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A MELHOR NOTÍCIA DE SEMPRE – Pe. Santiago Martín

15 de abr. de 2022
3 min de leitura

Um axioma básico do jornalismo é que não há notícia quando um cão morde um homem, mas quando um homem morde um cão. Isto significa que as notícias tendem a ser relatos de acontecimentos extraordinários, que são fora do comum e, muitas vezes, catastróficos (ou, pelo menos, dolorosos). Quanto mais grave for o evento, mais tempo os meios de comunicação social passam a relatá-lo, e mais longa é a duração das notícias.

Um exemplo é o que está acontecendo na Ucrânia: após quase dois meses de guerra, ainda são de lá as notícias que abrem todas as notícias. Em nível eclesial, outro exemplo poderia ser o que está acontecendo na Alemanha, onde estão em jogo o futuro da Igreja e um possível cisma.

Mas esta lógica das notícias tem o defeito de obscurecer a realidade e dar a impressão de que tudo está correndo mal, quando na realidade não está. E, também, possui o defeito de esconder coisas que são sensacionais e extraordinárias, mas que, por não serem catastróficas, não são tidas em conta quando se fazem relatórios sobre elas. E isto é particularmente verdade no que diz respeito às notícias relacionadas com a religião em geral e a Igreja Católica em particular. É assim que as coisas são; e é muito difícil que sejam de outra forma, mas há dias em que devemos nos esforçar por ver as excepções a esta esmagadora lógica de notícias. Hoje é um desses dias.

É Sexta-feira Santa. Ontem, nós católicos celebramos a proclamação do único mandamento que Jesus chamou de “Seu”, e pelo qual confessou a sua divindade, pois ninguém, além de Deus, pode se dar como modelo. Exultamos de alegria com a memória da instituição da Eucaristia e pudemos meditar sobre este mistério profundo: a coisa mais extraordinária que acontece todos os dias na Missa — a renovação incruenta do sacrifício da Cruz e a transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo — provém das mãos de homens tão fracos e pecadores como nós.

Hoje, porém, o nosso olhar está voltado para Cristo no Calvário e para a sua Mãe, que acompanha o seu Filho divino, aceitando compassiva a dor de o ver morrer. Amanhã à noite, por outro lado, cheios de alegria gritaremos Aleluia, porque na Sua luta contra o mal a vitória definitiva foi para o bem: o Filho de Maria ressuscitou, o Filho de Deus nos abriu as portas do Céu.

Tudo isto não será notícia para a maioria dos meios de comunicação, a menos que se refira ao interesse económico ocasionado pela chegada de turistas a lugares famosos por suas procissões. No entanto, esta não é apenas a notícia mais importante que alguma vez já aconteceu na história da humanidade, mas, na realidade, é a única que merece ser chamada de “notícia”.

A Eucaristia, a Cruz, a Ressurreição, mudaram a história do mundo e continuam a mudá-la. Dos 1,3 bilhões de católicos no mundo, muitos não participarão da Sexta-feira Santa nem irão à Missa no dia da Páscoa; no entanto, o que aconteceu há quase dois mil anos continuará a ser para muitos, penso que mesmo para a maioria, uma fonte de esperança e de consolo em meio a tanta tribulação e sofrimento. Mesmo para aqueles que estão na pior — os da Ucrânia, mas não só eles —, a certeza de que tudo passa, que há um Deus amoroso e justo, que existe realmente a vida eterna, é a melhor notícia que lhes podemos dar, sem que isso implique que não lhes façamos justiça ou lhes demos o pão de que precisam.

Não há nada, absolutamente nada, mais importante do que isto: Cristo espera a todos vocês no tabernáculo, como Ele diz: ” “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.” Cristo espera por vocês no confessionário para lhes dizer, pela boca do sacerdote: “Os teus pecados estão perdoados, vá em paz e não peques mais”. Cristo espera por vocês no fim do caminho, quando chegar a hora da morte, para lhes dizer: “Vinde, benditos do meu Pai, pois tive fome e me destes de comer”.

Não há melhor notícia do que esta. E, hoje, é um dia especial para proclamá-la e contá-la a todos, especialmente àqueles que, por viverem o inferno na terra, como disse Dante na sua Divina Comédia, já perderam toda a esperança.

 
 
 

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