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Autor: Pe. Juan Carlos Sack Fonte: http://www.apologetica.org Tradução: Carlos Martins Nabeto

– “Receber Cristo a cada domingo? É claro que só podemos receber algo quando não temos esse algo (isto até me parece óbvio)” (Daniel Sapia, evangélico). – “É certamente algo bom e proveitoso receber a Eucaristia todos os dias e assim participar do corpo e do sangue de Cristo” (São Basílio, Bispo, século IV). – “Nossa manjedoura é o altar de Cristo, ao qual vamos todos os dias para comer o corpo do Senhor, alimento de salvação” (Cromácio de Aquileia, Bispo, século IV). – “Ele é o pão que, semeado na Virgem, fermentado na carne, feito na Paixão, cozido no forno do sepulcro, preparado nas igrejas, levado aos altares, é dado diariamente aos fiéis como manjar celeste” (São Pedro Crisólogo, Bispo, século V).

[Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje Gregório de Elvira, Optato de Milevi, Macário Magnes e João Crisóstomo].

GREGÓRIO DE ELVIRA

Em sua obra “De Viris Illustribus” (“Dos Homens Ilustres”), São Jerônimo o louvava como Bispo de Elvira. Morreu por volta de 392.

Comentando Cântico dos Cânticos 2,4 (“Introduziu-me na casa do vinho”), diz:

– “O que significa ‘a casa do vinho’ senão o mistério da Paixão? Porque este vinho é o sangue de Cristo, que a Igreja sempre dá aos fiéis; o mistério da Paixão do Senhor, como Ele disse: ‘Se não comerdes a carne do Filho do homem – isto é, o pão da vida – e se não beberdes o Seu sangue, não tereis vida eterna” (Tractatus de Ephitalamio 3,24).

E explicando os gestos do Batismo, Confirmação e Eucaristia, que através da carne agem no espírito, ensina aos seus fiéis:

– “A carne é lavada para que a alma seja limpa; a carne é ungida para que a alma seja consagrada; a carne é assinalada para que a alma seja salva; a carne é encoberta pela imposição das mãos para que [a alma] seja iluminada pelo Espírito Santo; a carne come e bebe o corpo e o sangue de Cristo para que a alma seja saciada de Deus” (Tractatus De Libris Sacrarum Scripturarum 17,26).

OPTATO DE MILEVI

Importante personagem na luta contra a heresia norte-africana denominada “Donatismo”. Poucos dados biográficos são-nos conhecidos. Nasceu em torno de 385. Foi Bispo da cidade de Milevi. Alguns de seus escritos foram conservados.

Os donatistas tinham destruído altares do culto católico; então, contra eles, escreve o Bispo Optato:

– “Porque o que é o altar senão a sede do corpo e do sangue de Cristo? (…) Em que vos ofendeu Cristo, cujo corpo e sangue habitavam ali [sobre o altar] em certos momentos? (…) Porém, conseguistes duplicar esse crime monstruoso quando quebrastes também os cálices que portavam o sangue de Cristo” (Contra Parmenianum donatistam 6,1-2).

Os modernos donastistas já não destroem os altares católicos, mas evitam a todo custo que os fiéis participem deles.

MACÁRIO MAGNES 

Apologista cristão de finais do século IV. Foi Bispo de Magnésia. Sabemos que participou do Sínodo de Oak de 413. Por volta de 400, escreveu uma defesa do Cristianismo contra uma personagem fictícia que representava as acusações dos pagãos.

Macário responde a diversas objeções dos pagãos de então, que – curiosamente – também se baseavam nos Evangelhos para atacar as doutrinas católicas universalmente aceitas pelas igrejas. Entre outras coisas, o Cristianismo era acusado de “monstruosidade”, por convidar seus fiéis a comer o corpo e beber o sangue do Senhor (as mesmas acusações que atualmente alguns “cristãos evangélicos” nos fazem). Respondendo a esta objeção, diz, entre outras coisas:

– “Com toda razão Cristo, tomando o pão e o vinho, disse: ‘Isto é Meu corpo e Meu sangue’, pois não é figura do corpo, nem figura do sangue [como dizem alguns em sua mente], mas verdadeiramente corpo e sangue de Cristo”.

E um pouco depois:

– “O corpo de Deus, que é terreno, conduz à vida eterna aqueles que o comem. Cristo, portanto, deu aos fiéis o seu próprio corpo e sangue, introduzindo neles a medicina vital da divindade” (Apocrítico 3,23).

JOÃO CRISÓSTOMO 

Sem dúvida, é o mais renomado representante da Patrística Grega. Nasceu entre os anos 344 e 354 na Antioquia. Recebeu o Batismo por volta dos 18 anos, das mãos do Bispo de Constantinopla. Desde então, dedicou-se ao estudo das Escrituras, em particular das Cartas de Paulo, que chegou a reter de memória. Após algum tempo como ermitão nas proximidades de Antioquia, foi ordenado sacerdote. Pregou na principal igreja dessa cidade por 12 anos, onde mereceu o apelido “Boca de Ouro” (=”Crisóstomos”). Foi nomeado Bispo de Constantinopla, onde trabalhou incansavel e compromissadamente pela reforma dos costumes, o que lhe rendeu a perseguição por parte da Corte Real e dos clérigos a ela ligados. Morreu em 407, no desterro. Uma grande quantidade de suas obras foram conservadas.

