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Nós, que nos preocupamos com a salvação da nossa alma, compartilhamos todos de um mesmo medo: o de que a morte nos encontre despreparados. Como estarmos atentos, então, para que isso não aconteça? De que modo podemos nos preparar para a nossa inevitável partida deste mundo?

Tradicionalmente, a Igreja Católica sempre alertou os seus fiéis para se prepararem para o momento da morte. O Catecismo da Igreja Católica em seu número 1014 diz claramente que:

“A Igreja nos encoraja à preparação da hora de nossa morte (Livrai-nos, Senhor, de uma morte súbita e imprevista: antiga ladainha de todos os santos), a pedir à Mãe de Deus que interceda por nós “na hora de nossa morte” (oração da Ave-Maria) e a entregar-nos a S. José, padroeiro da boa morte: Em todas as tuas ações, em todos os teus pensamentos deverias comportar-te como se tivesse de morrer hoje. Se tua consciência estivesse tranquila, não terias muito medo da morte. Seria melhor evitar o pecado que fugir da morte. Se não estás preparado hoje, como o estarás amanhã? Louvado sejais, meu Senhor, por nossa irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode escapar. Ai dos que morrerem em pecado mortal, felizes aqueles que ela encontrar conforme a vossa santíssima vontade, pois a segunda morte não lhes fará mal.”

Ora, ser colhido por uma morte inesperada é, talvez, a pior desgraça que pode acontecer a um cristão. Então, como deve ser a preparação para uma boa morte? Ela passa necessariamente por uma boa vida. E o contrário também pode ser assim explicado: para se viver bem é preciso preparar-se bem para a morte. É o que os santos, como São Roberto Belarmino e Santo Afonso Maria de Ligório ensinaram ao longo dos séculos. Esses santos especificamente, escreveram grandes obras que até os dias atuais auxiliam os cristãos.

No livro “O homem e a eternidade”, o Padre Garrigou-Lagrange descreve a morte e recorda que o homem não deve ser colhido por ela, mas deve esperá-la e estar preparado. Embora haja uma aversão natural ao pensamento sobre a morte, o pecador, por causa disso, vive a fugir do simples pensamento sobre ela, porém o homem temente a Deus, virtuosamente, deveria pensar a respeito da morte várias vezes ao longo do dia.

Os existencialistas, de forma ateia, pagã, exortam o homem a ir autenticamente para a morte. Ora, essa é a postura da Igreja desde há muitos séculos: o homem deve caminhar em direção à morte com seus próprios pés. Isso não quer dizer que ele deva causar a sua morte, é óbvio, mas é preciso ter consciência da iminência da morte.


Apesar disso, a Igreja é bastante razoável em relação à morte, ela compreende que é preciso um respeitoso temor diante da morte, primeiro por causa dos pecados cometidos cotidianamente e dos quais é necessário pedir perdão a Deus, segundo porque, mesmo salvos, talvez seja forçoso pagar alguma pena no Purgatório, o qual, embora seja um lugar de grande esperança, não deixa de ser também de grande sofrimento e de punição.

Diante desse temor reverente diante da morte, o que deve animar a cada fiel é uma fé viva. Esperar a vida eterna, uma vida desfrutada ao lado da Santíssima Trindade, com a Virgem Maria e com os Santos. A fé viva é a primeira virtude que deve brotar no coração de cada indivíduo, além disso, é importante também uma caridade incendida, que cresce no dia a dia, à medida em que se aproxima mais de Deus.

Fé e Caridade são duas virtudes que precisam ser cultivadas e que acabam por tornar mais firme a terceira virtude, a Esperança que, diante da morte, se mostra fundamental. O Pe. Garrigou-Lagrange usa uma expressão interessante para descrever a virtude da Esperança. Ele diz que se trata de uma “certeza tendencial”, ou seja, de uma tendência que impele a pessoa a jogar-se nos braços de Deus. A Igreja dá indulgência plenária para as pessoas que, no momento da morte, renovam os atos de Fé, Esperança e Caridade e também para aquelas que, no derradeiro momento, trazem aos lábios os nomes de Jesus e de Maria.

A preparação para a morte é algo muito sério, conforme visto, por isso, é uma falta de fé e um erro grave, esconder dos doentes a gravidade de sua doença e a proximidade da morte. Constitui um ato de verdadeira caridade avisar as pessoas que a morte está próxima para que elas possam se preparar. Por isso, é injustificável não falar para os pacientes internados nas UTIs, desenganados, qual é realmente o seu estado de saúde, impedindo-os de se prepararem para a apresentação diante do juízo de Deus, pedindo o perdão de seus pecados.

