A PROPAGANDA – François-Marie Porte

O termo “propaganda” tem uma raiz comum com “propagar”, o que nos convida a entender que o propósito da propaganda é difundir uma ideia, uma moda, um comportamento, um pouco como um vírus que contamina, multiplica e torna a contaminar. A especificidade da propaganda é que ela age como uma semente, que germina uma vez em solo bem-preparado, e tenderá a ocupar todos os lugares onde possa se expressar: mídia, cinema, teatro, entretenimento, romance etc.
Há dois tipos de propaganda. Primeiro, a propaganda que consiste em uma constante repetição conceitual de um conteúdo simples. Por exemplo: “Para sua saúde, pratique gestos cidadãos!” Seu poder está na força da repetição. Seu efeito é bem conhecido por psicólogos e neurologistas: repetir uma coisa é reforçar sua existência na mente humana. Mesmo que não haja adesão consciente à mensagem, habitua-se com a sua proximidade e as pessoas se veem, um dia, usando termos e conceitos saídos do texto que a mente assimilou. Um exemplo revelador é o conceito de “gender”, que era desconhecido para o mundo francófono. Foi maldosamente traduzido como “gênero”, que originalmente designava o masculino e o feminino gramaticais. Por força do uso, a palavra “gênero” tornou-se a designação social do sexo.
O segundo tipo de propaganda solicita uma adesão racional por meio de uma manipulação afetiva. Trata-se de associar um conceito agradável a uma realidade desagradável ou repugnante. Ou o contrário: associar um conceito pouco aceito a uma realidade deleitável ou atraente. No cinema é explícito. Quantos filmes apresentam a Igreja Católica como um covil de abutres, de tiranos queimando hereges e torturando inocentes? A brilhante série de comédias do final dos anos 1990, Friends, com personagens cativantes, consegue a proeza de tornar aceitáveis o adultério, o divórcio e a maternidade quase incestuosa com barriga de aluguel, sob o pretexto de que essas realidades dizem respeito a personagens falsamente próximos dos espectadores.
Em suma, a propaganda é uma manipulação que provoca a inteligência daquele sobre o qual ela age.
















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