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O INVESTIMENTO INTERNACIONAL PARA O CRESCIMENTO DAS SEITAS

RELATÓRIO ROCKFELLER

Nos últimos dias vimos a Pontifícia Academia das Ciências acolher oficialmente pela primeira vez na história do Vaticano a Fundação Rockefeller, em uma parceria para um evento ocorrido entre 11 e 12 de novembro de 2019, isto é bem estranho, pois a fundação Rockfeller sempre foi inimiga declarada da Igreja, vamos ver isso através do relatório Rockfeller. A prevenção da política externa dos Estados Unidos contra a Igreja Católica e as tentativas para reduzir-lhe a influência na América Latina são antigas. A bem da verdade, essa prevenção é recíproca e remonta aos tempos em que o colonialismo espanhol, sustentado por aquela, estendia seus domínios à vastidão de terras ao Sul do Rio Nusces e o protestantismo dos imigrantes ingleses expandiam-se para todo o Oeste, a partir das colônias implantadas na Nova Inglaterra. Mas eram adversários cordiais, respeitavam-se.

“Mais tarde, estoura a guerra México-Estados Unidos (18461848) e os americanos, os vitoriosos, anexam os territórios do Texas, Novo México, Califórnia, Chihuahua, Ceamila e Tamonhipes. A animosidade contra a Igreja Católica, que tomou partido ao lado do México, fica, então, mais patente, alimentada sempre por um antagonismo que ganha, agora, nova dimensão com as disputas ideológicas que dividem o mundo. Nas últimas décadas, Estados Unidos e Igreja Católica da América Latina percorreram, curiosamente, o inverso da trajetória política do passado, ou seja, enquanto os Estados Unidos marcham acelerados rumo ao conservadorismo, a Igreja Católica da América Latina alinha-se numa postura mais liberal, mais progressista. Antes, era o contrário. Trocam-se, portanto, as posições, mudam-se os papéis.”

As relações entre o governo dos Estados Unidos e a Igreja Católica da América Latina começaram, no entanto, a tomar um caminho irreversível de deterioração, a partir do momento em que o Departamento do Estado americano adotou procedimentos por demais ostensivos na manifestação de sua desconfiança quanto ao que considerava dever de lealdade da liderança dos católicos latinos para com a preservação da democracia nos Países onde tem hegemonia. A primeira atitude dessa natureza consistiu no estardalhaço que cercou a divulgação de um documento oficial, vazado em linguagem sinuosa, mas expressando de forma inequívoca a suspeita de um comportamento que não era do agrado americano. É o Relatório Rockefeller, elaborado em agosto de 1969 por uma enorme equipe comandada por Nelson A. Rockefeller, então governador do Estado de Nova York, por solicitação pessoal do presidente Nixon, que o utilizaria como subsídio à formulação do seu plano de governo para a América Latina.

“Apresentando o documento à opinião pública americana, Ted Szulc, do jornal “The New York Times”, escreve longa “introdução” em que observa que, na análise de Rockefeller sobre a ‘qualidade de Vida na América”, é amplamente visível que as forças tradicionais que suportam o velho status da América Latina \ lgreja Católica Romana e os militares – estão se voltando na direção de atitudes progressistas. À primeira vista – escreve Szulc –, os Estados Unidos consideram isso um fenômeno positivo, Mas, na prática, esse novo estado de coisas está criando um duro dilema para os americanos, e o Sr. Rockefeller está a par desses acontecimentos. Observa, mais, que a Igreja, como ele (Rockefeller) reconheceu, está incentivando agora reformas positivas. Porém, como mostraram os recentes pronunciamentos dos homens da Igreja na América Latina, o jovem clero, os padres-Operários e a politica católica ativa de esquerda não estão permitindo aos Estados Unidos verem muito mais erros na vida da América Latina. O típico da Igreja conclui Szulc é, então, tornar-se um canal adicional a um nacionalismo intenso e, compulsoriamente, ao anti-americanismo.