Os textos de Crisóstomo acerca da Eucaristia são numerosos. Menciono aqui apenas alguns. Dirigindo-se aos recém-batizados no dia da Páscoa (de 390), lhes fala da ideia de combate ao demônio, devendo viver como cristãos com as armas dadas pelo Senhor:

– “Porém… O quê? Será que preparou apenas armas? Não, mas também preparou um alimento mais poderoso que qualquer arma, para que não te canses durante a luta, para que venças o inimigo com gosto. Pois basta que te veja voltar da Ceia do Senhor (=a Eucaristia), [o demônio] foge mais rápido que o vento, como se tivesse visto um leão saindo da tua boca. E se mostrares a língua tingida com o precioso sangue, nem poderá conter-se; se lhe mostras a boca vermelha de púrpura, fugirá mais rápido que uma fera” (Catecheses Ad Illuminandos Octo, Homilia 3,12).

E um pouco depois:

– “Então o anjo exterminador viu o sangue marcando as portas e não se atreveu a entrar. Agora, se o demônio já não vê a figura do sangue assinalando as portas, mas o verdadeiro sangue marcando as bocas dos fiéis – que são as portas do templo portador de Cristo – não irá com muito mais razão se deter? Porque se o anjo, ao ver a figura, se deteve, então muito mais o demônio fugirá ao ver a verdade” (Catecheses Ad Illuminandos Octo, Homilia 3,15).

Observamos antes que alguns Padres identificam o corpo eucarístico de Jesus com Seu corpo histórico, sempre de modo sacramental, jamais canibalístico. Crisóstomo ensina o mesmo. Em diversas obras, diz:

– “Feito filho, gozas também de uma mesa espiritual, comendo a carne e o sangue que te regenerou” (Exposição ao Salmo 144,1).

– “Porque o que disse foi isto: que o que está no cálice é aquilo que emanou do lado [aberto de Cristo]; e disso participamos” (Sobre 1Coríntios, Homilia 24,1).

– “Todos nós que participamos do corpo, todos nós que provamos deste sangue, devemos pensar que participamos do corpo que não difere em nada e nem se distingue daquele [corpo histórico de Jesus]” (Sobre Efésios, Homilia 3,3).

– “Elias deixou o manto com seu discípulo, mas o Filho de Deus, ao subir [aos céus], nos deixou Sua própria carne. Elias desnudou-se dele, mas Cristo nos deixou [Sua carne] e também subiu [aos céus] com ela” (De Statuis, Homilia 2,9).

– “Eu te mostro [na Eucaristia] não anjos, nem arcanjos, nem céus, nem céu dos céus, mas o próprio Senhor disso tudo. Percebes como estás vendo a mais preciosa de todas as coisas da Terra e que, não apenas a estás vendo, como também a tocas; e que não apenas a tocas, mas também a comes e, levando-a [em ti], voltas para a tua casa?” (Sobre 1Coríntios, Homilia 24,5).

– “Quantos dizem agora: como eu gostaria de ver a Sua forma, a Sua figura, as Suas vestes, os Seus calçados. Pois aqui [na Eucaristia] O estás vendo, O tocas, O comes. Desejas ver Suas vestes? Ele mesmo Se dá a ti, não só para que O veja, mas também para que O toques e O comas, e O recebas dentro de ti” (Sobre Mateus, Homilia 82,4).

– “Não é o homem quem faz que as coisas ofertadas (=o pão e o vinho) se convertam no corpo e sangue de Cristo, mas o próprio Cristo que foi crucificado por nós. O sacerdote, figura de Cristo, pronuncia essas palavras, mas sua eficácia e graça provêm de Deus. ‘Isto é Meu corpo’ – diz. Esta palavra transforma as coisas ofertadas” (Prod. Jud. 1,6).

A tradicional relação entre Eucaristia e Encarnação resta, assim, afirmada com toda clareza:

– “O que há de igual na economia realizada para nós? Pois Aquele (=Jesus) que era para Ele (=o Pai) o mais precioso de todos os seres, o Filho unigênito, a Esse O deu por nós, seus inimigos. E não apenas O deu, como também, depois de O ter dado, nós coloca Ele também como alimento” (Sobre Mateus, Homilia 25,4).

– “[Cristo diz:] ‘Quis fazer-Me vosso irmão. Por vós, participei da carne e do sangue. Novamente vos dou hoje a mesma carne e o mesmo sangue, pelos quais cheguei a ser parente vosso'” (Sobre João, Homilia 46,3).

– “E em muitos lugares repete a mesma coisa, deixando bem claro que o que se recebe na Eucaristia não é uma recordação de Jesus, mas que na recordação Dele se recebe ‘o próprio Filho de Deus’, ‘o Rei do Universo’, ‘o Senhor do Mundo’, ‘o próprio Cristo’, ‘Sua própria carne’, ‘aquela que brotou do Seu lado [aberto]'”[41].

O sr. Guillermo Hernández Agüero, no artigo que publica no site “Conoceréis la Verdad”, traz as seguintes palavras de Crisóstomo para defender a permanência da substância do pão após a consagração:

– “O pão após a consagração é digno de ser chamado ‘o corpo do Senhor’, mesmo quando a natureza do pão permanece nele” (Carta a Cesário).

Em primeiro lugar, esta obra não provém da pena de João Crisóstomo; é apócrifa (atribuída a Crisóstomo), mas de outro autor na verdade (possivelmente Teodoreto de Ciro).