Nesse sentido, o Pe. Garrigou-Lagrange dá um conselho bastante prático: combinar com um parente, um amigo para ser avisado da gravidade da doença e da iminência da morte. Trata-se de um verdadeiro ato de caridade.

Uma outra sugestão preciosa do Pe. Garrigou é a do exercício de viver a Santa Missa, na aproximação da morte, as mesmas realidades nela vividas, ou seja, adoração, reparação, súplica e ação de graças. Diante da morte: adoração, colocar-se diante de Deus, autor da vida, inclinar-se completamente em direção à vontade Dele e adorá-Lo. Em seguida, a reparação, pois é possível que, na morte, a pessoa viva alguma dor, agonia, angústia e assim, oferecer esses sentimentos como reparação das próprias culpas e dos pecados. Depois, a súplica, pedindo a Deus perdão dos próprios pecados, clamando pela misericórdia e compaixão. Finalmente, a ação de graças, por todas as maravilhas e dons recebidos de Nosso Senhor ao longo da vida.

Assim, morte e Eucaristia são duas realidades que estão próximas uma da outra, pois a morte de Cristo é celebrada na Eucaristia. No momento da consagração na Santa Missa, tem-se novamente a morte sacramental de Jesus Cristo, pois o seu sangue está separado de sua carne, de forma incruenta.

Finalmente, o Padre Garrigou-Lagrange sugere a repetição frequente de uma oração de São Pio X, que diz:

“Senhor, seja qual for o gênero de morte que Vos apraz reservar-me, aceito-a desde já, com todo coração e boa vontade, aceito-a de vossas mãos, com todas as suas angústias, penas e dores.”

De maneira teológica, é sabido que a morte não foi desejada por Deus inicialmente, mas, por causa do pecado dos primeiros pais, ela entrou no mundo. Por ter entrado no mundo pela desobediência do homem – e não por um projeto de Deus -, ela revestiu-se de um caráter medicinal, ou seja, é um remédio penal, uma punição que, para o homem, serve de remédio.

A morte ensina ao homem o quanto é passageira esta vida, a como não deve apegar-se a si mesmo nem aos bens materiais. E mais, ensina o homem a colocar os seus tesouros no céu. “Onde está o seu coração? Aí está o seu tesouro” (conf. Lc 12, 34)

A devoção a São José é muitíssimo recomendada, pois é chamado o “Padroeiro da Boa Morte”, uma vez que morreu assistido pela Virgem Santíssima e por Jesus, a situação ideal almejada por todos. São José, rogai por nós.

Como devemos preparar-nos para a morte

Sumário. A experiência prova que morrem felizmente os que, no último momento, estão já mortos para o mundo, isto é, desligados dos bens de que nos deve separar a morte. É, pois, preciso que desde já aceitemos a privação dos bens, a separação dos parentes e de todas as coisas da terra, lembrando-nos que, se não o fizermos voluntariamente agora, necessariamente teremos de o fazer na morte, mas com risco da salvação eterna. Quem ainda não escolheu um estado de vida, tome aquele que houvera querido escolher na hora da morte.

I. Diz Santo Ambrósio que morrem felizmente os que, no tempo da sua morte, estão já mortos para o mundo, isto é, desligados daqueles bens de que forçosamente os deve separar a morte. Mister, pois, se torna que desde já aceitemos a privação dos bens, a separação dos parentes e de todas as coisas da terra. Se não fizermos isto voluntariamente durante a vida, seremos forçados a fazê-lo na morte, mas então com extrema dor e com risco da salvação eterna.

A este propósito observa Santo Agostinho que, para morrer em paz, é vantajosíssimo pormos em ordem durante a vida os negócios temporais, fazendo desde já a disposição dos bens que é preciso deixar, a fim de não termos de nos ocupar então senão da nossa união com Deus. — Naquela hora convém que só se fale em Deus e no paraíso. Os últimos momentos da vida são demasiadamente preciosos para serem desperdiçados em pensamentos terrestres. É na morte que se acaba a coroa dos escolhidos, porque é então que se recolhe a maior soma de merecimentos, aceitando os sofrimentos e a morte com resignação e amor.

Semelhantes sentimentos, porém, não os poderá ter na morte quem não os tiver excitado durante a vida. Com este fim, pessoas devotas têm por hábito renovarem todos os meses a protestação da boa morte com os atos cristãos de fé, esperança e caridade, com a confissão e comunhão, como se já estivessem no leito de morte, próximas a saírem deste mundo. Oh, como esta prática nos ajudará a caminharmos bem, a nos desprendermos do mundo e morrermos de boa morte! Beatus ille servus, quem, cum venerit dominus eius, inveniet sic facientem (1) — “Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, encontre a fazer isto.”