O Relatório Rockefeller propriamente dito, sempre com a mesma linguagem sinuosa, tem uma ótica original da sociologia da América Latina. O titulo “A cruz e a espada”, por exemplo. começa dizendo que, conquanto ainda não seja largamente reconhecido, o conjunto militar – Igreja Católica encontra-se entre as forças de hoje com o objetivo de alcançar a mutação política e social nas outras repúblicas americanas. Isto é, para ambos, uma nova atribuição. É fato histórico que, há mais de 400 anos, a ação dos militares e da Igreja Católica, agindo em comum com os senhores de terra para garantir a “estabilidade”, tem constituído uma das tradições nas Américas. Depois, procura mostrar o oportunismo que representa esse comportamento:

“Poucos imaginam a extensão do contraste que ambas essas instituições estão fazendo com o seu passado. Encontram-se factualmente ganhando a dianteira como forças para a social. econômica e politica. No caso da Igreja. trata-se do reconhecimento de uma necessidade de maior aceitação da vontade popular. Quanto aos militares. é o reflexo de uma ampliação das oportunidades para os jovens, a despeito de seus antecedentes familiares.” Essa tendência dos anos 70/80, que conhecemos como teologia da libertação, que tem claramente uma influência comunista, foi o que despertou nos EUA o desejo de investimento nas seitas protestantes para uma mudança de comportamento social. Na atualidade vemos uma atuação dos leigos contra as duas atuações, tanto a neo-conservadora americana, quanto a comunista do clero que foi infectado por essa ideologia, está nascendo um conservadorismo tipicamente católico nós últimos últimos.

O Relatório Rockefeller, a seguir, assinala que os modernos meios de comunicação e a mais disseminada educação têm causado um impulso popular de tremendo impacto na Igreja Católica. tornando-a uma força dedicada à mutação – mesmo revolucionária -, se for necessário. Aí, externa toda a sua desconfiança:

“Atualmente, a Igreja pode se encontrar, de certa forma, na mesma situação dos moços – com profundo idealismo, mas, como resultado, em alguns casos, vulnerável à penetração subversiva; pronta para fazer até a revolução, se preciso, para por cobro a injustiças, mas não certa nem quanto à finalidade da própria revolução, nem quanto ao sistema governamental através do qual alcançará a justiça almejada.”

A animosidade não se esgotou, porém, com a ruidosa divulgação do Relatório Rockefeller. Com efeito, em maio de 1980, os americanos voltam à carga contra a Igreja Católica da América Latina, dessa vez publicando um informe produzido pelo grupo de trabalho denominado “Comité de Santa Fé” para o Conselho Para Segurança Inter-americana com sede em Washington, intitulado “Uma nova politica inter-americana para os anos 80”. O Relatório de Santa Fé, como ficou conhecido, no capítulo em que trata da subversão interna, entre outras medidas sugeridas ao governo dos Estados Unidos com a finalidade de conter a expansão comunista na América Latina, recomenda, na Proposição n° 2 «Parte 2 -, que “a formulação da política americana deve isolar-se da propaganda originária da mídia geral e especializada que é inspirada por forças explicitamente hostis aos Estados Unidos”.

O Relatório de Santa Fé entende que a cobertura da realidade politica da América Latina pela mídia americana é inadequada e demonstra ser fortemente tendenciosa, favorecendo patrocinadores da transformação sócio-econômicas radical dos países menos desenvolvidos, em conjunto com linhas coletivistas. Segundo o informe, reforma e desenvolvimento são sempre indistintos da revolução comunista e pouca atenção da imprensa é dedicada às diferenças geofísicas e sociológicas peculiares entre a Guatemala, por exemplo, e a Costa Rica, ou entre Argentina e Peru. Isso resulta no encorajamento de uma concepção errônea de que as únicas alternativas são oligarquias, regimes autoritários que professam o anti-americanismo e alguma forma de populismo de esquerda ou socialismo. Afirma ainda que ativistas utilizam-se da superficialidade do conhecimento sobre determinados países. dos conceitos errôneos sobre suas reais alternativas politica econômicas, alimentando uma corrente constante de desinformação que denigre os amigos e glorifica os inimigos. E aponta o que julga relevante: “A manipulação da informação através de grupos afiliados a Igreja e outros assim chamados lobbies de direitos humanos tem desempenhado um crescente importante papel na deposição dos governos autoritários, porém pró-Estados Unidos, substituindo-os por ditaduras comunistas ou pró-comunistas, anti-Estados-Unidos, de caráter totalitário.” Na Proposição n.° 3 Parte 2 -, é sugerido que “a política externa americana deve começar a opor-se (não reagir contra) à teologia da libertação da forma como é utilizada na América Latina pelo clero da ‘Teologia da Libertação’ ”, o que é justificado com uma advertência bastante temerária: “O papel da Igreja na América Latina é vital para o conceito de liberdade política. Infelizmente, forças marxistas-leninistas têm-se utilizado da Igreja como arma politica contra a propriedade privada e o capitalismo produtivo, infiltrando na comunidade religiosa idéias que são menos cristãs do que comunistas

