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“Não há praticamente nenhum crime que mais ofenda a Deus do que o da comunhão sacrílega. Os Santos Padres o demonstram com palavras e exemplos assombrosos. Aquele que comunga em pecado mortal comete um delito maior que o de Herodes, diz Santo Agostinho; mais horrendo que o de Judas, diz São João Crisóstomo; mais terrível do que o que cometeram os judeus, crucificando o Salvador, dizem outros santos. E a tudo isso acrescenta São Paulo: será réu do Corpo e Sangue de Cristo; isto diz a Glosa: será castigado como se com suas mãos tivesse matado o Filho de Deus.

A comunhão sacrílega é um crime tão grande que Deus não espera para puni-lo no inferno. Ele já começa neste mundo a indignar-se com tamanho crime, permitindo a doença e a morte; de modo que, desde o tempo dos Apóstolos, segundo São Paulo, muitos, por suas comunhões sacrílegas, padeciam gravíssimos males corporais, e outros morriam.

São Cipriano refere que alguns de seu tempo que recebiam a sagrada Comunhão indignamente eram acometidos de dores intoleráveis nas entranhas, até morrem arrebentados. São João Crisóstomo conhecia muitos possuídos por demônios por causa deste crime. O Papa São Gregório assegura que, em Roma, houve grandes estragos devido à peste que apareceu poque se continuaram naquela cidade as diversões imorais e os espetáculos de impurezas após a Comunhão Pascal. E o mesmo refere a respeito de seu tempo Santo Anselmo, por haverem cumprido mal este preceito. Lemos na vida de São Bernardo que um monge se atreveu a comungar em pecado mortal; mas – coisa terrível – assim que o santo lhe deu a Sagrada Hóstia rebentou como Judas e como ele se condenou eternamente.

Segundo o célebre P. Arbiol, havia em certo lugar uma senhora que por ocasião de uma festa muito solene foi se confessar, e o confessor, encontrando-a em uma ocasião próxima de pecar, lhe disse que não podia absolvê-la se ela não se afastasse primeiro da ocasião e que naquele dia ela não podia receber a sagrada Comunhão; mas ela quis recebê-la sem se importar com o que lhe disse o confessor, e, no momento em que teve a sagrada Hóstia na garganta, afogou-se, caindo morta na própria igreja, na presença de muitas pessoas.


Eu poderia citar um grande número de casos desta natureza, não apenas antigos, mas também modernos, embora atualmente não aconteçam tantos, porque, creio eu, os bons, por temor, se abstém de frequentar os Santos Sacramentos; e Jesus, pelo amor que nos tem e para nosso bem, prefere deixar impunes visivelmente os sacrilégios, para que os bons o recebam com frequência, visto que estes não o recebem temerosos dos castigos dos profanadores. Mas se a estes últimos não os castiga visivelmente, o faz invisivelmente com a cegueira do entendimento, a dureza de coração e com seu abandono neste mundo, e depois, no outro, com as penas eternas do inferno.

Encomenda-te a Maria Santíssima, para que te alcance os auxílios de que necessitas para poder receber com frequência e dignamente os Santos Sacramentos.

E para que conheças melhor o quanto convém receber com boa disposição os Santos Sacramentos e os diferentes efeitos que causam, por conclusão te referirei outro caso que se lê na vida dos Santos Padres:

Havia um Bispo muito virtuoso que, tendo sido avisado que duas pessoas viviam ilicitamente, suplicou ao Senhor que se dignasse lhe manifestar o estado de consciência de seus súditos. Deus ouviu suas súplicas e um dia, depois de ter distribuído a sagrada Comunhão a um grande número de pessoas, viu que uns tinham o rosto negro como o carvão, a outros lhes brilhavam os olhos, e outros estavam muito elegantes e vestidos de branco. Repetiu a súplica o bom Prelado, para que Deus lhe manifestasse aquele mistério. No mesmo instante apareceu um anjo e lhe disse:

“Saiba que estes que têm o rosto negro são os impuros e desonestos; esses outros aos quais brilham os olhos são os avaros, usurários e vingativos; e os que vê tão elegantes e vestidos de branco são os que se acham em graça e adornados de virtudes”.

Vieram também comungar as pessoas acusadas de trato ilícito, e as viu igualmente resplandecentes e elegantes, o que fez o Bispo pensar que havia sido enganado, mas o anjo lhe disse que era verdade quanto lhe haviam dito, mas tendo elas se afastado da ocasião [de pecar] e feito uma boa confissão, os seus pecados haviam sido perdoados, e com isto estavam bem dispostas para receber a sagrada Comunhão, a qual lhes havia causado estes admiráveis efeitos.


Portanto, amável irmão em Jesus Cristo, pelo grande amor que te professo, te suplico e peço que nunca vá receber a sagrada Comunhão em pecado mortal; mas não te assustes se te encontras em tão desgraçado estado: confessa-te logo, e verdadeiramente arrependido; pratique muitos e fervorosos atos de humildade, confiança e amor; e comungando com esta disposição estarás cheio dos grandes e celestiais frutos que causa a sagrada Eucaristia a quem a recebe dignamente.

Quero aqui dizer-te os principais, para que tu queiras recebê-la mais e mais:

1.º Aumenta a graça. 2.º Da luz à alma a fim de conhecer o bem para segui-lo e o mal para evitá-lo. 3.º Aviva a fé e a esperança. 4.º Inflama a caridade. 5.º Modera a ira e demais paixões, preservando-nos de pecar. 6.º Nos une a Jesus Cristo. 7.º Nos dá uma suavidade espiritual, pela qual se faz com gosto todas as obras de virtude. 8.º Afugenta os demônios, para que não nos tentem tantas vezes. 9.º Acalma o remorso da consciência. 10.º Nos faz ter grande confiança em Deus na hora da morte. 11.º Alimenta a alma dando-lhe vigor, assim como o pão material o dá ao corpo. 12.º Por último, nos dá especiais auxílios para perseverar no bem e chegar à eterna glória da qual é penhor certo, o que eu te desejo de todo coração, como para mim mesmo”.