Quem espera a toda a hora a morte, ainda que esta venha subitamente, não pode deixar de morrer bem. Ao contrário, o que se não faz na vida, é dificílimo fazê-lo na morte. — A grande serva de Deus, irmã Catarina de Santo Alberto, da ordem de Santa Teresa, estando para morrer, gemia e dizia: Minhas irmãs, não é o medo da morte que me faz gemer, porque há vinte e cinco anos que a estou esperando, gemo por ver tantas pessoas iludidas, que vivem no pecado, e esperam, para se reconciliarem com Deus à hora da morte, em que eu com dificuldade posso pronunciar o nome de Jesus.

II. Examina-te, meu irmão, e vê se tens o coração apegado a alguma coisa terrestre: a alguma pessoa, a algum posto, a alguma casa, a alguma riqueza, a alguma sociedade, a alguns divertimentos, e lembra-te que não és eterno. Tudo terás de deixar um dia, e talvez em breve. Porque queres então ficar agarrado a esses objetos com risco de morreres cheio de inquietações? Oferece desde já tudo a Deus, estando disposto a privar-te de tudo, quando Lhe agradar.

Se não tens ainda escolhido o estado de vida, toma o que na hora da morte quiseras ter escolhido e que te deixará morrer mais contente. Se já o escolheste, faze agora o que então quiseras ter feito no teu estado. Faze como se cada dia fosse o último de tua vida e cada ação a última que praticas: a última oração, a última confissão, a última comunhão. Imagina, numa palavra, a cada hora que já estás no leito da morte, ouvindo a intimação: proficiscere de hoc mundo — “parte deste mundo”, e por isso repete muitas vezes a protestação para a boa morte, dizendo:

Ó meu Deus, só poucas horas me restam; nelas vos quero amar quanto possa na vida presente, para mais Vos amar na outra. Pouco tenho que Vos oferecer; ofereço-Vos os meus padecimentos e o sacrifício da minha vida, em união com o sacrifício que Jesus Cristo Vos ofereceu por mim na cruz. Senhor, as penas que sofro são poucas e leves em comparação com as que mereci; tais como são, aceito-as em testemunho do amor que Vos tenho. Resigno-me a todos os castigos que me queirais infligir nesta vida e na outra, contanto que Vos possa amar na eternidade. Castiga-me tanto quanto Vos aprouver, mas não me priveis do vosso amor. Sei que não merecia mais amar-Vos, por ter tantas vezes desprezado o vosso amor; mas Vós não podeis repelir uma alma arrependida. Pesa-me, ó meu supremo Bem, de Vos haver ofendido. Amo-vos de todo o coração e em Vós ponho toda a minha confiança. A vossa morte, ó Redentor meu, é a minha esperança. Deposito a minha alma em vossas mãos chagadas. — Maria, minha querida Mãe, socorrei-me nesse grande momento. Desde já vos entrego o meu espírito: dizei a vosso Filho que se apiede de mim. A vós me recomendo, livrai-me do inferno.
 
 
 

Nós, que nos preocupamos com a salvação da nossa alma, compartilhamos todos de um mesmo medo: o de que a morte nos encontre despreparados. Como estarmos atentos, então, para que isso não aconteça? De que modo podemos nos preparar para a nossa inevitável partida deste mundo?

Tradicionalmente, a Igreja Católica sempre alertou os seus fiéis para se prepararem para o momento da morte. O Catecismo da Igreja Católica em seu número 1014 diz claramente que:

“A Igreja nos encoraja à preparação da hora de nossa morte (Livrai-nos, Senhor, de uma morte súbita e imprevista: antiga ladainha de todos os santos), a pedir à Mãe de Deus que interceda por nós “na hora de nossa morte” (oração da Ave-Maria) e a entregar-nos a S. José, padroeiro da boa morte: Em todas as tuas ações, em todos os teus pensamentos deverias comportar-te como se tivesse de morrer hoje. Se tua consciência estivesse tranquila, não terias muito medo da morte. Seria melhor evitar o pecado que fugir da morte. Se não estás preparado hoje, como o estarás amanhã? Louvado sejais, meu Senhor, por nossa irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode escapar. Ai dos que morrerem em pecado mortal, felizes aqueles que ela encontrar conforme a vossa santíssima vontade, pois a segunda morte não lhes fará mal.”

Ora, ser colhido por uma morte inesperada é, talvez, a pior desgraça que pode acontecer a um cristão. Então, como deve ser a preparação para uma boa morte? Ela passa necessariamente por uma boa vida. E o contrário também pode ser assim explicado: para se viver bem é preciso preparar-se bem para a morte. É o que os santos, como São Roberto Belarmino e Santo Afonso Maria de Ligório ensinaram ao longo dos séculos. Esses santos especificamente, escreveram grandes obras que até os dias atuais auxiliam os cristãos.

