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CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos a mensagem que Bento XVI enviou, por meio do secretário de Estado vaticano, cardeal Tarcísio Bertone, à Igreja no Brasil com ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade 2007, que tem como tema Fraternidade e Amazônia.

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Ao iniciar o itinerário espiritual da Quaresma, a caminho da Páscoa da ressurreição do Senhor, desejo mais uma vez aderir à Campanha da Fraternidade que, neste ano de 2007, está subordinada ao tema “Fraternidade e Amazônia” e ao lema “Vida e Missão neste chão”. É um tempo em que cada cristão é convidado a refletir de modo particular sobre as várias situações sociais do povo brasileiro que requerem maior fraternidade.

A proposta para este ano destina-se a promover a fraternidade efetiva com as populações amazônicas, defendendo e promovendo a vida que se manifesta com tanta exuberância na Amazônia. Por sua vez, esta mesma preocupação se insere no amplo tema da defesa do meio ambiente, para o qual este vasto território constitui um patrimônio comum que, por sua realidade humana, sócio-política, econômica e ambiental, requer especial atenção da Igreja e da sociedade brasileira.

Neste contexto, insere-se, porém, de maneira determinante, a ação eclesial dirigida a fomentar um processo de ampla evangelização que estimule a missionariedade e crie condições favoráveis para a descoberta e o crescimento na fé de toda a população amazônica. Em continuidade com os meus Veneráveis predecessores, desejo fazer um preito de gratidão a todos aqueles corajosos missionários, que se consagraram e se consagram, à custa inclusive da própria vida, em levar a fé católica às cidades e aldeias da região; homens e mulheres que, por amor a Deus, entregaram-se de corpo e alma para a extensão do Reino de Deus nesta Terra de Santa Cruz.

Com estes auspícios, invoco a proteção do Senhor, para que a sua mão benfazeja se estenda por todo o Brasil e, de modo especial, sobre a Amazônia e sua população espalhada pelas cidades, aldeias e florestas, derramando seus dons de paz e de prosperidade e que, com a sua graça, desperte em cada coração sentimentos de fraternidade e de viva cooperação. Com uma especial Bênção Apostólica.

Papa Bento XVI Vaticano, 16 de janeiro de 2007

 
 
 

VATICANO, 05 Fev. 07 (ACI) .- Na mensagem dirigida com ocasião da XXII Jornada Mundial da Juventude, que será celebrada em todas as dioceses no próximo Domingo do Ramos, 1º de abril, o Papa Bento XVI recordou aos jovens que o amor é o centro de nossa vida, e que requer fortaleza e sacrifício.

Referindo-se ao tema da Jornada: “Como eu vos amei, assim amai-vos uns aos outros” (Jo 13,34), o Pontífice destaca que “o amor é possível e a finalidade de minha mensagem é contribuir para despertar em cada um de vós, que sois o futuro e a esperança da humanidade, a confiança no amor verdadeiro, fiel e forte; um amor que gera paz e alegria; um amor que une às pessoas, fazendo-as sentirem-se livres no respeito mútuo”.

O Papa começa explicando que o Amor nos manifestou através de Cristo: “redimida por seu sangue, nenhuma vida humana é inútil ou de pouco valor, porque todos são amados pessoalmente por Ele com um amor apaixonado e fiel, com um amor sem limites”.

“Na cruz Cristo grita: ‘Tenho sede’ (Jo 19,28): revela assim uma ardente sede de amar e de ser amado por cada um de nós. Apenas se chegarmos a perceber a profundidade e a intensidade de tal mistério, daremos conta da necessidade e da urgência de amá-lo por nossa parte ‘como’ Ele nos amou”, adiciona o Santo Padre na mensagem.

Logo depois de expor os três âmbitos nos quais deseja ver o testemunho de amor dos jovens, o Papa convida a “ousar o amor, a não desejar outra coisa a não ser um amor forte e formoso, capaz de fazer de toda a existência uma realização gozosa do dom de vós mesmos a Deus e aos irmãos”; porque “o amor é a única força capaz de mudar o coração do homem e da humanidade inteira, fazendo proveitosas as relações entre homens e mulheres, entre ricos e pobres, entre culturas e civilizações. Disto dá testemunho a vida dos Santos”.