Em que consiste a Comunhão Sacrilega❓

Qui manducat et bibit indigne, iudicium sibi manducat et bibit, non diiudicans corpus Domini – “O que come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não fazendo discernimento do corpo do Senhor” (1Cor 11, 29)

Antes de te aproximares da Mesa eucarística, examina sempre a tua consciência, e se por desgraça tiveres remorso de alguma falta grave, purifica a tua alma pela confissão sacramental. Quanto às culpas veniais, esforça-te por tirá-las de tua alma, ao menos as que forem deliberadas, e afasta de ti tudo o que não seja Deus. Ai daquele que comunga indignamente! Torna-se réu do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, e portanto come-O e bebe-O para a sua própria condenação.

I. Consideremos o enorme pecado que comete aquele que se atreve a chegar-se à sagrada mesa com pecado mortal na alma. Este pecado é tão enorme, que São João Crisóstomo, comparando-lhe todos os demais, não acha outro igual, e diz que quem o comete, especialmente sendo sacerdote, é muito pior do que o próprio demônio: Multo daemonio peior est qui, peccati conscius, accedit ad altare. São Pedro Damião explica a razão dizendo: “Se com os outros pecados ofendemos a Deus em suas criaturas, com este ofendemo-Lo em sua própria pessoa.”

Não há praticamente nenhum crime que mais ofende a Deus que a comunhão sacrílega. Os Santos Padres o demonstram em palavras e exemplos extraordinários. O comungante em pecado mortal comete um crime maior que Herodes, diz Santo Agostinho, mais assustador do que Judas, diz São João Crisóstomo, mais terrível do que o cometido pelos judeus, crucificando o Salvador, dizem outros santos. E a tudo isso, acrescenta São Paulo, será réu do Corpo e Sangue de Cristo, que diz a Glosa: a ser punido como se, com as suas mãos, tivesse morto o Filho de Deus.

A comunhão sacrílega é um crime tão grande que Deus não espera para o punir no inferno. Ele já começa neste mundo a indignar-se com tamanho crime, permitindo a doença e a morte.

No tempo dos Apóstolos, segundo São Paulo, muitos dos males de alguns derivaram de comunhões sacrílegas, sofrendo ferimentos muito graves e outros morreram.

São Cipriano refere que alguns de seu tempo, não sendo dignos de receber a Sagrada Comunhão, depararam-se com uma dor intolerável nas entranhas e às portas da morte. São João Crisóstomo conhecia muitos possuídos por demónios por causa deste crime. O Papa São Gregório assegura que, em Roma, houve grandes estragos devido à peste que apareceu, por se terem continuado as diversões imorais e os espetáculos de impurezas após a Comunhão pascal.


Lemos na vida de um monge de São Bernardo se atreveu a comungar em pecado mortal. Algo terrível! Logo que o Santo lhe deu a Sagrada Hóstia, rebentou como Judas e como ele foi condenado eternamente.

I. Consideremos o enorme pecado que comete aquele que se atreve a chegar-se à sagrada mesa com pecado mortal na alma. Este pecado é tão enorme, que São João Crisóstomo, comparando-lhe todos os demais, não acha outro igual, e diz que quem o comete, especialmente sendo sacerdote, é muito pior do que o próprio demônio: Multo daemonio peior est qui, peccati conscius, accedit ad altare. São Pedro Damião explica a razão dizendo: “Se com os outros pecados ofendemos a Deus em suas criaturas, com este ofendemo-Lo em sua própria pessoa.”

Que dirias do perverso que tirando a sacrossanta Hóstia da Âmbula sagrada, a atirasse a um vil monturo? Pior do que isso, diz São Vicente Ferrer, faz aquele que tem a ousadia de comungar sacrilegamente; porque, de certo modo, atenta contra o corpo de Jesus Cristo, obriga esta vítima inocente a morar em seu coração cheio de corrupção, entrega o Cordeiro imaculado nas mãos dos demônios que o insultam da mais horrenda maneira.

Pelo que Santo Agostinho compara os sacrílegos aos pérfidos Judeus, que crucificaram o nosso Redentor. Com esta diferença, porém: que os Judeus crucificaram ao Senhor da glória enquanto era terrestre e mortal, e os sacrílegos crucificam-No agora que reina no céu; aqueles só uma vez se atreveram a crucificá-Lo, estes renovam o deicídio freqüentes vezes; aqueles se tinham declarado inimigos figadais de Cristo, estes traem-No ao mesmo tempo que, pelo menos exteriormente, O reconhecem por seu Deus, simulando reverência e devoção, e imitando a Judas, abusam do sinal de paz: Osculo Filium hominis tradis (1) — “Com um beijo entregas o Filho do homem”.

É disso que Jesus se queixa sobretudo, pela boca de Davi: Si inimicus meus maledixisset mihi, sustimissem utique (2). Se um inimigo, parece dizer Jesus Cristo, me tivesse ultrajado, eu o suportaria com menos pena; mas tu, meu íntimo, meu ministro e príncipe entre o povo; tu, a quem dei tantas vezes a minha carne para sustento: tu me vendes ao demônio por um capricho, por uma vil satisfação, por um punhado de terra?

II. Mas ai do sacrílego! Ai de quem tem a ousadia de tornar-se réu do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, chegando-se indignamente à Mesa sagrada! Falando o Senhor com Santa Brígida a respeito daqueles infelizes, repetiu-lhe as palavras proferidas com relação ao pérfido Judas: Bonum erat ei, si natus non fuisset homo ille (3) — Seria melhor para eles se nunca houvessem nascido. Sim, porque, como diz São Paulo: “Quem come este pão e bebe este cálice do Senhor indignamente, come-O e bebe-O para sua própria condenação: iudicium sibi manducat et bibit.”

Segundo um padre, havia uma senhora que, num evento solene foi à confissão e o confessor, a encontrando numa ocasião próxima de pecado, ele disse que não poderia absolver a menos que primeiro se afastasse da ocasião, e disse-lhe ainda que naquele dia não podia receber a Sagrada Comunhão. Mas ela quis receber o Corpo de Jesus, independentemente do que o confessor lhe tinha dito, e imediatamente tomou a Hóstia Sagrada na garganta, engasgada, caindo morta na mesma igreja, na presença de muitas pessoas. Um grande número de casos desta natureza poderia referir-se não só antigo mas igualmente à idade moderna, mas isso não acontece muito, porque, creio eu, que os bons, com santo temor, se retraem de frequentar os Santos Sacramentos e Jesus, pelo amor que nos tem para o nosso bem, obviamente prefere deixar impune o sacrilégio e receber os bons muitas vezes, estes que não se atrevem a tomá-lo, assustados com a punição dos pecadores.

