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Autor: Pe. Juan Carlos Sack Fonte: http://www.apologetica.org Tradução: Carlos Martins Nabeto

– “No caso do suposto milagre da hóstia, nosso sentido nos diz que esse elemento continha sendo o mesmo pão, de modo que a nossa vista e qualquer um dos nossos sentidos não percebem o suposto milagre na substância. Nossa fé não é cega” (Guillermo Hernández Agüero, evangélico). – “O aparente pão não é pão (ainda que o seja para o paladar), mas corpo de Cristo; e o aparente vinho não é vinho (ainda que o paladar o queira), mas sangue de Cristo” (São Cirilo de Alexandria, Bispo, Século IV). – “O que vedes é o pão e o cálice, que é também o que dizem os vossos olhos; porém, naquilo que vossa fé pede para ser instruída, o pão é o corpo de Cristo e o cálice, o sangue de Cristo (Santo Agostinho, Bispo, Século IV). [Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje, brevemente, os testemunhos dos Papas Dâmaso I e Sirício I, e também o antigo documento conhecido como Ambrosiaster].

DÂMASO

Papa, ocupou a sé de Pedro de 366 a 384. Encomendou a São Jerônimo a tradução [latina] das Escrituras. Poeta, são conservados numerosos epitáfios que compôs para os túmulos dos mártires.

Para o túmulo do jovem mártir da Eucaristia, São Tarcísio, mandou escrever estas palavras:

– “Quando uma mão insana oprimia São Tarcísio, / portador dos sacramentos de Cristo, / para que os expusesse ao profano, / ele preferiu dar a sua vida em meio aos ferimentos / do que entregar aos cães raivosos os membros celestes” (Epigrammata Damasiana, ed. A. Ferrua, 15, PL 13,392).

SIRÍCIO

Eleito papa em 384. Grande amigo de Santo Ambrósio. Consagrou a  basílica de São Paulo em Roma.

No ano 385 proibiu os apóstatas de se aproximarem dos sacramentos eucarísticos, dizendo-o desta forma:

– “Ordenamos que estes (=os apóstatas) se afastem do corpo e do sangue de Cristo, pelos quais, em outro tempo, ao renascerem, tinham sido redimidos” (Epístola a Himério 3,4).

AMBROSIASTER

Assim é conhecido um autor cujo nome autêntico é para nós desconhecido. Comentou todas as cartas de São Paulo, com exceção a dos Hebreus. É considerado um dos melhores comentários até a época do Renascimento. Sua doutrina, salvo as inclinações milenaristas, sempre foi tida por ortodoxa por toda a Igreja.

Comentando o texto de Paulo sobre a Eucaristia, escreveu:

– “Já que fomos libertados pela morte do Senhor, recordando esta realidade, ao comermos e bebermos a carne e o sangue que foram oferecidos por nós, queremos significar que neles adquirimos o Novo Testamento” (Sobre 1Coríntios 11,26,1).

– “Recebemos o místico cálice de sangue para a defesa do nosso corpo e alma, pois o sangue do Senhor redimiu o nosso sangue, isto é, salvou o homem inteiro; pois a carne do Salvador para a salvação do corpo e do sangue foi derramado pela nossa alma” (Sobre 1Coríntios 2).

Leia também as outras partes da série especial sobre a Eucaristia

  1. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 1

  2. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 2

  3. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 3

  4. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 4

  5. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 5

  6. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 6

  7. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 7

  8. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 8

  9. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 9

  10. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 10

  11. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 11

  12. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 12

  13. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 13

  14. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 14

  15. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 15

  16. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 16

  17. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 17

  18. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 18

  19. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 19

 
 
 

Autor: Pe. Juan Carlos Sack Fonte: http://www.apologetica.org Tradução: Carlos Martins Nabeto

– “Cristo nos deixou a sua carne [na Eucaristia] e também subiu [ao céu] com ela” (São João Crisóstomo, Bispo, séc. IV). – “A Fé diz que Deus pode muito bem e de algum modo, manter o corpo de Cristo no céu e fazer também, de outro modo, que esteja no pão” (Martinho Lutero; W26,414,4-6). – “Uma fantasia sugere que cada uma das milhões de hóstias é o corpo físico do Cristo completo, íntegro e inteiro, anterior à crucificação, enquanto, ao mesmo tempo, Cristo estaria no céu, com seu corpo ressuscitado” (Daniel Sapia, evangélico). [Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje os testemunhos de Cirilonas de Edessa, Juvenco da Espanha, Eusébio de Cesareia e Hilário de Poitiers].

