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Uma seita (vem de sectário) é uma dissidência ou um grupo fechado que julga estar o mundo corrupto, e pretende ter a verdade como patrimônio seu e solução para todos os problemas da humanidade. Os membros das seitas são geralmente submetidos a um regime autoritário, imposto por um líder “iluminado”, que lhes dificulta o senso crítico. A multiplicação de seitas em nossos dias se explica, em grande parte, por duas causas:

1. o individualismo subjetivista e relativista da mentalidade moderna a partir de Martinho Lutero (século XVI);

2. a insegurança do homem contemporâneo, que sente angústia diante da crise da sociedade e se dá por feliz, quando alguém, em nome de um poder superior, o acolhe e lhe propõe certezas e garantias (ainda que fantasiosamente fundamentadas).

Além disto, parece haver interesses políticos estrangeiros a fomentar o avanço das seitas (PR n. 417, 1997, p. 56). O Documento de Santo Domingo (CELAM,12/10/1992) se expressou sobre o perigo atual das seitas:

“O problema das seitas adquiriu proporções dramáticas e chega a ser verdadeiramente preocupante sobretudo pelo crescente proselitismo. ” (n.139)

“As seitas fundamentalistas são grupos religiosos que insistem que somente a fé em Jesus Cristo salva e que a única base da fé é a Sagrada Escritura, interpretada de modo pessoal e fundamentalista, com exclusão da Igreja, portanto, e insistência na iminência do fim do mundo e juízo próximo.

Caracterizam-se por seu afã proselitista mediante insistentes visitas domiciliares, grande difusão de bíblias, revistas e livros; a presença e a ajuda oportunista em momentos críticos da vida das pessoas ou das famílias e uma grande capacidade técnica no uso dos meios de comunicação social. Contam com uma poderosa ajuda financeira proveniente do estrangeiro e do dízimo obrigatoriamente pago por todos os adeptos. Distinguem-se por um moralismo rigoroso, por reuniões de oração com um culto participativo e emotivo, baseado na Bíblia, e por sua agressividade contra a Igreja, valendo-se frequentemente da calúnia e do suborno. Ainda que o seu compromisso com o social seja débil, orientam-se para a participação política em vista à tomada do poder.

A presença dessas seitas religiosas fundamentalistas na América Latina aumentou de maneira extraordinária de Puebla até os nossos dias. ” (N. 140)

Cabe distinguir várias correntes ou tipos de fenômeno:

a) Formas paracristãs ou semicristãs, como Testemunhas de Jeová e Mórmons. Cada um destes movimentos tem suas características, mas em comum manifestam um proselitismo, um milenarismo e traços organizativos empresariais;

b) Formas esotéricas que buscam uma iluminação especial e compartilham conhecimentos secretos e um ocultismo religioso. Tal é o caso de correntes espíritas, rosa-cruz, gnósticos, teósofos, etc.

c) Filosofias e cultos com facetas orientais, mas que rapidamente estão adequando-se ao nosso continente, tais como Hare Krishna, a Luz Divina, Ananda Marga e outros, que trazem um misticismo e uma experiência de comunhão;

d) Grupos derivados das grandes religiões asiáticas, quer seja do budismo (seicho no iê, etc.) do hinduísmo (yoga, etc.) ou do islã (baha’i) que não só atingem migrantes da Ásia, mas também plantam raízes em setores de nossa sociedade;

e) Empresas sociorreligiosas, como a seita Moon ou a Nova Acrópolis, que têm objetivos ideológicos e políticos bem precisos, junto com suas expressões religiosas, levadas a cabo mediante meios de comunicação e campanhas proselitistas, que contam com apoio ou inspiração do Primeiro Mundo, e que religiosamente insistem na conversão imediata e na cura, é onde estão as chamadas “igrejas eletrônicas”;

f) Uma multidão de centros de “cura divina” ou atendimento aos mal-estares espirituais e físicos de gente com problemas e de pobres. Esses cultos terapêuticos atendem individualmente a seus clientes.

Diante da multiplicidade de novos movimentos religiosos, com expressões muito diversas entre si, queremos centrar nossa atenção sobre as causas de seu crescimento e os desafios pastorais que levantam.

São muitas e variadas as causas que explicam o interesse que despertam em alguns. Entre elas se devem assinalar:

a) A permanente e progressiva crise social que suscita certa angústia coletiva, a perda de identidade e o desenraizamento das pessoas.

b) A capacidade destes movimentos para adaptar-se às circunstâncias sociais e para satisfazer, momentaneamente, algumas necessidades da população. Em tudo isto não deixa de ter certa presença a curiosidade pelo inédito.

c) O distanciamento da Igreja de setores – populares ou abastados – que buscam novos canais de expressão religiosa, nos quais não se deve descartar uma evasão dos compromissos da fé. Sua habilidade para oferecer aparente solução aos desejos de “cura” por parte dos atribulados.

Nosso maior desafio está em avaliar a ação evangelizadora da Igreja e em determinar desse modo a quais ambientes humanos chega ou não essa ação.

a) Como dar uma resposta adequada às perguntas que as pessoas se fazem sobre o sentido de sua vida, sobre o sentido da relação com Deus, em meio à permanente e progressiva crise social.

b) Adquirir um maior conhecimento das identidades e culturas dos nossos povos. (n.141).