Mas se a estes últimos pecadores não os pune de forma visível, já o está a fazer invisivelmente: com a cegueira de entendimento, dureza de coração, do seu abandono neste mundo, e em seguida, no outro, com o castigo eterno do Inferno. Encomendemo-nos à Santíssima Virgem Maria, para que alcancemos a ajuda que precisamos para receber com frequência e dignamente os Sacramentos.

E para que conheçamos o quanto convém receber dignamente os Sacramentos e os diferentes efeitos causados por eles.

Um outro caso que li na vida dos Santos Padres:

Houve um Bispo muito virtuoso, que, tendo sido avisado duas pessoas que viviam de maneira ilegal aos olhos de Deus, suplicou ao Senhor que se dignasse a manifestar o pecado na consciência de cada um deles. Deus ouviu suas preces, e um dia depois de ter distribuído a Sagrada Comunhão a uma grande multidão, viu que cada um tinha seu rosto negro como o carvão, outros olhos brilhantes, e outros muito elegantes, vestidos de branco. O bom bispo repetiu a súplica, para que Deus lhe manifestasse aquele mistério. Naquele instante, apareceu um anjo, e disse: “Fica sabendo que os que têm a cara preta são impuros e desonestos, os olhos brilham outros são avarentos, usurários e vingativos, e aqueles que parecem tão bonitos, vestidos brancos são aqueles que estão adornados de graça e de virtudes.” Aproximaram- se então as duas pessoas acusadas de viverem em pecado e o Bispo também as viu bonitas e resplandecentes. O santo bispo pensou que fora enganado, mas o Anjo disse-lhe que de facto era verdade o que se dizia deles, mas tendo-se afastado do pecado e fazendo uma boa confissão, eles foram perdoados de todos os seus pecados.

Portanto irmão, amado em Jesus Cristo, eu imploro e peço para não receberes a Sagrada Comunhão em pecado mortal, mas não te preocupes se te encontras nesse tão miserável estado.

Confessa-te logo que possas, exercita e pratica fervorosamente muitos atos de humildade, confiança e de amor a Deus e, com esta disposição, colherás grandes frutos celestiais que nos são dados na Sagrada Eucaristia, para aqueles que A recebem dignamente.

Meu irmão, a fim de que não te suceda tamanha desgraça, segue o aviso do mesmo Apóstolo: Probet autem seipsum homo (4) — “Examine-se, pois, a si mesmo o homem”. Examina a tua conduta, e se a consciência te acusar de alguma grave culpa, purifica-a por meio de uma boa Confissão sacramental, antes de tomar o alimento da vida eterna. — Quanto às culpas veniais, deves tirar da alma ao menos as cometidas deliberadamente e expulsar do coração tudo que não é Deus. É o que, na interpretação de São Bernardo, significam as palavras que Jesus Cristo disse aos apóstolos, antes de lhes dar a comunhão na última ceia: Qui lotus est non indiget nisi ut pedes lavet (5) — “Aquele que está lavado, não tem necessidade de lavar senão os pés”.

Meu dulcíssimo Jesus, oh! Pudesse eu lavar com minhas lágrimas, e até com meu sangue, as almas infelizes em que o vosso amor é tão ultrajado no santíssimo Sacramento! Oh, pudesse fazer com que todos os homens se abrasem em vosso amor! Mas, se isto não me é concedido, desejo ao menos, Senhor, e proponho visitar-Vos muitas vezes e receber-Vos em meu coração, para Vos adorar, como de presente o faço, em reparação dos desprezos que recebeis dos homens neste diviníssimo mistério. Ó Pai Eterno, acolhei esta fraca homenagem que hoje Vos rende o mais miserável dos homens, em reparação das injúrias feitas a vosso divino Filho sacramentado; acolhei-a unida com a honra infinita que Jesus Cristo Vos deu sobre a Cruz e Vos dá ainda todos os dias no santíssimo Sacramento. E vós, minha Mãe Maria, obtende-me a santa perseverança.

Referências: (1) Lc 22, 48 (2) Sl 54, 13 (3) Mt 26, 24 (4) 1Cor 11, 28 (5) Jo 13, 10


O Que É Pecado Mortal?

A maioria dos pecados que cometemos diariamente são pecados veniais. Geralmente não são graves delitos, e às vezes não sabemos que estamos realmente pecando.

Esses pecados veniais ainda machucam sua relação com Cristo e enfraquecem sua alma, mas isso não o remove completamente da graça de Deus.

Um pecado mortal, por outro lado, é grave (tipicamente um dos pecados cobertos pelos dez mandamentos), é cometido com seu pleno conhecimento, e com seu consentimento deliberado.

Essas três condições devem ser cumpridas para que um pecado seja considerado mortal. O pecado mortal é considerado tão grave porque você deliberadamente escolheu se afastar da graça de Deus. Você escolheu que prefere viver em pecado, e, finalmente, ser condenado ao inferno. Você rejeitou o amor de Deus.

Aqui está o que o Catecismo da Igreja Católica diz sobre as consequências do pecado mortal (CCC 1861).

O pecado mortal é uma possibilidade radical de liberdade humana, assim como o próprio amor. Resulta na perda da caridade e na privação da graça santificante, ou seja, do estado de graça. Se não é redimido pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, causa a exclusão do reino de Cristo e da morte eterna do inferno, pois nossa liberdade tem o poder de fazer escolhas para sempre, sem voltar atrás.
 
 
 

O sacramento da Confissão está cada vez mais esquecido entre a geração dos “Católicos de IBGE”, são poucos o que seguem a orientação da Igreja para se confessar com frequência, ou seja, aproximadamente uma vez por mês.

Ainda assim, entre esses poucos que recorrem a este sacramento, há muitos que não o fazem da forma correta, e por isso podem sair do confessionário sem o perdão dos pecados.