CIRILONAS

Temos poucos dados biográficos sobre este autor, embora vários de seus poemas sejam conservados. Suas obras foram escritas em Edessa, no final do século IV.

Os textos que nos chegaram desta testemunha da fé cristã das igrejas que tinham sido fundadas pelos Apóstolos são de um forte realismo eucarístico.

– “Pôs-se de pé [no Cenáculo], elevou-se a Si mesmo por amor e manteve Seu próprio corpo levantado em Suas mãos. Sua [mão] direita era um altar sagrado; Sua mão erguida, uma mesa de misericórdia” (Homilia sobre a Páscoa 1; in: BKV 6,33 [Ausgewählte Schriften der Syrischen Dichter]).

Põe nos lábios de Jesus as seguintes palavras, incentivando Seus discípulos e fiéis a receberem a Eucaristia:

– “Vinde, discípulos meus; recebei-Me. Quero pôr-Me em vossas mãos. Vede: estou aqui, de pé, em inteira verdade; porém, comei também [o Meu corpo] em inteira verdade” (Homilia sobre a Páscoa 1; in: BKV 6,37).

– “Este memorial não deve cessar entre vós até o fim do mundo. Portanto, meus irmãos, deveis fazê-lo em todos os tempos e lembrar-vos de Mim. Comestes o Meu corpo; não Me esquecereis. Bebestes o Meu sangue; não me desprezareis” (Homilia sobre a Páscoa 1; in: BKV 6,38)[31].

JUVENCO

Testemunha da fé da Igreja da Espanha no início do século IV. Chegaram até nós diversas obras poéticas cristãs escritas em latim. Suas obras datam de 330, aproximadamente. São Jerônimo o menciona em vários escritos.

Narrando a instituição da Eucaristia, diz:

– “Dizendo isto, começou a partir o pão com Suas mãos. E, depois de orar santamente, ensinou aos discípulos que dessa forma estariam comendo o Seu próprio corpo. A seguir, o Senhor tomou o cálice cheio de vinho e o santificou com ação de graças, e o deu a beber, ensinando que o que lhes tinha distribuído era o Seu sangue; e disse: ‘Este sangue redimiu os pecados do povo'” (Evangeliorium 4,4,447-453).

EUSÉBIO DE CESAREIA

Considerado o pai da historiografia eclesiástica. Nasceu na Cesareia da Palestina em 263. Discípulo do presbítero Pânfilo e, através deste, de Orígenes. Em 313 foi nomeado Bispo da Cesareia. Durante a disputa ariana, nem sempre se mostrou católico, por desejo de conciliar as duas partes e alcançar a paz. Chegou a ser excomungado pelo Sínodo da Antioquia de 325. Neste mesmo sentido, teve problemas com o Concílio de Niceia, porém finalmente assinou a declaração dogmática da grande Assembleia contra Ário. Sua obra mais importante, sem dúvida alguma, foi a “História Eclesiástica”, que escreveu entre os anos 300 e 325. Muito apreciado como historiador e acadêmico, menos porém como teólogo, por diversas de suas impressões doutrinárias.

Eusébio possui expressões que podem muito bem ser tomadas como “simbólicas” em relação à presença de Jesus na Eucaristia. Falando dos pães da proposição, dizendo que eram “símbolo e imagem” do pão da vida, acrescenta:

– “Por isso, sabendo Davi (Salmo 33,6) de quem era a imagem do pão da proposição, nos convida a aproximar-nos não daquele pão corpóreo, mas do pão que é representado no corpóreo. Assim, nós que estamos na terra, participamos do pão que desceu do céu e do Verbo que Se esvaziou a Si mesmo e Se abreviou”[32].

Retenhamos o vocabulário: os pães da proposição são “símbolo e imagem” do pão da vida, que é o Verbo que desceu do céu. No mesmo ambiente tipológico, Eusébio comenta Gênesis 49,11 (“Lavará suas vestes no vinho e seu manto no sangue da uva”); Eusébio enxerga aqui uma insinuação da Paixão:

– “Através do vinho, que era símbolo do Seu sangue, purifica os que são batizados no Seu sangue”.