No livro “O homem e a eternidade”, o Padre Garrigou-Lagrange descreve a morte e recorda que o homem não deve ser colhido por ela, mas deve esperá-la e estar preparado. Embora haja uma aversão natural ao pensamento sobre a morte, o pecador, por causa disso, vive a fugir do simples pensamento sobre ela, porém o homem temente a Deus, virtuosamente, deveria pensar a respeito da morte várias vezes ao longo do dia.

Os existencialistas, de forma ateia, pagã, exortam o homem a ir autenticamente para a morte. Ora, essa é a postura da Igreja desde há muitos séculos: o homem deve caminhar em direção à morte com seus próprios pés. Isso não quer dizer que ele deva causar a sua morte, é óbvio, mas é preciso ter consciência da iminência da morte.


Apesar disso, a Igreja é bastante razoável em relação à morte, ela compreende que é preciso um respeitoso temor diante da morte, primeiro por causa dos pecados cometidos cotidianamente e dos quais é necessário pedir perdão a Deus, segundo porque, mesmo salvos, talvez seja forçoso pagar alguma pena no Purgatório, o qual, embora seja um lugar de grande esperança, não deixa de ser também de grande sofrimento e de punição.

Diante desse temor reverente diante da morte, o que deve animar a cada fiel é uma fé viva. Esperar a vida eterna, uma vida desfrutada ao lado da Santíssima Trindade, com a Virgem Maria e com os Santos. A fé viva é a primeira virtude que deve brotar no coração de cada indivíduo, além disso, é importante também uma caridade incendida, que cresce no dia a dia, à medida em que se aproxima mais de Deus.

Fé e Caridade são duas virtudes que precisam ser cultivadas e que acabam por tornar mais firme a terceira virtude, a Esperança que, diante da morte, se mostra fundamental. O Pe. Garrigou-Lagrange usa uma expressão interessante para descrever a virtude da Esperança. Ele diz que se trata de uma “certeza tendencial”, ou seja, de uma tendência que impele a pessoa a jogar-se nos braços de Deus. A Igreja dá indulgência plenária para as pessoas que, no momento da morte, renovam os atos de Fé, Esperança e Caridade e também para aquelas que, no derradeiro momento, trazem aos lábios os nomes de Jesus e de Maria.

A preparação para a morte é algo muito sério, conforme visto, por isso, é uma falta de fé e um erro grave, esconder dos doentes a gravidade de sua doença e a proximidade da morte. Constitui um ato de verdadeira caridade avisar as pessoas que a morte está próxima para que elas possam se preparar. Por isso, é injustificável não falar para os pacientes internados nas UTIs, desenganados, qual é realmente o seu estado de saúde, impedindo-os de se prepararem para a apresentação diante do juízo de Deus, pedindo o perdão de seus pecados.

Nesse sentido, o Pe. Garrigou-Lagrange dá um conselho bastante prático: combinar com um parente, um amigo para ser avisado da gravidade da doença e da iminência da morte. Trata-se de um verdadeiro ato de caridade.

Uma outra sugestão preciosa do Pe. Garrigou é a do exercício de viver a Santa Missa, na aproximação da morte, as mesmas realidades nela vividas, ou seja, adoração, reparação, súplica e ação de graças. Diante da morte: adoração, colocar-se diante de Deus, autor da vida, inclinar-se completamente em direção à vontade Dele e adorá-Lo. Em seguida, a reparação, pois é possível que, na morte, a pessoa viva alguma dor, agonia, angústia e assim, oferecer esses sentimentos como reparação das próprias culpas e dos pecados. Depois, a súplica, pedindo a Deus perdão dos próprios pecados, clamando pela misericórdia e compaixão. Finalmente, a ação de graças, por todas as maravilhas e dons recebidos de Nosso Senhor ao longo da vida.

Assim, morte e Eucaristia são duas realidades que estão próximas uma da outra, pois a morte de Cristo é celebrada na Eucaristia. No momento da consagração na Santa Missa, tem-se novamente a morte sacramental de Jesus Cristo, pois o seu sangue está separado de sua carne, de forma incruenta.

Finalmente, o Padre Garrigou-Lagrange sugere a repetição frequente de uma oração de São Pio X, que diz:

“Senhor, seja qual for o gênero de morte que Vos apraz reservar-me, aceito-a desde já, com todo coração e boa vontade, aceito-a de vossas mãos, com todas as suas angústias, penas e dores.”

De maneira teológica, é sabido que a morte não foi desejada por Deus inicialmente, mas, por causa do pecado dos primeiros pais, ela entrou no mundo. Por ter entrado no mundo pela desobediência do homem – e não por um projeto de Deus -, ela revestiu-se de um caráter medicinal, ou seja, é um remédio penal, uma punição que, para o homem, serve de remédio.