São 5 passos para uma boa confissão:

1 – Exame de Consciência 2 – Arrependimento sincero dos pecados cometidos 3 – Propósito de nunca mais pecar 4 – Confissão individual com o sacerdote 5- Satisfação

O segundo passo é imprescindível e sem ele o sacramento da confissão se torna inválido. A pessoa que se aproxima da confissão sem se preparar adequadamente, e sem o arrependimento sincero dos pecados pode até estar cometendo um sacrilégio! É exatamente sobre isso que falaremos nesta formação… sobre importância do arrependimento e contrição sincera!

Texto por Ester Alves

Sem arrependimento e sem se corrigir, o pecador não se salvará. É muito perigoso ofender o Criador e dizer-lhe com desdém: “Sinto muito”… sendo que não sente nada. Deus não é brinquedo de pessoas arrogantes: “Não vos iludais; de Deus não se zomba” (Gl 6, 7).

O que é que se entende por arrependimento? Arrependimento ou contrição “é um pesar de coração e detestação do pecado cometido, com o propósito de nunca mais cometê-lo” (Concílio de Trento).

Sem arrependimento não há perdão nem mesmo na confissão. Deus não perdoa nenhum pecado, mortal ou venial, se não estamos arrependidos: “A dor dos pecados consiste num desgosto e numa detestação sincera da ofensa feita a Deus” (São Pio X, Catecismo Maior, 705).

A verdadeira contrição deve ser interna, isto é, uma dor da alma, desgosto, pena, tristeza e detestação do pecado. Uma ação exterior, como bater no peito, sem a dor interna, não é ainda arrependimento.

Só a recitação vocal costumeira do ato de contrição ainda não é verdadeira contrição. Ao menos a vontade deve ter um ódio contra o pecado, e um desejo de não o ter feito: “Se Deus é o sumo bem, entre todas as coisas dignas de serem amadas, o pecado é o sumo mal entre todas as coisas que o homem deve odiar. Portanto, pela mesma razão que nos leva a reconhecer, em Deus, o objeto de sumo amor, devemos também tomar-nos de sumo ódio contra o pecado” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 27).

O verdadeiro arrependimento deve se referir a Deus. É por isso que se chama sobrenatural. Nosso Senhor perdoa toda ofensa, por odiosa que seja, se o pecador tem verdadeira contrição: “Não há, pois, delito tão grave e abominável, que não seja apagado pelo Sacramento da Penitência, por sinal que não só uma, mas até duas e mais vezes” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 18).

Quem se arrepende dos pecados só por causa das suas consequências materiais desagradáveis ou desastrosas: doenças, perda de dinheiro, tempo, desgosto que deu aos pais, esposa, esposo… este não tem um verdadeiro arrependimento, mas é apenas uma contrição puramente natural. Este arrependimento não obtém o perdão dos pecados e não tem nenhum merecimento para a outra vida.

A verdadeira contrição é um sério desgosto e uma aversão completa ao pecado, que ofende e porque ofende a Deus. Depende mais da vontade do que de sentimentos sensíveis da alma: “Se o que outrora vos causava prazer e alegria enche agora a vossa alma de amargura, se os gozos de outros tempos vos fazem agora sofrer cruelmente, então tereis um verdadeiro arrependimento” (Santo Agostinho). Leia também “Quem comunga em pecado mortal, comunga sua própria condenação!”

E este arrependimento interno, sobrenatural, deve estender-se a todos os pecados mortais, deve ser universal, não pode excluir um só pecado mortal. Aquele que continua preso a um só pecado grave, esse não tem verdadeira contrição: “De que serve romper todos os laços, se ainda há um que vos prende ao inferno?” (Santo Agostinho).

Todo e qualquer pecado mortal ofende a Deus gravemente e nos faz perder a sua amizade, a graça santificante… e merece o castigo da pena eterna do inferno. Por isso é preciso arrepender-se de todos; e se um pecador excluiu um só não obtém perdão de nenhum pecado: “O primeiro requisito é aborrecer e detestar todos os pecados cometidos. Se nos arrependêssemos só de alguns, nossa penitência seria falsa e simulada, e não teria efeito salutar” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 31).

O Espírito Santo não pode entrar numa alma onde ainda subsiste aliança e amizade com o demônio, ainda que seja com um só pecado grave. Todo o pecado grave é ofensa grave, é separação de Deus… é inimizade com Deus.

Também convém ter arrependimento dos pecados veniais. São também ofensas feitas a Deus, embora menos graves, de modo que não nos privam inteiramente da amizade de Deus e não nos roubam a graça santificante.

Se alguém na confissão confessar só pecados veniais deve arrepender-se ao menos de um deles; do contrário, a confissão não é válida e não recebe perdão.

Este arrependimento interno, sobrenatural dos pecados graves também deve ser sobre todas as coisas, isto é, devemos confessar o pecado grave como o maior de todos os males, a ponto de preferirmos qualquer doença e mesmo a morte a pecar gravemente.

Há uma contrição perfeita e uma imperfeita. A contrição por si tende à reconciliação do pecador com seu Deus.

A contrição perfeita é aquela que consegue, por si só, sem o sacramento da confissão, a reconciliação plena e perfeita com Deus.

Aquele arrependimento ou contrição, que não consegue por si só pleno perdão e a perfeita reconciliação com Deus, chama-se contrição imperfeita.

Portanto, a diferença está nos efeitos. Uma, a perfeita, consegue, por si só, a perfeita reconciliação com Deus: a outra, imperfeita, não consegue o pleno perdão, mas tão somente mediante a confissão. É preciso, porém, lembrar que também a contrição perfeita deve estar unida com o sincero desejo e vontade de se confessar quando puder. Leia também DEVEMOS NOS CONFESSAR COM QUÊ FREQUÊNCIA?

