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Dando continuidade, e finalizando nosso estudo, quando Santo Estêvão I morreu, em 257, São Sisto II sucedeu-lhe o cargo. Ele governou a Igreja durante um ano (257–258) e, nesse tempo, semeou a paz e a unidade no seio da Igreja de Cristo. Eusébio em “História Eclesiástica” VII,9 nos dá uma carta dirigida por São Dionísio, Bispo da Igreja de Alexandria, a São Sisto II de Roma sobre o caso de um homem que, ao que parecia, havia sido batizado invalidamente por hereges, mas que por muitos anos frequentava os sacramentos da Igreja. Nele ele diz que precisa do conselho de São Sisto II e implora por sua decisão (gnomen), para que não caia no erro (dedios me hara sphallomai). Sisto II foi decapitado pela polícia durante uma cerimônia clandestina que ele celebrava num cemitério da via Ápia. Foram, ao mesmo tempo, executados seis dos sete diáconos que o rodeavam. Só pouparam algum tempo o diácono Lourenço, seu tesoureiro, a quem deixaram quatro dias para entregar os bens da Igreja. Assim se procedia desde que o imperador Valeriano estabelecera a pena de morte “sem julgamento, só com verificação de identidade”, contra os Bispos, padres e diáconos da religião cristã. Então, depois que São Sisto II morreu, São Dionísio (outro) fora eleito seu sucessor. Alguns meses após isso, o Imperador Galieno emitiu seu édito de tolerância, que pôs fim à perseguição e deu à Igreja uma existência legal (Eusébio, História Eclesiástica VII,13) Por volta de 260, outro São Dionísio, Bispo da Igreja de Alexandria, escreveu sua carta a Amônio e Eufranor contra o sabelianismo na qual ele se expressou com inexatidão quanto ao Logos e sua relação com Deus Pai. Após isso, uma acusação contra ele foi apresentada ao Papa Dionísio. Em resposta às acusações de triteísmo (heresia que separa os membros da Trindade como três divindades distintas) contra São Dionísio de Alexandria, o papa convocou um sínodo romano em 260. O papa emitiu, em seu próprio nome e no do conselho, uma importante carta doutrinária na qual, primeiro, a errônea doutrina de Sabélio foi novamente condenada junto com o triteísmo. Junto com esta epístola doutrinária, o Papa Dionísio enviou uma carta separada ao bispo de Alexandria, e exigiu uma explicação do mesmo, isto ficou conhecido como “o caso dos dois Dionisios”. São Dionísio de Alexandria se esclareceu em sua “Refutação”, e na sua “Apologia” (Santo Atanásio, “De sententia Dionysii” V, XIII.[1] e “De decretis Nicaenae synodi”, XXVI) aceitou a autoridade do papa. Aqui, o Papa está chamando o segundo bispo mais importante do mundo cristão para se esclarecer e defender sua ortodoxia. O Patriarca Dionísio negou a autoridade do Papa para trazê-lo ao tapete, por assim dizer? De modo nenhum. Ele acolheu o inquérito do Papa e rapidamente escreveu uma explicação que o Papa aceitou como satisfatória. Assim, a reivindicação da Igreja Romana de governar em questões de fé foi reforçada no pontificado de São Dionísio de Roma. E conforme a antiga prática da Igreja Romana, o Papa São Dionísio também estendeu seu cuidado aos fiéis de terras distantes. Quando os cristãos da Capadócia estavam em grande aflição com as incursões saqueadoras dos godos, o papa dirigiu uma carta de consolo à Igreja de Cesaréia e enviou uma grande soma em dinheiro por mensageiros para a redenção de cristãos escravizados.[2] Depois que São Dionísio morreu, São Félix I fora eleito seu sucessor, e também exerceu o ofício do Primado. Em Antioquia, Paulo de Samosata, bispo da Igreja de Antioquia, havia negado a personalidade do Logos, dizendo que apenas a Sabedoria divina se tornou encarnada. Em 264, os bispos da Síria, Palestina e Ásia Menor se reuniram em sínodo e condenaram a heresia de Paulo. Porque ele persistiu em seus erros, num segundo e depois num terceiro sínodo se reuniram e, finalmente, ele foi deposto e excomungado. Domnus foi nomeado como substituto, mas Paulo se recusou a desocupar a residência episcopal. Os bispos apelaram ao imperador Aureliano, que estava em Antioquia na época. Teria sido simples para o imperador resolver a questão naquele momento e ordenar que Domnus fosse instalado como patriarca de Antioquia. Em vez disso, ele pediu a Roma que decidisse quem deveria ser o patriarca. São Félix I escolheu Domnus e ele foi instalado.[3] O incidente prova que até os próprios pagãos sabiam bem que a comunhão com a Sé Romana era a marca essencial de todas as igrejas cristãs, observe ainda que essa foi uma controvérsia entre os bispos orientais e envolveu o ocupante legítimo da terceira sé mais importante da Igreja, uma sé oriental. Por que Aureliano se voltou para Roma para uma decisão? Por que ele teria a controvérsia resolvida de uma forma que seria uma afronta impressionante aos bispos orientais e à sua autoridade? A menos que reconhecessem a jurisdição universal do papa. Isso eles fizeram. Nenhum objetou. O assunto foi resolvido. “Roma locuta est” (Roma falou). São Félix I morreu, e Santo Eutiquiano o sucedeu, e durante seu pontificado, após a morte do imperiador Aureliano em 275, a Igreja desfrutou de uma longa trégua das perseguições do Império Romano pagão. Quando Santo Eutiquiano morreu em 283, São Caio fora nomeado seu sucessor, e depois que morreu em 296, São Marcelino sucedeu-lhe o cargo, e durante seu pontificado, aquele longo período de tranquilidade na Igreja fora encerrado por uma nova e sangrenta perseguição do Império Romano pagão contra os cristãos, a última de seu tipo, pelo imperador romano Diocleciano. Em 303, o imperador Diocleciano e seus colegas Maximiano, Galério (293–311) e Constâncio Cloro (293–306) emitiram uma série de éditos em que revogavam os direitos legais dos cristãos e exigiam que estes cumprissem as práticas religiosas tradicionais. Os soldados cristãos tiveram de deixar o exército, as propriedades da Igreja foram confiscadas e os livros sagrados foram destruídos, tendo sido proibidas as funções religiosas. Além disso, os cristãos eram obrigados a renunciar a própria fé, sob pena de serem condenados à morte. A própria esposa de Diocleciano, Prisca, e a sua filha Valéria, ambas cristãs, foram forçadas a adorar as divindades pagãs. Marcelino morreu no segundo ano da perseguição, em 304. A perseguição de Diocleciano continuou com severidade inabalável. Após a abdicação de Diocleciano em 305 e a ascensão de Maxêncio ao trono dos Césares em Roma, em outubro do ano seguinte, os cristãos da capital novamente desfrutaram de relativa paz. No entanto, provocou sérias desordens na Igreja de Roma, e quase dois anos se passaram antes que um novo bispo de Roma fosse eleito, até que finalmente, em 308, São Marcelo I fora eleito para o cargo. Em Roma, Marcelo encontrou a Igreja na maior confusão. Os locais de reunião e alguns locais de sepultamento dos fiéis foram confiscados e a vida normal e as atividades da Igreja foram interrompidas, causada pelo grande número de membros mais fracos que haviam caído durante o longo período de perseguição ativa. Morreu em 309, após 7 meses de pontificado, e então fora sucedido por Santo Eusébio, que morreu no mesmo ano (309), após 6 meses de pontificado. Então São Melquíades chegou ao episcopado. No período de seu governo, Melquíades sofreu com a perseguição aos cristãos pelo Imperador Maxêncio. E agora falaremos do tão falado Constantino. O imperador Constantino, também conhecido como Constantino Magno (O Grande) ou Constantino I, nasceu em 274 e faleceu em 337, foi imperador durante 31 anos: de 306 a 337. Era filho de Constâncio Cloro e Helena, uma cristã que se tornou Santa Helena. Casou-se com Faustina, filha de Maximiliano Hércules. No início século quarto, o cristianismo já estava espalhado por quase todo o mundo, penetrando até na classe nobre e era muito perseguido pelos imperadores que tentavam a todo custo, com o poder das armas destruir o poder da fé, mas não conseguiam. Após a morte do imperador Galério o poder ficou dividido entre Maxênico que se intitulou imperador, e Constantino, aclamado como imperador pelos soldados. Os dois ambicionavam pelo poder absoluto, tal luta se encerrou no dia 28 de outubro de 312, na batalha da Ponte Mílvia. Segundo os cronistas do século IV Eusébio de Cesareia e Lactâncio, a batalha marcou o começo da conversão de Constantino ao Cristianismo. Eusébio de Cesaréia relata que Constantino e seus soldados tiveram uma visão do Deus cristão prometendo-lhes a vitória caso eles exibissem o sinal do Chi-Rho (☧), as duas primeiras letras do nome de Cristo em grego, em seus escudos. O Arco de Constantino, erigido para celebrar esta vitória, atribui em seus relevos e inscrições à intervenção divina. Este fora um marco para sua conversão, que não se deu de uma hora para outra, pois ele foi batizado somente em 337, no fim de sua vida. Para o bem ou para o mal, sua relutância em abraçar a Cristo publicamente no batismo provavelmente se baseava em sua deferência à agenda política romana. Ele foi batizado apenas antes de sua morte iminente. No entanto, se