A morte ensina ao homem o quanto é passageira esta vida, a como não deve apegar-se a si mesmo nem aos bens materiais. E mais, ensina o homem a colocar os seus tesouros no céu. “Onde está o seu coração? Aí está o seu tesouro” (conf. Lc 12, 34)

A devoção a São José é muitíssimo recomendada, pois é chamado o “Padroeiro da Boa Morte”, uma vez que morreu assistido pela Virgem Santíssima e por Jesus, a situação ideal almejada por todos. São José, rogai por nós.

Como devemos preparar-nos para a morte

Sumário. A experiência prova que morrem felizmente os que, no último momento, estão já mortos para o mundo, isto é, desligados dos bens de que nos deve separar a morte. É, pois, preciso que desde já aceitemos a privação dos bens, a separação dos parentes e de todas as coisas da terra, lembrando-nos que, se não o fizermos voluntariamente agora, necessariamente teremos de o fazer na morte, mas com risco da salvação eterna. Quem ainda não escolheu um estado de vida, tome aquele que houvera querido escolher na hora da morte.

I. Diz Santo Ambrósio que morrem felizmente os que, no tempo da sua morte, estão já mortos para o mundo, isto é, desligados daqueles bens de que forçosamente os deve separar a morte. Mister, pois, se torna que desde já aceitemos a privação dos bens, a separação dos parentes e de todas as coisas da terra. Se não fizermos isto voluntariamente durante a vida, seremos forçados a fazê-lo na morte, mas então com extrema dor e com risco da salvação eterna.

A este propósito observa Santo Agostinho que, para morrer em paz, é vantajosíssimo pormos em ordem durante a vida os negócios temporais, fazendo desde já a disposição dos bens que é preciso deixar, a fim de não termos de nos ocupar então senão da nossa união com Deus. — Naquela hora convém que só se fale em Deus e no paraíso. Os últimos momentos da vida são demasiadamente preciosos para serem desperdiçados em pensamentos terrestres. É na morte que se acaba a coroa dos escolhidos, porque é então que se recolhe a maior soma de merecimentos, aceitando os sofrimentos e a morte com resignação e amor.

Semelhantes sentimentos, porém, não os poderá ter na morte quem não os tiver excitado durante a vida. Com este fim, pessoas devotas têm por hábito renovarem todos os meses a protestação da boa morte com os atos cristãos de fé, esperança e caridade, com a confissão e comunhão, como se já estivessem no leito de morte, próximas a saírem deste mundo. Oh, como esta prática nos ajudará a caminharmos bem, a nos desprendermos do mundo e morrermos de boa morte! Beatus ille servus, quem, cum venerit dominus eius, inveniet sic facientem (1) — “Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, encontre a fazer isto.”

Quem espera a toda a hora a morte, ainda que esta venha subitamente, não pode deixar de morrer bem. Ao contrário, o que se não faz na vida, é dificílimo fazê-lo na morte. — A grande serva de Deus, irmã Catarina de Santo Alberto, da ordem de Santa Teresa, estando para morrer, gemia e dizia: Minhas irmãs, não é o medo da morte que me faz gemer, porque há vinte e cinco anos que a estou esperando, gemo por ver tantas pessoas iludidas, que vivem no pecado, e esperam, para se reconciliarem com Deus à hora da morte, em que eu com dificuldade posso pronunciar o nome de Jesus.

II. Examina-te, meu irmão, e vê se tens o coração apegado a alguma coisa terrestre: a alguma pessoa, a algum posto, a alguma casa, a alguma riqueza, a alguma sociedade, a alguns divertimentos, e lembra-te que não és eterno. Tudo terás de deixar um dia, e talvez em breve. Porque queres então ficar agarrado a esses objetos com risco de morreres cheio de inquietações? Oferece desde já tudo a Deus, estando disposto a privar-te de tudo, quando Lhe agradar.

Se não tens ainda escolhido o estado de vida, toma o que na hora da morte quiseras ter escolhido e que te deixará morrer mais contente. Se já o escolheste, faze agora o que então quiseras ter feito no teu estado. Faze como se cada dia fosse o último de tua vida e cada ação a última que praticas: a última oração, a última confissão, a última comunhão. Imagina, numa palavra, a cada hora que já estás no leito da morte, ouvindo a intimação: proficiscere de hoc mundo — “parte deste mundo”, e por isso repete muitas vezes a protestação para a boa morte, dizendo:

Ó meu Deus, só poucas horas me restam; nelas vos quero amar quanto possa na vida presente, para mais Vos amar na outra. Pouco tenho que Vos oferecer; ofereço-Vos os meus padecimentos e o sacrifício da minha vida, em união com o sacrifício que Jesus Cristo Vos ofereceu por mim na cruz. Senhor, as penas que sofro são poucas e leves em comparação com as que mereci; tais como são, aceito-as em testemunho do amor que Vos tenho. Resigno-me a todos os castigos que me queirais infligir nesta vida e na outra, contanto que Vos possa amar na eternidade. Castiga-me tanto quanto Vos aprouver, mas não me priveis do vosso amor. Sei que não merecia mais amar-Vos, por ter tantas vezes desprezado o vosso amor; mas Vós não podeis repelir uma alma arrependida. Pesa-me, ó meu supremo Bem, de Vos haver ofendido. Amo-vos de todo o coração e em Vós ponho toda a minha confiança. A vossa morte, ó Redentor meu, é a minha esperança. Deposito a minha alma em vossas mãos chagadas. — Maria, minha querida Mãe, socorrei-me nesse grande momento. Desde já vos entrego o meu espírito: dizei a vosso Filho que se apiede de mim. A vós me recomendo, livrai-me do inferno.
 
 
 

Dinheiro, honras, modas, posições brilhantes, triunfos políticos e literários, vaidades, prazeres… De tudo se preocupa o homem, exceto do principal: salvar a sua alma. E a morte aí vem e lá se vão as ilusões!

— Qual é o teu nome? — perguntou a um mocinho Luís XI, rei da França. — Eu me chamo Estevão. — Qual o teu emprego? — Ajudante de cozinheiro. — Quanto ganhas? — Tanto quanto Vossa Majestade. — E isso é possível? — Sim, senhor! Porque Vossa Majestade, governando, e eu, no meu humilde trabalho, ganhamos o céu ou o inferno.

O Rei, maravilhado pela sabedoria da resposta, que revelou tão bom senso e “fidelidade”, nomeou Estevão camareiro seu.

Que adianta ao homem”, diz Nosso Senhor, “ganhar o mundo inteiro, se vem a perder a sua própria alma?” (Mt 16, 26). Perdida a alma, tudo perdido! Salva a nossa alma, tudo está salvo! Cuidemos do essencial. O resto é acidental. O essencial é a salvação da alma. O resto… o resto… vaidade, fumaça, ilusão, loucura.

A Sagrada Escritura diz que é infinito o número dos insensatos: Stultorum infinitus est numerus. Quem são estes insensatos? Os que pensam em tudo neste mundo, exceto no grande negócio da eterna salvação.

Dinheiro, honras, modas, posições brilhantes, triunfos políticos e literários, vaidades, prazeres, de tudo se preocupa o homem, exceto do principal: salvar a sua alma!

O único bem deste mundo é salvar-se; o único mal, condenar-se.

E a morte aí vem e lá se vão as ilusões! Que levamos para a sepultura? Ai! nada, nada do que no mundo cobiçamos e desejamos loucamente. Só nos acompanham as obras boas ou más. As boas, para a recompensa, as más, para a perdição eterna.


S. Filipe Néri chamava louco quem não cuida da sua salvação. O único bem deste mundo é salvar-se, dizia S. Francisco Xavier, o único mal, condenar-se. E Santa Teresa repetia, cheia de aflições, às suas irmãs pedindo-lhes que rezassem pelos pecadores: “Minhas filhas, uma alma, uma eternidade! Uma alma que é perdida, tudo perdido!

A salvação é, pois, negócio importantíssimo. Único negócio! Negócio de uma perda irreparável. Perdem-se riquezas, bens, parentes, amigos, etc. Nem tudo está perdido! Perde-se a alma! Tudo perdido e para sempre! Leia também Como fazer uma boa confissão? conheça este exame de consciência!

E há tanta gente que brinca com a salvação! Tantos gozadores da vida que aí sorriem da eternidade como se se tratasse de uma ilusão de devotas ou de um conto de fadas.

Tratemos desde já de preparar a nossa alma para a vida eterna. A morte aí vem. Tens certeza de viver longo tempo ainda? E se a morte te surpreender hoje? Em que estado a tua alma iria se apresentar a Deus? E o juízo? E o inferno? E a eternidade?

Vamos! É tempo de arrumar os negócios e sobretudo o grande negócio da salvação! Não se brinca com Deus, com a alma e a eternidade.

Salva tua alma! Olhemos as coisas do mundo tais como são na realidade: puro nada, vaidade e loucura! Haja paz em nossa alma. Pensemos um pouco no que é eterno. Dizia Santa Teresa: “Nada te perturbe, nada te assuste, tudo passa, Deus não muda, quando se tem Deus nada falta, só Deus basta”. Leia também O que são os Novíssimos que os católicos precisam meditar diariamente? O céu, a morte, o purgatório…


Estaremos preparados quando a morte vier?