Em segundo lugar, a frase completa é esta:

– “Do mesmo modo que o pão, antes de ser santificado, é chamado ‘pão’, mas uma vez que tenha sido santificado pela graça divina, através do sacerdote, perde o nome ‘pão’ e é digno de ser chamado ‘corpo do Senhor’, embora a natureza de pão permaneça nele, dizemos, no entanto, que não há dois corpos do Filho, mas apenas um” etc. (texto em Migne 52,758).

Em terceiro lugar, [está claro que o texto] supõe que algo ocorre durante a consagração (ou “santificação”) feita pelo “sacerdote”, de modo que o pão pode ser apropriadamente chamado de “corpo do Senhor” (coisa que os inimigos da presença real jamais fizeram e nem falam de modo semelhante; a “santificação” do pão por obra de Deus através do “sacerdote”, que permite que possamos chamar esse pão de “corpo do Senhor”, todo este vocabulário pertence ao culto católico e de modo algum ao culto “evangélico”).

Em quarto lugar, o texto – independentemente de quem tenha sido o seu autor – afirma que após a consagração o pão continua conservando todas as suas propriedades (coisa que é definida como “a natureza” do pão) e que, bem entendido, não afasta a doutrina da presença real. Não devemos esquecer que o mistério eucarístico foi precisando aos poucos as palavras que o expressam, de modo que seria anacronismo exigir que um autor do século V ou VI empregasse as categorias filosóficas e hermenêuticas que se desenvolveram muito depois na teologia eucarística. Poderíamos dizer muito bem hoje – por exemplo, durante uma homilia – que “o pão conserva sua natureza de pão” desde que se entenda por isto não “a substância” do mesmo, mas todos os seus acidentes naturais: odor, sabor, cor etc. Em outras palavras: é possível compreender muito bem este texto no sentido católico.

Em quinto lugar, devemos saber que o autor menciona esse tema muito de passagem e como exemplo para um outro assunto que está abordando em profundidade, no caso, as duas naturezas de Cristo. É importante saber isto para estimar a importância do texto.

Por fim, se se quer ver neste texto uma expressão favorável [de João Crisóstomo] à presença simbólica, dever-se-ia afirmar também que destoa de todos os demais textos eucarísticos deste mesmo autor.

É interessante notar o “modus agendi” de pessoas como Hernández Agüero: o leitor desprevenido, ao ler a expressão do autor “evangélico”: “Existem alguns Padres que podem nos dizer algo sobre o nosso tema”, poderá pensar que efetivamente está diante de material patrístico abordando a Eucaristia… Mas isso é verdade? Muito pelo contrário! Citar quatro expressões de dois Padres (um dos quais nem sequer sabemos realmente quem foi) e apresentar isso como “o que alguns Padres podem nos dizer” – sabendo que o que eles “podem nos dizer” sobre a Eucaristia enche dois enormes volumes[42] – é lorota pura e simples. E isto não nos surpreende, já que as duas únicas citações escolhidas pretendem ser contrárias à doutrina católica… Honestidade intelectual? O leitor pode encontrar o que “alguns Padres podem nos dizer sobre o nosso tema” em publicações católicas (das quais o nosso trabalho é apenas mero resumo), jamais nos autores “evangélicos” que temos citado aqui. Nestes [autores], a verdade em relação ao que toda a Igreja acreditou por dois milênios brilha, infelizmente, por sua ausência.

NOTAS: [41] Por exemplo: Sobre Mateus, Homilia 25,4; Sobre 1Coríntios, Homilia 24,2; Sobre 2Coríntios, Homilia 11,2; Sobre Efésio, Homilía 3,5, etc. [42] Na edição de Jesús Solano são dois grossos volumes mas, com certeza, não se trata de um trabalho exaustivo.

Leia também as outras partes da série especial sobre a Eucaristia

  1. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 1

  2. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 2

  3. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 3

  4. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 4

  5. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 5

  6. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 6

  7. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 7

  8. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 8

  9. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 9

  10. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 10

  11. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 11

  12. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 12

  13. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 13

  14. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 14

  15. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 15

  16. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 16

  17. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 17

  18. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 18

  19. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 19

 
 
 

Autor: Pe. Juan Carlos Sack Fonte: http://www.apologetica.org Tradução: Carlos Martins Nabeto

– “[Durante a Santa Ceia,] a igreja (=corpo de fiéis) em que o Senhor está presente (cf. Mateus 18,20), participa – recordando através do pão e vinho, que simbolizam o corpo e sangue de Cristo – do sacrifício perfeito de Jesus na cruz do Calvário” (Guillermo Hernández Agüero, evangélico). – “Assim, com absoluta segurança, participamos do corpo e do sangue de Cristo, porque na figura do pão te é dado o Corpo, e na figura do vinho te é dado o sangue, para que, participando do corpo e do sangue de Cristo, sejas feito concorpóreo e consanguíneo de Cristo” (São Cirilo de Jerusalén, Bispo, Século IV).

[Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje, Cirilo de Jerusalém, Dídimo o Cego e Ambrósio de Milão].

CIRILO DE JERUSALÉM

Testemunha insígne da fé da Igreja de Jerusalém no século IV, em particular através de suas “Catequeses Mistagógicas”.