Do versículo seguinte (“Seus olhos estão alegres pelo vinho e seus dentes são mais brancos que o leite”), pensa que expressa de maneira obscura os mistérios do Novo Testamento de Nosso Senhor e, em particular…

– “…a alegria do vinho místico que Ele entregou aos Seus discípulos, dizendo-lhes: ‘Tomai e bebei: este é Meu sangue’ (…) e o esplendor e pureza do alimento místico, porque novamente Ele entregou aos Seus discípulos os símbolos da divina economia, ordenando que se fizesse a imagem do Seu próprio corpo”.

O vinho que é “símbolo” do Seu sangue não é o vinho eucarístico, mas o vinho do texto que Eusébio está comentando. O corpo e o sangue do Senhor são a realização dos símbolos profetizados, que por isso mesmo são chamados de “imagem”, isto é, “reprodução do que foi profetizado”[33].

O mesmo se pode encontrar em outra passagem, onde o sacrifício de Cristo vem para cumprir as figuras dos antigos sacrifícios judaicos. Os cristãos receberam o mandato de celebrar sobre o altar a memória desse sacrifício…

– “…através dos símbolos de Seu corpo e de Seu sangue salvador, segundo a instituição do Novo Testamento” (Demonstração Evangélica 1,10).

O pão e o vinho têm aqui, como símbolos, uma função de memória em relação com o sacrifício de Cristo[34].

Por outro lado, se Eusébio tivesse tido um conceito simbólico da Eucaristia que excluísse a doutrina católica da presença real do Senhor, então jamais poderia ter dito o seguinte, ao tratar da celebração da Eucaristia:

– “Nós, que pertencemos ao Novo Testamento, celebrando a nossa Páscoa a cada domingo, sempre nos saciamos com o corpo do Salvador; sempre participamos do sangue do Cordeiro” (Da Solenidade Pascal 7).

Em relação a certas passagens patrísticas que podem dar margem a interpretações simbólicas, creio que seja oportuno observar o seguinte: a doutrina católica sobre a presença real de Jesus exclui toda espécie de apresentação grosseira do mistério eucarístico, como a chamada “cafarnaítica”, segundo a qual a carne literal de Jesus será dada de comer aos fiéis. Esta foi a interpretação que despertou escândalo entre os ouvintes de João 6. Esta interpretação é a que se pretende inculcar nos católicos quando se lhes perguntam, por exemplo: “[Jesus] estava realmente ensinando que devemos comer a Sua carne (fibras, músculos, derme) e beber o Seu sangue (plaquetas, plasma, glóbulos)?”[35].

Jesus tinha outra coisa em mente, segundo a qual daria a comer e a beber: sim, Seu próprio corpo e Seu próprio sangue (“Meu corpo é verdadeira comida e Meu sangue é verdadeira bebida” [João 6,55]), mas de tal maneira que seus discípulos simplesmente comeriam pão e beberiam vinho, evitando assim todas as ridicularizações a que recorrem até hoje os inimigos da presença real[36]. Neste sentido, visto que o pão continua sendo apresentado simples e empiricamente como pão e o vinho como vinho, é possível se referir a eles como “símbolos” do corpo e do sangue do Senhor, pois apesar de serem mostrados como pão e vinho, são indicadores de uma realidade invisível que os transcendem; no pão e no vinho eucarísticos, após o relato da instituição da Eucaristia pelo sacerdote, são verdadeiramente, realmente e substancialmente o corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ainda que as aparências continuem sendo as do pão e vinho. E enquanto aparências, são símbolos de uma realidade diferente, a saber: de Jesus, o Pão da Vida. Isto explica o fato de que em alguns textos que vimos e ainda veremos, alguns Padres falem de certo simbolismo do pão e do vinho em relação ao corpo e sangue do Senhor e, a seguir, ensinem que na Eucaristia o próprio Jesus Cristo é recebido.

HILÁRIO DE POITIERS

O “Atanásio do Ocidente”, assim conhecido por sua defesa das doutrinas anti-arianas do Concílio de Niceia. Converteu-se à Fé cristã após o estudo do Antigo e do Novo Testamento. Embora casado, os sacerdotes e os fiéis de Poitiers, na França, o elegeram como seu Bispo em 350. Sofreu muito pela Fé verdadeira, sobretudo ao ser desterrado. Morreu em 367 e é considerado uma das colunas do triunfo da Fé Nicena contra o Arianismo. Foi proclamado “Doutor da Igreja” pelo Papa Pio IX, em 1851.