julgarmos Constantino por seus atos, ele parece ter sido um grande defensor do Cristianismo. Após sua vitória contra Maxêncio, em 313 deu liberdade de culto aos cristãos com o chamado Édito de Milão : “Havemos por bem anular por completo todas as retrições contidas em decretos anteriores, acerca dos cristãos (restrições odiosas e indignas de nossa clemência) e de dar total liberdade aos que quiserem praticar a religião cristã”. Era o sumo pontífice nessa epoca, São Melquíades, Bispo de toda Igreja Universal, o 32º Papa, tendo Pedro como o 1º. Assim não há que se falar que Constantino é o fundador da Igreja de Cristo, ele apenas deu liberdade aos cristãos, acabando com dois séculos e meio de perseguição e martírio. Assim, São Melquíades passou do Papa da perseguição para o Papa da liberdade dos cristãos. Quando São Melquiades morreu em 314, São Silvestre I fora eleito seu sucessor Apóstolico. Constantino inaugurou a construção nos locais sagrados de Roma construindo a antiga Basílica de São Pedro original, a Basílica de São Paulo fora dos muros e a Basílica de Cristo Salvador ou São João de Latrão. Ele não apenas isentou a Igreja de impostos, mas até a subsidiou com fundos estatais. Com a ajuda de sua mãe, ele também comissionou a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém para abrigar o túmulo de Cristo. Parece que a profecia de Daniel estava se cumprindo. Por meio do sacrifício de Cristo e do sofrimento da Igreja, a majestade de Roma foi transformada em instrumento do Evangelho. Os antigos deuses pagãos estavam mortos, Cristo os humilhara, e fizera o império pagão que almejava destruir sua Igreja, se curvar diante dela, e o Império Romano tornou-se uma ferramenta nas mãos da Igreja. Constantino percebeu sabiamente que a fé católica emergente uniria seu frágil Império. No entanto, ele sabia que a natureza adesiva da fé só se manteria se aquela fé permanecesse uma. Duas heresias ameaçavam a unidade da Igreja: Donatismo e Arianismo. O donatismo era um movimento rigorista que sustentava que os sacramentos administrados por um clérigo caduco eram inválidos e que a Igreja Católica em união com o bispo de Roma era frouxa e corrupta. A heresia ariana ensinava que Deus Filho não era totalmente divino como Deus Pai, mas que o Filho era apenas a primeira e mais elevada criatura do Pai. Constantino não recuou e permitiu que esses movimentos heréticos prejudicassem a unidade da Igreja ou do Império. Em 316, Constantino resolveu uma disputa no norte da África a respeito dos donatistas. Ele governou a favor dos católicos. Mais significativamente, em 325 Constantino convocou o Concílio Universal de Nicéia. Este concilio derrubou os arianos e emitiu o Credo Niceno. Embora modificado em 381, o Credo Niceno ainda é recitado todos os domingos em todas as catedrais e paróquias católicas do mundo. A questão ariana que provocou esse concílio foi resolvida pelos papas um século ou mais antes. No segundo século, o Papa São Vitor I excomungou Teódoto, um dos primeiros expoentes da heresia mais tarde chamada de “Arianismo”. O Papa São Dionísio I condenou a heresia mais tarde associada ao nome de Ário e estabeleceu o termo teológico mais tarde adotado pelo Concílio de Nicéia. No início do século IV, a heresia condenada por Vitor e Dionísio irrompeu novamente nos ensinamentos de Luciano de Antioquia. Sob o impulso de seu discípulo Ário, um sacerdote de Alexandria, a heresia espalhou-se por todo o Oriente como um incêndio. O Papa Silvestre foi representado por dois padres romanos: Vitor e Vincente, e também pelo bispo de Córdoba, um deles de nome Ósio. Tanto Santo Atanásio quanto Teodoreto confirmam que Ósio era o presidente do Conselho. Em uma lista elaborada em ordem de classificação, o historiador (não o filósofo) Sócrates de Constantinopla lista Ósio antes de todos os bispos, antes dos bispos mais eminentes. Na verdade, Ósio e os dois padres assinaram os decretos primeiro. Depois de suas assinaturas, vem a de Santo Alexandre, Patriarca de Alexandria. Por direito, nenhum padre deveria ter assinado antes de qualquer bispo. Nem o bispo de Córdoba, na Espanha, tem o direito de assinar perante um Patriarca. Os outros bispos espanhóis assinaram mais abaixo na lista, onde Ósio teria feito, se ele apenas estivesse representando a si mesmo, e não o Papa Silvestre. O Sínodo foi convocado, de acordo com o Sexto Concílio Ecumênico (Constantinopla III) por Constantino e o Papa Silvestre: “Ário surgiu como um adversário da doutrina da Trindade, Constantino e Silvestre imediatamente reuniram o grande Sínodo em Nicéia.” De acordo com Sócrates de Constantinopla, o Papa Júlio afirmou que “a disciplina eclesiástica proíbe que um decreto seja recebido pelas Igrejas, a menos que seja sancionado pela Igreja Romana”. O papa Júlio governou a Igreja 11 anos após o Concílio e foi o papa que afirmou a ortodoxia de Atanásio. O próprio Atanásio cita este mesmo pontífice repreendendo os eusebianos (semi-arianos) por ignorarem sua própria autoridade (que ele “recebeu do abençoado apóstolo Pedro”). O Cânon VI do Concílio de Nicéia é um exemplo desta última classe. O principal objetivo do decreto é confirmar os privilégios consagrados pelo tempo da Sé de Alexandria. O cânon 6 do Concílio concede a Alexandria uma autoridade metropolitana sobre o Egito, Líbia e Persépolis, e a razão dada para isso é que “isso também é costume do bispo de Roma”: “Que prevaleçam os antigos costumes do Egito, Líbia e Pentápolis, de que o Bispo de Alexandria tenha jurisdição em todos estes, já que isso é costume para o Bispo de Roma. Da mesma forma em Antioquia e nas outras províncias, que as Igrejas mantenham seus privilégios. E isso deve ser universalmente entendido, que se alguém for nomeado bispo sem o consentimento do metropolita, o grande Sínodo declarou que tal homem não deve ser bispo.” No grego: “Ta archaia ethe krateito ta en Aigupto kai Liboe kai Pentapolei, hoste ton Alexandreias episopon panton touton echein dez exousian, epeide kai to en te Roma episkopo touto sunethes estin. Homoios de kai kata kai antiocheiano em tais allais eparchias ta presbeia sozesthai tais ekklesiais” A versão latina mais antiga (aquela que foi lida no Concílio de Calcedônia) é mais direta : “Quoniam et Romano Episcopo hmc est consuetudo” que coincide com o nosso. Os escritores protestantes também interpretaram o texto da mesma forma que nós, embora naturalmente se esforcem depois para atenuar as suas pontas. Na tradução de August Neander: “Visto que este é o costume também com o bispo romano.”.[4] e Philip Schaff: “Visto que isso também é costume com o bispo de Roma.”.[5] O grande sínodo decretou “que a antiga ordem das coisas no Egito, Líbia e Pentápolis deve ser mantida, a saber, que o bispo de Alexandria deve ter autoridade sobre todas essas províncias”. E para que desordens semelhantes não surjam em Antioquia ou em qualquer outro lugar, o Concílio decretou ainda “que todas as igrejas deveriam manter sua antiga posição.” O cerne da dificuldade é o demonstrativo (touto), isso. “Este é o costume do bispo romano.” A que isso se refere? “Que o bispo de Alexandria mantenha seu antigo domínio sobre essas três províncias, pois esse também é o costume do bispo romano.” Touto refere-se ao Patriarcado de Alexandria, mostrando que o Bispo de Alexandria continue a governar estas províncias, porque este é também o costume do Romano Pontífice, isto é, porque o Romano pontífice, antes de qualquer promulgação sinódica, reconheceu repetidamente a autoridade do bispo alexandrino sobre esta região do país. Os bispos arianos (em especial, Eusébio de Nicomedia e o próprio Ário) pensavam que depois de expor seus motivos a assembleia concordaria. Mas quando Eusébio de Nicomédia tomou a palavra para dizer que Jesus Cristo “nada mais era do que uma criatura, ainda que excelsa e eminente, e que não era de natureza divina”, a imensa maioria dos participantes percebeu que essa doutrina atraiçoava a fé que tinham recebido dos Apóstolos. Os Padres Conciliares, para evitar as consequências de uma confusão tão grave, decidiram redigir, baseados no Credo batismal da Igreja de Cesareia, um símbolo de fé que fosse o reflexo, de forma sintética e clara, da confissão genuína da fé recebida e admitida pelos cristãos desde as origens. O Concílio de Nicéia condenou os ensinos de Ário como blasfêmia, e o seu Credo reafirma a Doutrina Original defendida desde o 1° Século de que Jesus Cristo é “da substância do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado e não criado, homoousios tou Patrou (consubstancial ao Pai)”. Todos os Padres Conciliares, menos os dois Bispos, no dia 19 de junho de 325, autenticaram esse Credo, que é o Símbolo de Niceno. Além desta questão fundamental, em Niceia fixou-se a celebração da Páscoa no primeiro domingo depois da primeira lua cheia da primavera, seguindo a práxis habitual decidida pela Igreja de Roma no pontificado de São Vítor I no século II. Também foram tratadas algumas questões disciplinares de menor importância, pois eram referentes ao funcionamento interno da Igreja. O resultado do concílio foi que a ortodoxia prevaleceu no Concílio. A ortodoxia defendida por Santo Atanásio era a declarada pelo Papa Vitor I (que um século e meio antes havia condenado o ensino de Teódoto, um ancestral doutrinal de Ário), e do Papa Dionísio I, que sessenta anos antes havia condenado o que foi chamado mais tarde de heresia ariana e que fixou o termo “homoousios” (Consubstancialidade) como um chave para uma cristologia autêntica. O concilio reafirmou toda Ortodoxia, incluindo a autoridade primacial de Roma. Tanto, que o reformador protestante João Calvino admite no 4° volume de sua obra “As institutas da religião Cristã”: “Quanto à antiguidade do primado da Sé Romana, nada há a favor da sua instituição mais antigo do que o decreto do Concílio de Nice, pelo qual o primeiro lugar entre os Patriarcas é atribuído ao Bispo de Roma, e ele é encarregado de cuidar das igrejas suburbanas. Enquanto o Concílio, ao dividir entre ele e os outros Patriarcas, designa os próprios limites de cada um, certamente não o nomeia chefe de todos, mas apenas um dos chefes.” – “As institutas da religião Cristã”, volume 4, capítulo 7.