Instruindo os recém-batizados, ensinando a fé e a vida da Igreja, comenta o relato paulino da instituição da Eucaristia; e recitando as palavras de Jesus durante a instituição, as comenta desta maneira:

– “Quando Ele mesmo declarou e disse do pão: ‘Isto é Meu corpo”, quem se atreverá a duvidar? E quando Ele mesmo garantiu e disse: ‘Isto é Meu sangue’, quem duvidará, afirmando que não é Seu sangue?” (Catequese Mistagógica 4,1).

– “Em certa ocasião, por um mero desejo Seu, converteu água em vinho durante as bodas de Caná, na Galileia. Não é digno de se crer então que Ele converte o vinho em Seu sangue?” (Catequese Mistagógica 4,2).

– “Portanto, com absoluta segurança participamos do corpo e do sangue de Cristo, porque na figura do pão se te é dado o corpo, e na figura do vinho se te é dado o sangue, para que, participando do corpo e do sangue de Cristo, sejas feito concorpóreo e consanguíneo de Cristo; pois assim somos também portadores de Cristo: tendo Seu corpo e Seu sangue distribuídos por nossos membros. Logo, segundo São Pedro, somos consortes da natureza divina” (Catequese Mistagógica 4,3).

– “Não vejas, portanto, o pão e o vinho como coisas comuns, porque são – segundo a declaração do Senhor – corpo e sangue. Pois ainda que os sentidos te sugiram isso, a Fé te assegura o contrário. Não os julgues pelo gosto, mas pelo o que a Fé te assegura indubitavelmente, tu que foste digno do corpo e do sangue de Cristo” (Catequese Mistagógica 4,6).

– “Com a certeza de que o aparente pão não é pão – ainda que o seja segundo o paladar – mas corpo de Cristo; e que o aparente vinho não é vinho – ainda que o paladar o aponte – mas sangue de Cristo (…), fortifica o teu coração, participando Dele como de um pão espiritual, rejuvenecendo a face da tua alma” (Catequese Mistagógica 4,9).

– “Após nos termos santificado através desses hinos espirituais, invocamos ao bom Deus para que faça descer o Espírito Santo sobre os dons presentes, para que o pão venha a ser o corpo de Cristo e o vinho, o sangue de Cristo” (Catequese Mistagógica 5,7).

– “Não deixeis o juízo à vossa garganta corporal, mas à Fé indubitável, porque quando [ao ter recebido a sagrada comunhão] a estais ingerindo, não é pão e vinho o que ingeris, mas o antítipo do corpo e sangue de Cristo” (Catequese Mistagógica 5,20).

As passagens acima citadas tornam totalmente impossível qualquer dúvida acerca do realismo eucarístico de Cirilo de Jerusalém. Por isso, as últimas palavras somente podem ser entendidas assim: as espécies eucarísticas (o que aparece como pão e vinho) são símbolos que nos levam à realidade que nos é dada, isto é, o corpo e o sangue do Senhor; é o que afirma um texto anteriormente citado: “na figura de pão se dá o corpo”. Esta passagem confirma a interpretação “realista” que fornecemos em outra ocasião, ao tratar dos textos que contêm a difícil expressão grega “antítipo”.

DÍDIMO O CEGO

Monge de Alexandria, mestre dos mestres. Nasceu em 313 e morreu por volta de 398. Apesar de ter perdido a visão aos 4 anos de idade, converteu-se em um dos homens mais sábios do seu tempo. Foi colocado à frente da Escola de Alexandria por Santo Atanásio. Viveu sempre como leigo na periferia de Alexandria.

Em um escrito seu, recentemente encontrado, lemos:

– “Mais condenável e abertamente prejudicial é o jejum praticado por aqueles que se afastam do pão da vida e da carne de Jesus, que são o pão da vida, o pão da verdade descido do céu. Sendo alimento da vida, não convém de maneira nenhuma abster-se dele” (Sobre Zacarias 2,121).

AMBRÓSIO DE MILÃO

Um dos mais importante Padres do Ocidente. Nasceu por volta de 339 e morreu em 397. Tendo recebido uma boa educação, chegou a ser cônsul da região italiana de Ligúria e Emília, tendo estabelecido sua residência em Milão. Quando ainda era catecúmeno, foi eleito para a sé episcopal de Milão, cargo que aceitou em razão do pedido quase que unânime dos fiéis da Diocese. Foi então batizado e ordenado sacerdote e bispo. De vida exemplar, soube conduzir os civis e os governantes segundo o Evangelho. Escreveu numerosos hinos para a celebração da liturgia. Seus sermões e seu exemplo de vida foram responsáveis pela conversão de Agostinho à Fé cristã.

São conservadas muitas expressões acerca da doutrina de Ambrósio sobre a real presença de Cristo na Eucaristia. Proponho aqui apenas algumas:

– “‘Minha carne verdadeiramente é comida e meu sangue, bebida’: Ouvís carne; ouvís sangue; conheceis os mistérios da morte do Senhor e caluniais a divindade? (…) Sempre que nós recebemos os mistérios [na celebração eucarística], que pelo mistério da sagrada oração [eucarística] se transfiguram em carne e sangue, anunciamos a morte do Senhor” (Da Fé 4,10,124).

– “Cristo é alimento para mim; Cristo é bebida; a carne de Deus é comida para mim e o sangue de Deus é bebida. Já não espero as colheitas anuais para saciar-me; Cristo me é servido todos os dias” (Exposição ao Salmo 118,15,28).