O REVERSO DA MEDALHA

Toda a hierarquia da Igreja Católica da América Latina, ainda sem compreender as infundadas suspeitas manifestadas pelo Relatório Rockefeller, viu com tristeza maior que o Relatório de Santa Fé, 10 anos depois, não só reafirmava, como tomava mais enfáticas as desconfianças americanas. A Igreja Católica considerou profundamente injustas as conclusões a que chegaram os dois documentos encampados pelo governo dos Estados Unidos e lembrou, com energia. qual, mais do que força das armas, tem sido o papel da cruz empunhada pelos católicos latinos na contenção da expansão comunista no continente americano. Não aceitava, absolutamente. ser submetida A investigação ou ver seus atos julgados por grupos de trabalho estranhos a Igreja. Era uma atitude desrespeitosa, insólita mesmo, que repelia com toda a firmeza.

A consequência desses episódios foi o inicio de estudos sistematizados pela Igreja Católica, com a finalidade de estabelecer a exata medida do comprometimento de organismos estrangeiros na já notória proliferação de seitas na América Latina e conhecer as implicações de natureza política acarretadas pela invasão dos credos exóticos. Um relatório volumoso, publicado em Bogotá, na Colômbia, a 25 de maio de 1984, sob a responsabilidade do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), baseado em pesquisa por sua seção de Ecumenismo (SECUM), revelou então que a atividade desenvolvida pelas seitas na América Latina representa um enorme desafio para o trabalho pastoral da Igreja. Isto porque os métodos e as estratégias adotadas pelas mesmas têm sido eficazes para responder a certos aspectos pastorais em relação aos quais a Igreja Católica se descuidou ou não cobriu plenamente. Seu êxito se explica, principalmente, pelo fato de ter uma resposta apropriada para as necessidades de mudança e renovação exigidas pela sociedade latino-americana.

O informe do CELAM, intitulado ‘ ‘ A realidade do avanço das seitas”, responsabilizou as seitas por uma tendência generalizada para apresentar a sociedade como decadente e de atribuir essa crise à Igreja Católica, que estaria, assim, excluída da edificação de uma sociedade nova. A agressão contra a Igreja concentra-se na pessoa do Papa, dos bispos e dos sacerdotes, realçando seus defeitos e apontando-os como agentes do mal, necessitados de conversão. A Igreja, em outras palavras, seria a grande rameira que personificaria todo o mal. Através desse expediente, canalizam-se todos os rancores e ressentimentos contra a lgreja Católica. Assim, como opção única, oferece-se aos católicos a Oportunidade de desligarem-se das “complicadas estruturas eclesiais” para ingressar em uma igreja mais “à mão”, que lhes fale numa linguagem popular baseada em palavras da bíblia, diferente da estereotipada e incompreensível como a da sua. Nessa comunidade ideal e com essa mensagem que chega ao coração e 2‘: meme encontra-se o novo equilíbrio pessoal, a plenitude, uma grande paz, e se sente de modo palpável trabalhar “apenas a graça divina.”

