A FONTE DA RAZÃO HUMANA

Os gregos inventaram a disciplina que revela como funciona a máquina mental de produzir ideias: é a lógica. A lógica tem por propósito ensinar a arte de raciocinar com rigor e ordem; portanto, é a porta de entrada da filosofia e da ciência. A palavra “lógica” deriva de “logos”, palavra grega que pode significar, ao mesmo tempo, linguagem e pensamento, numa maravilhosa intuição dos gregos, pois de fato ideias e palavras são coisas umbilicalmente unidas.
Alguns séculos depois de Aristóteles, que foi o principal sistematizador da lógica enquanto disciplina filosófica, Deus avisou, pela boca do evangelista João, que o fundamento da lógica era ele mesmo: o Logos divino, o Verbo feito carne, a segunda pessoa da Trindade. Depois do cristianismo, tornou-se portanto impossível dissociar o pensamento humano e o divino, pois este é a fonte permanente e inesgotável daquele.
Como se manifesta a “lógica” do Logos divino? Por revelação sobrenatural ou pelas leis inscritas por Deus na natureza, na forma mesma como estruturou o mundo real.
No entanto, há quem procure cortar os vínculos que unem geneticamente o pensamento humano e o divino, negando que este seja a fonte permanente daquele. Não são mais filósofos, escritores e cientistas espalhados aqui ou ali, na academia ou nas manifestações culturais, mas configuram a quase totalidade do mundo intelectual. A cultura moderna já é fundamentalmente laica (no sentido novo que esse adjetivo adquiriu atualmente, para qualificar a pessoa independente de qualquer confissão religiosa, ou até antirreligiosa).
Essa quase unanimidade não poderia deixar de se refletir nas instituições, nacionais ou internacionais, como a ONU, por exemplo. A Organização das Nações Unidas, de organismo surgido para evitar guerras que comprometam a convivência entre as nações, transformou-se numa verdadeira hidra política, com dezenas de tentáculos — UNESCO, OMS, IPCC, FAO etc. —, com poder crescente de interferência nos governos nacionais, como se visasse o estabelecimento de um governo planetário segundo uma nova ordem moral, cultural, econômica, social e política.
Esse projeto de poder global tem, contudo, um problema muito grave: não foi elaborado de olho nas leis que Deus inscreveu no coração da realidade e do ser humano, que ainda são pessoas particulares, de carne e osso, não entidades abstratas e deslocadas. Vivem em nações com sua história, sua cultura, sua língua, suas crenças religiosas.
Só mesmo com o punho de aço totalitário para homogeneizar abstratamente o que nasceu para a diversidade e a diferença. O único fator de unificação da humanidade é o Logo divino, jamais a lógica dos interesses políticos e financeiros.
















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