Falando a um grupo de bispos do Brasil, em visita “ad limina apostolorum”, em 05/9/1995, em Roma, o Papa João Paulo II destacou o desafio que as seitas significam hoje para a Igreja na América Latina.

Referindo-se às seitas, o papa disse que na América Latina deparamo-nos “com o grave problema das seitas, que se expandem, como uma mancha de óleo, ameaçando fazer ruir a estrutura de fé de tantas nações (…)”.

O CELAM (Conferência do Episcopado Latino-Americano) apresentou, em 1990, um documento elaborado pelos protestantes, que mostra as estratégias para tornar o mundo inteiro protestante. É o projeto Amanhecer, sagaz e inteligente, com 48 páginas, publicado por Jim Montgomery, gerente-editor de Global Church Groth Bulletin e diretor da Overseas Crusades, com sede na Califórnia. O Amanhecer traz o subtítulo “Estratégias Evangélicas para a Tomada Missionária do Mundo e da América Latina”. Na época, o CELAM alertou os bispos dizendo:

“É necessário que tomemos consciência da existência de uma estratégia evangélica bem arquitetada para a tomada missionária da América Latina, país por país (…). O que importa unicamente, é crescer em número de fiéis e templos. ” (Revista Pergunte e Responderemos, n. 333, 1990, pp.78-87).

Portanto, o Papa não estava exagerando quando falou em “ameaça para a Igreja Católica”.

Falando aos nossos bispos em Roma, ele apontou os pontos principais do ataque à fé católica:

“É notória a intenção, por vezes virulenta, destas seitas de minar as bases da fé do povo, de modo especial no que diz respeito ao culto do Mistério Eucarístico e da Santíssima Virgem, à estrutura hierárquica da Igreja e ao primado de Pedro, que perdura no pastoreio universal do bispo de Roma, e às expressões da piedade popular. ”

É notório que o Papa estava se referindo também às seitas protestantes que se multiplicam a cada dia. E ele questionou os bispos sobre as razões do crescimento delas:

“A difusão das seitas não nos interroga se tem sido manifestado suficientemente o senso do sagrado? ”.

O que o santo padre quis dizer com esta pergunta? Será que os fiéis católicos, não têm ido para as seitas, porque falta mais espiritualidade em nossas igrejas? Falta o senso do sagrado, que o povo tanto preza. Por faltar este “sagrado” em nossas igrejas, o povo foi buscá-lo nos templos protestantes.

Sabemos que durante muitos anos, a Igreja no Brasil e na América, por causa da perigosa “teologia da libertação”, de cunho marxista, dirigiu-se muito mais ao social, desprezando o espiritual e deixando o povo à mingua da catequese. Agora paga um alto preço. O povo não conhece a fé católica e é enganado facilmente pelos falsos profetas.

O Papa também falou sobre isso aos nossos bispos:

“Ele [o povo católico] quer ver a Igreja com as suas características religiosas, (…) que despertam a piedade e levam à oração, ao recolhimento e à contemplação do mistério de Deus (…). ”

“O ministério da Palavra (…) contenha sempre, do início ao fim, uma mensagem espiritual. É certo que muita gente não possui o suficiente para acalmar a própria fome, mas, ordinariamente, o povo tem mais fome de Deus do que do pão material, pois entende que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). Ver a Igreja como Igreja, e não simples promotora da reforma social. ”

Nesta mesma linha, ele falou aos padres:

“Vosso povo, caríssimos irmãos no episcopado, quer ver os padres como verdadeiros Ministros de Deus, inclusive na sua veste e no seu modo externo de proceder. O que os homens querem, o que esperam, é que o sacerdote com o seu testemunho de vida e com sua palavra, lhes fale de Deus. ”

Para enfrentar o “desafio” das seitas e do secularismo, o Papa propôs, então, a Nova Evangelização:

“A evangelização a que a Igreja está sendo chamada neste final de milênio deve ser, como tantas vezes tenho repetido, nova em seu ardor, seus métodos e sua expressão. ”

“Não estaria havendo uma certa acomodação deixando de ir em busca das ovelhas que estão afastadas? Ao contrário da parábola evangélica, não é uma e outra que está tresmalhada, mas é uma parte do rebanho. ”

E o Papa dá o remédio para a Igreja ir buscar a “parte do rebanho” que foi embora para as seitas:

“Isso mostra, caríssimos irmãos, que não basta chamar, convocar e esperar que as pessoas venham. Como diz outro lema da ação pastoral de uma das vossas Dioceses, deveis ser ‘uma Igreja que vai ao encontro do Povo! ’. Deveis ser uma igreja que procure as pessoas, que as convide não somente no chamado geral dos meios de comunicação, mas no convite pessoal, de casa em casa, de rua em rua, num trabalho permanente, respeitoso, mas sempre presente em todos os lugares e ambientes. ”

Mas há também entre nós muitas seitas de origem oriental ou influenciadas pela Nova Era. Elas crescem, visivelmente, em cima da ignorância religiosa do nosso bom povo católico, facilmente influenciável por novos ventos de doutrina.