[6] As indicações nesse artigo mostram que a igreja de Roma emergiu a uma posição de preeminência já no primeiro século. O pontífice romano era, de fato, a única autoridade eclesiástica amplamente reconhecida e capaz de influenciar toda a cristandade a aceitar novos costumes ou observâncias. Isso foi magistralmente explicado por São Tomás de Aquino em “Contra Errores Graecorum” (“contra os erros dos gregos”), um tratado curto escrito em 1263 para o Papa Urbano IV como uma contribuição para os esforços do Papa em reunir as Igrejas Cismaticas do Oriente. Nele, São Tomás menciona os fatos de: “Que o Romano Pontífice é o primeiro e o maior entre todos os bispos. O erro de quem afirma que o Vigário de Cristo, Pontífice da Igreja Romana, não tem primazia sobre a Igreja universal, é semelhante ao erro de quem afirma que o Espírito Santo não procede do Filho. Pois o próprio Cristo, Filho de Deus, a consagra e a marca como sua com o Espírito Santo, como se fosse com seu próprio caráter e selo, como as autoridades já citadas deixam abundantemente claro. E do mesmo modo o Vigário de Cristo, por seu primado e previdência como servidor fiel, mantém a Igreja universal sujeita a Cristo. Deve, então, ser demonstrado a partir dos textos dos doutores gregos acima mencionados que o Vigário de Cristo detém a plenitude do poder sobre toda a Igreja de Cristo. Ora, que o Romano Pontífice, sucessor de Pedro e Vigário de Cristo, é o primeiro e o maior de todos os bispos, está expressamente afirmado no cânone do Concílio que diz: “Segundo as Escrituras e a definição do cânon que veneramos o mais sagrado bispo da velha Roma como o primeiro e o maior de todos os bispos.” Isso, além disso, está de acordo com a Sagrada Escritura, que tanto nos Evangelhos quanto nos Atos dos Apóstolos (Mateus 16,18, João 21,17, Atos 1,15-16, 2,14, 15,17) atribui o primeiro lugar entre os apóstolos a Pedro. Daí, o comentário de Crisóstomo sobre o texto de Mateus 8,1: Os discípulos vieram a Jesus e perguntaram, quem é o maior no reino dos céus, diz: “Porque criaram em suas mentes uma pedra de tropeço humana, que podiam não ficam mais para si mesmos; nem controlaram o orgulho do coração, porque viram que Pedro foi preferido a eles e recebeu um lugar mais honrado. ” Que o mesmo Pontífice tem jurisdição universal sobre toda a Igreja de Cristo. Também é mostrado que o Vigário de Cristo tem jurisdição universal sobre toda a Igreja de Cristo. Pois está registrado no Concílio de Calcedônia como todo o sínodo aclamou o Papa Leão: “Viva Leão, o santíssimo, apostólico e ecumênico, isto é, patriarca universal”. E Crisóstomo comentando sobre Mateus diz: “O poder que é do Pai e do próprio Filho, o Filho conferiu mundialmente a Pedro e deu ao homem mortal autoridade sobre todas as coisas do céu, dando-lhe as chaves para que pudesse estender a Igreja em todo o mundo.” E na homilia 85 sobre João: “Ele atribuiu a Tiago um determinado território, mas nomeou Pedro mestre e mestre de todo o mundo”. Novamente, comentando sobre os Atos dos Apóstolos: “Não como Moisés sobre um povo, mas em todo o mundo Pedro recebeu do Filho poder sobre todos os seus filhos”. Isso também é ensinado com base na autoridade das Sagradas Escrituras. Pois Cristo confiou suas ovelhas aos cuidados de Pedro sem restrição, quando ele disse no último capítulo de João (21,15): Apascenta minhas ovelhas, e em João 10,16: Para que haja um só rebanho e um só pastor. Que o mesmo possui na Igreja uma plenitude de poder. Também se estabelece a partir dos textos dos doutores citados que o Romano Pontífice possui plenitude de poder na Igreja. Para Cirilo, o Patriarca de Alexandria, diz em seu “Thesaurus”: “Visto que Cristo veio de Israel como líder e cetro da Igreja dos Gentios foi concedido pelo Pai o mais completo poder sobre cada principado e poder e tudo o que é que todos possam dobrar os joelhos a ele, então ele confiou mais plenamente poder para Pedro e seus sucessores.” E ainda: “A ninguém mais senão a Pedro e somente a ele Cristo deu o que é totalmente seu”. E mais adiante: “Os pés de Cristo são a sua humanidade, isto é, o próprio homem, a quem toda a Trindade deu a força máxima, que um dos Três assumiu na unidade da sua pessoa e elevou-se ao alto ao Pai acima de cada principado e potestade, para que todos os anjos de Deus o adorem (Hebreus 1,6); tudo o que ele deixou em sacramento e poder a Pedro e à sua Igreja”. E Crisóstomo diz à delegação búlgara que fala na pessoa de Cristo: “Três vezes te pergunto se você me ama, porque você me negou três vezes por medo e apreensão. Agora restaurado, porém, para que os irmãos não acreditem que você perdeu a graça e autoridade das chaves, eu agora confirmo em você o que é totalmente meu, porque você me ama na presença deles.” Isso também é ensinado com base na autoridade das Escrituras. Pois em Mateus 16,19 o Senhor disse a Pedro sem restrição: Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus. Que ele desfruta do mesmo poder conferido a Pedro por Cristo. Mostra-se também que Pedro é o Vigário de Cristo e o Romano Pontífice é o sucessor de Pedro, gozando do mesmo poder conferido a Pedro por Cristo. Pois o cânone do Concílio de Calcedônia diz: “Se algum bispo for sentenciado como culpado de infâmia, ele é livre para apelar da sentença ao bendito bispo da velha Roma, a quem temos como Pedro, a rocha de refúgio, e somente a ele, no lugar de Deus, com poder ilimitado, é concedida autoridade para ouvir o apelo de um bispo acusado de infâmia em virtude das chaves que lhe foram dadas pelo Senhor.” E mais adiante: “E tudo o que foi decretado por ele deve ser mantido como do vigário do trono apostólico.” Da mesma forma, Cirilo, o Patriarca de Jerusalém, diz, falando na pessoa de Cristo ”“ Você por um tempo, mas eu estarei plena e perfeitamente em sacramento e autoridade com todos aqueles que eu colocar em seu lugar, assim como Eu estou contigo.” E Cirilo de Alexandria em seu Tesauro diz que os Apóstolos “nos Evangelhos e nas Epístolas afirmaram em todos os seus ensinos que Pedro e sua Igreja estão no lugar do Senhor, garantindo-lhe a participação em cada capítulo e assembleia, em cada eleição e proclamação de doutrina. ” E mais adiante: “A ele, isto é, a Pedro, todos por decreto divino inclinam a cabeça e os governantes do mundo obedecem-lhe como o próprio Senhor.”. E Crisóstomo, falando na pessoa de Cristo, diz: “Apascenta as minhas ovelhas (João 21,17), isto é, em meu lugar cuida dos teus irmãos”. Que a ele pertence o direito de decidir o que pertence à fé. Também é demonstrado que ao citado Pontífice pertence o direito de decidir o que pertence à fé. Para Cirilo em seu Thesaurus diz: “Vamos permanecer como membros em nossa cabeça no trono apostólico dos Romanos Pontífices, de quem é nosso dever buscar o que devemos acreditar e o que devemos guardar”. E Máximo na carta dirigida aos orientais diz: “Todos os confins da terra que acolheram sinceramente o Senhor e os católicos em todos os lugares que professam a verdadeira fé olham para a Igreja dos Romanos como para o sol, e recebem dela a luz do a fé católica e apostólica”.” Com razão, pois Pedro é registrado como o primeiro a ter, enquanto o Senhor o iluminava, confessou a fé perfeitamente quando disse a ele (Mateus 16,16): Você é o Cristo, o Filho do Deus vivo. E por isso o Senhor também lhe disse (Lucas 22,32): ‘Rezei por ti, Pedro, para que a tua fé não desfaleça’. Que ele é o superior dos outros patriarcas. Também fica claro que ele é o superior dos outros patriarcas a partir desta declaração de Cirilo: “É dele”, a saber, dos Romanos Pontífices do trono apostólico, “direito exclusivo de reprovar, corrigir, decretar, resolver, dispor e liga em nome daquele que o estabeleceu. ” E Crisóstomo comentando os Atos dos Apóstolos diz que “Pedro é o cume santíssimo do bendito coro apostólico, o bom pastor”. E isso também é manifesto na autoridade do Senhor, em Lucas 22,32 dizendo: “Vós, uma vez convertidos, confirmai vossos irmãos.” Que estar sujeito ao Romano Pontífice é necessário para a salvação. Também é mostrado que estar sujeito ao Romano Pontífice é necessário para a salvação. Pois Cirilo diz em seu Thesaurus : “Portanto, irmãos, se deve imitar a Cristo para ouvir sua voz permanecendo na Igreja de Pedro e para não se ensoberbecer com o vento do orgulho, para que talvez não por causa de nossa contenda com a astuta serpente tire-nos do paraíso como uma vez fez com Eva.” E Máximo na carta dirigida aos orientais diz: “A Igreja unida e estabelecida sobre a rocha da confissão de Pedro chamamos de acordo com o decreto do Salvador de Igreja universal, na qual devemos permanecer para a salvação de nossas almas e na qual somos leais a sua fé e confissão, devemos obedecê-lo”.” -“Contra Errores Graecorum”, capítulos 32-38.[7]

 
 
 