O que decide se um arrependimento é perfeito ou imperfeito é o seu motivo. O arrependimento que se origina, que vem do perfeito amor de Deus, que é infinitamente bom, santo e amável, chama-se contrição perfeita. O que tem contrição perfeita alcança imediatamente o perdão pleno, a reconciliação perfeita com Deus, mas fica a obrigação de confessar os pecados a um sacerdote. A diferença dos motivos de contrição aparece claramente no seguinte exemplo: um pai enviou dois filhos à cidade para fazerem algumas compras. No caminho ficaram a brincar e correram atrás dos passarinhos, chegando com muito atraso para casa. Aproximando-se da casa ficaram receosos e começaram a chorar. O primeiro chora, porque tem medo de que o pai vá castigá-lo. O segundo chora, porque tem pena e dor de ter desgostado e amargurado o pai, que sempre fora tão bom para com ele. Este segundo representa a contrição perfeita, porque o seu motivo é o amor; o primeiro representa a contrição imperfeita, porque tem como motivo o medo, arrepende-se por causa do castigo.

“Temos contrição perfeita quando nos arrependemos dos nossos pecados por termos ofendido a bondade de Deus” (Santo Agostinho). A contrição perfeita é o grande e puro amor de Deus, um amor sobre todas as coisas.

Contrição imperfeita ou atrição é aquela que procede do temor de Deus, do medo do castigo: inferno, castigos temporais… É imperfeita porque nasce de motivos menos perfeitos, não provêm do amor de Deus, mas de um medo servil.

A contrição imperfeita não nos obtém a reconciliação perfeita com Deus, somente mediante a confissão. Aquele que tem somente contrição imperfeita só recebe o perdão dos pecados com a absolvição sacramental na confissão. Essa contrição imperfeita é como uma pequena faísca, que a confissão e a absolvição inflamam e aumentam num grande incêndio, para destruir a palha do pecado.

Devemos despertar em nós um verdadeiro arrependimento e dor dos pecados: pensando na grandeza de Deus, na sua bondade e nos sofrimentos da Paixão de Cristo.

Acostumemo-nos a fazer todas as noites o ato de contrição perfeita, para não sermos surpreendidos pela morte em estado de pecado mortal.

Antes da confissão, devemos assegurar-nos de que temos dor sincera dos nossos pecados. Podemos esquecer-nos involuntariamente de confessar um pecado… até mortal; e mesmo assim fazer uma boa confissão… receber o perdão dos pecados. Mas também podemos confessar minuciosamente todos os nossos pecados e, no entanto, sair do confessionário com eles ainda em nossa alma, se não temos uma contrição sincera. Que perigo!

A palavra “contrição” deriva do latim e significa “moer”, “pulverizar”. A ideia de reduzir o eu a pó é a que nos leva a apresentar-nos diante de Deus com profunda humildade. Leia também PECADO, CULPA, PENA, PERDÃO E INDULGÊNCIA

Uma pessoa não pode estar contrita de um pecado se continuar disposta a cometê-lo novamente, se tiver ocasião.

Para se aproximar do sacramento da confissão, ou a nossa contrição é cem por cento sincera ou é melhor não confessarmos. O confessionário não é circo! “Quando nos vamos confessar, devemos ter muito empenho em ter verdadeira dor dos nossos pecados, porque esta é a coisa mais importante de todas; e, se falta a dor, a confissão não é válida” (São Pio X, Catecismo Maior, 724).

Receber o sacramento da confissão sem dor verdadeira é fazer uma confissão indigna, e o sacramento seria inválido e infrutífero. Se não temos contrição autêntica, Deus não nos perdoará os pecados.

Contrição sincera? Deve ser interior! O nosso coração deve estar nas nossas palavras… não significa necessariamente que devamos sentir uma dor emocional. Como o amor, a dor é um ato da vontade, não um golpe de emoção: “Deve estar no coração e na vontade, e não só nas palavras” (São Pio X, Catecismo Maior, 713).

É possível ter uma profunda dor dos nossos pecados sem sentir reação emocional alguma. Se com toda a sinceridade nos determinamos a evitar tudo o que possa ofender a Deus, com a ajuda da sua graça, então temos contrição interior.

O arrependimento perfeito não consiste em bater no peito com uma pedra, em derramar copiosas lágrimas… nem em dizer poesias sentimentais: “Não é necessário que materialmente se chore pela dor dos pecados; mas basta que no íntimo do coração se deplore mais o ter ofendido a Deus do que qualquer outra destraça” (São Pio X, Catecismo Maior, 719). Leia também A Luta contra o Pecado

Contrição sobrenatural? A nossa dor é sobrenatural quando nasce de considerações sobrenaturais; quer dizer, quando o seu “porquê” se baseia na fé em algumas verdades que Deus ensinou: “Deve ser excitada em nós pela graça do Senhor, e que a devemos conceber levados por motivos que procedem da Fé” (São Pio X, Catecismo Maior, 715).

Contrição sincera? A dor deve ser suprema! Devemos encarar realmente o mal moral do pecado como o máximo mal que existe, maior que qualquer mal físico ou meramente natural que nos possa ocorrer. Quando dizemos a Deus que nos arrependemos dos nossos pecados, estamos dispostos, com a ajuda da sua graça, a sofrer qualquer coisa antes de ofendê-lo outra vez: “Deve ser suprema porque devemos considerar e odiar o pecado como o maior de todos os males, uma vez que é ofensa a Deus, o sumo Bem” (São Pio X, Catecismo Maior, 718).

Contrição sincera? A dor deve ser universal! Devemos arrepender-nos de todos os pecados mortais sem exceção. Ou nos arrependemos de todos ou não poderemos recuperar a graça de Deus. Ou todos são perdoados ou nenhum: “Deve se estender a todos os pecados mortais cometidos” (São Pio X, Catecismo Maior, 720).

As condições: interior, sobrenatural, suprema e universal, se aplicam tanto à contrição perfeita como à imperfeita. Muitas pessoas, até estudadas, confundem a dor natural com a contrição imperfeita, quando não são de maneira nenhuma a mesma coisa. Leia também A importância do Sacramento da Confissão

Também a contrição imperfeita deve ser sobrenatural nos seus motivos; deve basear-se num motivo conhecido pela fé, como a crença no céu e no inferno ou na fealdade essencial do pecado. Uma simples dor natural não é contrição nenhuma, nem mesmo imperfeita.

Contrição significa que é mister dobrar e quebrar a obstinação e o orgulho do pecador e com o auxílio da graça transformar-se em obediência e amor: “O primeiro dentre os atos do penitente é a contrição” (Concílio de Trento).