Muitas razões facilitam o crescimento das seitas, especialmente os que gostaria de expor:

1. O relativismo religioso – que se vive hoje, onde as pessoas, por falta de formação catequética, pensam que podem viver a fé e a moral “a seu modo”, sem precisar do ensinamento da Igreja;

2. A difícil situação do mundo atual – leva as pessoas a buscarem desesperadamente a solução dos seus problemas no campo sobrenatural; o povo é levado a buscar a fé, mas, muitas vezes em caminhos errados.

3. Secularismo – em poucas palavras pode ser expresso no que dizia Leão XIII: “Deus foi expulso da vida pública”. Com isto o paganismo retorna à sociedade, e esta precisa ser recristianizada.

4. Materialismo reducionista – para muitos hoje o que interessa é apenas ganhar o pão, e vive-se, como disse o Papa João Paulo II, “como se Deus não existisse”.

5. Destruição das famílias – que sempre foi o natural e primeiro berço da fé católica. Os pais já não ensinam os filhos a rezar e não lhes ensinam a doutrina católica.

6. Exigências morais do catolicismo – muitos preferem seguir as seitas porque elas apresentam uma moral cômoda, não exigente quanto a da Igreja, especialmente no que se refere ao casamento, separação, divórcio, limitação da natalidade, etc.

7. Esvaziamento político da fé – a politização da fé, especialmente por parte da teologia da libertação, deixou o povo à mingua da catequese e dos valores espirituais: oração, adoração do Santíssimo, sacramentos, terço, etc. Sem o saudável misticismo o povo foi buscar Deus nas seitas.

Além dessas causas, nota-se que há alguns fatores que dão origem às seitas, por parte do seu fundador. Muitas vezes são pessoas que se julgam “iluminadas”; movidas por um fundamentalismo bíblico que despreza a correta exegese (entendimento da Bíblia) e hermenêutica (interpretação da Bíblia); um certo messianismo (mania de salvador do mundo); autoritarismo, exibicionismo; forte emotividade e, às vezes, até chantagem.

Em seguida, vamos apresentar de modo resumido as religiões e igrejas cristãs e não cristãs, seitas orientais e muitas outras crenças, superstições, etc., que não se coadunam com a fé católica. Nosso objetivo não é desrespeitar a fé e a liberdade religiosa das pessoas, mas apenas informar aqueles que são católicos para que vivam coerentemente a sua fé. Usamos como fonte de consulta o vasto material que Dom Estêvão Bettencourt, osb, publicou na revista Pergunte e Responderemos, ao longo de muitos anos, o qual sou muito agradecido por me autorizar a usar livremente os seus escritos.

Retirado do livro: “Falsas Doutrinas – Seitas e Religiões”.

 
 
 

Uma seita (vem de sectário) é uma dissidência ou um grupo fechado que julga estar o mundo corrupto, e pretende ter a verdade como patrimônio seu e solução para todos os problemas da humanidade. Os membros das seitas são geralmente submetidos a um regime autoritário, imposto por um líder “iluminado”, que lhes dificulta o senso crítico. A multiplicação de seitas em nossos dias se explica, em grande parte, por duas causas:

1. o individualismo subjetivista e relativista da mentalidade moderna a partir de Martinho Lutero (século XVI);

2. a insegurança do homem contemporâneo, que sente angústia diante da crise da sociedade e se dá por feliz, quando alguém, em nome de um poder superior, o acolhe e lhe propõe certezas e garantias (ainda que fantasiosamente fundamentadas).

Além disto, parece haver interesses políticos estrangeiros a fomentar o avanço das seitas (PR n. 417, 1997, p. 56). O Documento de Santo Domingo (CELAM,12/10/1992) se expressou sobre o perigo atual das seitas:

“O problema das seitas adquiriu proporções dramáticas e chega a ser verdadeiramente preocupante sobretudo pelo crescente proselitismo. ” (n.139)

“As seitas fundamentalistas são grupos religiosos que insistem que somente a fé em Jesus Cristo salva e que a única base da fé é a Sagrada Escritura, interpretada de modo pessoal e fundamentalista, com exclusão da Igreja, portanto, e insistência na iminência do fim do mundo e juízo próximo.

Caracterizam-se por seu afã proselitista mediante insistentes visitas domiciliares, grande difusão de bíblias, revistas e livros; a presença e a ajuda oportunista em momentos críticos da vida das pessoas ou das famílias e uma grande capacidade técnica no uso dos meios de comunicação social. Contam com uma poderosa ajuda financeira proveniente do estrangeiro e do dízimo obrigatoriamente pago por todos os adeptos. Distinguem-se por um moralismo rigoroso, por reuniões de oração com um culto participativo e emotivo, baseado na Bíblia, e por sua agressividade contra a Igreja, valendo-se frequentemente da calúnia e do suborno. Ainda que o seu compromisso com o social seja débil, orientam-se para a participação política em vista à tomada do poder.