Dando continuidade falando sobre os acontecimentos durante o papado de Santo Higino, Santo Irineu (130-202), bispo de Lyon, relata um fato interessante ocorrido nesse período: hereges buscavam a cabeça da Igreja para ataca-la universalmente, e sempre buscavam Roma. Os historiadores franceses Jules Lebreton e Jacques Zeiller comentam o ocorrido em que o teologo gnóstico Valetino, procurou disseminar seus ideais por toda a Igreja Universal, e por isso foi a Igreja de Roma, pois esta era a principal: “Todas as especulações de Basilides (teólogo gnóstico de Alexandria) foram continuadas e desenvolvidas por um dos mais influentes teólogos entre os gnósticos do segundo século, Valentino. “Pois Valentino veio a Roma no tempo de Higino, floresceu sob Pio, e permaneceu até Aniceto” (Santo Irineu, Contra as Heresias, volume 3, capítulo 4, 3), ele então gastou cerca de trinta anos (136-165). Vemos já por este fato, a influência decisiva da Igreja Romana. Era a Igreja que os dirigentes das seitas se empenhavam ante todos para conquistar, ou pelo menos atacar, na convicção de que a partir de então sua ação se espalharia por todas as igrejas.”.[1] Porém Santo Aniceto defendeu a Fé com muito zelo e habilidade contra Valentino, Marciano e outros hereges gnósticos daquela época. Também durante o pontificado de Santo Anicento, no ano 154, São Policarpo (69-155), Bispo de Esmirna, reconheceu a obrigação de ir pessoalmente a Santo Aniceto (110-166), o 11° Bispo de Roma, pois os cristãos asiáticos, representandos por Policarpo, diferiam do resto da Igreja em sua maneira de observar a Páscoa. Enquanto as outras igrejas celebravam a festa em um domingo, os asiáticos a celebravam a data no calendário judaico, no dia 14 de nisã, qualquer que fosse o dia da semana em que este pudesse cair. O ocorrido do século II é narrado numa carta Santo Ireneu ao Papa Vitor, preservada pelo historiador Eusébio de Cesareia: “Entre estes (predecessores de Vitor) estavam os presbíteros antes de Sotero, que presidiam a Igreja que você agora governa. Queremos dizer Aniceto, Pio, Hyginus, Telésforo e Sisto. Eles próprios nem observaram, nem permitiram que seus seguidores o fizessem. E, no entanto, embora não o observassem, eles não estavam menos em paz com aqueles que vinham até eles das paróquias em que era observado; embora essa observância fosse mais oposta àqueles que não a observavam. Mas ninguém jamais foi expulso por causa dessa forma; mas os presbíteros antes de você que não a observaram, enviaram a eucaristia aos de outras paróquias que a observaram. E quando o bendito Policarpo estava em Roma no tempo de Aniceto, e eles discordaram um pouco sobre certas outras coisas, eles imediatamente fizeram as pazes um com o outro, não se importando em discutir sobre este assunto. Pois nem Aniceto poderia persuadir Policarpo a não observar o que ele sempre observara com João, o discípulo de nosso Senhor, e os outros apóstolos com quem ele havia se associado; tampouco Policarpo conseguiu persuadir Aniceto a observá-lo, ao dizer que deveria seguir os costumes dos presbíteros que o precederam. Mas, embora as coisas estivessem dessa forma, eles comungaram juntos, e Aniceto concedeu a administração da eucaristia na igreja a Policarpo, manifestamente como um sinal de respeito. E eles se separaram em paz, tanto os que observaram como os que não o fizeram, mantendo a paz de toda a igreja.” – História Eclesiástica, Livro V, capítulo 24.[2] Santo Irineu tornou-se o pacificador da ocasião, exortando e negociando desta forma em nome da paz das Igrejas, e fazendo com que Aniceto permitisse a Policarpo exercer seu ministério. Se cada Igreja na época não dependesse de Roma, Policarpo poderia muito bem celebrar a Páscoa em 14 de Nisan sem consultar o Bispo de Roma Mas ele recorreu a uma autoridade, e ele não foi ao Bispo da Igreja de Antioquia, de Alexandria ou Jerusalém, mas ao Bispo que mandava em todas essas Igrejas: ao Bispo da Igreja de Roma, aquele que podia permitir às Igrejas da Ásia a continuarem com esse costume. Por isso Santo Abercio (?-167), bispo de Hierópolis na Frígia, escreve que quando visitou Roma nos tempos do imperador Marco Aurélio, dita no seu famoso epitáfio que testemunha uma crescente consciência da fraternidade universal sendo criada pela Igreja, algo que ele pôde vivenciar suas viagens, também elogia a majestade da igreja romana, rainha do mundo cristão: “Cidadão de uma cidade escolhida, este monumento fiz enquanto vivia, para que ali pudesse, com o tempo, um local de descanso do meu corpo, [eu] sendo pelo nome de Abercius, o discípulo de um santo pastor que alimenta rebanhos de ovelhas ambos nas montanhas e nas planícies, que tem grandes olhos que vêem em toda parte. Pois este pastor me ensinou que o livro [da vida] é digno de fé. E a Roma ele me enviou para contemplar a majestade e para ver uma rainha vestida de ouro e sandália dourada; ali também vi um povo com uma marca brilhante. “.[3] Santo Aniceto morreu em 168 e fora sucedido por São Sotero, que morreu em 174 e fora sucedido por Santo Eleutério. E Santo Irineu mais a frente, em uma missiva ao Papa Eleutério procurou solicitar sua intervenção na heresia Montanista, a qual estava perturbando a paz das igrejas da Gália (atual França), e em seu livro Contra Heresias, escrito no ano 180, também sob o pontificado do Papa Eleutério, ele escreve: “Visto que, no entanto, seria muito enfadonho, em um volume como este, contar as sucessões de todas as Igrejas , confundimos todos aqueles que, de qualquer maneira, seja por uma má auto-satisfação, por vanglória, ou por cegueira e opinião perversa, reúnam-se em reuniões não autorizadas; [fazemos isso, eu digo,] indicando que a Tradição derivada dos apóstolos, da muito grande, muito antiga e universalmente conhecida Igreja fundada e organizada em Roma pelos dois apóstolos mais gloriosos, Pedro e Paulo; como também apontando a fé pregada aos homens, que chega ao nosso tempo por meio das sucessões dos bispos. Pois é uma questão de necessidade que cada Igreja concorde com esta Igreja, por conta de sua autoridade preeminente [potiorem principalitatem].” – Contra as Heresias, livro 3, capítulo 3, verso 2 Se havia disputas em uma igreja local, essa igreja devia recorrer à Igreja Romana, pois nela estava contida a Tradição que é preservada por todas as igrejas. A vocação de Roma consistia em desempenhar o papel de árbitro, resolvendo questões contenciosas, testemunhando a verdade ou a falsidade de qualquer doutrina apresentada a eles. Roma era realmente o centro para onde todos convergiam, se desejavam que sua doutrina fosse aceita pela consciência da Igreja. Não se podia contar com o sucesso, exceto com uma condição: que a Igreja de Roma tivesse recebido sua doutrina. Segundo Irineu, uma Igreja não pode ser plenamente Ortodoxa fora da comunhão com a Igreja de Roma. A recusa de Roma predeterminou a atitude que as outras igrejas adotariam, e são numerosos os casos deste recurso a Roma. Cada igreja significaria cada igreja local no mundo. Irineu reconhece a Igreja Romana como o padrão de ensino apostólico e autenticidade com o qual todas as outras igrejas no mundo devem concordar. Irineu define a própria palavra quando diz “isto é, os fiéis em todos os lugares” Isso causa tanto desconforto entre os protestantes, que o Bispo anglicano Arthur Coxe em suas notas de rodapé aos “pais ante-nicenos”, mostra sua fobia anticatólica quando critica os editores originais, Alexander Roberts e James Donaldson. Eles haviam traduzido a frase latina “propter potiorem principalitatem” como “autoridade preeminente”, que é como a maioria dos estudiosos traduz as palavras. A razão pela qual essa tradução é tão nefasta aos olhos de Coxe é que ela apóia a interpretação católica romana. Ele inclusive admite: “Os autores da tradução latina podem ter desenhado a ambigüidade que dá ao ultramontano uma aparente vantagem, mas é uma vantagem que desaparece assim que é examinada, o latim responde, cada propósito do argumento do autor, e é fatal para as reivindicações do