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O teólogo Ruiz Aldaz comenta a relação entre fé e razão

PAMPLONA, domingo, 18 de fevereiro de 2007 (ZENIT.org).- O encontro do cristianismo com o helenismo foi providencial. Destaca isso o teólogo Ruiz Aldaz nesta entrevista concedida a Zenit, na qual aborda os temas que Bento XVI colocou em sua conferência em Ratisbona, ou seja, a relação entre fé e razão sobre a base comum da busca da verdade.

O professor Ruiz Aldaz discute este tema em seu livro «O conceito de Deus na teologia do século II. Reflexões de J. Ratzinger, W. Pannenberg e outros» (Eunsa).

Ruiz Aldaz recorda que o Papa, em sua conferência em Ratisbona, sublinhava precisamente a «coincidência de fundo entre a revelação bíblica e a filosofia grega».

Ruiz Aldaz (Pamplona, 1969) é sacerdote da diocese de Pamplona – Tudela e professor de Teologia na Universidade de Navarra. Entre seus estudos se destaca a reflexão sobre a Trindade e a teologia de São Gregório de Nisa.

–Em Ratisbona o Papa aludiu ao encontro entre cristianismo e filosofia grega. Você em seu livro afirma que o encontro do cristianismo com o helenismo foi providencial. Por quê?

–Ruiz Aldaz: Um dos permanentes centros de atenção do magistério de Bento XVI é a estreita relação que existe entre fé e razão. Em suas próprias palavras, a fé é «amiga da inteligência». Sua aula em Ratisbona em setembro do ano passado sublinhava precisamente a coincidência de fundo entre a revelação e a filosofia grega: o que não é conforme a razão é contrário à natureza de Deus.

Aristóteles começa sua grande obra de metafísica afirmando que todos os homens desejam saber. A aspiração a conhecer a verdade do divino, do próprio homem e do mundo pertence à essência do espírito humano.

Os filósofos da antiga Grécia tiveram o mérito de desenvolver uma ciência para conhecer a verdade exercitando as capacidades da inteligência humana. A grande questão que a inteligência humana se propõe é a questão da verdade.

A fé cristã é uma mensagem verdadeira. Se nos interessa a fé é porque é verdade. Se limitasse a ser um relato fantástico, seria boa literatura, mas não chegaria a satisfazer a aspiração mais profunda do espírito humano: encontrar o Deus vivo e verdadeiro.

Por isso, a fé precisa da razão: para mostrar o grau de seriedade de seu compromisso com a verdade e aprofundar em seu conhecimento. Fé e filosofia se encontram porque ambas buscam a verdade. Daí que possa afirmar-se que o encontro da fé cristã com a filosofia grega fora providencial.

–Assim, o cristianismo se deveria «des-helenizar» do todo ou é bom que conserve este influxo grego?

–Ruiz Aldaz: Os resultados a que conduz o projeto de «des-helenizar» o cristianismo estão patentes na história da teologia. Quando Bento XVI emprega a palavra «des-helenizar», quer dizer arrancar o cristianismo sua dimensão racional. Isto tem muitas conseqüências: significa privar o cristianismo de sua intrínseca relação com a verdade, impedir um autêntico diálogo da fé com os demais saberes, reduzi-lo a um puro fenômeno subjetivo e negar-lhe a legitimidade para entrar nos grandes debates filosóficos e éticos do mundo contemporâneo.

–Que contribuem os teólogos W. Pannenberg, L. Scheffczyk e J Ratzinger ao debate sobre o conceito de Deus nos primeiros teólogos?

–Ruiz Aldaz: Entre 1959 e 1999 se desenvolveu um interessante debate em torno à forma em que os primeiros teólogos empregaram alguns conceitos da filosofia grega para aprofundar no conceito cristão de Deus e propô-lo ao mundo greco-romano.

Os teólogos do século II partiam da convicção de ter conhecido em Jesus Cristo a revelação suprema de Deus. Seu trabalho consistiu em selecionar que conceitos da filosofia grega eram mais apropriados para expressar o mistério do Deus cristão e defini-los de tal forma que não o desfigurassem.