A presença dessas seitas religiosas fundamentalistas na América Latina aumentou de maneira extraordinária de Puebla até os nossos dias. ” (N. 140)

Cabe distinguir várias correntes ou tipos de fenômeno:

a) Formas paracristãs ou semicristãs, como Testemunhas de Jeová e Mórmons. Cada um destes movimentos tem suas características, mas em comum manifestam um proselitismo, um milenarismo e traços organizativos empresariais;

b) Formas esotéricas que buscam uma iluminação especial e compartilham conhecimentos secretos e um ocultismo religioso. Tal é o caso de correntes espíritas, rosa-cruz, gnósticos, teósofos, etc.

c) Filosofias e cultos com facetas orientais, mas que rapidamente estão adequando-se ao nosso continente, tais como Hare Krishna, a Luz Divina, Ananda Marga e outros, que trazem um misticismo e uma experiência de comunhão;

d) Grupos derivados das grandes religiões asiáticas, quer seja do budismo (seicho no iê, etc.) do hinduísmo (yoga, etc.) ou do islã (baha’i) que não só atingem migrantes da Ásia, mas também plantam raízes em setores de nossa sociedade;

e) Empresas sociorreligiosas, como a seita Moon ou a Nova Acrópolis, que têm objetivos ideológicos e políticos bem precisos, junto com suas expressões religiosas, levadas a cabo mediante meios de comunicação e campanhas proselitistas, que contam com apoio ou inspiração do Primeiro Mundo, e que religiosamente insistem na conversão imediata e na cura, é onde estão as chamadas “igrejas eletrônicas”;

f) Uma multidão de centros de “cura divina” ou atendimento aos mal-estares espirituais e físicos de gente com problemas e de pobres. Esses cultos terapêuticos atendem individualmente a seus clientes.

Diante da multiplicidade de novos movimentos religiosos, com expressões muito diversas entre si, queremos centrar nossa atenção sobre as causas de seu crescimento e os desafios pastorais que levantam.

São muitas e variadas as causas que explicam o interesse que despertam em alguns. Entre elas se devem assinalar:

a) A permanente e progressiva crise social que suscita certa angústia coletiva, a perda de identidade e o desenraizamento das pessoas.

b) A capacidade destes movimentos para adaptar-se às circunstâncias sociais e para satisfazer, momentaneamente, algumas necessidades da população. Em tudo isto não deixa de ter certa presença a curiosidade pelo inédito.

c) O distanciamento da Igreja de setores – populares ou abastados – que buscam novos canais de expressão religiosa, nos quais não se deve descartar uma evasão dos compromissos da fé. Sua habilidade para oferecer aparente solução aos desejos de “cura” por parte dos atribulados.

Nosso maior desafio está em avaliar a ação evangelizadora da Igreja e em determinar desse modo a quais ambientes humanos chega ou não essa ação.

a) Como dar uma resposta adequada às perguntas que as pessoas se fazem sobre o sentido de sua vida, sobre o sentido da relação com Deus, em meio à permanente e progressiva crise social.

b) Adquirir um maior conhecimento das identidades e culturas dos nossos povos. (n.141).

Falando a um grupo de bispos do Brasil, em visita “ad limina apostolorum”, em 05/9/1995, em Roma, o Papa João Paulo II destacou o desafio que as seitas significam hoje para a Igreja na América Latina.

Referindo-se às seitas, o papa disse que na América Latina deparamo-nos “com o grave problema das seitas, que se expandem, como uma mancha de óleo, ameaçando fazer ruir a estrutura de fé de tantas nações (…)”.

O CELAM (Conferência do Episcopado Latino-Americano) apresentou, em 1990, um documento elaborado pelos protestantes, que mostra as estratégias para tornar o mundo inteiro protestante. É o projeto Amanhecer, sagaz e inteligente, com 48 páginas, publicado por Jim Montgomery, gerente-editor de Global Church Groth Bulletin e diretor da Overseas Crusades, com sede na Califórnia. O Amanhecer traz o subtítulo “Estratégias Evangélicas para a Tomada Missionária do Mundo e da América Latina”. Na época, o CELAM alertou os bispos dizendo:

“É necessário que tomemos consciência da existência de uma estratégia evangélica bem arquitetada para a tomada missionária da América Latina, país por país (…). O que importa unicamente, é crescer em número de fiéis e templos. ” (Revista Pergunte e Responderemos, n. 333, 1990, pp.78-87).

Portanto, o Papa não estava exagerando quando falou em “ameaça para a Igreja Católica”.

Falando aos nossos bispos em Roma, ele apontou os pontos principais do ataque à fé católica:

“É notória a intenção, por vezes virulenta, destas seitas de minar as bases da fé do povo, de modo especial no que diz respeito ao culto do Mistério Eucarístico e da Santíssima Virgem, à estrutura hierárquica da Igreja e ao primado de Pedro, que perdura no pastoreio universal do bispo de Roma, e às expressões da piedade popular. ”

É notório que o Papa estava se referindo também às seitas protestantes que se multiplicam a cada dia. E ele questionou os bispos sobre as razões do crescimento delas:

“A difusão das seitas não nos interroga se tem sido manifestado suficientemente o senso do sagrado? ”.

O que o santo padre quis dizer com esta pergunta? Será que os fiéis católicos, não têm ido para as seitas, porque falta mais espiritualidade em nossas igrejas? Falta o senso do sagrado, que o povo tanto preza. Por faltar este “sagrado” em nossas igrejas, o povo foi buscá-lo nos templos protestantes.

Sabemos que durante muitos anos, a Igreja no Brasil e na América, por causa da perigosa “teologia da libertação”, de cunho marxista, dirigiu-se muito mais ao social, desprezando o espiritual e deixando o povo à mingua da catequese. Agora paga um alto preço. O povo não conhece a fé católica e é enganado facilmente pelos falsos profetas.