Em resposta, o informe do CELAM acusa diretamente Os grupos de direita de reagirem contra os esforços de promoção humana e de conscientização social da América Latina, dizendo que eles dão ênfase à “conversão pessoal”, sem considerar as “estruturas coletivas”, numa recusa sistemática da realidade objetiva da luta de classes, só esperando um “milagre do Altíssimo para resolver o problema dos explorados”. Essa ideologia evidência apenas o interesse por uma vida fraterno-sectarista que evita encarar os conflitos sócio-políticos. Segundo o CELAM, as seitas que mais claramente manifestam uma politica de direita são as pentecostalistas o grupo mais numeroso na América Latina – e a Igreja da Unificação do Cristianismo Mundial – a seita Moon -, que professa abertamente o anticomunismo. O documento, a seguir, aponta o envolvimento pessoal do presidente dos Estados Unidos:

“A expansão das seitas nas últimas décadas, acompanhada de uma extraordinária proliferação denominacional, é uma prova Clara de sua penetração e também de sua influência política. Um aspecto notável nessa relação entre os movimentos sectários e a política é o agrupamento em tomo das tendências que surgem no interior dessas organizações evangélicas: uma corrente de esquerda e outra de direita. No caso dos movimentos de direita observa-se um apoio ao trabalho das comunidades evangélicas e agrupamentos internacionais em países do Caribe, Centro e Sul-América. Isto é consequente da politica norte-americana do Presidente Reagan, que promulga o apoio is campanhas missionarias em beneficio de seu governo.”

Ao analisar as implicações e efeitos dessa situação, o informe do CELAM observa que a polarização politica das seitas repercute fortemente sobre a vida da América Latina e também da Igreja Católica, porque sua influência esta mudando a vivência religiosa tanto a nível urbano quanto rural. Tal afirmação pode ser comprovada ao se constatar as inúmeras conversões ao pentecostalismo, Testemunhas de Jeová, Mórmons, entre outras, e observando-se, também, o trabalho incansável de seus missionários. Essa verdadeira migração religiosa demonstra que o povo espera e busca uma solução sacral, ou seja, de natureza religiosa para seus problemas fundamentais.

A polarização das seitas afeta profundamente os movimentos de direita e de esquerda e o aspecto religioso é visto envolvido na luta violenta entre a repressão e a guerrilha. Afirma o relatório que a direita religiosa chega a manipular recursos superiores aos da própria Agência Central de Inteligência (CIA) em algumas áreas, como na Guatemala.

De fato, naquele pais as seitas religiosas têm sido, para o exército e o governo em sua guerra contra a guerrilha, tão imprescindíveis quanto as armas automáticas e os helicópteros americanos. E praticamente igual a ajuda das seitas e auxílio militar que provém direta ou indiretamente dos Estados Unidos em apoio aos governos militares direitistas e com o objetivo de acabar com o comunismo na Guatemala. Defensores da presença norte-americana na nação guatemalteca importam dinheiro, política, valores e um esquema religioso pré-fabricado pelas seitas fundamentalistas e proclamam, ali, a união do exército, religião e governo na luta contra a guerrilha. As seitas constituem uma eficaz arma contra- revolucionária e são responsáveis pelos massacres e extermínios, justificados com a bíblia na mão da ditadura e a “pacificação” como obra de Deus.

Jancsó István, A construção dos estados nacionais na América latina, MONTEIRO DE LIMA, Delcio, os demônios descem do Norte;, Arcebispo Thomas Roberts, O futuro do Cristian Católico

 
 
 

FÉ E RAZÃO


Alocução Singulari quadam

(9/12/1854)