Há atrás de cada pecado um ídolo que corrompe a alma. A verdadeira contrição destrói o ídolo restituindo a saúde da alma: “Reconhecemos, sim, que a contrição apaga os pecados, mas quem ignora que deve ser tão forte, tão intensa e tão ardente, que a veemência da dor esteja em exata equação com a gravidade dos pecados?” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 36).

O arrependimento é o regresso para Deus. Mas não é possível se Deus não nos der a graça: “Para ter dor dos nossos pecados, devemos pedi-la de todo o coração a Deus e excitá-la em nós com a consideração do grande mal que fizemos pecando” (São Pio X, Catecismo Maior, 722).

Quem não se arrepende dos próprios pecados, fica escravo das próprias más ações, exilado de Deus, doente ou morto na alma: “Com toda a instância, é preciso exortar e advertir os fiéis a que façam um ato de particular contrição, para cada pecado mortal que tiverem cometido” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 29).

Não só a contrição perfeita, mas o simples ato de amor a Deus sobre todas as coisas perdoa os pecados. Não é necessário o ato de contrição para obter o perdão dos pecados fora da confissão. Bastará um simples e sincero ato de amor a Deus, como este: Meu Deus, amo-vos sobre todas as coisas, porque vós assim o mereceis. Leia também A Igreja permite a Confissão Comunitária?

Para receber o sacramento da penitência (confissão), não basta um simples ato do amor de Deus; é necessário fazer expressamente um ato de contrição perfeita ou imperfeita.

Para se obter o perdão, é necessário que a contrição perfeita ou imperfeita se estenda a todos os pecados mortais ainda não perdoados. Não se pode obter a graça santificante, que é a vida da alma, enquanto nela houver um pecado mortal.

Para haver verdadeira contrição – perfeita ou imperfeita – não é necessário que ela se estenda a todos os pecados veniais. Quem tivesse dez pecados veniais, e se arrependesse só de oito, ser-lhe-iam perdoados estes somente, e não os outros dois. Não se dá o mesmo com o pecado mortal: “Quem se confessa só de pecados veniais, para se confessar validamente, basta que se arrependa de algum deles; mas, para alcançar o perdão de todos, é necessário que se arrependa de todos os que reconhece ter cometido” (São Pio X, Catecismo Maior, 725). Leia também De quanto em quanto tempo nós católicos precisamos nos confessar?

Para alcançar o perdão dos pecados no sacramento da penitência (confissão), não é necessária a contrição perfeita; basta a imperfeita ou atrição.

Atrição é a dor e detestação do pecado cometido, motivada pelo medo do inferno ou das penas temporais infligidas por Deus, unidas ao propósito de nunca mais pecar.

Fora da confissão, a atrição não chega para a remissão dos pecados mortais. Nem mesmo remite as faltas veniais numa alma despojada da graça santificante. Pode perdoá-las na alma em estado de graça.

 
 
 

O sacramento da Confissão está cada vez mais esquecido entre a geração dos “Católicos de IBGE”, são poucos o que seguem a orientação da Igreja para se confessar com frequência, ou seja, aproximadamente uma vez por mês.

Ainda assim, entre esses poucos que recorrem a este sacramento, há muitos que não o fazem da forma correta, e por isso podem sair do confessionário sem o perdão dos pecados.

São 5 passos para uma boa confissão:

1 – Exame de Consciência 2 – Arrependimento sincero dos pecados cometidos 3 – Propósito de nunca mais pecar 4 – Confissão individual com o sacerdote 5- Satisfação

O segundo passo é imprescindível e sem ele o sacramento da confissão se torna inválido. A pessoa que se aproxima da confissão sem se preparar adequadamente, e sem o arrependimento sincero dos pecados pode até estar cometendo um sacrilégio! É exatamente sobre isso que falaremos nesta formação… sobre importância do arrependimento e contrição sincera!

Texto por Ester Alves

Sem arrependimento e sem se corrigir, o pecador não se salvará. É muito perigoso ofender o Criador e dizer-lhe com desdém: “Sinto muito”… sendo que não sente nada. Deus não é brinquedo de pessoas arrogantes: “Não vos iludais; de Deus não se zomba” (Gl 6, 7).

O que é que se entende por arrependimento? Arrependimento ou contrição “é um pesar de coração e detestação do pecado cometido, com o propósito de nunca mais cometê-lo” (Concílio de Trento).

Sem arrependimento não há perdão nem mesmo na confissão. Deus não perdoa nenhum pecado, mortal ou venial, se não estamos arrependidos: “A dor dos pecados consiste num desgosto e numa detestação sincera da ofensa feita a Deus” (São Pio X, Catecismo Maior, 705).

A verdadeira contrição deve ser interna, isto é, uma dor da alma, desgosto, pena, tristeza e detestação do pecado. Uma ação exterior, como bater no peito, sem a dor interna, não é ainda arrependimento.

Só a recitação vocal costumeira do ato de contrição ainda não é verdadeira contrição. Ao menos a vontade deve ter um ódio contra o pecado, e um desejo de não o ter feito: “Se Deus é o sumo bem, entre todas as coisas dignas de serem amadas, o pecado é o sumo mal entre todas as coisas que o homem deve odiar. Portanto, pela mesma razão que nos leva a reconhecer, em Deus, o objeto de sumo amor, devemos também tomar-nos de sumo ódio contra o pecado” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 27).

O verdadeiro arrependimento deve se referir a Deus. É por isso que se chama sobrenatural. Nosso Senhor perdoa toda ofensa, por odiosa que seja, se o pecador tem verdadeira contrição: “Não há, pois, delito tão grave e abominável, que não seja apagado pelo Sacramento da Penitência, por sinal que não só uma, mas até duas e mais vezes” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 18).

Quem se arrepende dos pecados só por causa das suas consequências materiais desagradáveis ou desastrosas: doenças, perda de dinheiro, tempo, desgosto que deu aos pais, esposa, esposo… este não tem um verdadeiro arrependimento, mas é apenas uma contrição puramente natural. Este arrependimento não obtém o perdão dos pecados e não tem nenhum merecimento para a outra vida.

