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VATICANO, 30 Nov. 07 / 12:00 am (

ACI).- A Santa Sé publicou hoje a nova encíclica do Papa Bento XVI “Spe Salvi”, (Salvos pela Esperança) em que o Pontífice explica o papel da virtude da esperança no mundo contemporâneo e a urgência de que os cristãos recuperem para si e o mundo seu verdadeiro sentido.

No documento de 75 páginas divulgado esta sexta-feira em Roma durante uma coletiva de imprensa, o Pontífice assinala que “o presente, embora seja um presente fatigante, pode-se viver e aceitar se levar para uma meta, se podemos estar seguros desta meta e se esta meta for tão grande que justifique o esforço do caminho”.

Na encíclica, enriquecida com numerosas entrevistas e meditações bíblicas, além de exemplos e entrevistas tirados da vida de Santos e Padres da Igreja, o Pontífice assinala que a partir do anúncio do Evangelho pelo Jesus Cristo, “a porta obscura do tempo, do futuro, foi totalmente aberto. Quem tem esperança vive de outra maneira; deu-lhe uma vida nova”. “Chegar a conhecer deus, ao Deus verdadeiro, isso é o que significa receber esperança“, adiciona.

Mais adiante, ao referir-se ao conceito de esperança apoiada na fé no Novo Testamento, a encíclica recorda que “o cristianismo não trazia uma mensagem sócio-revolucionária como o de Espartaco que, com lutas cruentas, fracassou”. “O que Jesus trouxe, tendo morrido Ele mesmo na cruz, era algo totalmente diverso: o encontro com o Senhor de todos os senhores, o encontro com o Deus vivo e, assim, o encontro com uma esperança mais forte que os sofrimentos da escravidão, e que por isso transforma de dentro a vida e o mundo”.

“Não são –explica o Santo Padre– os elementos do cosmos, a leis da matéria, o que em definitiva governa o mundo e o homem, mas sim é um Deus pessoal quem governa as estrelas, quer dizer, o universo; a última instância não são as leis da matéria e da evolução, mas sim a razão, a vontade, o amor: uma Pessoa. E se conhecermos esta Pessoa, e ela a nós, então o inexorável poder dos elementos materiais já não é a última instância; já não somos escravos do universo e de suas leis, agora somos livres”.

Com efeito, Jesus “diz-nos quem é em realidade o homem e o que deve fazer para ser verdadeiramente homem. Ele nos indica o caminho e este caminho é a verdade”, explica o Papa.

Em seguida, meditando sobre a passagem de Hebreus 11,1; Bento XVI assinala que “a fé não é somente um tender da pessoa para o que tem que vir, e que está ainda totalmente ausente; a fé nos dá algo. Dá-nos já agora algo da realidade esperada, e esta realidade presente constitui para nós uma ‘prova’ do que ainda não se vê”.

“A fé –prossegue– outorga à vida uma base nova, um novo fundamento sobre o que o homem pode apoiar-se, de tal maneira que precisamente o fundamento habitual, a confiança na renda material, fica relativizado”.

Vida eterna e mundo atual

Spe Salvi aborda em seguida a pergunta sobre o que é a vida eterna. Ali o Santo Padre interroga: “a fé cristã é também para nós agora uma esperança que transforma e sustenta nossa vida?”. “De verdade queremos isto: viver eternamente?”

“Talvez muitas pessoas –explica o Sumo Pontífice– rechaçam hoje a fé simplesmente porque a vida eterna não lhes parece algo desejável. Em modo algum querem a vida eterna, mas sim a presente e, para isto, a fé na vida eterna lhes parece mas bem um obstáculo. Seguir vivendo para sempre –sem fim– parece mais uma condenação que um dom”.

Assim o Papa observa: “obviamente, há uma contradição em nossa atitude, que faz referência a um contraste interior de nossa própria existência. Por um lado, não queremos morrer; os que nos amam, sobre tudo, não querem que morramos. Por outro lado, entretanto, tampouco desejamos seguir existindo ilimitadamente, e tampouco a terra foi criada com esta perspectiva. Então, o que é realmente o que queremos?

“No fundo –responde o Pontífice– queremos apenas uma coisa, a ‘vida bem-aventurada’, a vida que simplesmente é vida, simplesmente ‘felicidade’”.

É individualista a esperança cristã?

Sob este subtítulo, Bento XVI aborda a questão de se a esperança cristã, centrada no desejo pessoal da salvação, pode terminar sendo individualista, até egoísta.

A respeito, o Papa argumenta que esta visão da salvação não tem suas raízes nem nas Sagradas Escrituras nem no cristianismo primitivo; e por isso se pergunta na encíclica: Como se chegou a interpretar a ‘salvação da alma’ como fuga da responsabilidade em relação às coisas em seu conjunto e, por conseguinte, a considerar o programa do cristianismo como busca egoísta da salvação que se nega a servir a outros?”

“Para encontrar uma resposta a esta questão temos que nos fixar nos elementos fundamentais da época moderna”, assinala. E logo depois de explicar o impacto do pragmatismo racionalista do intelectual inglês Francis Bacon (1561-1626), para quem “o restabelecimento do ‘paraíso’ perdido, já não se espera da fé, mas sim da correlação apenas descoberta entre ciência e praxe”; assinala que “esta visão programática determinou o processo dos tempos modernos e influi também na crise atual da fé que, em seus aspectos concretos, é sobre tudo uma crise da esperança cristã. Por isso, em Bacon a esperança recebe também uma nova forma. Agora se chama: fé no progresso”.