O Pontífice cita em seguida o exemplo da Devota Madre Teresa de Calcutá: “O único desejo de sua vida se converteu em saciar a sede de amor de Cristo não com palavras, mas sim com atos concretos, reconhecendo o rosto desfigurado, sedento de amor, no rosto dos mais pobres entre os pobres”.

Bento XVI advertiu que “só a ajuda do Senhor nos permite fugir da resignação frente à enormidade da tarefa que terá que levar a cabo e nos infunde o valor para realizar o que humanamente é impensável. O contato com o Senhor na oração nos mantém na humildade”.

A carta recorda que “a Eucaristia é a grande escola de amor. Quando se participa de forma regular e com devoção na Santa Missa, quando se transcorrem em companhia de Jesus eucarístico, prolongadas pausas de adoração, é mais fácil compreender a largura, a longitude, a altura e a profundidade de seu amor que excede a todo conhecimento (cfr. Ef 3,17-18)”.

Finalmente, o Papa recordou que a próxima Jornada Mundial da Juventude representará uma etapa importante para o encontro de Sydney, cujo tema será: “Receberão a força do Espírito Santo, que virá sobre vós, e serão minhas testemunhas” (Atos 1,8). Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, ajude-lhes a fazer ressoar em todas as partes o brado que mudou o mundo: ‘Deus é amor!’”.

“Acompanho-lhes com a oração e de coração lhes abençôo”, conclui o Papa.

 
 
 

Bispo Gerald F. Kicanas

Nós pensamos frequentemente que as questões e problemas que enfrentamos nos tornam únicos. Colocá-los em perspectiva, questionando-nos se outros no passado terão também sido desafiados por eles, ajuda-nos.

No que diz respeito à difusão do Evangelho, o Senhor Jesus identificou desde o início os problemas que estavam e estarão sempre na base do desafio que enfrentam os comunicadores Cristãos.


A Parábola do Semeador

Ele fê-lo na parábola do semeador e na sua explicação, que encontramos no oitavo capítulo do evangelho de S. Lucas (também em Mt. 13.1-23 e Mc.4.1-20). Aí Jesus fala aos seus apóstolos de um semeador que deixa cair algumas sementes pelo caminho que são pisadas e comidas pelos pássaros. Outras caem em terreno rochoso e secam por não criarem raízes. Algumas caem no meio de espinhos e são abafadas. Finalmente algumas das sementes caem em solo fértil e dão fruto abundante.

Quando os apóstolos pedem a Jesus para explicar esta parábola, Ele diz-lhes que a semente é a palavra de Deus. As que caem no caminho representam todos aqueles cujos corações o diabo consegue que esqueçam o que ouviram, ignorando a mensagem de Deus e não conseguindo a salvação. As que caem em solo rochoso são as pessoas cuja fé é superficial e que perante uma dificuldade, depressa lhes falta a coragem e perdem essa fé. As sementes caídas no meio dos espinhos são aquelas pessoas que são seduzidas pelos prazeres mundanos e cujo coração é sufocado pela ambição e pelo desejo de riqueza. Finalmente as sementes que caem em solo fértil são aqueles que escutam a Palavra de Deus com “um coração bom e generoso e dão fruto através da perseverança.”

A exemplo da sua própria pregação, Jesus ensina-nos que há muitos adversários da Palavra de Deus e que nem todas as pessoas a aceitarão com generosidade.

Meios de Comunicação de Massas

Aplicando esta parábola aos nossos tempos, temos de ter em conta que Jesus não falou nem poderia falar dos imensos novos poderes aplicados ao próprio acto de comunicar. Jesus falou no máximo a alguns milhares de pessoas de uma só vez. Se estivesse nos tempos de hoje poderia falar ao mundo inteiro.

