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A VERDADE DA RAZÃO NATURAL NÃO É CONTRÁRIA À VERDADE DA FÉ CRISTÃ

31 de jan. de 2018
2 min de leitura





Embora a Supracitada verdade da fé cristã exceda a capacidade da Razão Humana, os princípios que a razão tem postos em si pela natureza não podem ser contrários àquela verdade.

É certo que são veríssimos e que foram colocados na razão pela natureza, de modo que nem se pode cogitar que sejam falsos. Nem tampouco é permitido pensar ser falso o conteúdo da fé, já que com tanta evidência recebeu a confirmação Divina. Ora, porque só o falso é contrário ao verdadeiro, o que se manifesta claramente ao se verificar as definições de ambos é impossível que a supracitada verdade da Fé seja contrária aos princípios conhecidos naturalmente pela razão.

Além disso, na ciência do mestre está contido o que ele infunde na alma do discípulo, a não ser que o ensino seja fictício. Mas tal não se pode atribuir a Deus. Ora, o conhecimento dos princípios naturalmente evidentes é infundido em nós por Deus, pois Deus é o autor da natureza por consequente. Por conseguinte, esses princípios estão também contidos na sabedoria divina. Assim também, tudo o que é contrário a eles contraria a sabedoria divina e não pode estar em Deus. Logo as verdades recebidas pela Revelação Divina não podem ser contrárias ao conhecimento natural.

Além disso, o nosso intelecto fica impedido de conhecer quando está diante de razões contrárias e, então, não pode proceder para alcançar a verdade. Ora, se razões contrárias fossem nós infundidas por Deus, o nosso intelecto ficaria impedido de conhecer a verdade. Tal porém, não pode se dar em Deus.

Além disso, o que é natural não pode mudar, se a natureza permanece. Ora, opiniões contrárias sobre uma só coisa não podem subsistir no mesmo sujeito. Logo, Deus não me fudi no homem e conceitos e verdades de fé contrários ao conhecimento natural.

Donde afirmar o Apóstolo: junto de ti, no teu coração e na tua boca, está a palavra da fé que pregamos (Romanos 10, 8). Mas, porque esta palavra está acima da razão, foi tida por muitos como contrária a ela mas isso é impossível.

Também a autoridade de Agostinho concorda com essa doutrina, quando se expressa nestas palavras: o que a verdade toma evitar, não pode de modo algum ser contrário ao conteúdo dos livros do velho e do Novo Testamento.

De todos estes raciocínios conclui-se que quaisquer razões que possam ser apresentadas contra as verdades ensinadas pela fé não procedem corretamente dos primeiros princípios conhecidos por si mesmos e vindos da própria natureza. Donde não possuírem força demonstrativa, pois não passam de razões prováveis ou sofísticas, que por si mesmas dão motivo para serem destruídas.

 
 
 

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