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Escrita pelo ano 421, na mesma ocasião do De cura pro mortuis gerenda, é fruto maduro da teologia da idade adulta do bispo de Hipona. Opúsculo precioso entre todos, admirável síntese da teologia agostiniana. Revela-se ele, aí, como o protótipo do doutor cristão. Diz F. Cayré, na sua obra Précis de patrologie: “Em parte alguma, talvez, santo Agostinho tenha melhor condensado sua doutrina, nem melhor marcado seu método” (tomo I, p. 630). No capítulo que aqui transcrevemos (29,110), o tema é sobre o destino humano em seu coroamento futuro. TEXTO: “Não se pode negar que as almas dos defuntos sejam aliviadas pela piedade de seus parentes vivos, quando por elas é oferecido o sacrificio do Mediador ou quando são distribuídas esmolas na Igreja. Entretanto, essas obras aproveitam somente àqueles que em vida mereceram que esses sufrágios lhes fossem úteis após a morte. Com efeito, existe certo modo de viver não tão bom (nec tam bónus), para esses sufrágios póstumos deixa rem de ser úteis. E existe outro modo de viver não tão mau (nem tam malus), para que os defuntos não possam se beneficiar deles. Por outro lado, existem aqueles que viveram tão bem (talis in bene), que podem passar sem os sufrágios; e outros que viveram tão mal (talis in male), que não conseguem beneficiar-se deles, após a morte. Portanto, é sempre aqui na terra que os méritos são adquiridos e que asseguram a cada um, depois desta vida, o alívio ou o infortúnio. Ninguém espere obter de Deus, após a própria morte, o que negligenciou durante a vida. Assim sendo, as práticas observadas pela Igreja em vista de encomendar a Deus as almas dos defuntos não são contrárias à doutrina do Apóstolo que diz: “Todos nós compareceremos à barra do tribunal de Deus” (Rm 14,10), para receber “a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal” (2Cor 5,10). Pois, é enquanto vivia em seu corpo que cada um mereceu o benefício eventual das orações feitas em seu sufrágio. Portanto, não são todos os que podem se aproveitar. E por que o proveito não será o mesmo para todos, senão devido à vida diferente que tiverem aqui na terra? Então, quando o sacrifício do altar ou o da esmola são oferecidos na intercessão de todos os defuntos batizados, serão ação de graças para aqueles que foram muito bons (valde boni). Para aqueles que não foram de todo maus (non valde mali) serão meios de propiciação. E para aqueles que foram muito maus (pro valde maios), os sufrágios em sua intenção servirão apenas para consolar em alguma coisa os vivos, já que não lhes servem de ajuda. O que os sufrágios asseguram é ou bem a completa remissão (plena remissio), ou pelo menos, uma forma mais tolerável de expiação (tolerabilior fiat ipsa damnatio). A TRISTEZA PELA MORTE DOS ENTES QUERIDOS Sermão 172 O Apóstolo admoesta-nos a não nos entristecermos pelos que dormem, isto é, por nossos queridos defuntos, como aqueles que não têm esperança da ressurreição e da incorruptibilidade eterna. Por isso, a Escritura chama-os “aqueles que adormeceram”, para que, sabendo que dormem, não nos desesperemos, na certeza de que vão despertar. Por isso, cantamos no salmo: “Porventura o que dorme não será capaz de se levantar?” Sentimos pelos mortos uma tristeza de certa forma natural. Na verdade, não a fé, mas a natureza sente horror à morte. E não existiria morte para o homem, se não houvesse culpa e castigo. Os próprios animais, que foram criados para morrer, fogem da morte e amam a vida. Quanto mais o homem que foi criado para viver sem fim, se tivesse permanecido sem pecado! É inevitável que fiquemos tristes quando, ao morrer, deixam-nos os que amamos. Embora saibamos que não nos deixam para sempre, mas por um tempo nos precedem e depois iremos nós; quando a morte chega para pessoa amada, o sentimento do nosso amor se perturba. Por essa razão, o Apóstolo nos admoesta a não nos entristecermos, mas que não façamos como aqueles que não têm esperança. Entristecemo-nos, portanto, na morte dos nossos, não pelo fato de perdê-los, mas com a esperança de recuperá-los. Naquilo nos angustiamos; nisto nos consolamos. Ali a fraqueza sente; aqui a fé consola. Ali se entristece a condição humana; aqui cura a promessa divina. Por isso, a pompa dos funerais, o acompanhamento do cortejo, a suntuosa celebração do enterro, a opulência da sepultura são consolação dos vivos, não alívio dos mortos. Não há dúvida, porém, de que as orações da santa Igreja, o saudável sacrificio e as esmolas distribuídas em benefício por suas almas, ajudam os mortos, para que o Senhor tenha misericórdia com seus pecados. A Igreja universal mantém a tradição dos Padres: que se reze por aqueles que morreram na comunhão do corpo e do sangue de Cristo, quando são lembrados oportunamente na celebração da Eucaristia, e se declara que o sacrificio é oferecido também por eles. Quando, em sua memória praticam-se as obras de misericórdia, quem duvidará que as orações dirigidas a Deus aproveitam aos defuntos; mas somente àqueles que viveram de tal forma que lhes possam ser úteis após a morte. Os corações piedosos podem, portanto, entristecer-se com uma dor salutar pela morte de seus entes queridos e, por sua condição mortal podem derramar lágrimas que serão consoladas e diminuídas pela fé, pela qual cremos que os fiéis, quando morrem, caminham à nossa frente e passam para uma vida melhor. Sejam também consolados pelas atenções fraternas que lhes são apresentadas, seja nos funerais, de acordo com as possibilidades do enterro e da construção do sepulcro, já que na Escritura tudo isto conta entre as boas obras. Foram grandemente elogiados os que as praticavam não somente em benefício dos corpos dos Patriarcas e dos outros santos e dos restos mortais de todos aqueles que tombaram, mas também, ó Cristo, em favor de teu próprio corpo. Que se cumpram essas obrigações dos últimos deveres para com os nossos, sentimentos para a humana dor. Aos que amamos não só carnal, mas também espiritualmente, aos que estão mortos segundo a carne, não quanto ao espírito, ofereçamos, de modo muito mais solícito, mais insistente, mais abundante, aqueles bens que, de fato, têm préstimo para os espíritos dos finados: as oblações, as preces e os donativos. (Sermo 172,1-3) — transcrito da Liturgia Agostiniana das Horas, p. 234).