A alguém a quem poderia parecer que o milagre do maná não era superado por nada na Igreja, e que ainda poderia imaginar que na celebração eucarística o pão é um pão comum, responde:

– “Porém, esse pão é pão antes das palavras dos mistérios; quando sobrevém a consagração, do pão se faz carne de Cristo. Vamos prová-lo: como é que o pão pode ser corpo de Cristo? Pois, na consagração, com quais palavras e de quem são essas palavras? Do Senhor Jesus (…) É a palavra de Cristo que produz este sacramento” (Dos Sacramentos 4,4,14).

E oferece ainda uma resposta final:

– “Não era corpo de Cristo antes da consagração; mas depois da consagração, te digo que já é o corpo de Cristo. Ele o disse e assim Se fez; ordenou isto e Se criou” (Dos Sacramentos 4,4,16).

Prova com vários exemplos a eficácia da palavra divina e conclui:

– “Sabeis, pois, que do pão se faz o corpo de Cristo e que do vinho, que se encontra com água no cálice, se faz sangue pela consagração celeste. Direis, talvez: ‘Eu não enxergo aparência de sangue’. Mas se assemelha, pois como recebestes o símbolo da morte [mediante o Batismo], assim também bebeis o símbolo do precioso sangue, para que não tenhais horror [ao ver] sangue e, deste modo, seu efeito produza o preço da redenção. Sabeis, pois, que o que recebeis é o corpo de Cristo” (Dos Sacramentos 4,4,19-20).

Ao inegável realismo do corpo e sangue do Senhor é acrescentado aqui uma palavra de terminologia simbólica: “similitudo”, “símbolo”. Partindo da semelhança natural do vinho com o sangue, ao vinho consagrado chama “símbolo do sangue de Cristo”, não porque Ele não esteja ali realmente (não se esqueça que essa bebida, segundo Santo Ambrósio, produz efeitos redentores), mas para que a aparência do vinho evite a repugnância natural que qualquer pessoa teria de beber sangue (a objeção do catecúmeno era: “Eu não enxergo aparência de sangue”).

Mais adiante, alude às palavras da anáfora eucarística e torna a insistir:

– “Antes de consagrá-lo, é pão; mas quando sobrevêm as palavras de Cristo, é o corpo de Cristo (…) Também antes das palavras de Cristo, o cálice está cheio de vinho e água; mas quando atuaram as palavras de Cristo, ali se encontra o sangue Daquele que redimiu o povo. Vede, pois, de quantas formas a palavra de Cristo pode mudar tudo. Finalmente, o próprio Senhor nos atestou que o que recebemos é o Seu corpo e o Seu sangue. Devemos duvidar da autoridade do Seu testemunho?” (Dos Sacramentos 4,5,23).

Em vários de seus sermões Ambrósio nos oferece um exemplo claro de outro aspecto que é importante considerar na hora de compreender os escritos dos antigos Padres da Igreja e, assim, poder deduzir no que realmente acreditavam. Refiro-me à “disciplina do arcano”. O Pe. Ott assim a explica: “Existia então a ‘disciplina arcani’, que era um lei que obrigava os fiéis dos primeiros tempos da Igreja a guardar segredo acerca dos mistérios da fé, e de maneira particular, da Eucaristia. Era uma precaução lógica que tinha por objetivo evitar as calúnias dos pagãos, que podiam tergiversar o sentido da nova doutrina (=a Fé cristã); cf. Orígenes, Sobre Levítico, Homilia 9,10”. Em outras palavras: os cristãos dos primeiros séculos tentavam não tornar pública a doutrina eucarística exatamente porque acreditavam na presença real de Cristo, coisa que, se fosse conhecida dos pagãos, seria objeto de ironia ou perseguição. Um texto de Ambrósio ilustra isso muito bem; falando aos que tinham recebido recentemente o Batismo, após uma longa e consciente instrução, lhes diz:

– “Agora já é tempo de falar dos sagrados mistérios (=a Eucaristia) e explicar-vos o significado dos Sacramentos, coisa que, se o tivéssemos feito antes do Batismo, seria mais apropriadamente uma violação à disciplina do arcano do que uma instrução” (Dos Mistérios 1,7; SC 25bis,156-158).

Em sua explicação dos sacramentos cristãos, tratando da Eucaristia, propõe novamente a objeção: “Talvez direis: ‘Eu enxergo outra coisa. Como me dizes que estou recebendo o corpo de Cristo?’ É isso o que nos resta provar”. Depois de acumular exemplos onde a natureza das coisas foi alterada mediante a intercessão dos santos, responde à objeção:

– “Pois se tanto poder teve a bênção humana que mudou a natureza, o que diremos da própria consagração divina, quando o que age são as próprias palavras de Nosso Salvador? Porque o sacramento que recebeis é feito com as palavras de Cristo. E se a palavra de Elias teve tanto poder para fazer descer fogo do céu, não teria poder a palavra de Cristo para alterar a natureza dos elementos? (…) A palavra de Cristo que pôde fazer do nada o que não existia, não poderá alterar o que existe naquilo que não era [isto é, converter o pão em corpo de Cristo]? É óbvio que a Virgem deu à luz fora da ordem natural; pois também aquilo que consagramos é o corpo nascido da Virgem (…) Sem dúvida nenhuma, foi a verdadeira carne de Cristo que foi crucificada e sepultada; portanto, [a Eucaristia] é verdadeiramente o sacramento da Sua carne” (Dos Mistérios 9,50-53)[39].