Em pleno ambiente anti-ariano, Hilário arguiu a realidade da Eucaristia (indiscutivelemente vivida na Igreja) à verdade da natureza divina de Cristo e escreveu, ao comentar João 17,22-23:

– “Como Cristo está hoje em nós: por verdade da natureza ou por concordância de vontade? Porque se o Verbo verdadeiramente Se fez carne e nós, no alimento do Senhor, verdadeiramente comemos o Verbo feito carne, como se concluirá que Ele não permanece naturalmente conosco? Ele que nasceu do homem, tomou a natureza da nossa carne, inseparável Dele, e, no mistério que nos comunica a Sua carne, uniu a natureza da Sua carne com a natureza da Sua divindade” (Da Trindade 8,13).

– “Porque Ele mesmo disse: ‘Minha carne é verdadeiramente comida e Meu sangue é verdadeiramente bebida. Aquele que come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele’. Sobre a verdade da carne e do sangue, não há lugar para dúvidas, pois agora, pela profissão do Senhor e pela nossa fé, é verdadeiramente carne e verdadeiramente sangue. E quando essa carne é comida [para o fiel] e o sangue é bebida, então fazem com que permaneçamos em Cristo e Cristo em nós” (Da Trindade 8,14).

– “Recordamos todas essas coisas porque os hereges, mentindo ao dizer que somente existe unidade de vontade entre o Pai e o Filho, empregavam o exemplo da nossa união com Deus, como se estivéssemos unidos ao Filho e pelo Filho ao Pai, apenas por nossa submissão e vontade religiosas e, assim, não se concedera qualquer propriedade de união natural ao sacramento da carne e do sangue. Sendo assim, que o mistério da verdadeira e natural unidade [entre Cristo e aqueles que recebem este sacramento] seja proclamado pela honra que supõe para nós a doação do Filho; e pela permanência segundo a carne do Filho em nós, já que estamos corporal e inseparavelmente unidos a Ele” (Da Trindade 8,17).

NOTAS: [31] Os adversários da presença real costumam afirmar que Jesus pediu para que a Eucaristia fosse celebrada “em Minha memória”, como se essa “memória” fosse contrária à “presença” de Jesus. Nos Padres da Igreja, como também na doutrina católica, os conceitos de “memória” e “presença” não se opõem: em memória de Jesus celebramos “isto” (segundo as palavras do Senhor: “Fazei isto em Minha memória”) e “isto” faz também referência à oferta do Seu corpo e do Seu sangue (“Isto é o Meu corpo entregue por vós”). [32] Comentário ao Salmo 33,6. [33] Para maiores informações sobre o tema, veja-se Dufort, “Le Symbolisme Eucharistique aux Origines de l’Église”, pp. 33-35. [34] Veja-se a obra de J. Betz, “Die Eucharistie in der Zeit der Griechischen Väter”, tomo 1/1 (Freiburg 1955), que é fonte obrigatória para o estudo da linguagem eucarística dos Padres gregos. [35] Daniel Sapia, em seu artigo “A Teoria da Transubstanciação”. Esta ridícula apresentação que o Webmaster batista quer colocar na boca da Igreja nunca foi doutrina católica, como demostram, entre outros, Santo Agostinho, ao assinalar que “eles (=os ouvintes de Jesus em João 6) entenderam a carne como aquela que se solta de um cadáver, ou como aquela que é vendida no mercado, não a que se encontra animada pelo Espírito”; e: “entenderam-No carnalmente e imaginaram que o Senhor iria cortar algumas partes do Seu corpo para dar a eles”; ou São Cirilo de Alexandria, quando pregava que “quando ouviram [Jesus] dizer: ‘Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, se não beberdes o Seu sangue, não tereis vida em vós’, imaginaram que estavam sendo convidados para algo cruel, próprio das feras: que desumanamente seriam obrigados a comer carne e a beber sangue; que seriam obrigados a fazer coisas que, só de ouvir, qualquer um já estremece”; ou o próprio Martinho Lutero, que afirmava: “Os judeus pensaram que deveriam comer Cristo, do mesmo modo que se come o pão e a carne do prato, ou como um leitãozinho assado”. A Igreja rejeita toda apresentação grosseira do mistério eucarístico e entende o comer a carne de Cristo no sentido real, porém sacramental e místico, não como que extraído de um cadáver ou como se fosse um leitãozinho assado. [36] A ridícula acusação de canibalismo, por exemplo.

