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Eu te adoro com afeto, Deus oculto, que te escondes nestas aparências.


A ti sujeita-se o meu coração por inteiro e desfalece ao te contemplar.

A vista, o tato e o gosto não te alcançam, mas só com o ouvir-te* firmemente creio.

Creio em tudo o que disse o Filho de Deus, nada mais verdadeiro do que esta Palavra da Verdade.

Na cruz estava oculta somente a tua divindade, mas aqui se esconde também a humanidade.

Eu, porém, crendo e confessando ambas, peço-te o que pediu o ladrão arrependido.

Tal como Tomé, também eu não vejo as tuas chagas, mas confesso, Senhor, que és o meu Deus; faz-me crer sempre mais em ti, esperar em ti, amar-te.

Ó memorial da morte do Senhor, pão vivo que dás vida ao homem, faz que meu pensamento sempre de ti viva, e que sempre lhe seja doce este saber.

Senhor Jesus, terno pelicano**, lava-me a mim, imundo, com teu sangue, do qual uma só gota já pode salvar o mundo de todos os pecados.

Jesus, a quem agora vejo sob véus, peço-te que se cumpra o que mais anseio: que vendo o teu rosto descoberto, seja eu feliz contemplando a tua glória.

* “Ouvir-te” – segundo São Paulo, a fé pelo ouvir. ** “Pelicano” – rasgar o próprio peito para alimentar seus filhotes com o seu próprio sangue e carne…

(Santo Tomás de Aquino – Doutor da Igreja)

 
 
 

Na noite em que foi entregue, nosso Senhor Jesus Cristo tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e deu-o a seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei: isto é o meu corpo”. Em seguida, tomando o cálice, deu graças e disse: “Tomai e bebei: isto é o meu sangue” (cf. Mt 26,26-27; 1Cor 11,23-24). Tendo, portanto, pronunciado e dito sobre o pão: Isto é o meu corpo, quem ousará duvidar? E tendo afirmado e dito: Isto é o meu sangue, quem se atreverá ainda a duvidar e dizer que não é o seu sangue?


Recebamos, pois, com toda a convicção, o Corpo e o Sangue de Cristo. Porque sob a forma de pão é o corpo que te é dado, e sob a forma de vinho, é o sangue que te é entregue. Assim, ao receberes o corpo e o sangue de Cristo, te transformas com ele num só corpo e num só sangue. Deste modo, tendo assimilado em nossos membros o seu corpo e o seu sangue, tornamo-nos portadores de Cristo; tornamo-nos, como diz São Pedro, participantes da natureza divina (2Pd 1,4).

Outrora, falando aos judeus, dizia Cristo: Se não comerdes a minha carne e não beberdes o meu sangue, não tereis a vida em vós (cf. Jo 6,53). Como eles não compreenderam o sentido espiritual do que lhes era dito, afastaram-se escandalizados, julgando estarem sendo induzidos por Jesus a comer carne humana.

Na Antiga Aliança havia os pães da propiciação; por pertencerem ao Velho Testamento, já não mais existem. Na Nova Aliança, porém, trata-se de um pão do céu e de um cálice da salvação que santificam a alma e o corpo. Assim como o pão é próprio para a vida do corpo, também o Verbo é próprio para a vida da alma.

Por isso, não consideres o pão e o vinho eucarísticos como se fossem elementos simples e vulgares. São realmente o corpo e o sangue de Cristo, segundo a afirmativa do Senhor. Muito embora os sentidos te sugiram outra coisa, tem a firme certeza do que a fé te ensina.

Se foste bem instruído pela doutrina da fé, acreditas firmemente que aquilo que parece pão, embora seja como tal sensível ao paladar, não é pão, mas é o corpo de Cristo. E aquilo que parece vinho, muito embora tenha esse sabor, não é vinho, mas é o sangue de Cristo. Antigamente, bem a propósito, já dizia Davi nos salmos: O pão revigora o coração do homem, e o óleo ilumina a sua face (Sl 103,15). Fortifica, pois, teu coração, recebendo esse pão espiritual e faze brilhar a alegria no rosto de tua alma.

Com o rosto iluminado por uma consciência pura, contemplando como num espelho a glória do Senhor, possas caminhar de claridade em claridade, em Cristo Jesus, nosso Senhor, a quem sejam dadas honra, poder e glória pelos séculos sem fim. Amém.

(Das Catequeses de Jerusalém – Cat. 22, Mystagogica 4,1.3-6.9: PG 33, 1098-1106 – Séc.IV).

 
 
 

À minha mesa vos convido. Nela ninguém morre, nela está a vida verdadeiramente feliz, nela o alimento  não se corrompe, mas refaz e não se acaba.


Eis para onde vos convido, para a morada dos anjos, para a amizade do Pai e do Espírito Santo, para a ceia eterna, para a fraternidade comigo; enfim, a mim mesmo, à minha vida eu vos conclamo! Não quereis crer que vos darei a minha vida? Retende, como penhor a minha morte.

(Santo Agostinho – Bispo de Hipona)

(Imagem: Internet)

 
 
 
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Esta obra é inteiramente dedicada à Santíssima Virgem Maria!

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