A Verdadeira Israel de Deus é a Igreja (PARTE VII)
UMA VERDADEIRA ISRAEL É UMA IGREJA Como heresias judaicas contaminam o cristianismo:
Nem todas as formas heréticas do Cristianismo judeu, contudo, manifestaram esse dualismo, Ireneu relatou que “os que são chamados de ebionitas concordam [com a ortodoxia judaica e cristã] de que o universo foi criado por Deus” (Iren. Her. 1.26.2). O ponto em que eles divergiam da ortodoxia cristã era em sua percepção de Cristo. De acordo com Orígenes, havia “duas seitas ebionitas, a primeira confessa, como nós o fazemos, que Jesus nasceu de uma virgem, a outra sustenta que ele não nasceu desse modo, mas como os outros homens” (Or. Cels. 5.61). A primeira dessas seitas parece ter sido pelos cristãos ortodoxos de origem judaica, mencionados antes que continuavam a observar as regulamentações das leis mosaicasmesmo depois de aceitarem Jesus como o messias e a filiação divina de Jesus Cristo; parece provável que eles pensassem de maneira idêntica aos “nazarenos”. O segundo grupo de ebionitas ensinava que Jesus, embora tivesse nascido como os outros homens, foi eleito para ser filho de Deus e que em seu batismo Cristo, um arcanjo desceu sobre ele, como fez com Adão, Moisés e outros profetas (Epif. Haer. 30. 16.3-4). Jesus também não era nada além de um “verdadeiro profeta” (Iren. Her. 1.26.1). A distinção entre Jesus é Cristo também foi usada por Cerinto e era simbolizada em vários sistemas Cristãos gnósticos, mas parece que entre os ebionitas tinha de refletir o ensinamento essênio. Além disso, os hereges ebionitas “usavam o evangelho só de acordo com Mateus e reputiavam o apóstolo Paulo, sustentando que ele era um apóstata da lei” (Iren. Her. 1.26.2; Tert. Presc.33.5). O nome deles, ao contrário do que pensavam alguns pais da igreja, não parece derivar de um fundador chamado Ebion, mas da palavra hebraica para “pobre” (Tert. Carn. 14.5). Os ebionitas podem ter sido descendentes dos essênios que continuaram cristãos depois do ano 70. Oselquesaítas, como os ebionitas consideravam Jesus “um homem como todos os homens” hip. Her. 9.14.1) e um dos profetas; nessa extensão, eles também trazem as marcas das formas heréticas do Cristianismo Judeu. Talvez a ilação mais importante dos pergaminhos do mar morto para a história do desenvolvimento da doutrina Cristã depois do novo testamento é o esclarecimento das conexões entre os sectários do Judaísmo e o começo do Cristianismo Herético. Com a ajuda dessas formas adicionais, estão sendo esclarecidos os aspectos menos familiares da herança Judaica do ensinamento cristão primitivo e começa a ser possível verificar de forma mais acurada os vários relatos dos pais da igreja sobre a influência das ideias judaicas heréticas sobre a teologia cristã herética. Também há influência na direção oposta, à medida que o Mandeísmo e outras espécies de Judaísmo herege absorveram elementos da heresia cristã; e, assim, aconteceu que tanto a heresia judaica quanto a cristã contribuíram para a origem do islamismo. Nas tendências predominantes do Cristianismo ortodoxo, todavia, a herança Judaica continua visível de outras maneiras. O crescimento das estruturas culturais, hierárquicas e éticas do Cristianismo levou à cristianização de muitas características do Judaísmo. Embora, boa parte desse crescimento não pertença diretamente a história do desenvolvimento da doutrina, ele é importante por causa dessa “re-judaização” do Cristianismo. Justino argumentou que uma das diferenças entre a antiga aliança e a nova era de que o sacerdócio tinha sido substituído e “nós [a igreja como um todo] somos a verdadeira raça de sumos sacerdotes de Deus”(Just. Dial.116.3). No próprio novo testamento, o conceito de “Sacerdote” refere-se aos Levitas do antigo testamento, agora obsoletos, ou a Cristo ou a toda a igreja —– e não ao presbítero ordenado pela igreja. Mas Clemente, que também foi o primeiro a usar o termo “laico [laikos, grego]” (1Clem. 40.5), já falou de “sacerdotes” e do “sumo sacerdote” (1Clem. 32, 2; 40,5) e relacionou de forma relevante esses termos com o sacerdócio Levítico (Didq. 13.3; Hip.trad. ap. 3); um paralelo semelhante aconteceu no Dia e em Hipólito. Para Tertuliano, o bispo já era “o sumo pontífice” (Tert. Bat. 17.1); e para seu discípulo, Cipriano, era totalmente natural falar de um sacerdócio cristão (Cipr. Ep. 63.19). E também na época do tratado de Crisóstomo, sobre o sacerdócio, parece que passara a ser aceita a prática de se referir a Arão e Eli como exemplos e advertências para o sacerdócio da igreja cristã (Cris. Sac. 4.1.357). Crisóstomo também falou do “senhor ser sacrificado e deitado sobre o altar, e o sacerdote orar pela vítima de pé” (Cris. Sac. 3.4.177), resumindo a linguagem sacrificial sobre a eucaristia, que também passara a ser uma prática aceita. Portanto, os apóstolos também foram representados como sacerdotes (Epif. Her. 29.4.4)
















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