papado”. Thomas Dolan, depois de responder às afirmações de Coxe, conclui: “Tudo isso, eu acho, torna evidente para o leitor perspicaz, que as idéias do Dr. Coxe estão sob as águas turvas de sua imaginação” (“see peter voice antiquity critical” 24) A palavra “necessidade” usada por Irineu é um termo forte, mas o acordo dentro da igreja universal era essencial para Irineu (a Igreja não podia se contradizer), então uma fonte de unidade era necessária. “É impossível exagerar a importância deste texto, que vem de um bispo venerável entre todos os outros, de um homem originário da Ásia, discípulo de Policarpo e, através dele, de São João, líder de uma Igreja sem laços estreitos com Roma, movida apenas pela solicitude pela Verdade e pela Unidade dos Cristãos. Santo Irineu especifica que é necessário recorrer à Igreja romana e estar de acordo com ela. Esta, segundo ele, é uma moral, religiosa e, portanto, mesmo uma necessidade sagrada. Não é apenas uma questão de conveniência ou utilidade, é uma obrigação “(Wladmir d’Ormesson,”Le Papaute”) Em 189, quando Santo Eleutério morreu, São Vítor I ocupou seu cargo. Em sua carta ao Papa São Vitor (189-199) Santo Irineu escreve a respeito do antigo problema de a Páscoa ser comemorada no dia 14 de Nisã conforme a páscoa hebraica No cerne da disputa estava o seguinte: na Ásia Menor, nas igrejas que datam do apóstolo João, a Páscoa era celebrada no dia 14 de Nissan, data da Páscoa judaica. O Papa São Vitor obviamente sabia sobre a variação entre a Ásia e o consenso das igrejas, e então solicitou que sínodos fossem realizados em todos os lugares sobre a questão. Houve um sínodo realizado na Palestina sob Teófilo de Cesaréia, Narciso de Jerusalém, um sínodo em Ponto sob Palmas, outro na Gália sob Santo Irineu. Outros bispos envolvidos foram o pastor da igreja em Osrhoene, Baco de Corinto, Cássio de Tiro, Claro de Ptolemaida, e nossa testemunha histórica Eusébio de Cesaréia também observa que houveram “cartas de muitos outros que expressaram a mesma opinião e julgamento e lançaram o mesmo voto. E a visão [Tradição romana] que foi descrita acima foi aceita por todos eles ”(Historia Ecclesiastica, V, 23-25). Além disso, Clemente, chefe da escola catequetica de Alexandria, publicou um resumo das tradições que ele coletou e todos concordaram com a posição de Roma. A maior parte da Igreja rejeitou essa prática da Páscoa, pois significava que a Páscoa acontecia frequentemente em um dia de semana. Eles sempre celebravam a Páscoa no Dia do Senhor (domingo) mesmo que isso significasse que não estava de acordo com o calendário judaico. Vários papas toleraram essas práticas litúrgicas contrárias, uma vez que cada prática remontava a pelo menos um apóstolo. O Papa Vitor seguiu um curso diferente, decidindo unificar todo o calendário pascal da Igreja. Ele ordenou que as igrejas asiáticas abandonassem sua antiga prática em favor do uso do domingo de Páscoa. Eles recusaram. O historiador da Igreja Eusébio registra a resposta deles, escrita por um bispo chamado Polícrates. Sua base para a recusa é que essa era a prática ininterrupta do Apóstolo João, São Policarpo e outros. A carta tem algumas características interessantes. Em primeiro lugar, a carta responde às exigências do Papa Vitor citando Atos 5,29: “Devemos obedecer a Deus e não ao homem”. Mas essa é a resposta de São Pedro ao sumo sacerdote. Não é o tipo de coisa que você diz a alguém abaixo de você. Mesmo argumentando que Vitor excedeu sua autoridade sobre eles, os bispos asiáticos não estão realmente refutando que ele tem autoridade ali. O Papa Vitor não é tratado como uma potência estrangeira ou um intrometido externo”, sua Igreja possui jurisdição sobre todas as demais. E como consta em História Eclesiástica V, 24, 8: “Poderia citar os bispos que estiveram presentes, que convoquei a seu desejo, cujos nomes, devo escrevê-los, constituiriam uma grande multidão”, mostrando que os sínodos que foram realizados em outros lugares também tinham sido convocados pelo próprio Vitor. Este pedido de convocação de sínodos revela uma pista de como Roma entendia sua responsabilidade em garantir a unidade eclesial. Quando o sínodo asiático disse “Devemos obedecer a Deus e não ao homem” em protesto contra a mudança de sua regra, elas não estavam respondendo apenas a Vitor, mas a Vitor e a todos os sínodos de as igrejas cristãs, uma vez que não foi até receber esta carta notificando da recusa dos bispos asiáticos em aceitar o Domingo de Páscoa, que São Vitor drasticamente quis declarar completamente excomungados a todos os irmãos ali E em ambos os lados na disputa estão apelando para a Tradição, para cadeias de prática ininterrupta desde os Apóstolos até o presente (e uma vez que João parece ter instituído uma prática diferente da dos outros Apóstolos, ambos os lados da disputa parecem estar certos). Temos o que poderia ser uma bela história sobre a coexistência de tradições litúrgicas, a adoção de diferentes costumes e a diversidade do Corpo de Cristo. Só que não é assim que esta história acaba. Em vez disso, ocorrera um choque feio de obediência e autoridade de um lado, com tradição litúrgica do outro. O poder de Roma é vidente: Roma ordena que todas as igrejas da Ásia fossem excomungadas. Contudo, alguns bispos opuseram-se à Vítor, e rogaram-lhe que voltasse atrás. Eles repreenderam muito o Papa pela sua atitude, uma vez que queriam manter a paz e a unidade com toda a Igreja, e acharam que a ação papal fora demasiada O historiador da Igreja, Eusébio de Cesaréia ao falar sobre o ocorrido, escreveu: “Diante disso, o chefe da Igreja de Roma, Vítor, resolveu afastar da unidade comum globalmente as comunidades de toda a Ásia, e simultaneamente as Igrejas vizinhas, como sendo heterodoxas; publicou tal decisão por carta e proclamou que todos os irmãos destas regiões, sem exceção, achavam-se fora da unidade da Igreja. Mas isso não agradou a todos os bispos. E rogavam-lhe a considerar as coisas da paz e de unidade e de amor ao próximo. Conservaram-se ainda suas palavras. Opuseram-se a Victor de modo muito incisivo.” – História Eclesiástica, Livro V, 24, 9-10 Esta é talvez, a mais explícita evidência da autoridade do bispo romano de impor um novo costume, e até mesmo de cortar da comunhão da Igreja toda uma comunidade dissidente (algo que não poderia fazer sem devida autoridade para isso). Aí, é vidente a autoridade papal sendo exercida. O Papa São Vitor respondeu à desobediência dos bispos asiáticos com uma excomunhão em massa daqueles que se recusaram a mudar para o Domingo de Páscoa. Outros bispos (mesmo aqueles que concordaram com Victor) ficaram, razoavelmente, chocados com a dureza dessa punição. Obviamente, foi exagerada a pena que o Papa deu às Igrejas da Ásia, tanto é que gerou uma oposição a sua atitude. Porém os bispos asiáticos opuseram-se ao Papa de modo muito incisivo pelo fato, de ter abusado de sua autoridade universal, mas não negam seu poder e autoridade. Apenas se opuseram a medida papal pois sabiam que ele não poderia excomungar Igrejas se ele não pudesse, e ele poderia. Santo Irineu (que defendia a data do domingo de Páscoa e crente no papado romano) foi um dos bispos que interveio, e rogou a Vitor para que revogasse sua decisão, ressaltando que o Papa Aniceto tinha comungado com São Policarpo, apesar de suas diferenças sobre este assunto. É digno de nota que, embora Santo Irineu rogasse para que São Vitor não excomungasse as Igrejas da Ásia, como o Historiador e Teologo Pierre Batiffol adequadamente observa concernente à excomunhão que o bispo Vitor pronunciou contra Polícrates: “O bispo de Roma condena sua observância da Páscoa como costume que é contra o Canon da fé Apostólica, e os corta, não da comunhão romana, mas da católica. Está ciente então, de que tal sentença de sua parte é legítima. Irineu protesta contra a excomunhão dos asiáticos, é verdade, mas não sonha em questionar o poder de Vitor para pronunciar esta excomunhão”.[4] Santo Irineu concorda que é necessário celebrar unicamente no domingo o mistério da ressurreição do Senhor; no entanto, com muito bom senso, exorta Vitor a não amputar igrejas de Deus inteiras que haviam observado a tradição de um antigo costume. Eusébio escreve sobre isso: “Em primeiro lugar, (Irineu) declara que somente no domingo se deve celebrar o mistério da ressurreição do Senhor; depois exorta delicadamente Vítor a não apartar da comunhão Igrejas de Deus inteiras, que conservam a tradição de antigo uso; e a muitas outras razões, adita as seguintes expressões: […]” -História Eclesiástica, Livro V, 24, 11 Esse pedido, de Irineu, que em suas cartas, exorta que o mundo inteiro seja subordinado à Roma, será crucial para que Vítor retire a pena imposta. O bispo de Roma demonstrou sua autoridade não sobrepujada ao impor a páscoa romana. Bispos asiáticos, tais como Policarpo e Polícrates, embora recusassem aceitar o costume romano, reconheceram, todavia, o pedido dos bispos romanos: o primeiro sentiu a obrigação de ir, em 154 d.C., pessoalmente a Aniceto para acertar a questão da Páscoa e outros assuntos, o segundo aquiesceu com a ordem de Vitor de convocar um concílio. Pierre Batiffol apropriadamente comenta quanto a esta questão que “É somente a Roma que Éfeso responde e resiste. Vemos a autoridade que Roma exerce nesse conflito. Renan apropriadamente disse, em referência a este caso: ‘O papado nasceu, e muito bem nascido’”.