E, no final de seu discurso:

– “É o próprio Senhor Jesus quem clama: ‘Isto é Meu corpo’. Antes da bênção com as palavras celestes, chama-se outra coisa [=”pão”]; após a consagração, temos o corpo. Ele mesmo disse que é Seu sangue. Antes da consagração, chama-se outra coisa [=”vinho”]; após a consagração, chama-se “sangue”. E tu dizes: “Amém”, ou seja, “É verdade”. O que a tua boca diz, confesse também o teu espírito. O que soam as palavras, sinta também o afeto” (Dos Mistérios 9,54).

Este impressionante realismo eucarístico não apenas foi expresso constantemente pelo Bispo de Milão, como também ensinado, provado e exigido por ele aos seus fiéis, como pertencente à Fé Cristã. Logo, não há razão para ser obscurecido por uma frase como esta: “Que esta oferenda Te seja agradável, porque é figura do corpo e do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Dos Sacramentos 4,5,21). Isto porque:

1º) Parece que se trata de uma citação extraída por Santo Ambrósio de uma outra obra;

2º) Ambrósio nunca emprega a palavra “figura” para designar os ritos sagrados, preferindo “similitudo” ou “semelhança” e “símbolo”, deixando a palavra “mistério” para a realidade profunda que encerram essas “similitudo” do pão e do vinho, ou da água e do azeite etc. Recorde-se aqui o que dissemos sobre Cirilo de Jerusalém e outros Padres acerca do emprego das palavras “tipo”, “antítipo” etc.

Uma última citação:

– “É por isso também que a Igreja, tendo em suas mãos tão imensa graça, exorta os seus filhos e amigos a reunirem-se para receber os Sacramentos, dizendo: ‘Comam, meus amigos. Bebam e embriaguem-se, irmãos’ (…) Nesse sacramento [da Eucaristia] Cristo está [presente], pois é o corpo de Cristo; não é, portanto, comida corporal, mas espiritual (…) porque o corpo de Cristo é o corpo do Espírito divino (…) E, finalmente, essa comida fortalece o nosso coração; essa bebida alegra o coração do homem, como anunciou o Profeta” (Dos Mistérios 9,58).

Sirvam estas explicações do século IV também a aqueles que em pleno século XXI interpretam a Eucaristia católica como “canibalismo”, ou como um convite para comer “fibras, músculos, derme (…) plaquetas, plasma, glóbulos”, ou que creem possuir licença para supor que o convite à recepção frequente da Eucaristia – como, p.ex., o de Ambrósio de Milão, no séc. IV – é “mecanismo” para “um truque”[40]. Deve-se manter os dois extremos do mistério, sem destruir nenhum: a presença do corpo de Jesus na Eucaristia é real (não simbólica), ainda que seja dado de comer de maneira espiritual. (…)

NOTAS: [39] Em seu artigo sobre “a teoria da transubstanciação”, Daniel Sapia menciona as palavras de um sacerdote argentino que, ao mostrar a hóstia consagrada, antes da comunhão, disse: “Este É o corpo de Jesus, O MESMO que nasceu da Santa Virgem Maria (…) Felizes os convidados para o banquete celestial”. O autor batista fica escandalizado com estas palavras, escritas sobre um momento especial, inclusive acrescentando uma breve filmagem desse instante, em que é possível ver e ouvir o referido sacerdote. Curiosamente, Ambrósio de Milão, testemunha indiscutível da Igreja primitiva, não inventou nada (está apenas transmitindo a fé recebida) e diz, dezesseis séculos antes: “[Na Eucaristia] o que consagramos é o corpo nascido da Virgem”. E se Ambrósio for considerado testemunho tardio, vamos regredir então ao século II e interpelar um discípulo dos Apóstolos: Inácio de Antioquia ensinava que a Eucaristia “é a carne de Nosso Salvador Jesus Cristo, aquela que padeceu por nossos pecados”. É claro que a expressão do sacerdote argentino está em perfeita sintonia com o que a Igreja primitiva sempre acreditou, enquanto que o autor batista está em sintonia não com a Fé da Igreja primitiva, mas com a heresia doceta, contra a qual São João Evangelista tanto lutou em suas cartas. Inácio de Antioquia nos afirma claramente: “Da Eucaristia e da oração [os docetas] se afastam, porque não confessam que a Eucaristia é a carne de Nosso Salvador Jesus Cristo, aquela que padeceu pelos nossos pecados; aquela que, por Sua bondade, o Pai ressuscitou”. [40] As expressões entre aspas são de Daniel Sapia. Segundo a doutrina católica, o corpo que se recebe na Eucaristia é o corpo glorioso de Cristo, o corpo que se levantou no sepulcro. Trata-se do próprio corpo de Cristo, embora transformado, glorificado, que adquire dimensões que o nosso corpo atualmente não possui, mas que virá a ter por ocasião da ressurreição da carne. Tentando evitar possíveis incongruências, Sapia chega ao extremo de negar que o corpo do Cristo Ressuscitado tivesse sangue. Suas palavras são estas: “O novo corpo de Cristo, no qual Ele agora reside à direita do Pai no céu, não possui sangue”. Acredito que este “ex abrupto” teológico tenha surgido para explicar, entre outras coisas, como as “fibras, músculos, derme (…) plaquetas, plasma, glóbulos” fizeram para ingressar na casa onde estavam os discípulos com as portas fechadas. Porém, levantamos esta questão: É possível sustentar que o Ressuscitado era o próprio corpo de Cristo se, por outro lado, não possuía sangue? O que teria este “corpo” para ser realmente o corpo de Cristo? Ou por acaso o Corpo Ressuscitado foi uma simples ilusão de ótica dos Seus discípulos? Isto não é realmente negar a realidade? Ou teria mesmo sido uma farsa? O que Tomé tocou na segunda aparição aos Apóstolos? Se o que viu e tocou não era um fantasma, isto se deve ao fato de ter tocado um corpo real, com sangue e tudo o mais que um corpo possui, ainda que sob nova dimensão: a dimensão do Ressuscitado. Quem comeu diante dos Apóstolos não foi a alma de Cristo, mas Seu corpo real (Lucas 24,39 e seguintes não dá margem a fantasias). Comeu mesmo Jesus com seus discípulos após Sua ressurreição? Aceitará também o “cristianismo evangélico” – do qual Sapia se autocoloca implicitamente como porta-voz nesta questão que agora nos ocupamos – esta doutrina da não-identidade real do corpo de Cristo antes e depois da ressurreição?

