Messias, pois seria este o Rei definitivo, sendo descendente do próprio Davi. Vemos em Mateus 1,1-17 a menção do número total de gerações, de modo que a partir daí não haveria mais gerações davídicas, uma vez que o trono seria eternamente ocupado (cf. Isaías 9,6; 2Samuel 7,16; Lucas 1,32-33). Jesus tinha que ser o último descendente de Davi, para libertar o seu povo. Você consegue enxergar outros descendentes do rei Davi nascidos de José e Maria? A linha dos primogênitos tinha que terminar com o Messias. Se Jesus tivesse outros irmãos, seriam inúteis, antibíblicos e antimessiânicos, já que tendo morrido Jesus, o herdeiro do Reino deveria ser um filho ou um irmão deste; e assim, o Messias esperado não seria Jesus de Nazaré, mas aquele que o seguiu.
Você consegue perceber o problema religioso que surge quando alguém afirma que a Virgem teve outros filhos?
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- 12 de abr. de 2018
- 4 min de leitura

Teólogos católicos, ortodoxos e protestantes (luteranos, reformados, anglicanos) reunidos na linha de Malta de 8 a 15/09/83 emitiram uma declaração que, baseando-se na Bíblia, expõe o significado e a justificativa do culto a Maria. Existe, sim, entre Cristo e os cristãos uma comunhão de vida e solidariedade, que não é interrompida pela morte dos cristãos peregrinos: os fiéis defuntos continuam solidários com os viandantes deste mundo. Entre aqueles que participam da glória celeste, sobressai Maria Santíssima, intimamente associada a Cristo na qualidade de Mãe. Ela, que orava com os Apóstolos na expectativa de Pentecostes, há de continuar a louvar a Deus e interceder pelos homens na liturgia celeste, da qual fala o Apocalipse. A intercessão de Maria em nada derroga à honra devida a Deus só, pois é fruto da obra do Redentor e nada acrescenta à única fonte de salvação que é Jesus Cristo.
Reuniu-se na ilha de Malta, de 8 a 15 de setembro de 1983, um Congresso Mariológico destinado a estudar o papel de Maria na história da salvação; este evento contou com a presença de teólogos ortodoxos, anglicanos, luteranos e reformados (calvinistas) que apresentaram suas contribuições ao aprofundamento do tema.
Ao fim do Congresso, quatorze participantes, de diversas denominações cristãs (como se poderá ver abaixo), assinaram uma Declaração sobre a figura e a posição da Santa Mãe de Deus na piedade cristã. Este documento significa um passo importante na linha de convergência entre cristãos que ultimamente vem sendo trilhada em reafirmação dos artigos da fé.
DECLARAÇÃO
«Em prosseguimento dos cinco Congressos Mariológicos Internacionais precedentes, o Congresso de Malta (8-15 de setembro de 1983) permitiu a um grupo de teólogos ortodoxos, anglicanos, luteranos e reformados, reunir-se com um grupo de teólogos católicos para refletir sobre a Comunhão dos Santos e sobre o lugar que Maria ali ocupa. Reconhecidos ao Senhor pelos encontros precedentes, e pelas convergências que surgiram, acreditam poder apresentar ao Congresso as conclusões do seu diálogo.
1. Todos reconhecemos a existência da Comunhão dos Santos como comunhão daqueles que na terra estão unidos a Cristo, como membros vivos do seu Corpo Místico. O fundamento e o ponto central de referência desta comunhão é Cristo, o Filho de Deus feito homem e Cabeça da Igreja (Ef 4,15-16), para nos unir ao Pai e ao Espírito Santo.
2. Esta comunhão, que é comunhão com Cristo e entre todos os que não são de Cristo, implica uma solidariedade que se exprime também na oração de uns pelos outros; esta oração depende daquela de Cristo, sempre vivo para interceder por nós (cf. Hb 7, 25).
3. O fato mesmo de que, no céu à direita do Pai, Cristo ora por nós, indica-nos que a morte não rompe a comunhão daqueles que durante a própria vida estiveram, pelos laços da fraternidade, unidos em Cristo. Existe, pois, uma comunhão entre os que pertencem a Cristo, quer vivam na terra, quer, tendo deixado os seus corpos, estejam com o Senhor (cf. 2Cor 5,8; Mc 12,27).
4. Neste contexto, compreende-se que a intercessão dos Santos por nós existe de maneira semelhante à oração que os fiéis fazem uns pelos outros. A intercessão dos Santos não deve ser entendida como um meio de “informar” Deus das nossas necessidades. Nenhuma oração pode ter este sentido a respeito de Deus, cujo conhecimento é infinito. Trata-se de uma abertura à vontade de Deus por parte de si mesmo e dos outros, e da prática do amor fraterno.
5. No interior desta doutrina, compreende-se o lugar que pertence a Maria Mãe de Deus. É precisamente a relação a Cristo que, na Comunhão dos Santos, lhe confere uma função singular de ordem cristológica. Além disso, a oração de Maria por nós deve ser considerada no contexto cultural de toda a Igreja celeste descrito no Apocalipse, ao qual a Igreja terrestre quer unir-se na sua oração comunitária. Maria ora no seio da Igreja como outrora o fez na expectativa do Pentecostes (cf. At 1,14). Por outro lado, quaisquer que sejam as nossa diferença confessionais, não há razão alguma que impeça unir a nossa oração a Deus no Espírito Santo com a da liturgia celeste, e de modo especial com a da Mãe de Deus.
6. Esta inserção de Maria no culto ao redor do Cordeiro imolado (aspecto cristológico), associada a toda a liturgia celeste (aspecto eclesiológico), não pode dar lugar a alguma interpretação que venha atribuir a Maria uma honra que é devida só a Deus. Além disso, nenhum membro da Igreja saberia acrescentar qualquer coisa à obra de Cristo, que é a única fonte de salvação; não é possível passar senão por Ele, nem recorrer a uma via “mais cômoda” que a do Filho de Deus, para se chegar ao Pai. Ao mesmo tempo é claro que Maria tem o seu lugar na Comunhão dos Santos.
Ao término destas reflexões, nós desejamos dar um testemunho público da fraterna experiência vivida nestes dias. Ela não se limita à atmosfera em que o diálogo se realizou, mas entende-se a todas as atividades do Congresso e à mentalidade religiosa do povo maltês, que, no fervor da sua oração com Maria, nos acompanhava. Conscientes de que há muitos problemas teológicos aos quais o diálogo deverá ainda levar, nós declaramos a nossa vontade de continuar as nossas reflexões no Nome do Senhor.
Não é supérfluo recordar, como se fez ao término do Congresso de Saragoça em 1979, que os signatários, como membros da Comissão Ecumênica do Congresso, não querem senão empenhar-se, bem que tenham trabalhado com a preocupação constante de exprimir a fé das suas respectivas Igrejas.
Malta, 15 de setembro de 1983.
WOLFGANG BOROWSKY, Luterano HENRY CHAVANNES, Reformado JOHN DE SATGE, Anglicano JOHANNES KALOGIROU, Ortodoxo JOHN MILBURN, Anglicano HOWARD ROOT, Anglicano JOHN EVANS, Anglicano FRANZ COURTH, S.A.C. THEODORE KOEHLER, S. M. CÂNDIDO POZO, S. J. CHARLES MOLETTE, Sac. ENRIQUE LLAMAS, O. C. D. STEFANO DE FIORES, S. M. M. PIERRE, MASSON, O. P., Secretário
(Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS” – D. Estevão Bettencourt, osb – Nº 273 – Ano 1984 – p. 90).