TEXTO: Pio IX acta, Roma, 1857, 1/1, 623-625; CL 6, 844 845,



Da diferença entre o método filosófico e o teológico


(…) Há, além disso (…), homens eminentes por sua erudição que confessam que a religião é o dom mais precioso dado por Deus aos homens, mas superestimam a razão humana e de tal modo a exaltam que pensam, tão desvairadamente, que ela deve ser equiparada á própria religião. Por isso, segundo esta vã opinião, as disciplinas teológicas deveriam ser tratadas do mesmo modo que as filosóficas entretanto, como aquelas se apoiam nos dogmas de Fé — a que nada supera em firmeza e em estabilidade —, explicam-se estas e são iluminadas pela razão humana que é o que de mais inseguro pode haver, uma vez que ela varia segundo as inclinações pessoais de cada um, e está sujeita a inúmeras falácias e ilusões. Assim, rejeitada a autoridade da Igreja, ficou aberto um vastíssimo campo a todas as mais difíceis e complicadas questões. E a razão humana, confiante em suas débeis forças e aventurando-se por esse caminho com excessiva liberdade, caiu nos mais vergonhosos erros, que não podemos nem queremos aqui enumerar, mas que são bem conhecidos e provados, e que redundaram em tão grandes danos para a religião e para a sociedade [et civilis rei detrimentum]. Po: isso, é preciso mostrar a esses homens, que supetestimam as forças da razão humana, que isso é simplesmente contrário áquela tão verdadeira sentença do Apóstolo das Gentes: “Se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo” (GI 6,3). Deve-se-lhes mostrar quanta presunção é perscrutar os mistérios que Deus clementíssimo Se dignou revelar-nos, e quanta presunção é atrever-se a alcançá-los e compreendê-los com a fraqueza e a limitação da razão humana, uma vez que (eles) transcendem as forças de nossa inteligência que, segundo o mesmo Apóstolo, deve ser cativa do obséquio da Fé (cf. 2 Cor 10,5).



E estes seguidores, ou melhor, adoradores da razão humana, que a tomam como mestra segura, sob cuja orientação é prometida toda espécie de prosperidade, certamente esqueceram como foi grave e dolorosa a ferida aberta na natureza humana pelo pecado do primeiro pai, ou seja: a inteligência se obscureceu e a vontade ficou inclinada ao mal. Daí por que os mais célebres filósofos da mais remota antiguidade, apesar de terem escrito admiravelmente muitas obras, contaminaram, no entanto, suas doutrinas com gravíssimos erros. Assim se explica aquela continua luta que experimentamos em nós e de que fala o Apóstolo: “Sinto em meus membros uma lei que se opõe à lei do meu espírito” (Rm 7,23).





Se portanto é certo que, por causa do pecado original, transmitido a todos os descendentes de Adão, a luz da razão ficou enfraquecida e a espécie humana miseravelmente perdeu seu primitivo estado de justiça e inocência, quem negará que, para não cair ou desviar-se, entre tão graves perigos e tão grande debilidade de forças, é necesséria à salvação o socorro da religião divina e da Graça celestial? Auxílio que certamente Deus concede com grande benignidade





Áqueles que, com humilde oração, o pedem, pois está escrito: “Deus resiste aos soberbos, mas dá Sua graça aos humildes” (Tg 4,6)(…) É preciso que inculqueis este salutar ensinamento nos ânimos daqueles que a tal ponto exageram a faculdade da razão humana que, com ela, ousam perscrutar e explicar também os mistérios(…), e que lhes explique que nada mais excelente foi pela Providência de Deus dado aos homens que a autoridade da Fé divina, que para nós é como um faroI nas trevas, como um guia que conduz à Vida.


 
 
 

Afresco de A Virgem e o unicórnio. Domenico Zampieri, c. 1602.




O UNICÓRNIO NA TRADIÇÃO CRISTÃ


O unicórnio na Bíblia

A figura do unicórnio está presente em várias passagens diferentes da Bíblia Cristã: Salmo 22:21, Salmo 29:6 e Salmo 92:10 ou ainda em Jó 39:9-10, Números 23:22, Isaías 34:7 e Deuteronômio 33:17.

Na realidade não significa que estejam se referindo aos seres mitológicos, mas sim pode ser considerada uma má tradução do hebraico para os outros idiomas.

Originalmente, o termo hebraico Re’ém foi trocado pela palavra Monokeros (Bíblia Septuaginta grega), que pode ser traduzida literalmente como “um só chifre” ou “unicórnio”.

A Bíblia Vulgata, por sua vez, traduziu o hebraico Re’ém para rinoceronte.


