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A IGREJA E OS MEIOS DE GRAÇA

13 de fev. de 2018
2 min de leitura

Historicamente, a relação entre a doutrina da graça e a doutrina dos meios da Graça é ambígua. A doutrina da Graça como justificação e perdão se desenvolveu lentamente de forma instável; a doutrina dos meios da Graça, por sua vez, desenvolveu-se muito depressa. Uma alta avaliação dos meios da Graça não era necessariamente incompatível com a baixa estimativa da própria graça; ou seja, era possível enfatizar os sacramentos como algo que um homem fez à custa da Graça como algo concedido por Deus o teólogo não tinha de ser muito específico acerca do conteúdo dos meios da Graças para insistir no fato de que eles eram essenciais.

Claro que, em um sentido, o uso de “meios da Graça” como plural induz ao erro, pois a igreja era ela mesma principal meio da Graça. Irineu estava expressando uma convicção comum quando disse: “Onde a igreja está, ali está o espírito de Deus, há igreja e todo tipo de graça” (Irineu contra as heresias 3. 24). Mas, na sentença seguinte, ele continua a falar da “fonte que jorra do corpo de Cristo” (Tertuliano sobre o batismo 16.1), referindo-se aparentemente, com base na tradição refletida em João 19. 34 em 1João 5.6-8, ao batismo ou à Eucaristia ou talvez até mesmo a ambos (Irineu contra as heresias 4.33.2). A doutrina da igreja e a doutrina dos sacramentos eram corolários, pois ambas descreviam os meus divinamente instituídos por intermédio dos quais a graça era transmitida. A igreja, as escrituras, o sacerdócio e os sacramentos — todos eram denominados de “Santos”, tanto porque eles eram Santos em si mesmos quanto Porque tornavam os homens Santos por meio da Graça santificadora, de quem estes eram os instrumentos. Para Orígenes, por exemplo, a Eucaristia era “um determinado corpo Santo que santifica os que compartilham Com intenção pura” (Orígenes contra Celso 8.33)

O termo “Santo” se aplica com força especial à igreja. Ele já era usado no Novo Testamento; e das quatro observações clássicas da definição da igreja no credo niceno —- una, santa,católica e apostólica —- o termo “Santo” (símbolo niceno constantinopolitano) [Schaf 2: 58] apareceu em mais credos e nos primeiros credos que qualquer um dos outros (Schaf 2: 55). As observações de santidades e de unidade, na conexão atual, são de relevância imediata, pois, por meio da associação íntima e intrínseca delas com a doutrina dos sacramentos —- associação esta que fica evidente em 1Coríntios, elas ajudaram a modelar essa doutrina e foram, por sua vez, modeladas por ela. Essa Associação foi especialmente decisiva para a doutrina da santidade da igreja, como a fórmula litúrgica antiga sugeriu quando o seu comunga testamento com estas palavras: “se algum homem é santo, deixe-nos vir; se algum homem não for santo, deixe-o se arrepender”(Didaquê 10.6). Algumas das primeiras controvérsias eclesiológicas também surgiram sobre a definição da santidade da igreja e sobre suas implicações para o batismo e a penitência.

 
 
 

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