 
 
 

O CULTO DOS SANTOS

A Igreja sempre venerou aqueles homens e mulheres (os santos) que, de modo eminente, viveram as virtudes cristãs. A rigor, o culto que a Igreja presta aos santos é dirigido ao próprio Deus, porque neles se manifesta Sua obra, o culto aos santos não é porém, exclusivamente relativo, como poderia ser, por exemplo, o culto da Cruz, porque o objeto é uma verdadeira pessoa: de fato, o santo – diga-se isto muito especialmente de Maria – não é um instrumento meramente passsivo da graça, mas uma pessoa livre e consciente, que coopera com a graça; por isso, já desde a antiguidade, são os santos invocados como nossos intercessores diante de Deus e a Igreja oficialmente sempre os propôs, solenemente, como exemplo e modelo seguro de vida cristã. Entre todos os santos ocupa lugar privilegiado a Virgem Maria: Mãe de Deus, cooperadora na Obra da redenção e modelo da Igreja”. Mas são também dignos de veneração todos os outros santos: intercessores e modelos a imitar. Além disso, não só a pessoa dos santos, mas também suas reliquias, inclusive as imagens, pintadas ou esculpidas, foram e são sempre objeto de veneração [culto de dulia, para os santos; de hiperdulia, para Maria Santíssima) da parte dos cristãos: também nisto, como em outros casos, o senso da Fé precedeu as definições dogmáticas. Os extremismos e exageros, porém, numa e noutra direção foram causa de crises que, indiscutivelmente, deram ocasião de a Igreja precisar com mais nitidez o fundamento teológico que justifica esta forma de piedade cristã. Historicamente, foram principalmente dois os momentos em que a Igreja teve de enfrentar tais crises: nos começos da Idade Média, quando irrompeu a fúria dos iconoclastas, que provocou luta áspera, a ponto de produzir mártires. Apesar disso, porém, o problema teológico era superficial, porque centrado não no culto dos santos, mas na sua representação em imagens (pintadas ou esculpidas); bem mais grave, porém, foi a negação protestante do séc. XVI: menos sangrenta, mas muito mais radical. “Não se pode negar que as almas dos defuntos sejam aliviadas pela piedade de seus parentes vivos, quando por elas é oferecido o sacrifício do Mediador ou quando são distribuídas esmolas na Igreja”. (Santo Agostinho, o cuidado devido aos mortos) Santo Agostinho deixa bem claro na citação seguinte, o que à Igreja adotou como doutrina do purgatório, nessa doutrina da Igreja às orações aos nossos falecidos tem um efeito de alívio, essa é uma doutrina antiguussíma, o leitor pode não encontrar o termo purgatório, mas encontrará à prática. “Entretanto, essas obras aproveitam somente aqueles que em vida mereceram que esses sufrágios lhes fossem úteis após a morte”. (santo Agostinho, cuidado devido aos mortos). “Com efeito, existe certo modo de viver não tão bom (nec tam bónus), para esses sufrágios póstumos deixarem de ser úteis. E existe outro modo de viver não tão mau (nem tam malus), para que os defuntos não possam se beneficiar deles. Por outro lado, existem aqueles que viveram tão bem (talis in bene), que podem passar sem os sufrágios; e outros que viveram tão mal (talis in male), que não conseguem beneficiar-se deles, após a morte. Portanto, é sempre aqui na terra que os méritos são adquiridos e que asseguram a cada um, depois desta vida, o alívio ou o infortúnio. Ninguém espere obter de Deus, após a própria morte, o que negligenciou durante a vida”. Assim sendo, as práticas observadas pela Igreja em vista de encomendar a Deus as almas dos defuntos não são contrárias à doutrina do Apóstolo que diz: “Todos nós compareceremos à barra do tribunal de Deus” (Rm 14,10), para receber “a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal” (2Cor 5,10). “Pois, é enquanto vivia em seu corpo que cada um mereceu o benefício eventual das orações feitas em seu sufrágio. Portanto, não são todos os que podem se aproveitar. E por que o proveito não será o mesmo para todos, senão devido à vida diferente que tiverem aqui na terra? Então, quando o sacrifício do altar ou o da esmola são oferecidos na intercessão de todos os defuntos batizados, serão ação de graças para aqueles que foram muito bons (valde boni). Para aqueles que não foram de todo maus (non valde mali) serão meios de propiciação. E para aqueles que foram muito maus (pro valde maios), os sufrágios em sua intenção servirão apenas para consolar em alguma coisa os vivos, já que não lhes servem de ajuda. O que os sufrágios asseguram é ou bem a com pleta remissão (plena remissio), ou pelo menos, uma forma mais tolerável de expiação (tolerabilior fiat ipsa damnatio).” Exemplos de aparições – da imagem não da pessoa real Verifica-se na obra de Santo Agostinho, à questão sobre visões de pessoas falecidas. “Tal é a fraqueza humana que, se um morto é visto durante o sono, crê-se ter visto sua alma. Mas se acaso sonha-se com pessoa viva, fica-se certo de que não foi visto seu corpo nem sua alma, mas sim sua imagem. Como se os mortos não pudessem aparecer do mesmo modo que os vivos, sob a forma de imagens semelhantes”. Ele nos traz um fato. “Ouvi a seguinte narração em Milão. Um credor reclamava o pagamento de uma dívida, e exibia uma cautela assinada por senhor recém-falecido ao filho, que ignorava ter o pai já reembolsado o empréstimo. O jovem, muito aborrecido, estranhava seu pai não ter comunicado nada acerca dessa dívida, apesar de o testamento ter sido redigido. Em sua extrema ansiedade, eis que vê seu pai aparecer-lhe em sonho e indicar o lugar em que se encontrava o recibo que anulava a cautela. Tendo-o encontrado, mostra-o ao credor e não somente anula a reclamação mentirosa, como recupera o documento assinado, que não fora devolvido no momento do pagamento da dívida, por seu pai. Eis, pois, um fato em que se supõe a alma do defunto ter de tal modo se preocupado com o filho, que vem a seu encontro, enquanto dormia, para lhe comunicar o que este ignorava e livrá-lo de séria preocupação.” Aproximadamente, na mesma época em que sucedeu esse fato, e quando santo agora morava ainda em Milão, “sucedeu a Eulogio, professor eloquente em Cartago, meu discípulo nessa arte, como ele me recordou, o seguinte acontecimento, tal como ele mesmo me narrou, quando de meu retorno à África. Seu curso se desenvolvia sobre as obras retóricas de Cícero. Ao preparar sua lição para o dia seguinte deteve-se sobre passagem obscura que não conseguia entender. Preocupado, não conseguia dormir. Ora, eis que eu lhe apareço durante o sono e explico-lhe as frases que não chegava a compreender. Certamente, não era eu, mas sem eu o saber, a minha imagem. Encontrava-me eu, então, bem longe, do outro lado do mar, ocupado em outro trabalho ou talvez passando por outro sono e não sentindo nenhuma preocupação com as dificuldades dele. Como se produziram esses dois fenômenos? Ignoro. Mas de qualquer maneira que tenham acontecido, por qual razão não havemos de crer que os mortos nos aparecem nos sonhos, sob a forma de imagem, tal como os vivos? Uns e outros ignoram completamente serem objeto de aparições, e não têm nenhuma preocupação de saber a quem, onde e quando se deram elas.”

