A Verdadeira Israel de Deus é a Igreja (PARTE VIII)
A VERDADEIRA ISRAEL É A IGREJA O verdadeiro povo de Deus
A questão da re-judaização não indica nenhuma recuperação de associação próxima entre o judaísmo e a teologia cristã; ela, ao contrário, mostra quanto a doutrina cristã se libertou de suas origens Judaicas e quão livre ela se sente para se apropriar de termos e conceitos da tradição judaica a despeito de seu anterior desprezo por elas. Agora que os teólogos cristãos não estavam mais obrigados a se envolver em diálogos sérios com o Judaísmo, eles conseguiram seguir seu próprio caminho cristão na formulação das declarações universais do Cristianismo. Não só as escrituras Judaicas e o sacerdócio Levítico,mas também outras prerrogativas e reinvindicações do povo escolhido foram transferidas de forma consistente para a igreja — prática que era tanto um indicador como a causa de isolamento do pensamento cristão gentio do Judaísmo contemporâneo com ele mesmo, bem como do Cristianismo judeu do qual viera originalmente.
A igreja, portanto, era a herdeira das promessas e prerrogativas dos Judeus. “Da mesma maneira como Cristo é ISRAEL e Jacó, também nós que fomos tirados das entranhas de Cristo somos a verdadeira raça israelita”, a “terceira ISRAEL” falada em Isaías (Just. Dial. 135.3); (Just. Dial. 123.5). Da mesma maneira, a igreja, agora, era “a sinagoga de Deus” ( Iren. Her. 3.6.1), “Os que crêem” em Cristo se tornaram “uma alma, e uma sinagoga e uma igreja” ( Just. Dial. 63.5). A igreja, não a antiga Israel, tinha o direito de chamar Abraão de pai, de se intitular “o povo escolhido” (Just. Dial. 119.5) e de esperar herdar a terra prometida. Nenhum título para a igreja no Cristianismo primitivo é mais abrangente que o termo “o povo de Deus”, que originalmente significava “a nova Israel”, mas , aos poucos, perdeu essa conotação à medida que a declaração cristã de ser o único verdadeiro povo de Deus não precisar ser mais confirmado.
Essa apropriação das escrituras Judaicas e da herança de Israel ajudou o cristianismo a sobreviver à destruição de Jerusalém e a argumentar que Jerusalém, com a vinda de Jesus Cristo, tinha servido seu propósito no plano divino e podia ser abandonada (Iren. Her. 4.4.1). Ela também capacitou o cristianismo a declarar uma afinidade com a tradição não judaica, bem como a judaica e a formular doutrinas, como a da trindade, em uma base mais inclusiva que a fornecida só pelo monoteísmo judaico. Essas e outras vantagens foaram citadas pelos defensores do Cristianismo contra o judaísmo; o empobrecimento, acarretado pela suposição de que a igreja cristã, no antigo testamento e nos elementos judaicos do novo testamento, teve tanto da tradição do Judaísmo quanto necessitaria.
















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