Leia também as outras partes da série especial sobre a Eucaristia

  1. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 1

  2. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 2

  3. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 3

  4. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 4

  5. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 5

  6. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 6

  7. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 7

  8. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 8

  9. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 9

  10. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 10

  11. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 11

  12. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 12

  13. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 13

  14. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 14

  15. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 15

  16. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 16

  17. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 17

  18. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 18

  19. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 19

 
 
 

Autor: Pe. Juan Carlos Sack Fonte: http://www.apologetica.org Tradução: Carlos Martins Nabeto

– “[Jesus] estava realmente ensinando que devemos comer a Sua carne (fibras, músculos, derme) e beber o Seu sangue (plaquetas, plasma, glóbulos)?” (Daniel Sapia, evangélico). – “A tua opinião é que pelo consumo espiritual exclui-se o corporal. Os judeus [realmente] imaginaram que tinham que comer Cristo, do mesmo modo que o pão e a carne são colocados no prato, ou como um leitãozinho assado” (Martinho Lutero). [Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje os testemunhos de Firmiliano de Cesareia, Cipriano de Cartago, e Afraates e Efrem da Síria].

FIRMILIANO DE CESAREIA

Era também discípulo de Orígenes. Bispo de Cesareia, na Capadócia. Grande amigo de São Cipriano. Morreu por volta de 268.

Em uma carta a São Cipriano, tratando da reiteração do batismo nos hereges, escreveu também:

– “Grande delito é o mesmo daqueles que são admitidos e o daqueles que permitem que o corpo e o sangue do Senhor sejam tocados, temerariamente usurpando a comunhão sem terem sido lavadas suas manchas pelo batismo da Igreja, nem terem sido expostos os seus pecados, uma vez que está escrito: ‘Quem come do pão ou bebe do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor'”[28] (Epistolário de São Cpriano, Epístola 75,21).

CIPRIANO DE CARTAGO

Figura de grande importância na Igreja africana da primeira metade do século III. Nasceu entre os anos 200 e 210. Converteu-se à fé cristã por volta de 246. Foi sacerdote e, a seguir, Bispo de Cartago. Escreveu abundantemente, em particular aos seus sacerdotes. Foi martirizado no ano 258.

O Pe. d’Ales[29] extraiu das obras de São Cipriano as seguintes expressões acerca do pão e do vinho eucarísticos:

– O corpo do Senhor – O santo corpo do Senhor – O corpo de Cristo – A carne de Cristo – O santo do Senhor – O alimento de Cristo – O alimento celeste – O pão do Senhor – A graça saudável – A comida celeste – O sangue do Senhor – O sangue de Cristo – O mistério do cálice – O cálice do Senhor – A bebida do Senhor – A bebida saudável

Comentando a Oração do Senhor (o Pai Nosso), ensina:

– “Porque Cristo é o pão daqueles que tocam o seu corpo; e esse pão é aquele que pedimos que nos seja dado todos os dias, a não ser que nós, os que estamos em Cristo e recebemos todos os dias a Sua Eucaristia como alimento de salvação, nos abstenhamos – por apresentarmos algum pecado mais grave – e não comunguemos, de modo que deixamos de receber o pão celeste e nos separamos do corpo de Cristo, segundo a Sua palavra: ‘Eu sou o pão da vida’ (…) Quando Ele diz que aquele que come o Seu pão vive eternamente, do mesmo modo que é claro que vivem os que tocam o Seu corpo e recebem a Eucaristia por direito de comunhão, ao contrário, devem temer e pedir para que, separando-se do corpo de Cristo e não comungando, não sejam separados da salvação (…). É por isso que pedimos que todos os dias nos dê Ele o pão nosso, isto é, Cristo, para que permaneçamos e vivamos em Cristo, e não nos afastemos da Sua santificação e do Seu corpo” (Da Oração do Senhor 18).

Diante das práticas de alguns, que usavam água na Eucaristia ao invés de vinho, contesta:

– “Que no cálice que se oferece em Sua memória seja oferecida uma mistura de vinho [com um pouco de água], porque tendo dito Cristo: ‘Eu sou a verdadeira vinha’, o sangue de Cristo não é, indubidavelmente, água, mas vinho. Também não pode parecer que no cálice se encontra o Seu sangue – com o qual fomos redimidos e vivificados – se nesse cálice não há vinho, o qual é o sangue de Cristo, predito pelo mistério e testemunhado por todas as Escrituras” (Epístola 63,2).