[5] Eusébio conclui seu relato dizendo simplesmente: “Assim, Irineu, que realmente tinha um nome bom [o nome de Irineu vem da palavra grega para paz], tornou-se um pacificador neste assunto, exortando e negociando desta forma em nome da paz das igrejas. E ele conferiu por carta sobre esta questão debatida, não apenas com Vitor, mas também com a maioria dos outros governantes das igrejas” O resultado final do conflito é impressionante: Vitor venceu. A Ásia Menor mudou da Páscoa da Páscoa (uma tradição estabelecida pelo Apóstolo João!) Para o Domingo de Páscoa, a pedido do papa. Agora, de certa forma, esta história pode afirmar os temores protestantes sobre o papado, dada a dureza da resposta de Vitor e as origens apostólicas do calendário litúrgico asiático. Mas vale lembrar que essa história não é de algum papa da Renascença imperioso. É de um dos primeiros papas mártires cristãos, e tudo aconteceu antes do final do segundo século. Literalmente, levará mais de um século antes mesmo de chegarmos à legalização do Cristianismo pelo Edito de Milão, muito menos a algo como o Concílio de Nicéia. Certos cristãos adeptos a teoria do resgate anseiam pelos primeiros dias do cristianismo, e imaginam estruturas altamente centralizadas como o papado como um desenvolvimento (ou invenção) posterior. Mas isso é Cristianismo primitivo. O papado tem estado no coração da Igreja Católica desde o início, como a história nos mostra. Alguns historiadores têm o seguinte a comentar sobre este Papa e suas ações: “Em nenhum momento de sua história esta preeminência é tão evidente como sob o Papa Vitor: quando ‘da Gália a Osrhoene [no Eufrates]” seu convite para a convocação de concílios para efetuar um acordo de a controvérsia pascal foi aceita em toda parte. ‘Esta iniciativa do Papa Victor por si só, uma iniciativa provou ser eficaz, é suficiente para mostrar quão evidente naqueles tempos antigos era a situação excepcional e a autoridade ecumênica da igreja romana’ ” (Dr. Beresford Kidd, “The Roman Primacy to AD 461”, página 18-19) “O Papa Vitor iniciou um movimento em favor da unidade de observância. Concílios são realizados simultaneamente a seu pedido em toda a cristandade, e todos publicam as decisões de que a Páscoa deve ser celebrada apenas no domingo. Somente as igrejas asiáticas resistem a essa decisão. São Vitor ‘tenta separá-los da unidade comum’. Alguns outros bispos acham isso muito severo, pois o bispo de Éfeso pleiteou uma tradição recebida do apóstolo São João, e eles ‘criticaram Victor de forma um tanto severa’. Entre esses, Santo Irineu exortou Victor a considerar que a diferença no costume do jejum só trouxe mais clareza à unidade da fé […] Seja como for, encontramos nesta história incompleta de um Papa consciente de que é ele quem deve ver a uniformidade nas igrejas cristãs. Vemos conselhos reunidos em todos os lugares a seu pedido.(Dom John Chapman, Bishop Gore and Catholic Claims, páginas 66-67) “Não há nenhum vestígio de protesto contra a ação de Victor com base em princípios. Ninguém sugeriu que ele não tinha o direito de agir como havia agido. ” (Trevor Jalland, “The Church and the Papacy”, página 121) A autoridade incontestada exercida pela igreja de Roma por intermédio de seu bispo chefe, poderia ainda ser evidenciada por exemplos posteriores, tais como a excomunhão pelo papa Vitor de Teodoto, um herege de Bizâncio, por ensinar que Cristo só teria se tornado Deus após sua ressurreição, como registrado por Eusébio de Cesareia.[6] Os seguidores de Teodoto formaram uma comunidade herética separada em Roma governada por outro Teódoto, o Cambista e Asclepiodoto. Quando São Vítor I morreu em 199 d.C., São Zeferino fora nomeado seu sucessor Apostólico. No ano 202, o imperador Septimio Severo levantou a quinta perseguição mais sangrenta contra a Igreja, que continuou não por apenas dois anos, mas até a morte daquele imperador em 211. esta furiosa tempestade, este santo pastor foi o apoio e conforto do angustiado rebanho de Cristo, e ele sofreu por caridade e compaixão o que todo confessor passou. O seu pontificado se caracterizou por duras lutas teológicas que levaram, por exemplo ao confronto com Tertuliano. Tertuliano, bispo de Cartago, tem uma história trágica. Ele já havia escrito uma bela obra chamada “De praescriptione haereticorum” (“Prescrições Contra Todas as Heresias”), escrita por volta de 198 d.C., onde ele ainda via a Sé de Roma como autoridade universal: “Venha agora, você que teria uma curiosidade melhor, se você a aplicasse ao negócio de sua salvação, passe pelas igrejas apostólicas, nas quais os próprios tronos dos apóstolos ainda são proeminentes em seus lugares, nos quais os seus próprios escritos autênticos são lidos, pronunciando a voz e representando o rosto de cada um individualmente. Acaia está muito perto de você, (na qual) você encontra Corinto. Visto que você não está longe da Macedônia, você tem Filipos; (e lá também) você tem os tessalonicenses. Já que você pode atravessar para a Ásia, você obtém Éfeso. Além disso, você está perto da Itália, você tem Roma, da qual vem mesmo em nossas mãos a autoridade (dos próprios Apóstolos). Quão feliz é esta Igreja que os Apóstolos deram, com seu sangue, toda a doutrina, onde Pedro é igualado a paixão do Senhor, onde Paulo foi coroado com a morte de João [Batista], onde o apóstolo João, depois que, jogado em óleo fervente, não sofrendo dano algum, foi exilado em uma ilha.” – Prescrições contra todas as heresias, 36.[7] Em outras traduções está: “Mas se te encontras perto da Itália, tens Roma, de onde para nós vem a autoridade”. Essa frase de Tertuliano, mostra como um católico da época, acreditava na autoridade da Sé Romana. Contudo, ao sair da Igreja Católica e abraçar o montanismo, a opnião de Tertuliano sobre este assunto muda completamente. No terceiro e último período da vida de Tertuliano, vemos o escritor africano já militando contra a Igreja Primitiva, no partido montanista. Sua conversão ao montanismo ocorreu por volta de 207 d.C. A partir de 212-213 d.C. enumeram-se as obras: “De fuga in persecutione” (Sobre a inadmissibilidade de fuga durante a perseguição), o “Adversus Praxeam” (contra o patripassiano Práxeas expõe-se a doutrina sobre a Trindade), o “De monogamia” (ainda contra as segundas núpcias, com textos mais radicais e tons mais duros), o “De ieiunio adversus Psychicos” (defesa da prática montanista sobre o jejum e ataque aos ‘psychici’, isto é, aos católicos, acusados de serem laxistas) e o “De pudicitia” (“Sobre a Modéstia”). Nessas suas últimas obras, Tertuliano já está abraçado com suas heresias: ou com o montanismo ou com o tertulianismo (heresia que ele irá fundar alguns anos após abraçar o montanismo). Em seu período Pré-Montanista, onde vale lembrar, já não devia ser considerado um católico, ao escrever sua carta contra Práxeas, no capítulo 1 acusava o bispo de Roma de se simpatizar as heresias de Montano e Priscila (o montanismo), que ironicamente em poucos anos, seria sua nova religião. Nessa nova fase herética, Tertuliano nega à Igreja o direito de perdoar os pecados, reservando-o aos “homens espirituais” (apóstolos e aos profetas), afirma-se que alguns pecados gravíssimos (idolatria, fornicação, homicídio) não se têm perdão. Nesse período, Tertuliano assume grande oposição à Igreja de Roma, não vendo mais autoridade nela. Por tudo isso, São Jerônimo (347-420) diz, no século IV, em sua obra “Contra Helvídio” que “De Tertuliano não direi (nada) senão que não pertenceu à Igreja.”.[8] Santo Hipólito de Roma acusou de heresia o papa são Zeferino e o diácono Calisto. Seu ímpeto culminou quando, após a morte de São Zeferino, São Calisto I foi eleito papa em 217. São Calisto ficou famoso por ter excomungado Sabélio, pai do sabelianismo (heresia unicista que afirmava que Deus em sua unicidade se manifestou em carne e não em três pessoas distintas) e por ter exercido Primazia sobre a Igreja Universal, a Ortodoxia de Calisto foi desafiada por Hipólito e Tertuliano com base em que em um famoso édito ele concedeu a Comunhão após a devida penitência para aqueles que haviam cometido adultério e fornicação. O edito era uma ordem para toda a Igreja, como narra Tertuliano: “Ouvi dizer que foi publicado um edital, e peremptório; o bispo dos bispos, que significa o Pontifex Maximus, proclama: Eu perdoo os crimes de adultério e fornicação para aqueles que fizeram penitência” (“Sobre a Modéstia” 1,3).