ORIGENS DIVERSAS


A origem do tema do unicórnio é incerta e se perde nos tempos. Presente nos pavilhões de imperadores chineses e na narrativa da vida de Confúcio, no Ocidente faz parte do grande número de monstros e animais fantásticos conhecidos e compilados na era de Alexandre e nas bibliotecas e obras helenísticas.


O unicórnio tem sido uma presença frequente na literatura fantástica, surgindo em obras de Lewis Carroll, C.S. Lewis e Peter S. Beagle. Anteriormente, na sua novela A Princesa de Babilônia.


PARA A NOVA ERA


O que é nova era? A Nova Era é um conjunto de proposições “místicas” sem lógica, mas que tem feito sucesso por quatro principais teses o panteísmo, a reencarnação, a comunicação com o além… em vista da implantação de uma Nova Era, dita “de Aquário (ou Aguadeiro)” em que a humanidade estará unificada sob um só Governo mundial e uma só religião.


Tal mensagem é mais fantasiosa e emocional do que lógica e científica. O panteísmo, por exemplo, é uma aberração filosófica, pois identifica a Divindade (o Absoluto, o Eterno) com o mundo e o homem, que são relativos e passageiros. Não há prova de reencarnação, nem alguém tem reminiscência do que fez ou foi em sua” vida pregressa”. Também se pode dizer à luz da psicologia e da parapsicologia, que os fenômenos mediúnicos nada têm que ver com comunicação do além, mas são expressões do inconsciente do médium e dos seus clientes.


O unicórnio, para os adeptos da Nova Era, costuma ser o símbolo da liberdade sexual: heterossexualidade, homossexualidade, Fornicação (sexo antes do casamento), sexo grupal, etc. Por esse motivo muitos historiadores querem identificar a figura do unicórnio na leitura cristã como um andrógeno, ou bissexual



NA IDADE MÉDIA E A INTERPRETAÇÃO DA IGREJA



O unicórnio é um belo exemplo da presença de seres imaginários, em paralelo a personagens históricos ou seres reais, dentre os heróis da Idade Média. O destino do unicórnio, enquanto personagem heróico, ilustra, de um lado, a indiferença que durante muito tempo os homens e mulheres da Idade Média demonstravam com relação a fronteira entre imaginário e realidade e, de outro, a paixão deles por heróis surpreendentes e carregados de simbolismo.


O unicórnio foi legado a Idade Média pela Antiguidade. Os Padres da Igreja, autores cristãos da Alta ldade Média, descobriram-no em uma obra que constitui a fonte da formidável presença deste animal na cultura do Ocidente Medieval. Trata-se do Physiologus, tratado escrito em grego entre os séculos II e IV em Alexandria por uma figura pertencente a um meio certamente gnóstico, ou seja, imbuído de religiosidade simbólica. Este texto foi rapidamente traduzido para o latim. O sucesso do unicórnio se deve as suas qualidades estéticas e sobretudo sobretudo às suas íntimas relações com o Cristo e a Virgem no seio da sensibilidade religiosa medieval. O unicórnio é citado três vezes por Plínio em sua História natural (8, 31, 76) e por Solino, polígrafo do século III que forneceu à Idade Média o seu maior estoque de maravilhas em suas Collectanea rerum memorabilium, mas o texto decisivo é o Physiologus:


“O unicórnio é pequeno e muito selvagem. Ele possui um chifre na cabeça. Nenhum caçador consegue pegá-lo, a não ser por uma astúcia. Uma virgem o atrai onde ela mora. Quando a vê, o unicórnio pula em seu colo. Ele então é preso e conduzido ao palácio do rei.”



A introdução do unicórnio no saber pseudocientifico e simbólico da ldade Media é reforçada pela retransmissão de vários textos fundamentais. como os Moralia in Job, de Gregório Magno (31. 15), as Etymologiae de lsidoro de Sevilha (12, 2. 12-13). 06 Comentários aos Salmos de Beda, o Venerável (comentário do SL 77), a enciclopédia De rerum naturis de Raban Maur (VIII, 1). No século XII, 0 unicórnio confirma o seu sucesso por sua presença nos popularíssimos poemas dos Carmina Burana. Porém, ele impõe-se sobretudo como uma grande personagem dos Bestiários, coletânea de textos metade científicos, metade fictícios, mas sempre moralizados, que reúnem em uma mesma crença e sedução animais reais e imaginários.