A verdadeira contrição é um sério desgosto e uma aversão completa ao pecado, que ofende e porque ofende a Deus. Depende mais da vontade do que de sentimentos sensíveis da alma: “Se o que outrora vos causava prazer e alegria enche agora a vossa alma de amargura, se os gozos de outros tempos vos fazem agora sofrer cruelmente, então tereis um verdadeiro arrependimento” (Santo Agostinho). Leia também “Quem comunga em pecado mortal, comunga sua própria condenação!”

E este arrependimento interno, sobrenatural, deve estender-se a todos os pecados mortais, deve ser universal, não pode excluir um só pecado mortal. Aquele que continua preso a um só pecado grave, esse não tem verdadeira contrição: “De que serve romper todos os laços, se ainda há um que vos prende ao inferno?” (Santo Agostinho).

Todo e qualquer pecado mortal ofende a Deus gravemente e nos faz perder a sua amizade, a graça santificante… e merece o castigo da pena eterna do inferno. Por isso é preciso arrepender-se de todos; e se um pecador excluiu um só não obtém perdão de nenhum pecado: “O primeiro requisito é aborrecer e detestar todos os pecados cometidos. Se nos arrependêssemos só de alguns, nossa penitência seria falsa e simulada, e não teria efeito salutar” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 31).

O Espírito Santo não pode entrar numa alma onde ainda subsiste aliança e amizade com o demônio, ainda que seja com um só pecado grave. Todo o pecado grave é ofensa grave, é separação de Deus… é inimizade com Deus.

Também convém ter arrependimento dos pecados veniais. São também ofensas feitas a Deus, embora menos graves, de modo que não nos privam inteiramente da amizade de Deus e não nos roubam a graça santificante.

Se alguém na confissão confessar só pecados veniais deve arrepender-se ao menos de um deles; do contrário, a confissão não é válida e não recebe perdão.

Este arrependimento interno, sobrenatural dos pecados graves também deve ser sobre todas as coisas, isto é, devemos confessar o pecado grave como o maior de todos os males, a ponto de preferirmos qualquer doença e mesmo a morte a pecar gravemente.

Há uma contrição perfeita e uma imperfeita. A contrição por si tende à reconciliação do pecador com seu Deus.

A contrição perfeita é aquela que consegue, por si só, sem o sacramento da confissão, a reconciliação plena e perfeita com Deus.

Aquele arrependimento ou contrição, que não consegue por si só pleno perdão e a perfeita reconciliação com Deus, chama-se contrição imperfeita.

Portanto, a diferença está nos efeitos. Uma, a perfeita, consegue, por si só, a perfeita reconciliação com Deus: a outra, imperfeita, não consegue o pleno perdão, mas tão somente mediante a confissão. É preciso, porém, lembrar que também a contrição perfeita deve estar unida com o sincero desejo e vontade de se confessar quando puder. Leia também DEVEMOS NOS CONFESSAR COM QUÊ FREQUÊNCIA?

O que decide se um arrependimento é perfeito ou imperfeito é o seu motivo. O arrependimento que se origina, que vem do perfeito amor de Deus, que é infinitamente bom, santo e amável, chama-se contrição perfeita. O que tem contrição perfeita alcança imediatamente o perdão pleno, a reconciliação perfeita com Deus, mas fica a obrigação de confessar os pecados a um sacerdote. A diferença dos motivos de contrição aparece claramente no seguinte exemplo: um pai enviou dois filhos à cidade para fazerem algumas compras. No caminho ficaram a brincar e correram atrás dos passarinhos, chegando com muito atraso para casa. Aproximando-se da casa ficaram receosos e começaram a chorar. O primeiro chora, porque tem medo de que o pai vá castigá-lo. O segundo chora, porque tem pena e dor de ter desgostado e amargurado o pai, que sempre fora tão bom para com ele. Este segundo representa a contrição perfeita, porque o seu motivo é o amor; o primeiro representa a contrição imperfeita, porque tem como motivo o medo, arrepende-se por causa do castigo.

“Temos contrição perfeita quando nos arrependemos dos nossos pecados por termos ofendido a bondade de Deus” (Santo Agostinho). A contrição perfeita é o grande e puro amor de Deus, um amor sobre todas as coisas.

Contrição imperfeita ou atrição é aquela que procede do temor de Deus, do medo do castigo: inferno, castigos temporais… É imperfeita porque nasce de motivos menos perfeitos, não provêm do amor de Deus, mas de um medo servil.

A contrição imperfeita não nos obtém a reconciliação perfeita com Deus, somente mediante a confissão. Aquele que tem somente contrição imperfeita só recebe o perdão dos pecados com a absolvição sacramental na confissão. Essa contrição imperfeita é como uma pequena faísca, que a confissão e a absolvição inflamam e aumentam num grande incêndio, para destruir a palha do pecado.

Devemos despertar em nós um verdadeiro arrependimento e dor dos pecados: pensando na grandeza de Deus, na sua bondade e nos sofrimentos da Paixão de Cristo.

Acostumemo-nos a fazer todas as noites o ato de contrição perfeita, para não sermos surpreendidos pela morte em estado de pecado mortal.

Antes da confissão, devemos assegurar-nos de que temos dor sincera dos nossos pecados. Podemos esquecer-nos involuntariamente de confessar um pecado… até mortal; e mesmo assim fazer uma boa confissão… receber o perdão dos pecados. Mas também podemos confessar minuciosamente todos os nossos pecados e, no entanto, sair do confessionário com eles ainda em nossa alma, se não temos uma contrição sincera. Que perigo!

A palavra “contrição” deriva do latim e significa “moer”, “pulverizar”. A ideia de reduzir o eu a pó é a que nos leva a apresentar-nos diante de Deus com profunda humildade. Leia também PECADO, CULPA, PENA, PERDÃO E INDULGÊNCIA

Uma pessoa não pode estar contrita de um pecado se continuar disposta a cometê-lo novamente, se tiver ocasião.

Para se aproximar do sacramento da confissão, ou a nossa contrição é cem por cento sincera ou é melhor não confessarmos. O confessionário não é circo! “Quando nos vamos confessar, devemos ter muito empenho em ter verdadeira dor dos nossos pecados, porque esta é a coisa mais importante de todas; e, se falta a dor, a confissão não é válida” (São Pio X, Catecismo Maior, 724).