O Papa também falou sobre isso aos nossos bispos:

“Ele [o povo católico] quer ver a Igreja com as suas características religiosas, (…) que despertam a piedade e levam à oração, ao recolhimento e à contemplação do mistério de Deus (…). ”

“O ministério da Palavra (…) contenha sempre, do início ao fim, uma mensagem espiritual. É certo que muita gente não possui o suficiente para acalmar a própria fome, mas, ordinariamente, o povo tem mais fome de Deus do que do pão material, pois entende que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). Ver a Igreja como Igreja, e não simples promotora da reforma social. ”

Nesta mesma linha, ele falou aos padres:

“Vosso povo, caríssimos irmãos no episcopado, quer ver os padres como verdadeiros Ministros de Deus, inclusive na sua veste e no seu modo externo de proceder. O que os homens querem, o que esperam, é que o sacerdote com o seu testemunho de vida e com sua palavra, lhes fale de Deus. ”

Para enfrentar o “desafio” das seitas e do secularismo, o Papa propôs, então, a Nova Evangelização:

“A evangelização a que a Igreja está sendo chamada neste final de milênio deve ser, como tantas vezes tenho repetido, nova em seu ardor, seus métodos e sua expressão. ”

“Não estaria havendo uma certa acomodação deixando de ir em busca das ovelhas que estão afastadas? Ao contrário da parábola evangélica, não é uma e outra que está tresmalhada, mas é uma parte do rebanho. ”

E o Papa dá o remédio para a Igreja ir buscar a “parte do rebanho” que foi embora para as seitas:

“Isso mostra, caríssimos irmãos, que não basta chamar, convocar e esperar que as pessoas venham. Como diz outro lema da ação pastoral de uma das vossas Dioceses, deveis ser ‘uma Igreja que vai ao encontro do Povo! ’. Deveis ser uma igreja que procure as pessoas, que as convide não somente no chamado geral dos meios de comunicação, mas no convite pessoal, de casa em casa, de rua em rua, num trabalho permanente, respeitoso, mas sempre presente em todos os lugares e ambientes. ”

Mas há também entre nós muitas seitas de origem oriental ou influenciadas pela Nova Era. Elas crescem, visivelmente, em cima da ignorância religiosa do nosso bom povo católico, facilmente influenciável por novos ventos de doutrina.

Muitas razões facilitam o crescimento das seitas, especialmente os que gostaria de expor:

1. O relativismo religioso – que se vive hoje, onde as pessoas, por falta de formação catequética, pensam que podem viver a fé e a moral “a seu modo”, sem precisar do ensinamento da Igreja;

2. A difícil situação do mundo atual – leva as pessoas a buscarem desesperadamente a solução dos seus problemas no campo sobrenatural; o povo é levado a buscar a fé, mas, muitas vezes em caminhos errados.

3. Secularismo – em poucas palavras pode ser expresso no que dizia Leão XIII: “Deus foi expulso da vida pública”. Com isto o paganismo retorna à sociedade, e esta precisa ser recristianizada.

4. Materialismo reducionista – para muitos hoje o que interessa é apenas ganhar o pão, e vive-se, como disse o Papa João Paulo II, “como se Deus não existisse”.

5. Destruição das famílias – que sempre foi o natural e primeiro berço da fé católica. Os pais já não ensinam os filhos a rezar e não lhes ensinam a doutrina católica.

6. Exigências morais do catolicismo – muitos preferem seguir as seitas porque elas apresentam uma moral cômoda, não exigente quanto a da Igreja, especialmente no que se refere ao casamento, separação, divórcio, limitação da natalidade, etc.

7. Esvaziamento político da fé – a politização da fé, especialmente por parte da teologia da libertação, deixou o povo à mingua da catequese e dos valores espirituais: oração, adoração do Santíssimo, sacramentos, terço, etc. Sem o saudável misticismo o povo foi buscar Deus nas seitas.

Além dessas causas, nota-se que há alguns fatores que dão origem às seitas, por parte do seu fundador. Muitas vezes são pessoas que se julgam “iluminadas”; movidas por um fundamentalismo bíblico que despreza a correta exegese (entendimento da Bíblia) e hermenêutica (interpretação da Bíblia); um certo messianismo (mania de salvador do mundo); autoritarismo, exibicionismo; forte emotividade e, às vezes, até chantagem.

Em seguida, vamos apresentar de modo resumido as religiões e igrejas cristãs e não cristãs, seitas orientais e muitas outras crenças, superstições, etc., que não se coadunam com a fé católica. Nosso objetivo não é desrespeitar a fé e a liberdade religiosa das pessoas, mas apenas informar aqueles que são católicos para que vivam coerentemente a sua fé. Usamos como fonte de consulta o vasto material que Dom Estêvão Bettencourt, osb, publicou na revista Pergunte e Responderemos, ao longo de muitos anos, o qual sou muito agradecido por me autorizar a usar livremente os seus escritos.

Retirado do livro: “Falsas Doutrinas – Seitas e Religiões”.