Assim, “durante o desenvolvimento ulterior da ideologia do progresso, a alegria pelos visíveis adiantamentos das potencialidades humanas é uma confirmação constante da fé no progresso como tal“, adverte o Santo Padre.

“Ao mesmo tempo, –explica em seguida– há duas categorias que ocupam cada vez mais o centro da idéia de progresso: razão e liberdade. O progresso é sobre tudo um progresso do domínio crescente da razão, e esta razão é considerada obviamente um poder do bem e para o bem. O progresso é a superação de todas as dependências, é progresso para a liberdade perfeita”.

Entretanto, o Papa adverte que “em ambos os conceitos chave, ‘razão’ e ‘liberdade’, o pensamento está sempre, tacitamente, em contraste também com os vínculos da fé e da Igreja“.

De uma perspectiva histórica, o Pontífice assinala a “a Revolução Francesa como a tentativa de instaurar o domínio da razão e da liberdade“: “Em s. XVIII não faltou a fé no progresso como nova forma da esperança humana”.

“Entretanto –explica– o avanço cada vez mais rápido do desenvolvimento técnico e a industrialização que comportava criaram muito em breve uma situação social completamente nova: formou-se a classe dos trabalhadores da indústria e o assim chamado ‘proletariado industrial’”.

“Depois da revolução burguesa de 1789 –explica o Papa– tinha chegado a hora de uma nova revolução, a proletária… Karl Marx recolheu esta chamada do momento e, com vigor de linguagem e pensamento, tratou de represar este novo e, como ele pensava, definitivo grande passo da história para a salvação”.

A promessa marxista, “graças à acuidade de sua análise e à clara indicação dos instrumentos para a mudança radical, fascinou e fascina ainda hoje de novo”, adiciona.

Entretanto, essa promessa “em lugar de iluminar um mundo são, deixou atrás de si uma destruição desoladora. O engano de Marx não consiste sozinho em não ter ideado os ordenamentos necessários para o novo mundo… Seu engano está mais ao fundo. Esqueceu que o homem é sempre homem. esqueceu ao homem e esqueceu sua liberdade. Esqueceu que a liberdade é sempre liberdade, inclusive para o mal. Acreditou que, uma vez solucionada a economia, tudo ficaria solucionado. Seu verdadeiro engano é o materialismo“, destaca o Papa na Spe Salvi.

Para ler a encíclica completa, em espanhol, acesse: http://www.acidigital.com/Documentos/spesalvis.htm

 
 
 

VATICANO, 22 Nov. 07 / 12:00 am (

ACI).- O Secretário de Estado Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, confirmou que a próxima encíclica do Papa Bento XVI, que falará sobre a esperança e se inspirará na carta de São Paulo aos Romanos, será assinada em 30 novembro.

Em uma intervenção esta manhã no 2° congresso mundial das organizações caridosas da Igreja promovido pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, o Cardeal, assegurou que o documento pontifício será assinado na data mencionada. Ainda que não tenha afirmado a data exata de sua publicação, alguns meios locais indicaram que seria antes do Natal.

Ante as recentes notícias que anunciavam a publicação da nova encíclica do Santo Padre intitulada “Spe Salvi”, uma nota de imprensa do Vaticano assegura que embora se afirmou que a próxima encíclica seria de caráter social, o Pontífice decidiu parar esta iniciativa e adiantar a outra para “dirigir-se ao coração dos cristãos e convidar a ter esperança, sem deixar se envolver pelo pessimismo“, o qual não anula o projeto do documento social.

Além disso alguns meios assinalaram que a redação da carta encíclica Spe Salvi (Salvos pela Esperança) já terminou e agora estaria na etapa de tradução.

 
 
 

VATICANO, 18 Jul. 06 (ACI) .- Segundo diversos vaticanistas que acompanham a viagem do Papa Bento XVI à região de Les Combes, no norte alpino da Itália, o Pontífice estaria trabalhando em um livro sobre Cristo, assim como em uma futura encíclica sobre o trabalho humano.

No domingo passado, as imagens do Centro Televisivo Vaticano permitiram ver as atividades do Papa nestes dias, incluindo um momento de trabalho em seu escritório na residência dos salesianos em Les Combes.

Segundo Salvatore Mazza, enviado especial do jornal Avvenire, “parece que, entre outras coisas, voltou a tomar em suas mãos o livro que estava escrevendo antes de ser eleito sucessor de João Paulo II“, “um texto de teologia”.

O livro, segundo outras fontes próximas ao Vaticano, abordaria o tema de Cristo e sua relação com o gênero humano, assim como a relação entre o cristianismo e outras religiões no mundo.

Outro dos trabalhos que ocuparão os dias de verão do Pontífice, antes de sua viagem a sua terra natal em setembro, seria o de uma nova encíclica social centrada no valor do trabalho humano.

Como assinalaram outras fontes anteriormente, a encíclica levaria o nome de “Trabalho Domini”, “O Trabalho do Senhor”.

A encíclica falaria da visão cristã do trabalho humano, a importância do trabalho na sociedade e o trabalho como necessidade e dever do ser humano.

Segundo o Bispo de Aosta, Dom Giuseppe Anfossi, “a conversa com ele é extremamente singela, como é próprio de seu caráter. Além disso, quando fala está atento a todos”.

O Prelado compartilhou com a Rádio Vaticano uma anedota “de natureza muito pessoal”: “Assim que subiu ao carro para o traslado do aeroporto à casa, a primeira palavra que o Papa Bento XVI me dirigiu foi me pedir notícias da saúde de minha mãe. Francamente não esperava tanta delicadeza”, relatou Dom Anfossi.

 
 
 
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