Receber o sacramento da confissão sem dor verdadeira é fazer uma confissão indigna, e o sacramento seria inválido e infrutífero. Se não temos contrição autêntica, Deus não nos perdoará os pecados.

Contrição sincera? Deve ser interior! O nosso coração deve estar nas nossas palavras… não significa necessariamente que devamos sentir uma dor emocional. Como o amor, a dor é um ato da vontade, não um golpe de emoção: “Deve estar no coração e na vontade, e não só nas palavras” (São Pio X, Catecismo Maior, 713).

É possível ter uma profunda dor dos nossos pecados sem sentir reação emocional alguma. Se com toda a sinceridade nos determinamos a evitar tudo o que possa ofender a Deus, com a ajuda da sua graça, então temos contrição interior.

O arrependimento perfeito não consiste em bater no peito com uma pedra, em derramar copiosas lágrimas… nem em dizer poesias sentimentais: “Não é necessário que materialmente se chore pela dor dos pecados; mas basta que no íntimo do coração se deplore mais o ter ofendido a Deus do que qualquer outra destraça” (São Pio X, Catecismo Maior, 719). Leia também A Luta contra o Pecado

Contrição sobrenatural? A nossa dor é sobrenatural quando nasce de considerações sobrenaturais; quer dizer, quando o seu “porquê” se baseia na fé em algumas verdades que Deus ensinou: “Deve ser excitada em nós pela graça do Senhor, e que a devemos conceber levados por motivos que procedem da Fé” (São Pio X, Catecismo Maior, 715).

Contrição sincera? A dor deve ser suprema! Devemos encarar realmente o mal moral do pecado como o máximo mal que existe, maior que qualquer mal físico ou meramente natural que nos possa ocorrer. Quando dizemos a Deus que nos arrependemos dos nossos pecados, estamos dispostos, com a ajuda da sua graça, a sofrer qualquer coisa antes de ofendê-lo outra vez: “Deve ser suprema porque devemos considerar e odiar o pecado como o maior de todos os males, uma vez que é ofensa a Deus, o sumo Bem” (São Pio X, Catecismo Maior, 718).

Contrição sincera? A dor deve ser universal! Devemos arrepender-nos de todos os pecados mortais sem exceção. Ou nos arrependemos de todos ou não poderemos recuperar a graça de Deus. Ou todos são perdoados ou nenhum: “Deve se estender a todos os pecados mortais cometidos” (São Pio X, Catecismo Maior, 720).

As condições: interior, sobrenatural, suprema e universal, se aplicam tanto à contrição perfeita como à imperfeita. Muitas pessoas, até estudadas, confundem a dor natural com a contrição imperfeita, quando não são de maneira nenhuma a mesma coisa. Leia também A importância do Sacramento da Confissão

Também a contrição imperfeita deve ser sobrenatural nos seus motivos; deve basear-se num motivo conhecido pela fé, como a crença no céu e no inferno ou na fealdade essencial do pecado. Uma simples dor natural não é contrição nenhuma, nem mesmo imperfeita.

Contrição significa que é mister dobrar e quebrar a obstinação e o orgulho do pecador e com o auxílio da graça transformar-se em obediência e amor: “O primeiro dentre os atos do penitente é a contrição” (Concílio de Trento).

Há atrás de cada pecado um ídolo que corrompe a alma. A verdadeira contrição destrói o ídolo restituindo a saúde da alma: “Reconhecemos, sim, que a contrição apaga os pecados, mas quem ignora que deve ser tão forte, tão intensa e tão ardente, que a veemência da dor esteja em exata equação com a gravidade dos pecados?” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 36).

O arrependimento é o regresso para Deus. Mas não é possível se Deus não nos der a graça: “Para ter dor dos nossos pecados, devemos pedi-la de todo o coração a Deus e excitá-la em nós com a consideração do grande mal que fizemos pecando” (São Pio X, Catecismo Maior, 722).

Quem não se arrepende dos próprios pecados, fica escravo das próprias más ações, exilado de Deus, doente ou morto na alma: “Com toda a instância, é preciso exortar e advertir os fiéis a que façam um ato de particular contrição, para cada pecado mortal que tiverem cometido” (Catecismo Romano, Parte II, V. Penitência 29).

Não só a contrição perfeita, mas o simples ato de amor a Deus sobre todas as coisas perdoa os pecados. Não é necessário o ato de contrição para obter o perdão dos pecados fora da confissão. Bastará um simples e sincero ato de amor a Deus, como este: Meu Deus, amo-vos sobre todas as coisas, porque vós assim o mereceis. Leia também A Igreja permite a Confissão Comunitária?

Para receber o sacramento da penitência (confissão), não basta um simples ato do amor de Deus; é necessário fazer expressamente um ato de contrição perfeita ou imperfeita.

Para se obter o perdão, é necessário que a contrição perfeita ou imperfeita se estenda a todos os pecados mortais ainda não perdoados. Não se pode obter a graça santificante, que é a vida da alma, enquanto nela houver um pecado mortal.

Para haver verdadeira contrição – perfeita ou imperfeita – não é necessário que ela se estenda a todos os pecados veniais. Quem tivesse dez pecados veniais, e se arrependesse só de oito, ser-lhe-iam perdoados estes somente, e não os outros dois. Não se dá o mesmo com o pecado mortal: “Quem se confessa só de pecados veniais, para se confessar validamente, basta que se arrependa de algum deles; mas, para alcançar o perdão de todos, é necessário que se arrependa de todos os que reconhece ter cometido” (São Pio X, Catecismo Maior, 725). Leia também De quanto em quanto tempo nós católicos precisamos nos confessar?

Para alcançar o perdão dos pecados no sacramento da penitência (confissão), não é necessária a contrição perfeita; basta a imperfeita ou atrição.

Atrição é a dor e detestação do pecado cometido, motivada pelo medo do inferno ou das penas temporais infligidas por Deus, unidas ao propósito de nunca mais pecar.

Fora da confissão, a atrição não chega para a remissão dos pecados mortais. Nem mesmo remite as faltas veniais numa alma despojada da graça santificante. Pode perdoá-las na alma em estado de graça.

 
 
 
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