[9] É claro que Calisto baseou seu decreto no poder de ligar e desligar concedido a Pedro, aos seus sucessores e a todos em comunhão com eles: “Quanto à tua decisão”, exclama Tertuliano, já adepto do montanismo, “Eu pergunto, de onde tu usurpar este direito da Igreja ? Se for porque o Senhor disse a Pedro: Sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, dar-te-ei as chaves do reino dos céus’, ou o que quer que seja mais ligeiro ou solto na terra será ligado ou desligado no céu’, que tu presumes que este poder de ligar e desligar foi transmitido a ti também, isto é, a cada Igreja em comunhão com a de Pedro (ad omnem ecclesiam Petri propinquam, ou seja, Petri ecclesiae propinquam), quem és tu que destróis e alteraste a intenção manifesta do Senhor, que a conferiu a Pedro pessoalmente e sozinho?”(“Sobre a Modéstia” 21) Como Tertuliano registrou, este fora um ato claro de Primaza. Já mencionamos inclusive na parte 2, o fato do ministro presbiteriano William Dool Killen vergonhosamente afirmar que as cartas de Santo Inácio de Antioquia serem uma falsificação de São Calisto para afirmar a Primazia que ele admite que este Bispo de Roma professava.[10] Hipólito e Tertuliano estavam defendendo um suposto costume de tempos anteriores, e o papa ao decretar um relaxamento foi considerado como promulgando uma nova lei. Hipólito rebelou-se e acabou sendo indevidamente eleito “papa” pelos seus bispos partidários, tornando-se um “anti-papa”. Esse cisma manteve-se na Igreja até mesmo após a morte de São Calisto em 222, e nos pontificados de Santo Urbano I (222-230) e São Ponciano, que foi eleito em 230. Então, morrera em combate o imperador Alexandre Severo, sendo sucedido por Maximino, tirano que retomou a perseguição aos cristãos. E começou de forma singular: deparando-se com a existência de dois papas, deportou ambos, condenando-os a trabalhos forçados numa mina de pedras da Sardenha. São Ponciano foi o primeiro papa a ser deportado. Era um fato novo para a Igreja, que ele administrou com sabedoria, sagacidade e muita humildade. Para que seu rebanho não ficasse sem pastor, renunciou ao trono de Pedro em 235, tornando-se, também, o primeiro papa da Igreja a usar este recurso extremo. Todavia o gesto de Ponciano comoveu Hipólito, que percebeu seu sincero zelo apostólico. Por isso também renunciou ao seu posto, interrompendo o prolongado cisma e reconciliando-se com a Igreja de Roma, antes de morrer, em 235, mesmo ano da morte de Ponciano. O cristianismo só se beneficiou porque Santo Hipólito tornou-se o mais importante filósofo cristão do final do século III. As suas obras mais conhecidas são seu comentario no Livro de Daniel (onde faz intercessão dos Santos), “Philosophumena” e “A tradição apostólica”, que aborda temas importantes, como rito, disciplina e costumes cristãos da época. Papa Ponciano, por sua vez, instituiu o canto dos salmos, a reza do “confiteor Deo” antes de morrer e o uso do “Dominus vobiscum”. E, o fundamental: pôs fim à heresia de Santo Hipólito. Com sua renúncia, Ponciano foi sucedido então pelo papa Santo Antero, de origem grega, que exerceu a função por apenas quarenta dias, entre de 21 de novembro de 235 a 3 de janeiro de 236, e morreu. Após a morte de Santo Antero, São Fabiano sucedeu-lhe o cargo. Eusébio de Cesareia relata que a eleição de São Fabiano ocorrera de forma maravilhosa: “Eles dizem que Fabiano tendo vindo, após a morte de Anteros, com outros do país, estava hospedado em Roma, e que enquanto lá ele foi escolhido para o cargo por meio de uma manifestação maravilhosa da graça divina e celestial . Pois quando todos os irmãos se reuniram para selecionar pelo voto aquele que deveria suceder ao episcopado da igreja, vários homens renomados e honrados estavam na mente de muitos, mas Fabianus, embora presente, não estava na mente de nenhum. Mas eles relatam que de repente uma pomba voando baixo pousou sobre sua cabeça, parecendo a descida do Espírito Santo sobre o Salvador na forma de uma pomba. Em seguida, todo o povo, como que movido por um Espírito Divino, com toda avidez e unanimidade clamou que ele era digno, e sem demora eles o pegaram e o colocaram na cadeira episcopal.” – “História Eclesiástica” VI,29.[11] O famoso professor e erudito cristão Orígenes escreveu a Fabiano defendendo a ortodoxia de seu ensino (conforme relata Eusébio em “História Eclesiástica” VI,36), que havia sido condenado tanto em Alexandria quanto mais tarde em Roma, em um sínodo sobre o qual provavelmente Anterus havia presidido. Quando São Fabiano morreu em 250, São Cornélio sucedeu-lhe o cargo, e dele falaremos mais na próxima parte. FONTES NOS COMENTÁRIOS

 
 
 

A INQUISIÇÃO ESPANHOLA – PARTE 1 O QUE É UMA INQUISIÇÃO? Extraído das cartas de Goldstein, por David Goldstein (um judeu convertido ao catolicismo) Meu caro Sr. Solomon: — Você sabe, é claro, que, ao tirar uma foto, o fotógrafo tem o cuidado de ver se o objeto está no foco adequado, sabendo que, caso contrário, a imagem ficará indistinta ou distorcida. Portanto, é mais necessário focar adequadamente sua mente na Inquisição Espanhola a fim de evitar alimentar uma imagem mental distorcida daquele evento histórico. Feito isso, será removido um dos obstáculos que te impede de perceber que a crença nos princípios e profecias do Antigo Testamento leva logicamente à fonte batismal da Igreja Católica. Três coisas são necessárias para obter uma Inquisição no foco mental adequado: compreender o que ela é, quem está sujeito a ela, e se é usada para forçar os judeus ao batismo. Primeiramente, uma Inquisição é um tribunal, um tribunal de inquérito, para investigação, exame, reconciliação e eventual punição de pessoas acusadas de violar os princípios e práticas da sociedade que instituiu a Inquisição. As inquisições existiram, por direito divino, entre os judeus durante os séculos anteriores ao primeiro dia de Pentecostes, o dia em que a Igreja Católica iniciou a sua missão pública. As inquisições também existiram na Saxônia Luterana; Genebra calvinista; na Inglaterra de Elizabeth, Edward VI, James First e Cromwell; e em outras terras protestantes, bem como na Espanha católica. Os tribunais de inquérito, embora não sejam chamados de inquisições, também existem hoje em clubes, lojas, sindicatos, partidos, por exemplo. Certamente você concordará que é necessário, e dentro da competência de nosso Governo dos Estados Unidos, salvaguardar sua integridade trazendo os suspeitos inimigos dentro de suas fronteiras para prestar contas, tanto em tempos de paz quanto de guerra, por meio de órgãos inquisitoriais agora existentes como o Departamento Federal de Investigação, o Conselho de Revisão de Lealdade do Presidente, o Conselho de Controle de Atividades Subversivas e a Comissão de Atividades Não Americanas. Sendo assim, então não é perfeitamente legítimo para a Igreja Católica instituir uma Inquisição para salvaguardar a integridade de seus princípios e práticas? E que exista na Espanha uma Inquisição com o propósito de desenterrar dentro de suas fronteiras traidores que, sob a pretensão de serem cristãos, operam no interesse de uma potência estrangeira, como fazem os comunistas em nosso país? Lembre-se de que os católicos defendem, assim como nossos antepassados judeus durante os dias em que o judaísmo funcionava como a religião do Deus Todo-Poderoso, que as pessoas que são hereges são mais culpadas do que aquelas que cometem ação de traição contra um governo civil. Segundo, a Inquisição na Igreja Católica julgou, por direito divino, as ações de católicos, não de judeus, isto é, julgou pessoas que através do batismo se tornaram sujeitas a ela em questões de fé e moral; Consequentemente, pessoas não batizadas, que professavam ser judeus, não estavam sujeitas ao tribunal inquisitorial. Isto contesta o alegado pelo Rabino Albert J. Gordan de Newton Center, Massachusetts, que, falando sobre “preconceitos” em uma de suas transmissões semanais, no dia em que este está sendo escrito, declarou que “os judeus na Espanha foram perseguidos porque se recusaram a aceitar o cristianismo. A incorreção dele, assim como a sua, Sr. Solomon, é atestada por um autor judeu de destaque no judaísmo atual. “O objetivo da Inquisição era lidar com os hereges dentro da Igreja, isto é, pessoas que haviam sido batizadas ou que afirmavam ser cristãs, mas se afastavam da prática do catolicismo romano. (…) Normalmente, porém, a Inquisição não tinha poder sobre os judeus como tais. E, ocasionalmente, uma pessoa acusada apresentava como sua defesa a alegação de que era judeu, que nunca fingiu ser outra coisa. Se essa alegação pudesse ser estabelecida, ele estaria a salvo de punições inquisitoriais” (Londres, 1937, p. 131). O Prof. Salo Wittmayer Baron diz, em sua História Social e Religiosa dos Judeus, que “parece ser um fato, que os judeus que nunca deixaram de professar o judaísmo foram, como um todo, deixados em paz”. “Eles eram o único grupo na população europeia fora do alcance da Igreja e de sua administração de justiça” (NY Vol. 21, pp. 58-60). Terceiro: — Conversões forçadas nunca foram toleradas pelos católicos A Igreja, assim como as conversões ao judaísmo, evidências disso serão apresentadas na próxima semana para