A descrição do unicórnio geralmente repete a do Physiologus. Ele é um animal muito feroz e, com o seu chifre, mata qualquer caçador que se aproxime; mas, se se deparar com uma

virgem, precipita-se sobre os seus seios, e ela amamenta-o para em seguida capturá-lo. A virgindade da moça é uma condição indispensável para o sucesso da caçada.




Este personagem do unicórnio, assim como todas as heranças da Antiguidade, passa por um processo de cristianização na Idade Média. Ele é uma imagem do Salvador, torna-se um chifre de salvação, elege domicílio no seio da Virgem Maria, passa a ilustrar o texto do Evangelho de João (1,14): “0 verbo se fez carne e habitou entre nos”. O unicórnio lembra a Virgem por excelência, Maria; sua caça representa alegoricamente o Mistério da Encarnação, no qual ele próprio representa o Cristo espiritual unicórnio (Christus spiritualis



unicomis), e seu chifre toma-se a cruz de Cristo. Assim, em função de sua identificação com a Virgem Maria e ao mesmo tempo com Jesus Cristo, o unicórnio está no cerne do simbolismo cristão, vejam que houve uma dupla identificação por parte de alguns historiadores, mas uma dupla idem que é a leitura cristã, isso permitiu que alguns historiadores insistissem no caráter andrógino do cristianismo apoiando-se no duplo simbolismo do unicórnio medieval. Assim, este último teria legado ao imaginário europeu a imagem de um modelo humano bissexual, isso é perfeitamente visto nas doutrinas da nova era que trazem uma ideia de sociedade sem uma identificação com sua verdadeira sexualidade, e ensinam que isso é criado a partir da sua identificação quando se (descobrir) sexualmente.






O poema Do unicórnio, extraído do Bestiário divino, o mais longo dos bestiários em versos francês, escrito por volta de 1210-1211 por Guilherme, o Clérigo da Normandia, é um

bom exemplo desta crença.



“Falar-vos-emos do unicórnio:


um animal que possui um chifre único, situado bem no meio da fronte.


Esta besta é tão temerária,


tão agressiva e tão atrevida


que ataca o elefante,


o mais temível dos animais


que existem no mundo.


O unicórnio tem o casco tão duro e cortante que facilmente luta com o elefante,


e este casco é tão afiado


que nada escapa de seu golpe sem ser furado ou talhado.


O elefante não pode defender-se quando atacado, pois o unicórnio acerta o seu ventre com tamanha força, com seu casco cortante como lâmina, que acaba estripando-o completamente.



Esta besta é tão forte que não teme nenhum caçador.


Aqueles que quiserem tentar pela astúcia o unicórnio pegar e atar, quando ele sai para cavalgar, na montanha ou a beira do mar, uma vez tendo descoberto seu refúgio e com minúcia examinado suas pegadas, vão buscar uma donzela cuja virgindade seja certa; depois fazem-na sentar e esperar

na toca da besta a capturar.


Assim que o unicórnio chega e vê a menina,

ele logo dirige-se a ela e deita-se em seu colo;

surgem então os caçadores que espiam-no; ai, eles arrebatam e atam-no, depois conduzem-no diante do rei, à força e com impetuosidade.


Esta besta extraordinária,

que possui um único chifre na cabeça, representa Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador.


Ele é o unicórnio celeste, que alojou-se no seio da Virgem, que é tão digna de veneração; nela, ele tomou forma humana e apareceu assim aos olhos do mundo; mas seu povo não o reconheceu. Muito ao contrário, certos judeus espiaram-no e acabaram prendendo e atando-o; conduziram-no diante de Pilatos, e lá, condenaram-no a morte.




Le Goff, Heróis e maravilhas da Idade Média, 2° edição — Petrópolis, RJ; vozes,2011.

 
 
 
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