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A Verdadeira Israel de Deus é a Igreja (PARTE IV)

24 de jan. de 2018
3 min de leitura

A VERDADEIRA ISRAEL É A IGREJA

Parte IV

JUDAÍSMO UMA FASE DA IGREJA SENDO ULTRAPASSADA Os dois propósitos dos testemunhos eram: mostrar que o judaísmo com suas leis tinha tido sua época; e provar que “aquele que viria fora predito de acordo com as escrituras” do antigo testamento (Cipr. Test. Pr. [CSEL]). Os testemunhos, para essa finalidade, compilavam essas passagens que eram mais rapidamente aplicáveis a Jesus como o Cristo. A rebelião das nações contra Iavé, conforme descrita em Salmos 2, foi cumprida no sofrimento de Cristo: “Os pagãos eram Pilatos e os romanos; o povo era as tribos de Israel; os reis foram representados por Herodes; e os governantes, pelos chefes dos Sacerdotes” (Tert. Mac. 4.42.2). Os Salmos que falam da entronização podem ser aplicados à ressurreição de Cristo, por meio da qual ele foi elevado à posição de senhorio; Salmos 110, já no novo testamento, era o texto prova favorito para essa afirmação (At 2.34,35; Just. Dial.32.6). O outro texto-prova favorito era a descrição do servo sofredor de Isaías 53 (At 8.30-35). Os rabis que debatiam com Orígenes sustentavam que “se referia a todo o povo [de Israel] como se fosse um único indivíduo” (Or. Cels. 1.55), mas o testo foi interpretado tão unânime e inequivocadamente como escritura cristã que até mesmo Trifão se sentiu obrigado a admitir que o Messias tinha de sofrer, embora não que ele tivesse de ser crucificado (Just. Dial.89.3). A expressão “vinda do senhor”, na profecia judaica posterior e apocalíptica, também se referia se referia a Jesus como o Cristo; mas, agora, tinha se ser dividida em duas vindas, a primeira já fora realizada nos dias de sua carne e a segunda ainda estava no futuro. Além da diferença entre humilhação e glória não ficava sempre claro qual era o fundamento para essa divisão, a qual nem o Judaísmo nem os Marcionitas antijudaismo aceitaram (Just. Dial. 49.2; Tert. Apol. 21.15; Or. Cels. 1.56; Clem. Rec. 1.49.2-5; Lact.Inst. 4.12.14-15).

O que a tradição cristã fez foi assumir assumir as escrituras Judaicas como suas, por isso, Justino pôde dizer para Trifão que as passagens sobre Cristo “estão nas suas escrituras, ou antes, não nas suas, mas nas nossas” (Just. Dial. 29.2). Na verdade, algumas das passagens são encontradas só nas “nossas” escrituras, ou seja, no antigo testamento cristão. Os teólogos cristãos tinham tanta certeza de sua posse das escrituras que acusavam os judeus não só de entendê-las ou interpretá-las equivocadamente, mas até mesmo de falsificar textos escriturais. Quando tinham consciência das diferenças entre o texto hebraico do antigo testamento e o da Septuaginta, eles capitalizavam essas diferenças para provar a acusação de que os judeus tinham “tirado muitas passagens da escritura a partir da tradução feita pelos setenta anciãos” (Just. Dial. 71.2). Era de especial importância a tradução da Septuaginta de”virgem[parthenos,gr]” em Isaías 7.14 que foi adotada no novo testamento e canonizada pelos primeiros escritores Cristãos(Just. Dial.66-67; Mt 1,23). Em Salmos 22.16 podem ter havido duas leituras hebraicas transmitidas pela tradição judaica: ” perfuraram minhas mãos e meus pés”, e: “e como um Leão perfuraram minhas mãos e meus pés””. Os professores cristãos, seguindo a Septuaginta, lêem “perfuraram” e aplicavam esse versículo, junto com o salmo completo, à crucificação ( Barn. 5.13; Iren. Dem. 79; Cipr. Test. 2.20; seus oponentes Judeus “sustentam que esse salmo não se refere ao messias” (Just. Dial.97.4).

Além dessas leituras variantes e traduçõescanonizadas foi desenvolvido um grupo de acréscimos cristãos ao texto da Septuaginta ou,coos denominou Daniélou, targumin e midrashin(Daniélou 1964), que parafrasearam e expandiram passagens do antigo testamento de formas quesubstanciavam a doutrina cristã. Justino Mártir acusou os Judeus de mutilar a passagem “O senhor reinava da árvore” (Sl. 96.10) a fim de apagar a óbvia referência da crucificação de Cristo. A tradição exegética cristã afirmou ter encontrado outras eliminações e mutilações da tradição judaica de interpretação (Just. Dial.73.1; Just. Apol.41.4). Talvez isso fizesse parte do mesmo processo de apropriação de quando Eusébio, historiador cristão, atribuiu a Josefo, historiador judeu, um parágrafo confessando o Messiado e a divindade de Jesus (Eus.H.e. 2.7-8); ou quando o mesmo escritor cristão supôs que a obra sobre a vida contemplativa, de Fílon, descrevia os cristãos primitivos, em vez de uma comunidade de judeus ascéticos (Eus.H.e. 2.7-8). A crescente facilidade com que eram feitas apropriações e acusações era proporcional à completude da vitória cristã sobre o pensamento judaico.

 
 
 

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