Tal como o Papa João Paulo II apontou na sua Encíclica Redemptoris Missio de 1990, o desenvolvimento dos meios de comunicação social tem influído mais do que o modo como a informação é comunicada. O Santo Padre falou da “nova cultura” criada pelas comunicações modernas que “tem origem não só no conteúdo que é comunicado, mas no próprio facto de existirem novas formas de comunicação, com novas linguagens, novas técnicas e uma nova psicologia.”

Assim enfrentamos uma nova situação na comunicação da mensagem do evangelho que resulta dos meios que agora existem para comunicar qualquer informação e – igualmente importante – qualquer desinformação, quase generalizadamente e em simultâneo. Contribuíram assim para um forte sentimento da parte das pessoas do direito de serem informados, o que é bom. No entanto, a própria informação massificada disponível torna difícil discernir com critério. Duas tentações contrárias surgem como resultado – ou o cepticismo acerca de toda a informação ou a aceitação incondicional e sem espírito crítico. Esta última atitude pode ser observada nas reacções a O Código Da Vinci.

Um Desafio Ampliado

Assim, os desafios que Jesus identificou estão ampliados por meio das comunicações em massa. Olhemos para eles de novo.

O mal que se opõe ao bem, simplesmente porque é o bem, permanece um mistério para a maioria das pessoas, mas o problema existe. Isso ficou bem evidente nas ditaduras comunistas em todo o mundo que fizeram uso dos meios de comunicação de massas para enganar os seus povos. Essas tiranias pisavam a Palavra de Deus, identificando o Evangelho como um inimigo particular que tinha de ser exterminado ou pelo menos controlado. Nas notícias do dia a dia, somos lembrados constantemente de presença do mal entre nós – tanto o mal social como o mal pessoal. Ele despoja algumas pessoas da sua humanidade e faz com que outras que assistem aos seus efeitos percam a esperança em Deus e na própria raça humana. É nestas situações que a esperança inspirada pelo Evangelho precisa de ser especialmente comunicada.

A massa de informação disponível hoje em dia é um incentivo adicional para que os “cristãos superficiais”, cuja fé é frágil, experimentem algo diferente se o Cristianismo não lhes oferece satisfação imediata ou funciona como um obstáculo às suas preferências pessoais. Se Mateus, Marcos, Lucas ou João não “servem”, então tentem O Código Da Vinci.

E a Igreja poderá ter a sua quota de responsabilidade pela superficialidade dos nossos tempos. O Papa João Paulo II aponta para o facto na Redemptoris Missio, dizendo que a Igreja terá negligenciado o mundo dos meios de comunicação de massas numa altura, “em que a juventude, em particular, está a crescer num mundo condicionado” por eles. O Santo Padre acrescenta que o juízo do Papa Paulo VI de que “a cisão entre o Evangelho e a cultura é sem dúvida a tragédia dos nosso tempo” é confirmado na área das comunicações.

E ainda temos os “espinhos” que são tanto as ansiedades como os prazeres da vida diária. Nós podemos ficar enredados no imediatismo e encontrar pouca disponibilidade de tempo para ouvir mensagens sobre o nosso destino eterno. Uma vez mais os meios de comunicação de massas têm sido instrumentais em dirigir a nossa atenção somente para as realidades terrenas. Por um lado aumentam a nossa ansiedade com notícias instantâneas de todo o mundo e por outro ajudam a anestesiar essa ansiedade com as suas ofertas de divertimento e acesso a cada vez mais sedutores bens de consumo. Sendo algo de bom por si próprio, estas coisas tornam-se más se substituem o Evangelho nas nossas vidas.

Será que estes meios de comunicação ajudam as sementes que caíram em solo fértil a produzir abundante fruto? Certamente que sim, se dermos testemunho com uma generosa resposta para auxiliar as vítimas de desastres naturais em todo o globo cujo sofrimento não seria tão vivamente e rapidamente conhecido sem esses meios.

Jesus identificou os desafios que enfrentaremos sempre para comunicar o Evangelho. A genialidade humana inventou meios que podem ao mesmo tempo ajudar e intervir com essa comunicação. É tarefa da Igreja fazer uso deles e ajudar para que sejam usados para serviço do bem.

 
 
 
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