A Verdadeira Israel de Deus é a Igreja (PARTE V)

A VERDADEIRA ISRAEL É A IGREJA
A VITÓRIA DA TRADIÇÃO CRISTÃ Parte V Essa vitória, contudo, foi em Grande parte conseguida por um curso pre-definido de ação. Não pela força superior de exegese, do aprendizado ou da lógica cristã, mas o movimento da história judaica parece ser grandemente responsável por essa vitória. Sugere-se que a ascensão do movimento cristão despojou o Judaísmo de um tanto de sua dinâmica anterior, em especial do zelo prosélito que marcou o pensamento judaico na diáspora helenista e até mesmo na palestina, onde se dizia que os judeus “percorrem terra e mar para fazer um convertido” (Mt 23, 15). Havia diversas traduções da Bíblia Hebraica para o grego feita por judeus (e talvez também uma ou mais feitas por cristãos). No final do séc II e início do III da era cristã, quando o Latin começou a substituir gradativamente o grego na parte ocidental do império Romano, a situação no próprio judaísmo tinha mudado. Parece que a Septuaginta surgiu por causa da incapacidade dos jovens judeus da diáspora de ler hebraico e do desejo de apresentar o caso pró-judaismo para o mundo de fala grega. Mas parece que nenhum desses fatores produziu alguma tradução do antigo testamento para o Latin feita por um judeu; quando a Bíblia Hebraica começou a sair em versões latinas , essa parece ter sido a obra de tradutores cristãos anônimos e, finalmente, de Jerônimo. Depois do saque de Jerusalém em 70 d.c. e de sua profanação nos seguintes, a polêmica judaica contra o cristianismo estava cada vez mais na defensiva, enquanto a doutrina Cristã se sentiu capaz de seguir o próprio caminho sem engajar os rabis em um diálogo contínuo.
Parece que Orígenes foi um dos poucos país da igreja a participar desse diálogo (Or.Cels. 1.55; 2.31). Talvez Orígenes tenha sido o primeiro o primeiro pai da igreja a estudar o hebraico, “em oposição ao espírito de seu tempo e de seu povo”, como diz Jerônimo (Hier. Vir. ill. 54); de acordo com Eusébio, ele “aprendeu o hebraico a fundo” (Eus. H. e. 6.16), mas há um motivo para duvidar dessa exatidão. Jerônimo, todavia, foi corretamente celebrado como “trilíngue” (Hir. Rufin. 3.6) por sua competência em latim, grego e hebraico; e Agostinho claramente admirava, talvez até mesmo invejasse, sua capacidade de interpretar as escrituras divinas em ambas as línguas” (Ag. Pecc. Merit.3.6.12[CSEL. 60:138-39]). O testemunho acerca do conhecimento de hebraico de outros pais da igreja—–por exemplo, Dídimo o cego, ou Teodoro de mopsuéstia——é menos conclusivo(Didim. Trin. 1.18; Didim. Espir.15). Mas parece seguro propor a generalização de que, com exceção de convertidos do Judaísmo, foi só com os humanistas bíblicos e os reformadores do século XVI que o conhecimento do hebraico se tornou um padrão para os expositores cristãos do antigo testamento. A maioria da doutrina cristã foi desenvolvida em uma igreja sem qualquer conhecimento do texto original da Bíblia Hebraica. Independentemente dos motivos, os teólogos cristãos que escreviam contra o Judaísmo, conforme o tempo passava, pareciam levar seus oponentes cada vez menos a sério; e o que podia faltar em vigor e justeza em suas obras apologéticas, eles tendiam a suprir com autoconfiança. Eles não consideravam a comunidade judaica uma participante continua na história santa que produziu a igreja. Eles não mais consideravam a sério a interpretação judaica do antigo testamento ou o histórico judaico do novo testamento. Portanto, a urgência e a pungência sobre o mistério de Israel tão vívidas no Novo testamento só aparecem ocasionalmente no pensamento cristão, como em algumas passagens de Agostinho ( Ag. Sal. 9.7); mas essas passagens, mesmo em Agostinho (Ag. Ev.João 16.3), são superadas pelas muitas outras que falam de Judaísmo e de paganismo quase como se eles fossem igualmente estranhos para “o povo de Deus” —– a igreja de gentios cristãos.
Mas a “desjudaização do Cristianismo” (Dix 1953, pg. 109) não foi espressa só pelo lugar concedido ao judaísmo pelos teólogos cristãos. Um efeito mais difundido desse processo fica evidente no desenvolvimento das várias doutrinas cristas. Entre estas, a doutrina de Deus e a do homem trazem marcas de desjudaização. No judaísmo era possível atribuir simultaneamente mudança de propósito a Deus (1Sm15,11) e declarar e declarar que ele não mudava (1Sm 15,29) sem resolver o paradoxo; pois a imutabilidade de Deus era considerada a confiabilidade de relacionamento da aliança com seu povo na história concreta de seu julgamento e misericórdia, em vez de como uma categoria principalmente ontológica. Mas a imutabilidade, no desenvolvimento da doutrina cristã de Deus, assumiu a condição de uma pressuposição axiomática para a discussão de outras doutrinas. Por conseguinte, a desjudaização do pensamento cristão, por exemplo, contribui para a forma assumida pela controvérsia cristológica, no fato de que os dois lados definiram o poder absoluto de Deus de acordo com o princípio de imutabilidade, embora eles tenham chegado a conclusões cristológicas opostas a partir desse princípio.
















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