 
 
 

Por que não sou protestante? São sete as razões principais pelas quais não sou protestante:

1. Somente a Bíblia… Os protestantes afirmam que seguem a Bíblia como norma de fé. Acontece, porém, que a Bíblia utilizada por todos os protestantes é uma só; em português, vem a ser a tradução de Ferreira de Almeida. Por que então não concordam entre si no tocante a pontos importantes (ver nº 2 adiante)? E por que não constituem uma só comunidade cristã, em vez de serem centenas e centenas de denominações separadas (e até hostis) entre si?

A razão disto é que, além da Bíblia, seguem outra fonte de fé e disciplina… fonte esta que explica as divergências do Protestantismo.

Tal fonte, chamamo-la Tradição oral; é esta que dá vida e atualidade à letra do texto. A tradição oral do Catolicismo começa com Cristo e os Apóstolos, ao passo que as tradições orais dos protestantes começam com Lutero (1517), Calvino (1541), Knox (1567), Wesley (1739), Joseph Smith (1830)…

Entre Cristo e os Apóstolos, de um lado, e os fundadores humanos das denominações protestantes, do outro lado, não há como hesitar: só se pode optar pelos ensinamentos de Cristo e dos Apóstolos, deixando de lado os “profetas” posteriores.

Notemos que o próprio texto da Bíblia recomenda a Tradição oral, ou seja, a Palavra de Deus que não foi consignada na Bíblia e que deve ser respeitada como norma de fé. Os autores sagrados não tiveram, em vista expor todos os ensinamentos de Jesus, como eles mesmos dizem:

“Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se elas fossem escritas, uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se teriam de escrever” (Jo 21,25, cf. 1 Ts 2,15).

“Muitos outros prodígios fez ainda Jesus na presença dos discípulos, os quais não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome” (Jo 20,30s).

São Paulo, por sua vez, recomenda os ensinamentos que de viva voz nos foram transmitidos por Jesus e passam de geração a geração no seio da Igreja, sem estarem escritos na Bíblia:

“Sei em quem acreditei.. Toma por norma as sãs palavras que ouviste de mim na fé e no amor do Cristo Jesus. Guarda o bom depósito com o auxílio do Espírito Santo que habita em nós” (2Tm 1, 12/14).

Neste texto vê-se que o depósito é a doutrina que São Paulo fez ouvir a Timóteo, e que Paulo, por sua vez, recebeu de Cristo. Tal é a linha pela qual passa o depósito:

Cristo -> Paulo -> Timóteo

A linha continua… conforme 2Tm 2,2:

“O que ouviste de mim em presença de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de o ensinar ainda a outros”.

Temos então a seguinte sucessão de portadores e transmissores da Palavra:

O Pai -> Cristo -> Paulo (Os Apóstolos) -> Timóteo (Os Discípulos imediatos dos Apóstolos) -> Os Fiéis -> Os outros Fiéis

Desta forma a Escritura mesma atesta a existência de autênticas proposições de Cristo a ser transmitidas por via meramente oral de geração a geração, sem que os cristãos tenham o direito de as menosprezar ou retocar. A Igreja é a guardiã fiel dessa Palavra de Deus oral e escrita.

Dirão: mas tudo o que é humano se deteriora e estraga. Por isto a Igreja deve ter deteriorado e deturpado a palavra de Deus; quem garante que esta ficou intacta através de vinte séculos na Igreja Católica?

Quem o garante é o próprio Cristo, que prometeu sua assistência infalível a Pedro e as luzes do Espírito Santo a todos os seus Apóstolos ou à sua Igreja; ver Mt 16, 16-18; Lc 22,31s; Jo 21,15-17; Jo 14, 26; 16,13-15.

Não teria sentido o sacrifício de Cristo na Cruz se a mensagem pregada por Jesus fosse entregue ao léu ou às opiniões subjetivas dos homens, sem garantia de fidelidade através dos séculos. Jesus não pode ter deixado de instituir o magistério da sua Igreja com garantia de inerrância.

2. Contradições 0 fato de que não seguem somente a Bíblia, explica as contradições do Protestantismo:

Algumas denominações batizam crianças; outras não as batizam;

Algumas observam o domingo; outras, o sábado;

Algumas têm bispos; outras não os têm;

Algumas têm hierarquia; outras entregam o governo da comunidade à própria congregação (congregacionalistas);

Algumas fazem cálculos precisos para definir a data do fim do mundo – o que para elas é essencial. Outras não se preocupam com isto.

Vê-se assim que a Mensagem Bíblica é relida e reinterpretada diversamente pelos diversos fundadores dos ramos protestantes, que desta maneira dão origem a tradições diferentes e decisivas.

Ademais, todos os protestantes dizem que a Bíblia contém 39 livros do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento, baseando-se não na Bíblia mesma (que não define o seu catálogo), mas unicamente na Tradição oral dos judeus de Jâmnia reunidos em Sínodo no ano 100 d.C.;

Todos os protestantes afirmam que tais livros são inspirados por Deus, baseando-se não na Bíblia (que não o diz), mas unicamente na Tradição oral.

Onde está, pois, a coerência dos protestantes?

Pelo seu modo de proceder, afirmam o que negam com os lábios; reconhecem que a Bíblia não basta como fonte de fé. É a Tradição oral que entrega e credencia a Bíblia.