Leia também as outras partes da série especial sobre a Eucaristia

  1. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 1

  2. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 2

  3. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 3

  4. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 4

  5. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 5

  6. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 6

  7. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 7

  8. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 8

  9. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 9

  10. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 10

  11. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 11

  12. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 12

  13. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 13

  14. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 14

  15. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 15

  16. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 16

  17. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 17

  18. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 18

  19. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 19

 
 
 

Autor: Pe. Juan Carlos Sack Fonte: http://www.apologetica.org Tradução: Carlos Martins Nabeto

– “Jesus jamais ensinou a transubstanciação aos seus discípulos, isto é, que o pão literalmente se converteria no Seu corpo” (Guillermo Hernández Agüero, evangélico). – “Não se trata – como ensina a doutrina da transubstanciação – que o pão se converta em Cristo, mas que Ele é como um pão que dá a vida eterna” (Fernando Saraví, evangélico). – “Contudo, esse pão é pão antes das palavras dos mistérios; quando ocorre a consagração, do pão se faz a carne de Cristo” (Santo Ambrósio, Bispo, Século IV). [Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje, os quatro grandes doutores da Igreja Oriental: Atanásio de Alexandria, Basílio de Cesareia, Gregório de Nanzianzo e Gregório de Nissa].

ATANÁSIO

A grande figura de Santo Atanásio (295-373) preenche uma boa parte do século IV. Como diácono e secretário de seu Bispo, Alexandre, participou do Concílio de Niceia. Foi nomeado Bispo de Alexandria. Por defender a doutrina de Niceia, foi exilado cinco vezes pelas autoridades do Império.

Contrapondo a antiga Pácoa com a celebração pascal cristã, diz:

– “Então (=nos dias do Antigo Testamento) celebravam a festa comendo um cordeiro irracional e afugentavam o [Anjo] exterminador untando os dentes com seu sangue. Mas agora, quando comemos o Verbo do Pai e assinalamos os lábios de nossos corações com o sangue do Novo Testamento, conhecemos a graça que o Salvador nos deu” (Cartal Festal 4,3).

– “O próprio Salvador nosso, passando do figurado para o espiritual, lhes prometeu que de então em diante não comeriam a carne do cordeiro, mas a sua própria [carne], dizendo: ‘Tomai e comei; isto é o Meu corpo e o Meu sangue” (Carta Festal 4,4).

– “Verás os levitas (=os sacerdotes cristãos), que levam os pães e o cálice com o vinho, e os põem sobre o altar. E enquanto não são feitas as orações e invocações, é apenas pão e vinho; mas quando terminam as magníficas e admiráveis preces, então o pão se faz corpo e o cálice [se faz] sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. E novamente: ocorre a realização dos mistérios. Este pão e este cálice, antes das orações e invocações, são puros [pão e vinho]; mas quando sobrevêm as magníficas preces e as magníficas invocações, o Verbo desce ao pão e ao cálice, e se faz o seu corpo” (Sermão aos Batizandos [fragmento]; PG 26,1325)[37].

Tratando dos frutos da comunhão eucarística, escreve:

– “Nos divinizamos, não participando do corpo de um homem qualquer, mas tomando o corpo do próprio Verbo” (Carta a Máximo 2; PG 26,1088).

BASÍLIO

Um dos líderes mais importantes da Igreja da Capadócia. Nasceu por volta de 330. Contam-se em sua família diversos mártires e santos. É considerado um dos fundadores do monaquismo oriental.

Escrevendo a um cristão acerca do proveito da comunhão frequente, diz:

– “É certamente bom e proveitoso receber diariamente a Eucaristia e, assim, participar do corpo e sangue de Cristo, porque Ele diz com toda a clareza: ‘Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue possui a vida eterna’. E quem pode duvidar que participar frequentemente da Vida é a mesma coisa que possuir vida em abundância? Eu comungo quatro vezes por semana: no Dia do Senhor (=Domingo), na 4ª-Feira, na 6ª-Feira e no Sábado; e também em qualquer outro dia, se acontecer a comemoração de algum santo” (Carta 93)[38].