Neste debate participou um considerável número de teólogos de diversas confissões cristãs. Os mais importantes são, com efeito, Pannenberg, Scheffczyk e Ratzinger. Enquanto que Pannenberg, teólogo evangélico, aporta uma postura mais bem crítica deste trabalho, Ratzinger defende a lucidez dos primeiros teólogos ao tomar a filosofia como interlocutora privilegiada e Scheffczyk corrobora a idéia de que em seu esforço intelectual estes teólogos selecionaram com acerto que tipo de conceitos filosóficos eram mais adequados para expressar o conteúdo da fé.

–Deus como «ser pessoal» supera as expectativas da filosofia grega. Que dizia o teólogo Ratzinger sobre isto?

–Ruiz Aldaz: Ratzinger sustenta que na base do politeísmo está a idéia de que por cima das diversas divindades, existe uma lei universal impessoal que governa toda a realidade, inclusive aos deuses do Olimpo. Este é o espírito que impregna o mundo cultural greco-romano: a divindade mais alta não é um ser com o qual o homem possa se comunicar.

Para os gregos, não cabe uma relação pessoal com a divindade primeira. É uma verdade sem religião.

Uma das contribuições decisivas da revelação cristã é afirmar que o único Deus verdadeiro é o que criou tudo com sua inteligência e com seu amor. De acordo com este dado fundamental e com a fé na Encarnação, os primeiros teólogos afirmaram que Deus é um ser com quem o homem pode se comunicar.

É um ser pessoal que estabelece com o ser humano uma relação pessoal de conhecimento e amor. Ou seja, a verdade e a religião guardam uma perfeita harmonia.

 
 
 

Ante o fenômeno das migrações «desde e para os países de maioria islâmica»

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 15 de maio de 2006 (ZENIT.org).- Diante do crescente fenômeno das migrações «desde e para os países de maioria islâmica», Bento XVI insistiu esta segunda-feira na importância do princípio da reciprocidade.

A reciprocidade, declarou, consiste em «uma relação fundada no respeito recíproco e, antes de tudo, de uma atitude do coração e do espírito».

Segundo este princípio, os cristãos que estão chamados a acolher «com os braços abertos» imigrantes da religião islâmica esperam que também «os cristãos que migram para países de maioria islâmica encontrem acolhida e respeito de sua identidade religiosa».

O pontífice enfrentou este debate de candente atualidade no discurso que dirigiu aos participantes na sessão plenária do Conselho Pontifício da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes, que, sob a presidência do cardeal Renato Raffaele Martino, discute até esta terça-feira o tema da «Migração e mobilidade desde e para os países de maioria islâmica».

Segundo reconheceu o bispo de Roma, «a mobilidade que afeta os países muçulmanos merece uma reflexão específica, não só pela importância quantitativa do fenômeno, mas sobretudo porque a islâmica é uma identidade característica, tanto desde o ponto de vista religioso como cultural».

Neste contexto, sublinhou, «a Igreja Católica percebe com crescente consciência que o diálogo inter-religioso faz parte de seu compromisso ao serviço da humanidade no mundo contemporâneo».

«Vivemos em tempos nos quais os cristãos estão chamados a cultivar um estilo de diálogo aberto sobre o problema religioso, sem renunciar a apresentar aos interlocutores a proposta cristã, coerentemente com nossa própria identidade».

Ao explicar em que consiste o princípio da reciprocidade, o pontífice citou a instrução «Erga migrantes caritas Christi», firmada pelo Conselho Pontifício da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes em maio de 2004.

O documento define a reciprocidade «não como uma atitude meramente reivindicativa, mas como uma relação fundada no respeito mútuo e na justiça, nos tratamentos jurídico-religiosos».

«A reciprocidade é também uma atitude do coração e do espírito que nos faz capazes de viver, todos juntos, em todas partes, com iguais direitos e deveres», declara esse texto no número 64.

Neste contexto, o Papa recordou por uma parte aos cristãos o mandamento do amor que Cristo lhes deixou, segundo o qual «cada um dos crentes está chamado a abrir seus braços e seu coração a toda pessoa, qualquer que seja seu país de proveniência, deixando que as autoridades responsáveis pela vida pública estabeleçam a esse respeito as leis que considerem oportunas para uma sã convivência».

«Os cristãos devem abrir seu coração em particular aos pequenos e aos pobres, nos que Cristo mesmo está presente de modo singular», insistiu.