Nossa vida não tem sentido em si mesma. Vivemos para preparar um encontro num momento decisivo. O porquê de nossa existência decide-se no último instante, quando nos encontraremos com Nosso Senhor. É algo muito sério e importante. Ora, do que é feito o nosso dia? De tempo. São ao todo 24 horas. Cada hora tem 60 minutos, cada minuto tem 60 segundos… Enquanto estamos aqui, os segundos vão passando. Pode até ser que os segundos de nossa vida sejam quantitativamente idênticos (o segundo que está acontecendo agora é igual ao que aconteceu antes e ao que virá depois), mas qualitativamente não o são.

De fato, há segundos decisivos, tempos na vida em que se põe em jogo uma decisão definitiva. É a hora de todas as horas — a hora da morte. E quando será a nossa morte? Em um segundo! A morte não dura quase tempo algum. Acontece numa fração de segundos. Morrer, afinal, é ir do estar ao não estar vivo, sem meio termo. “Ah, fulano está quase morrendo”, mas ainda está vivo; “se você tivesse vindo antes, tê-lo-ia visto com vida”, mas morreu! No fundo, não há um “quase morrer” nem um “acabar de morrer”, só o estar vivo e o estar morto, e é da fração de segundos que separa um estado do outro que depende nossa eternidade. Mas o que significa “eternidade”? Quer dizer para sempre, é um nunca mais acabar. (Santa Teresa d’Ávila, quando criança, gostava de repetir com o irmãozinho Rodrigo que tanto a salvação quanto a condenação são para sempre: ¡Siempre, siempre, siempre!) Nosso destino eterno depende de um único instante. Como estaremos na hora da morte? Em que condição traremos a alma no momento do encontro? Se morrermos em graça, estaremos salvos para sempre; se em pecado, condenados também para sempre…

Quem nunca passou por ao menos um ensaio de morte, por algum risco ou perigo grave, por algum acidente do qual escapou por um fio? Eu já passei por vários. Quando ainda era seminarista, estava um dia conduzindo pela estrada. Era de noite, e minha velocidade era bastante considerável. À minha frente ia um caminhão sem lanternas a “incríveis” 30 km/h… Assim que o vi, freei rapidamente e, graças a Deus e ao meu anjo da guarda, estou hoje aqui fazendo homilias, embora pudesse ter morrido naquela noite, sem nunca ser ordenado padre. Outra história. Durante o meu primeiro ano de filosofia, vim a Cuiabá comemorar os 25 anos de ordenação (não me lembro se episcopal ou presbiteral) de D. Bonifácio. Na volta, meu ônibus capotou. Também ali poderia ter-se encerrado tudo, e eu não teria concluído sequer os estudos. A pergunta básica e fundamental é: se em um daqueles momentos eu tivesse morrido, estaria preparado? Estaria pronto para me apresentar diante de Deus? Quando entrei naquele ônibus de Cuiabá para Campo Grande, não me passava pela cabeça que aquela pudesse ser minha última viagem. Quando peguei o volante naquela noite, não pensava que aquele pudesse ser meu último carro. Se eu não estivesse em estado de graça, e a morte ali me assaltasse como um ladrão, haveria um padre mais no inferno, condenado para sempre! Leia também Indulgência: a grande misericórdia de Deus desconhecida por quase todos os cristãos

Quantas vezes Deus nos permite experimentar que a morte vem frequentemente sem aviso prévio, como um ladrão! Por isso diz Jesus: Vigiai! Precisamos, sim, estar prontos porque tudo depende daquele último momento, o momento da morte, o momento da prestação de contas. Quem disse que teremos tempo de nos arrepender? Sabemos às vezes estar em pecado, mas nos iludimos pensando: “Não, depois eu me confesso”. Ora, quem disse que teremos tempo de nos confessar, ou mesmo de fazer um ato de contrição? Ouçamos o que Nosso Senhor nos está dizendo hoje: Vigiai! Não sabemos nem o dia nem a hora. Se o dono da casa soubesse quando viria o ladrão, vigiaria para que sua casa não fosse arrombada. Estejamos preparados, irmãos. Cristo é amor, misericórdia e compaixão. Deus Filho se fez homem para nos alertar. Que grande caridade para conosco! Deus não faz “terrorismo espiritual”, mas nos chama a atenção para o que realmente importa: Vigiai! Não nos revoltemos nem fiquemos indignados com o Senhor; pelo contrário, mudemos o quanto antes de vida e nos arrependamos enquanto ainda é possível. Chegará o momento em que cessará todo o tempo, e não teremos nem sequer um momento para nos mudar. Mudemos já, antes de o tempo mudar-se em eternidade.