Em outros lugares, fala de “receber o corpo e o sangue de Cristo” e de “participar do santo corpo e sangue de Cristo” (Regra Moral 21,1-2; Regra Breve, Tratado 172).

GREGÓRIO NANZIANZENO

Outro dos grandes Padres Capadócios. Nasceu em 330 e morreu em 389. Trabalhou em grande sintonia com São Basílio e o irmão de Basílio, São Gregório de Nissa. Seu pai foi Bispo de Nanzianzo. Foi ordenado sacerdote em 362. Nomeado Bispo de Niceia, renunciou à esta sé por problemas canônicos. Foi Bispo de Nanzianzo por alguns anos, até que se aposentou, e passou a viver em solidão e oração até sua morte. Seus escritos são de imensa profundidade teológica.

Tratando da celebração eucarística, exorta aos fiéis:

– “Se desejais a Vida, comei o Corpo e bebei o Sangue sem temor e sem dúvidas” (Discurso 45, na Santa Páscoa 19).

E em uma carta:

– “Ó piedosíssimo: não te canses de pedir e advogar por nós, quando por tua palavra fizeres baixar o Verbo; quando pelo fracionamento incruento, usando a voz no lugar da espada, cortares o Corpo e o Sangue do Senhor (=exato momento da fração do pão eucarístico na Missa)” (Carta 171, a Anfilóquio 3).

GREGÓRIO DE NISSA

Irmão de São Basílio e amigo de São Gregório Nanzianzeno. Nasceu em 335 e morreu em 394. Grande místico, teólogo e escritor. Foi consagrado Bispo de Nissa, na Capadócia.

Ensinando aos seguidores de Cristo como se deve entender as Escrituras, diz-lhes:

– “Cremos que também agora o pão santificado pela palavra de Deus se transforma no corpo do Verbo de Deus” (Discurso Catequético 37).

E em outro lugar:

– “Inicialmente, o pão é comum; mas quando o mistério o consagrou, chama-se e se faz corpo de Cristo” (In Diem Luminum; PG 46,581).

Afirma também que Cristo Se ofereceu em sacrifício antes mesmo do Calvário, e diz:

– “Quando se deu isso? Quando aos que estavam com Ele lhes fez Seu corpo ao pão e, à bebida, Seu sangue. Porque é totalmente manifesto que os homens não podem comer um cordeiro se anteriormente não se dá a morte disto que comem. Ele, que deu Seu corpo como comida aos Seus discípulos, manifestou abertamente que já se tinha cumprido o sacrifício do cordeiro” (Discurso 1, na Santa Páscoa; PG 46,612).

NOTAS: [37] Alguns colocam este texto em dúvida, não obstante a maioria dos críticos hoje o tenham como um escrito autêntico de Atanásio. [38] Compare-se o escrito de São Basílio Magno com estas expressões de Sapia no artigo já citado (com as ênfases do original): “Este sacerdote [católico] disse [ao terminar uma Missa]: ‘Queridos irmãos: vos convido a retornar todo domingo para receber Cristo, que por sua grande humildade Se transforma em hóstia por amor a nós…’ Pergunto: Receber Cristo todo domingo? É claro que somente podemos receber algo quando NÃO TEMOS esse algo (o que me parece óbvio). Significa, então, segundo se depreende das palavras do sacerdote, que Cristo ‘abandona’ o católico em algum momento da semana, já que no domingo [seguinte] deverá assistir à Missa para novamente recebê-Lo… e assim sucessivamente ao longo de toda a sua vida… Isto não apenas é antibíblico como também ilógico. No entanto, os fiéis católicos aceitam, creem e obedecem a isto… Eles creem na Igreja Católica Romana e isso os conforma para supor que estão cumprindo [seus deveres para] com Deus. O verdadeiro cristão recebe Cristo UMA ÚNICA VEZ em sua vida: no instante de reconhecê-Lo como seu único e suficiente Salvador, entregando-Lhe seu coração e todo o seu ser; o que a Bíblia chama de “nascer de novo” (algo que dificilmente ocorre com quem supõe receber Cristo pela ingestão de uma hóstia)”. É claro que cada um tem uma visão diferente do que significa “receber Jesus” e não necessariamente coincidirá com a definição de tipo dogmático expressa por Sapia, sobre como “o verdadeiro cristão” recebe a Cristo (leia-se: ele e os que pensam como ele); como se existisse uma única forma de “receber” Jesus! Entretanto, o que eu quero apontar aqui é que a fé do evangélico batista é diferente da Fé da Igreja primitiva, daquela Fé que coincide com a daquele sacerdote católico que convida os fiéis a regressarem à Igreja todo domingo para “receber a Cristo”. Vemos então que São Basílio Magno, na distante Capadócia, naquele já distante século IV, “cria na Igreja Católica Romana” e isso “o conformava para supor que estava cumprindo [seus deveres para] com Deus”. Há outros testemunhos neste artigo onde os Padres recomendam ou louvam a recepção diária da Eucaristia.

Leia também as outras partes da série especial sobre a Eucaristia

  1. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 1

  2. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 2

  3. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 3

  4. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 4

  5. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 5

  6. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 6

  7. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 7

  8. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 8

  9. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 9

  10. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 10

  11. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 11

  12. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 12

  13. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 13

  14. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 14

  15. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 15

  16. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 16

  17. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 17

  18. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 18

  19. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 19

 
 
 
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