Agora, em virtude da reciprocidade, «é de esperar que também os cristãos que migram para os países de maioria islâmica encontrem acolhida e respeito de sua identidade religiosa».


 
 
 

Mateus (2,13-15.19-23) Depois dos Magos se retirarem, o Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e lhe disse: “Levanta-te, toma contigo a criança e sua mãe e foge para o Egito; e permanece ali até que eu te diga. Porque Herodes vai buscar a criança para matá-la”. José se levantou, tomou de noite a criança e sua mãe, e se retirou ao Egito; e esteve ali até a morte de Herodes; para que se cumprisse o oráculo do Senhor, por meio do profeta: “Do Egito chamei meu filho”.

No domingo depois do Natal celebra-se a festa da Sagrada Família: Jesus, Maria e José. Na segunda leitura, São Paulo disse: “Mulheres, sede submissas a vossos maridos, como convém no Senhor. Maridos, amai vossas mulheres, e não sede ásperos com elas. Filhos, obedecei vossos pais, porque isto é do agrado de Deus no Senhor. Pais, não exasperai vossos filhos, não seja que se desalentem”. Neste texto, apresentam-se as duas relações fundamentais que constituem a família: a relação mulher-marido, e pais-filhos.

Das duas relações, a mais importante é a primeira, a relação de casal, porque dela depende em grande parte também a segunda, aquela com os filhos.

Lendo com olhos modernos as palavras de São Paulo, salta imediatamente uma dificuldade. São Paulo recomenda ao marido “amar” a própria mulher (e isto está bem), mas logo recomenda à mulher que seja «submissa» ao marido, e isto, em uma sociedade fortemente (e justamente) consciente da igualdade dos sexos, parece inaceitável. Sobre este ponto, São Paulo está, ao menos em parte, condicionado pela mentalidade de seu tempo. No entanto, a solução não está em eliminar das relações entre marido e mulher a palavra “submissão”, está em todo caso em fazê-la recíproca, como recíproco deve ser também o amor.

Em outras palavras, não só o marido deve amar a mulher, mas também a mulher o marido; não só a mulher deve estar submetida ao marido, mas o marido à mulher. A submissão não é então senão um aspecto e uma exigência do amor. Para quem ama, submeter-se ao objeto do próprio amor não humilha, ao contrário, faz feliz.

Submeter-se significa, neste caso, ter em conta a vontade do cônjuge, seu parecer e sua sensibilidade…

Dialogar, não decidir por si só; saber às vezes renunciar o próprio ponto de vista. Enfim, lembrar-se de que se converteram em “cônjuges”, isto é, literalmente, pessoas que estão debaixo do mesmo jugo. A Bíblia situa uma relação estreita entre o estar criados à “imagem de Deus” e o fato de ser “homem e mulher” (Cf. Gn 1,27). A semelhança consiste nisso. Deus é único e sozinho, mas não solitário. O amor exige comunhão, intercâmbio pessoal; requer que haja um «eu» e um “tu”. Por isso o Deus cristão é uno e trino. Nele coexistem unidade e distinção: unidade de natureza, de vontade, de intenção, e distinção de características e de pessoas.

Precisamente nisso o casal humano é imagem de Deus, reflexo da Trindade. Marido e mulher são de fato uma só carne, um só coração, uma só alma, ainda na diversidade de sexo e de personalidade. Os esposos estão de frente, o um ao outro, como um “eu” e um “tu”, e estão frente a todo o resto do mundo, começando pelos próprios filhos, como um “nós”, como se se tratasse de uma só pessoa, mas já não singular, senão plural. “Nós”, isto é, “tua mãe e eu”, “teu pai e eu”. Assim falou Maria a Jesus depois de encontrá-lo no templo.

Bem sabemos que este é o ideal e que, como em todas as coisas, a realidade é freqüentemente diferente, mais humilde e mais complexa, às vezes até trágica. Mas estamos tão bombardeados de casos de fracasso que talvez, por uma vez, não está mal voltar a propor o ideal do casal, primeiro no plano natural e humano, e depois no cristão.

Os jovens têm direito a ver que se lhes transmite, pelos mais velhos, ideais e não só ceticismo. Nada tem a força da atração que o ideal possui.

 
 
 
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