Nos tempos de perseguição – ensina Cipriano – deve-se dar a Eucaristia para os cristãos não irem desarmados para o combate, mas…

– “…armados com a proteção do sangue e do corpo de Cristo”… …já que a Eucaristia é feita para isto: para ser defesa dos que a recebem: – “Se negamos o sangue de Cristo aos que partem para a luta, como podemos ensinar-lhes ou incitar-lhes a derramar seu sangue para confessar o nome [de Cristo]?” (Epístola 57,2)[30].

E no mesmo sentido:

– “Aproxima-se agora uma luta mais difícil e feroz, para a qual os soldados de Cristo devem se preparar com uma fé incorrupta e uma robusta virtude, considerando que por isso bebem diariamente do cálice do Senhor, para que possam também eles derramar seu sangue por Cristo” (Epístola 58,1).

Falando acerca daqueles cristãos que tinham apostatado, pelo menos materialmente, da sua fé e que agora tornavam a se aproximar para receber a Eucaristia sem anter fazer penitência e sem haver se reconciliado, diz:

– “Violenta-se assim o corpo e o sangue [do Senhor] e agora com suas mãos e sua boca pecam ainda mais contra o Senhor do que antes, quando O negaram” (Dos Lapsos 16).

AFRAATES

Testemunha a fé eucarística da Igreja da Síria. Nascido por volta de 280, morreu pouco depois de 345.

Estes dois textos nos servem:

– “Quando alguém, abstendo-se de todo pecado, recebe o corpo e o sangue de Cristo, deve cuidar da sua boca com cuidado, eis que por ela entra o Filho do Rei” (Demonstração 3,2). – “O Senhor, por suas próprias mãos, deu o Seu corpo para ser comido; e antes da sua crucificação, deu o Seu sangue para que fosse bebido” (Demonstração 12,6).

EFRÉM

Eminente membro da Igreja da Síria. Nasceu em Nísibis por volta do ano 306. Foi ordenado diácono e assim permaneceu por toda a sua vida. Discípulo do Bispo de Nísibis, Tiago. Grande poeta, compôs um grande número de obras espirituais e artísticas, todas de conteúdo cristão. Conservam-se poemas e homilias.

Cito alguns textos:

– “Os sacerdotes dos tempos antigos desejaram ver a tua beleza e não a viram. / Os sacerdotes dos tempos médios odiaram a tua beleza e a rejeitaram / Os sacerdotes da Igreja Te tomaram em suas mãos, / Pão da Vida que desceu [à terra] e se uniu aos nossos sentidos” (Da Virgindade 35,12).

– “Que nos santifiquemos pelo Teu corpo e pelo Teu sangue; e estejam entre os redimidos, nós, que comemos o Teu corpo e bebemos o Teu precioso sangue” (Sermão 1,655-657).

– “O corpo que Ele tomara de Maria esta tornou a tomá-lo no pão e na oferenda” (Da Epifania 8,23).

– “De um jeito novo o Seu corpo se uniu ao nosso e o Seu sangue puro foi derramado em nossas veias; Sua voz no ouvido, Sua luz nos olhos. Por sua piedade, uniu-Se totalmente a nós” (Da Virgindade 37,2).

NOTAS: [28] Firmiliano cita as severas palavras do Apóstolo em 1Coríntios 11,27. Alguém poderia ser considerado “réu do corpo e do sangue do Senhor” se o pão que é consumido nas celebrações fosse um simples simbolismo? [29] “La Théologie de Saint Cyprien” (Paris 1922), pp. 263-264. Aí se encontram as referências para cada expressão. [30] Observe-se a força da expressão: a Eucaristia como presença real do sangue de Cristo é o fundamento para a fortaleza daqueles que irão derramar seu próprio sangue em testemunho da sua Fé.

Leia também as outras partes da série especial sobre a Eucaristia

  1. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 1

  2. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 2

  3. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 3

  4. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 4

  5. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 5

  6. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 6

  7. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 7

  8. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 8

  9. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 9

  10. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 10

  11. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 11

  12. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 12

  13. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 13

  14. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 14

  15. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 15

  16. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 16

  17. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 17

  18. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 18

  19. A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 19

 
 
 
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