 
 
 

Se Santa Catarina de Sena conseguiu, com a graça de Deus, parar de cometer este pecado, também nós somos capazes de combatê-lo.

Santa Catarina foi certa vez confrontada por Deus a respeito de um “pecado oculto” que ela tinha, o de julgar as pessoas. Ela costumava pensar que tinha um dom para ler a natureza humana e notar as falhas alheias, especialmente as dos sacerdotes. Mas, um dia, Deus lhe mostrou que as intuições que ela estava a receber sobre as fraquezas dos outros não vinham de Deus, mas do diabo.

O diabo nos permite ver as faltas uns dos outros a fim de que, ao invés de ajudar, nós comecemos a julgar as almas alheias e condená-las. Santa Catarina admitiu isso ao Senhor, dizendo-lhe:

“Vós me destes remédio contra uma doença escondida que eu não havia reconhecido, ensinando-me que não posso jamais sair em julgamento de qualquer pessoa. Pois eu, cega e debilitada como me encontrava por essa doença, frequentemente julgava os outros sob o pretexto de estar trabalhando para vossa glória e a salvação alheia.”

É por isso que Santa Catarina aprendeu que, quando notamos as faltas de uma pessoa, devemos dizer a nós mesmos:

Quando notamos as faltas de uma pessoa, devemos dizer a nós mesmos: “Hoje é a vez dela, amanhã será a minha, a menos que me sustente a graça divina.” Santa Catarina de Sena

O hábito de julgar os outros, no entanto, pode ser um sinal de que não conhecemos realmente a nós mesmos ou ao Deus que nos ama. Como ensinou São Bernardo de Claraval:

Se tens olhos para as deficiências de teu próximo e não para as tuas próprias, nenhum sentimento de misericórdia surgirá dentro de ti, mas antes indignação. Estarás mais pronto a julgar do que a ajudar, mais pronto a esmagar com espírito de raiva do que a instruir com espírito de ternura.

O mesmo doutor da Igreja explica ainda como só um homem realmente humilde pode ter compaixão pelas fraquezas de seus irmãos:

A pessoa sadia não sente as dores de quem está doente, tampouco o bem alimentado a angústia de quem está faminto. São os companheiros no sofrimento que prontamente sentem compaixão pelos doentes e pelos famintos. Tu nunca terás misericórdia de verdade pelos defeitos do outro, até que descubras e percebas que tens os mesmos defeitos em tua alma.

Via: Equipe Christo Nihil Praeponere


 
 
 
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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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