A Igreja Católica: Construtora do Sistema Universitário
PARTE II
Continuando a resposta sobre as mentiras sobre as universidades e a igreja católica, pois, hoje em dia não é como nos dias de Lutero e Calvino, onde espalhavam suas mentiras em panfletos, aproveitando a recém criada prensa, hoje só aceita a mentira, os vaidosos e os que não aceitam que foram enganados por conversas maliciosas, lembrando a mentira 👇, logo mais abaixo a história como aconteceu.
(Mentiras do catolicismo romano refutadas.
1 – “Quem Criou o Sistema Universitério foi a ICAR… só que não – As Universidades mais antigas do mundo foram Islâmicas: a primeira foi a Universidade de Al-Karaouine, no Marrocos, fundada em 859 D.C., seguida pela Universidade Al-Azhar, fundada entre 970 e 972 no Egito, e depois pela Universidade de Nizamyya, no Irã em 1065. Só lá pelo ano de 1088 é que a Europa teve a sua primeira Universidade em Bolonha na Itália, seguida pela Universidade de Paris em 1229 – e não eram nem vinculadas a Igreja e precisaram de aprovação do Clero para existir).
O ensino superior no Ocidente
Os primeiros passos em direção ao sistema de universidades tal qual temos hoje foram dados no início da Idade Média, quando os bispos começaram a criar as escolas catedráticas. Essas instituições urbanas eram mais desenvolvidas que as escolas dos mosteiros, que geralmente se localizavam no campo ou em cidades pequenas. Com o término da invasão estrangeira e o renascimento econômico do século XI – um ponto de mudança na história da Europa as cidades europeias puderam se desenvolver, pela primeira vez desde a queda de Roma. As escolas montadas pelos bispos dessas novas cidades e vilas, localizadas perto das esplêndidas catedrais que haviam acabado de ser construídas, atraíam estudantes de lugares distantes. Essas escolas ofereciam um currículo mais avançado, e seus corpos docentes incluíam estudiosos atraídos para os novos centros urbanos, em razão das grandes bibliotecas e de maiores oportunidades de aprendizado e en- sino. Um dos primeiros filósofos escolásticos, Pedro Abelardo (que merece ser conhecido por algo mais que o seu trágico caso de amor com a estudante Heloísa) foi um dos professores na escola da catedral de Notre-Dame, em Paris.
Devemos salientar que os antigos clássicos da literaturateratura latina – e mais tarde os textos gregos, geralmente traduzidos – formavam a maior parte do currículo das artes. O que era lido, memorizado, comentado e analisado nas escolas era o amplo corpo dos textos clássicos que sobreviveram à queda de Roma nas bibliotecas monásticas. É, portanto, simplesmente falso afirmar que a herança clássica esteve enterrada, ignorada e conscientemente reprimida pela maléfica Igreja durante mil anos – e foi somente libertada pelos intelectuais do Renascimento, livres enfim da influência católica na cultura. (Essa visão a respeito dos intelectuais do Renascimento também é falsa – eles eram quase todos católicos.) As provas de que os estudantes medievais estavam mergulhados nos clássicos la- tinos são esmagadoras; eles aprendiam a lê-los, a imitar o seu estilo e a memorizâ-los. Cícero era um dos favoritos, E quando Heloísa, inconsolada por sua renúncia a Abelardo, entrou para o convento, recitou versos latinos enquanto andava pelo corredor e, depois, aliviou seu sofrimento com a leitura dos filósofos estoicos.
Cidade e Toga
A participação dos papas no sistema universitário estendeu-se a muitos outros assuntos.
Um olhar de relance sobre a história da universidade medieval revela que não eram incomuns os conflitos entre a universidade e o povo ou o governo local. Os habitantes da cidade nutriam com frequência sentimentos ambivalentes em relação aos estudantes universitários; por um lado, a universidade era um presente para os comerciantes locais e para a atividade econômica em geral, uma vez que os estudantes traziam dinheiro para gastar; mas, por outro lado, esses estudantes podiam ser irresponsáveis e indisciplinados. Como explicava um comentarista moderno, os habitantes das cidades em que se situavam as universidades medievais amavam o dinheiro, mas odiavam os estudantes. Como resultado, ouvia-se muitas vezes os estudantes e os seus professores queixarem-se de que eram “tratados com abuso pelos cidadãos locais, com dureza pela polícia, desatendidos nas suas demandas legais e ludibriados no preço dos aluguéis, alimentos e livros”.