3. Afinal a Bíblia… Sim ou Não? Há passagens da Bíblia que os fundadores do Protestantismo no século XVI não aceitaram como tais; por isto são desviadas do seu destino original muito evidente:

1. A Eucaristia… Jesus disse claramente: “Isto é o meu corpo” (Mt 26,26) e “Isto é o meu sangue” (Mt 26,28).

Em Jo 6,51 Jesus também afirma: “O pão que eu darei, é a minha carne para o mundo”. Aos judeus que zombavam, o Senhor tornou a afirmar: ”Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue verdadeiramente uma bebida”.

Apesar disto, os protestantes não aceitam o sacramento do perdão e da reconciliação! (Jo 21,17).

Se assim é, por que é que ”os seguidores da Bíblia” não aceitam a real presença de Cristo no pão e no vinho consagrados?

2. Jesus disse ao Apóstolo Pedro: “Tu és Pedro (Kepha) e sobre esta Pedra (Kepha) edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18).

Disse mais a Pedro: “Simão, Simão… eu roguei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. E tu, voltando-te, confirma teus irmãos” (Lc 22,31s).

Ainda a Pedro: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,15).

Apesar de tão explícitas palavras de Jesus, os protestantes não reconhecem o primado de Pedro! Por que será?

3. Jesus entregou aos Apóstolos a faculdade de perdoar ou não perdoar os pecados – o que supõe a confissão dos mesmos para que o ministro possa discernir e agir em nome de Jesus:

“Recebei o Espiríto Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem não os perdoardes, não serão perdoados” (Jo 20,22s).

4. Jesus disse que edificaria a sua Igreja (“a minha Igreja”, Mt 16,18) sobre Pedro. As denominações protestantes são constituídas sobre Lutero, Calvino, Knox, Wesley… Antes desses fundadores, que são dos séculos XVI e seguintes, não existia o Luteranismo, o Calvinismo (presbiterianismo), o Metodismo, o Mormonismo, o Adventismo… Entre Cristo e estas denominações há um hiato… Somente a Igreja Católica remonta até Cristo.

5. 0 Apóstolo São Paulo, referindo-se ao seu elevado entendimento da mensagem cristã, recomenda a vida una ou indivisa para homens e mulheres:

“Dou um conselho como homem que, pela misericórdia do Senhor, é digno de confiança… 0 tempo se fez curto. Resta, pois, que aqueles que têm esposa, sejam como se não a tivessem; aqueles que choram, como se não chorassem; aqueles que se regozijam, como se não se regozijassem; aqueles que compram, como se não possuíssem; aqueles que usam deste mundo, como se não usassem plenamente. Pois passa a figura deste mundo. Eu quisera que estivésseis isentos de preocupações. Quem não tem esposa, cuida das coisas do Senhor e do modo de agradar ao Senhor. Quem tem esposa, cuida das coisas do mundo e do modo de agradar à esposa, e fica dividido. Da mesma forma a mulher não casada e a virgem cuidam das coisas do Senhor, a fim de serem santas de corpo e de espírito. Mas a mulher casada cuida das coisas do mundo; procura como agradar ao marido” (1Cor 7,25/34).

Ora os protestantes nunca citam tal texto quando se referem ao celibato e à virgindade consagrada a Deus. É estranho, dado que eles querem em tudo seguir a Bíblia.

4. Esfacelamento Jesus prometeu à sua Igreja que estaria com ela até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20); prometeu também aos Apóstolos o dom do Espírito Santo para que aprofundassem a mensagem do Evangelho (cf. Jo 14,26; 16,13s).

Não obstante, os protestantes se afastam da Igreja assim assistida por Cristo e pelo Espírito Santo para fundar novas “igrejas”. São instituições meramente humanas, que se vão dividindo, subdividindo e esfacelando cada vez mais; empobrecem e pulverizam sempre mais a mensagem do Evangelho, reduzindo/a:

Ora a sistema de curas (curandeirismo), milagre serviço ao homem (Casa da Bênção, Igreja Socorrista, Ciência Cristã…);

Ora a um retorno ao Antigo Testamento, com empalidecimento do Novo; assim os ramos adventistas…;

Ora a um prelúdio de nova “revelação”, que já não é cristã. Tal é o caso dos Mórmons; tal é o caso das Testemunhas de Jeová, que negam a Divindade de Cristo, a SS. Trindade e toda a concepção cristã de história.

5. Deterioração da Bíblia 0 fato de só quererem seguir a Bíblia (que na realidade é inseparável de Tradição oral, que a berçou e a acompanha), tem como consequência o subjetivismo dos intérpretes protestantes. Alguns entram pelos caminhos do racionalismo e vêm a ser os mais ousados dilapidadores ou roedores das Escrituras (tal é o caso de Bultmann, Marxsen, Harnack, Reimarus, Baur…). Outros preferem adotar cegamente o sentido literal, sem o discernimento dos expressionismos próprios dos antigos semitas, o que distorce, de outro modo, a genuína mensagem bíblica.

Isto acontece, porque faltam ao Protestantismo os critérios da Tradição (“o que sempre, em toda a parte e por todos os fiéis foi professado”), critérios estes que o magistério da Igreja, assistido pelo Espírito Santo, propõe aos fiéis e estudiosos, a fim de que não se desviem do reto entendimento do texto sagrado.