seu benefício, meu caro Sr. Solomon, e para o benefício de outros leitores judeus da cópia da Biblioteca Pública de O Piloto. Enquanto houve ocasiões na Espanha quando os judeus sofreram violência de turba, como os negros em nosso país, a submissão ao batismo é, e sempre foi, considerada uma ação voluntária.A Igreja sabe que: “Aquele que obedece contra sua vontade ainda é da mesma opinião.” Terceiro, e por fim, as conversões forçadas nunca foram toleradas pelos católicos. Essas evidências serão apresentadas na próximo artigo. Houve ocasiões na Espanha em que os judeus sofreram violência de turba, como os negros em nosso país. No entanto, a submissão ao batismo é, e sempre foi, considerada uma ação voluntária. A Igreja sabe que: “Aquele que obedece contra sua vontade ainda é da mesma opinião.” Além disso, um batismo forçado, que não é um batismo legítimo, é uma violação de um princípio básico da Igreja Católica, o direito de consciência. O rabino Louis I. Newman, da cidade de Nova York, que já foi repreendido por expressões hostis à Igreja Católica, reconheceu que “os convertidos por coação não eram considerados batizados. O batismo, argumentou-se, foi um ato voluntário de fé; por meio da bondade e da caridade, os judeus seriam atraídos para o cristianismo; por meio da instrução, eles seriam convertidos às suas verdades” (The Jewish Influences in Christian Reform Movement, p. 262). A Inquisição Espanhola foi instituída em 1478 d.C., a pedido do Rei Ferdinando e da Rainha Isabel, para a repressão da heresia que ameaçava a nacionalidade espanhola bem como o bem-estar da Igreja. Isso foi durante a época em que o povo da Europa era virtualmente uma unidade em considerar a conduta herética um pecado, uma violação da lei de Deus. Eles consideravam isso uma ofensa maior do que um crime, que é um ato contra o Estado, embora ambos fossem considerados dignos de punição. Compreendo como é difícil para você e para inúmeras outras pessoas compreender a enormidade da conduta herética durante nossa época, quando um boxeador de Columbus Circle, na cidade de Nova York, foi preso por insultar nossa bandeira, ao passo que um incauto entregando-se a conversas blasfemas contra Deus, no mesmo lugar, nem mesmo foi parado. Lembro-me da prisão do socialista Bouck White por queimar uma bandeira americana para mostrar seu desprezo pela “América capitalista”, mas ainda não soube da prisão de um homem da KKK por queimar uma cruz, o que é uma ofensa grosseira. Há mais por vir para sua iluminação, meu caro Sr. Solomon. Nesse ínterim, sugiro que você concentre sua mente na tríade acima relacionada à Inquisição. A INQUISIÇÃO ESPANHOLA Meu caro Sr. Solomon: — Agora que você sabe “o que no céu me fez” tornar-se um católico, “atenção pode ser dada à sua segunda pergunta:” Como você, um judeu, pode pertencer a uma Igreja que perseguiu os judeus na Espanha, durante a Inquisição Espanhola? “ Você é apenas um de uma multidão de judeus cujos corações infelizmente foram endurecidos, e olhos fixos, pelas histórias anticatólicas da Inquisição histórica com mais de 450 anos de idade que é continuamente repetida na imprensa judaica. Lembro-me de uma apresentação cruel dele no Yiddish Art Theatre, em Nova York, onde uma “Peça da Paixão Judaica, A Bruxa de Castela” foi apresentada, que foi anunciada como um “retrato da vida judaica durante o período da Inquisição da Igreja Católica Romana, sob o Papa Paulo IV, no século 15. “ Sei muito bem como você se sente a respeito da Inquisição Espanhola, pois isso está de acordo com meu sentimento outrora equivocado. Este complexo da Inquisição é um obstáculo mental, perdendo apenas para a afirmação de que Jesus é o Messias previsto, que obscurece uma apreciação, sim, até mesmo uma consideração do fato de que Jesus, e sua Igreja Católica, são o cumprimento de tudo que é grande e glorioso nos princípios e previsões do Antigo Testamento. Maurice M. Fueurlich, filho de um rabino, que tinha orgulho de ser conhecido como judeu, escrevendo no Jewish Forum, New York City (setembro de 1937) sobre “Children of a Martyr Race”, falou sobre o “complexo de perseguição” ele sofreu, em grande parte devido à “Inquisição Espanhola (que) foi incutida em minha consciência tão profundamente que se tornou um elemento básico em minha vida emocional”. John Cournes, um escritor judeu, disse em sua “Epístola aos Judeus”, que embora sua família tivesse caído do Judaísmo Ortodoxo, “o nome Torquemada, o asqueroso Grande Inquisidor, era sinônimo de entre nós, crianças, como em outras famílias” ( Atlantic Monthly, dezembro de 1937). Antes de lidar diretamente com a Inquisição Espanhola, convém que você perceba o fato histórico bem conhecido dos estudantes de história religiosa, de que as inquisições, embora não assim designadas, eram comuns nos judeus durante os séculos pré-cristãos, quando os judeus eclesiásticos e os sacerdotes eram os professores divinos, protetores, definidores e juízes dos princípios e práticas proclamados por Deus, como o são os eclesiásticos e padres católicos de hoje. A mais famosa, ou melhor, infame Inquisição da história, é aquela que foi conduzida pelo Sinédrio, sob a liderança do sumo sacerdote Caifás, antes da qual Jesus foi julgado, condenado por blasfêmia por se declarar o Messias, e entregue a Pilatos, a autoridade civil, que ordenou aos soldados romanos que O crucificassem. Se Jesus fosse um pretendente messiânico, como foi acusado de ser, a ação dos inquisidores teria sido justificável. Isso é dito porque Jesus, sendo judeu, estava sujeito à Lei mosaica, que declarava: — “Aquele que blasfemar o nome do Senhor, morrendo, morra; toda a multidão o apedrejará …” (Levítico . 24:16). Durante a era cristã, Spinoza foi julgado por heresia na Inquisição do Colégio Rabínico de Amsterdã, Holanda, que era formado por descendentes de judeus expulsos da Espanha e de Portugal, durante o século XV. Greatz, o principal historiador judeu, diz que “os rabinos pronunciaram a proibição mais severa … Ele foi particularmente culpado de heresias horríveis … portanto, na presença da Torá (Livros de Moisés), as maldições costumeiras foram pronunciadas sobre ele .. . “Pedido foi feito pelos Rabinos às autoridades civis para” o banimento perpétuo “de Spinoza, da Holanda, a terra de seu nascimento, de onde ele teve que fugir. Ele escapou por pouco, como uma tentativa foi feita para matá-lo. Spinoza teria sido apedrejado até a morte, de acordo com a Lei Mosaica, por suas doutrinas panteístas antipessoal de Deus, se o poder de infligir a pena de morte não fosse prerrogativa exclusiva das autoridades civis na Holanda; como era prerrogativa exclusiva da autoridade civil em Jerusalém na época em que o sumo sacerdote Caifás gritou .:— “Ele (Jesus) blasfemou. Ele é culpado (digno) de morte” (São Mateus 26) . Rabino Mordecai Kaplan, reitor do Instituto de Professores do Seminário Teológico Judaico, fundador do movimento Reconstrucionista Judaico, foi excomungado e maldições invocadas sobre ele, pelos 200 rabinos americanos e canadenses presentes em seu Seminário Teológico Ortodoxo há alguns anos (Novo York, 15 de junho de 1945). Rabino Kaplan foi acusado de defender “heresia e descrença nos princípios básicos do Judaísmo” em seu Livro de Oração do Sábado. Ele declarou ali, como fazem um grande número de outros rabinos em nosso país, que a Torá (Pentateuco) é um documento humano, e não “inspirado sobrenaturalmente;” e que os judeus modernos não aguardam mais o advento de um Messias pessoal. A heresia é tabu entre uma multidão de pessoas de suposta superioridade intelectual, que sustentam que “um homem tem o direito de pensar o que quiser”. Claro, o homem tem o poder de pensar que a lua é feita de queijo verde; que dois mais dois são cinco; que “nada é eterno além da mudança”, como declarou um socialista judeu, mas ele não tem o direito legítimo de evocar tais pensamentos. A heresia também é tabu entre uma multidão de pessoas que sustentam que “uma religião é tão boa quanto outra, já que todas visam a mesma coisa”. Tal crença foi corretamente considerada pelos judeus do Antigo Testamento como herética; como tem sido pelos católicos desde que a Igreja substituiu a Sinagoga como a sociedade espiritual através da qual os ensinamentos de Deus são divinamente expressos. Pessoas que acreditam que os princípios de Deus, que é um Deus imutável, são princípios imutáveis, devem sustentar que uma negação deles é uma negação de Deus, portanto herética. A determinação do que são esses princípios, e se eles são mal interpretados, é uma prerrogativa da sociedade espiritual estabelecida por Deus. A heresia, de que tratou a Inquisição espanhola, é um repúdio da virtude divina da fé, que retarda a obtenção da salvação. São Paulo diz em sua instrução a Tito: — “O homem que é herege, após a primeira e a segunda admoestação, evite; sabendo que ele, tal como tal, está subvertido e peca, sendo condenado por seu próprio julgamento “(3: 10-11).

 
 
 
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