No meio dessa atmosfera tensa, a igreja rodeou os estudantes universitários de uma proteção especial, concedendo-lhes o chamado benefício do clero. Os clérigos gozavam na Europa medieval de um estatuto especial: maltratá-los era um crime extraordinariamente grave; tinham o direito de que as suas causas fossem julgadas por um tribunal eclesiástico, e não pelo civil. Os estudantes universitários, como atuais ou potenciais ao estado clerical, passaram também a gozar desses privilégios. Os governantes civis também lhes estenderam muitas vezes uma proteção similar: em 1200, Felipe Augusto da França concedeu e confirmou esses privilégios aos estudantes da Universidade de Paris, permitindo-lhes ter as suas causas julgadas por um tribunal especial, que certamente lhes seria mais simpático do que os tribunais da cidade.
Os papas intervieram em defesa da universidade em numerosas ocasiões. Em 1220, o papa Honório III (1216-1227) pôs-se dos lado dos professores de Bolonha, que protestavam contra as violações das suas liberdades. Quando o chanceler de Paris instituiu em que se jurasse lealdade à sua pessoa, o papa Inocêncio III (1198-1216) interveio. Em 1231, perante a intromissão das autoridades diocesanas locais na autonomia institucional da universidade, o papa Gregório IX lançou a bula Parens Scientiarum, em favor dos mestres de Paris. Nesse documento, concedeu efetivamente à Universidade de Paris o direito à autonomia de governo, com a qual podia elaborar as sua próprias regras a respeito dos cursos e pesquisas; e submeteu-a diretamente à jurisdição pontifícia, emancipando-a da interferência diocesana. “Com esse documento – escreve um historiador -, a Universidade de Paris atingiu a maioridade e entrou na história do direito como uma corporação intelectual plenamente formada, destinada ao preparo e aperfeiçoamento acadêmicos”.
Foi ainda nesse mesmo documento que o papa procurou zelar pela justiça e concórdia no ambiente universitário, mediante a concessão de um privilégio conhecido como cessatio – o direito de os alunos entrarem em greve, se fossem tratados de modo abusivo. Consideravam-se justa causa para a greve os preços extorsivos fixados para o alojamento, a injúria ou mutilação de um estudante sem que houvesse uma satisfação adequada dentro do prazo de quinze dias, bem como a prisão ilegal de um estudante.
Tornou-se comum que as universidades remetessem as suas queixas aos papas. Em várias ocasiões, os pontífices intervieram para obrigar as autoridades universitárias a pagar aos professores os seus salários; assim o fizeram Bonifácio VIII, Clemente V, Clemente VI, e Gregório IX. Não é de admirar, pois, que um historiador tenha declarado que “o mais sólido e confiável professor [das universidades] foi o Papa de Roma. Foi ele quem lhes concedeu, aumentou e protegeu um estatuto privilegiado em um mundo de frequentes conflitos de jurisdições”.
No seu estágio Inicial, a universidade carecia de edifícios ou de campus próprio. Consistia em um corpo de professores e alunos, não em um local específico. As aulas eram ministradas em catedrais ou em salas privadas. Não havia bibliotecas, e teria sido difícil adquirir significativas coleções de livros, mesmo que as universidades possuíssem instalações próprias. Os livros absolutamente necessários aos estudantes eram em geral alugados, em vez de comprados.
Ao que parece, muitos estudantes universitários medievais provinham de famílias de poucas posses. A maior parte dos estudantes de artes (em sentido amplo) tinha entre catorze e vinte anos de idade. Muitos matriculavam-se na universidade com o objetivo de se prepararem para uma profissão, e por isso não é de surpreender que o curso mais frequentado fosse o de Direito. Havia também frades entre os estudantes: eram homens que desejavam simplesmente ampliar os seus conhecimentos ou contavam com o patrocínio de um superior eclesiástico.
O que é que se estudava nessas instituições? Começava-se pelas sete artes liberais, para os principiantes, e prosseguia-se com o direito civil e canônico, a filosofia natural, a medicina e a teologia. Quando as universidades ganharam forma no século XII, foram as felizes beneficiárias dos frutos daquilo que alguns historiadores denominaram “a Renascença do século XII. Os intensos esforços de tradução permitiram recuperar muitas das obras do mundo antigo – sobre a geometria euclidiana, a lógica, a metafísica, a filosofia natural e a ética aristotélica -, bem como as obras de medicina de Galeno. Também os estudos jurídicos começaram a florescer, particularmente em Bolonha, quando foi descoberto o Digesto, coleção das decisões dos jurisconsultos romanos mais célebres, tranformadas em lei e integradas no Corpus juris civilis pelo imperador Justiniano no século VI, e que está na base de todos os códigos civis modernos.
















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