6. Mal-Entendidos Quem lê um folheto protestante dirigido contra as práticas da Igreja Católica (veneração, não adoração das imagens, da Virgem Santíssima, celibato…), lamenta o baixo nível das argumentações: são imprecisas, vagas, ou mesmo tendenciosas; afirmam gratuitamente sem provar as suas acusações; não raro baseiam-se em premissas falsas, datas fictícias, anacronismos.

As dificuldades assim levantadas pelos protestantes dissipam-se desde que se estudem com mais precisão a Bíblia e as antigas tradições do Cristianismo. Vê-se então que as expressões da fé e do culto da Igreja Católica não são senão o desabrochamento homogêneo das virtualidades do Evangelho; sob a ação do Espírito Santo, o grão de mostarda trazido por Cristo à terra tornou-se grande árvore, sem perder a sua identidade (cf. Mt 13,31 s); vida é desdobramento de potencialidades homogêneo. Seria falso querer fazer disso um argumento contra a autenticidade do Catolicismo. Está claro que houve e pode haver aberrações; estas, porém, não são padrão para se julgar a índole própria do Catolicismo.

A dificuldade básica no diálogo entre católicos e protestantes está nos critérios da fé. Donde deve o cristão haurir as proposições da fé: da Bíblia só ou da Bíblia e da Tradição oral?

Se alguém aceita a Bíblia dentro da Tradição oral, que lhe é anterior, a berçou e a acompanha, não tem problema para aceitar tudo que a Palavra de Deus ensina na Igreja Católica, à qual Cristo prometeu sua assistência infalível.

Mas, se o cristão não aceita a Palavra de Deus na sua totalidade oral e escrita, ficando apenas com a escrita (Bíblia), já não tem critérios objetivos para interpretar a Bíblia; cada qual dá à Escritura o sentido que ele julga dever dar, e assim se vai diluindo e pervertendo cada vez mais a Mensagem Revelada. A letra como tal é morta; é a Palavra viva que dá o sentido adequado a um texto escrito.

7. Menosprezo da Igreja Jesus fundou sua Igreja e a entregou a Pedro e seus sucessores. Sim, Ele disse ao Apóstolo:

“Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus, e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,18s).

Notemos: Jesus se refere à sua Igreja (Ele só tem uma Igreja) e Ele a entregou a Pedro… A Pedro e a seus sucessores, pois Pedro é o fundamento visível (“sobre essa pedra edificarei…”); ora, se o edifício deve ser para sempre inabalável, o fundamento há de ser para sempre duradouro; esse fundamento sólido não desapareceu com a morte de Pedro, mas se prolonga nos sucessores de Pedro, os Papas.

Ora, Lutero e seus discípulos desprezaram a Igreja fundada por Jesus, e fundaram (como até hoje ainda fundam) suas “igrejas”. Em consequência, cada “igreja” protestante é uma sociedade meramente humana, que já não tem a garantia da assistência infalível de Jesus e do Espírito Santo, porque se separou do tronco original.

A experiência mostra como essas ”igrejas” se contradizem e ramificam em virtude de discórdias e interpretações bíblicas pessoais dos seus fundadores; predomina aí o “eu acho” dos homens ou de cada “profeta” de denominação protestante.

Mas… as falhas humanas da Igreja não são empecilho para crer?

Em resposta devemos dizer que o mistério básico do Cristianismo é o da Encarnação; Deus assumiu a natureza humana, deixou/se desfigurar por açoites, escarros e crucificação, mas desta maneira quis salvar os homens. Este mistério se prolonga na Igreja, que São Paulo chama “o Corpo de Cristo” (Cl 1,24; 1Cor 12,27). A Igreja é humana; por isto traz as marcas da fragilidade humana de seus filhos, mas é também divina; é o Cristo prolongado; por isto os erros dos homens da Igreja não conseguem destruí-la; são, antes, o sinal de que é Deus quem vive na Igreja e a sustenta.

Numa palavra, o cristão há de dizer com São Paulo: “A Igreja é minha mãe” (cf. Gl 4,26). Ao que São Cipriano de Cartago (+258) fazia eco, dizendo: “Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por Mãe” (“Sobre a Unidade de Igreja”, cap. 4).

Conclusão A grande razão pela qual o Protestantismo se torna inaceitável ao cristão que reflete, é o subjetivismo que o impregna visceralmente. A falta de referenciais objetivos e seguros, garantidos pelo próprio Espírito Santo (cf. Jo 14,26; 16,13s), é o principal ponto fraco ou o calcanhar de Aquiles do Protestantismo. Disto se segue a divisão do mesmo em centenas de denominações diversas, cada qual com suas doutrinas e práticas, às vezes contraditórias ou mesmo hostis entre si.

0 Protestantismo assim se afasta cada vez mais da Bíblia e das raízes do Cristianismo (paradoxo!), levado pelo fervor subjetivo dos seus “profetas”, que apresentam um curandeirismo barato (por vezes, caro!) ou um profetismo fantasioso ou ainda um retorno ao Antigo Testamento com menosprezo do Novo.

Esta diluição do Protestantismo e a perda dos valores típicos do Cristianismo estão na lógica do principal fundador, Martinho Lutero, que apregoava o livre exame de Bíblia ou a leitura da Bíblia sob as luzes exclusivas da inspiração subjetiva de cada crente; cada qual tira das Escrituras “o que bem lhe parece ou lhe apraz”!

Dom Estêvão Bettencourt

 
 
 
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