II. Comentário exegético

O ladrão inesperado (cf. Lc 12,39s).Se o pai de família soubesse a que hora (gr. ποίᾳ φυλακῇ = em que guarda, i.e. em qual das quatro vigílias da noite [1]) havia de vir o ladrão, vigiaria, sem dúvida, e não deixaria minar a sua casa. Alguns vertem do grego: “Se tivesse sabido… teria vigiado… nem teria deixado” [2]; parece mais adequada, no entanto, a versão da Vulgata por causa dos verbos ᾔδει, ἔρχεται, que designam antes um caso hipotético que um fato pretérito. — Minar: alusão às casas orientais que, fabricadas muitas vezes com barro, podiam ser facilmente terebradas com um punhal ou qualquer outro instrumento.

A aplicação da imagem à espera pela vinda de Cristo faz-se sem nenhuma dificuldade. Cristo (melhor, o dia do Senhor, i.e. o dia do juízo) virá ocultamente e sem aviso, trazendo para os pecadores a justa retribuição. Cumpre pois vigiar, para que tal dia não nos encontre despreparados (cf. 1Ts 5,2; 2Pd 3,8ss; Ap 16,15). — Muitos Santos Padres e não poucos autores recentes interpretam a parábola em referência à morte de cada homem, sobretudo porque a passagem paralela em Lc. encontra-se num contexto não escatológico. Embora a última vinda de Cristo demore muito tempo, os verdadeiros discípulos de Jesus devem estar sempre preparados, como se ele os fosse assaltar a qualquer instante (cf. e.g. São João Crisóstomo, hom. lxxvii in Matth. 2,3: M 58,705; São Gregório Magno, hom. xiii 6: M 76,1127).

O servo fiel e o infiel (cf. Lc 12,41-48). — O texto é o mesmo no I e III evangelhos (de Lc. são próprios os vv. 41.47s), mas são diversas as circunstâncias de tempo e lugar. Se se trata da mesma instrução, é preferível seguir a ordem de Lc., mais fiel à cronologia e à indicação dos lugares.

a) Imagem. — As famílias ricas contavam com um grande número de servos, os quais recebiam como certa remuneração uma quantidade determinada de alimento (σιτομέτριον = porção racionada de grãos, cf. Lc 12,42). Estavam sob os cuidados de um οἰκονόμος, ou administrador, ele mesmo um servo, o mais grato e próximo ao senhor, a quem competia vigiar os demais e prover às necessidades de cada um. Se, na ausência do dono, o despenseiro cumprisse fielmente o seu dever, era constituído sobre a família, i.e. tornava-se responsável pelos bens de toda a casa, o que era a maior recompensa que podia receber um servo; se, porém, maltratasse os companheiros e se aproveitasse da ausência do senhor para entregar-se ao ócio e a divertimentos, o patrão poderia voltar de repente, cortá-lo em dois (i.e. supliciá-lo, segundo o costume dos déspotas orientais) e pôr a sua parte com (i.e. dar-lhe a mesma sorte que têm) os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes [3]. Estas últimas palavras referem-se mais à doutrina espiritual do que à imagem, como é evidente. — Família (gr. οἰκετεία) = servos domésticos, famulício etc. (cf. Mt 24,49: σύνδουλοι = conservos).

b) Doutrina espiritual. — A parábola fala especialmente dos Apóstolos e demais ministros do Evangelho (cf. Lc 12,41; 1Cor 4,1), mas não exclui outras classes de fiéis (cf. 1Pd 1,10). — Todo o que for constituído sobre a família de Cristo e cumprir fiel e prudentemente [4] o seu dever há de estar sempre alerta, como se a qualquer hora o Senhor fosse voltar para lhe pedir contas. Ao que Ele encontrar procedendo assim o advento do Filho de Homem (quer no juízo particular, quer no universal) constitui-lo-á administrador de tudo quanto possui, i.e. no tempo da parusia lhe retribuirá generosamente, ou o cumulará após a morte de honra e glória na felicidade eterna.

Àquele, porém, que tiver procurado somente os próprios interesses nem for achado digno da função recebida dividi-lo-á (gr. διχοτομήσει = cindirá, cortará em partes), i.e. o separará “do consórcio dos santos” (São Jerônimo), ou o punirá severamente, e porá a sua parte (sorte, herança etc.) entre os hipócritas e pérfidos, i.e. entre os infiéis (Lc.), o que equivale a dizer: “dar-lhe-á o mesmo fim que têm os ímpios”, sobre os quais paira a condenação à geena, onde haverá choro etc. Leia e compartilhe: Como devemos nos preparar para a morte?

 
 
 
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