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A VITÓRIA DA TEOLOGIA CRISTÃ SOBRE A FILOSOFIA GREGA

27 de jan. de 2018
3 min de leitura

A VITÓRIA DA TEOLOGIA CRISTÃ SOBRE A FILOSÓFIA GREGA

A vitória da doutrina cristã sobre o pensamento clássico, em alguma extensão, foi uma vitória muito cara, pois a teologia que triunfou sobre a filosofia grega continuou a ser modelada desde essa época pela linguagem e pelo pensamento da metafísica clássica. Por exemplo, o quarto concílio de latrão, em 1215, decretou que, “no sacramento do altar[…], O pão é transubtanciado no corpo de [Cristo] e o vinho em [seu] sangue”, e o concílio de Trento declarou , em 1551, que o uso do termo “Transubstanciação” era “adequado e apropriado”. A maioria das exposições teológicas do termo “Transubstanciação”, começando já no século XIII, interpreta “substância” com base no sentido dado a esse termo por essas discussões clássicas como do quinto livro de metafísica, de Aristóteles; assim, poderia parecer que o termo Transubstanciação está atado à aceitação da metafísica Aristótelelica ou até mesmo a da física Aristótelelica.

Contudo, o uso do termo “substância” para a discussão da presença eucarística é anterior à redescoberta de Aristóteles. No século IX, Ratramo falou de substâncias visíveis, mas invisíveis, e seu oponente Radberto declarou que”nas substâncias do pão e do vinho o mesmo corpo e sangue de Cristo é misticamente consagrado. Até mesmo o termo “Transubstanciação foi usado durante o século XII em um sentido não técnico. Essa prova empresta credibilidade ao argumento de que a doutrina da Transubstanciação, conforme codificado pelos decretos do quarto concílio de Latrão e de Trento, não canonizaram a filosofia Aristótelelica como indispensável para a doutrina cristã. Mas se ela, em princípio, faz isso ou não; faz, com certeza, em efeito; da mesma maneira como a lei natural é equacionada com uma formulação eclesiástica em particular do que deve ser natural, portanto a substância veio a ser definida conforme uma teologia filosófica específica a define.




O CRISTIANISMO FOI HELENIZADO?

A Transubstanciação é um caso individual do que é denominado o problema da “helenização do Cristianismo”. A acusação de que o oponente teológico de alguém subordina a verdade da revelação divina à filosofia dos gregos é comum nana história das polêmicas teológicas . O pequeno labirinto, provavelmente escrito por Hipólito, atacava o adocionismo de Teodoto e de Artemom porque, entre outros erros, esses heréticos tinham desertado das sagradas escrituras e Deus (ap. Eus. H.e 5. 28.13-14) e conferiram a eles mesmos o estudo de Euclídes e Aristóteles; e Nestório acusou seus oponentes do século V de controvérsias cristológicas de ser “desviados pela mentalidade dos gregos” (Nest. Ep. Cir. 2.7). A acusação voltou a aparecer nos ataques dos reformadores sobre o escolasticismo medieval, mas foi nos tempos modernos que a ideia de dogma como helenização do Cristianismo passou a ser uma explicação amplamente propagada do desenvolvimento da doutrina cristã primitiva. O termo “helenização”, tomado como se apresenta, é muito simplista e desqualificado para o processo que resulta na doutrina cristã, em sua linguagem e, às vezes, em suas idéias, ainda carrega as marcas de sua luta para entender e subjugar o pensamento pagão, para que as gerações seguintes da igreja (incluindo gerações que ignoravam a antiguidade) herdassem o dogma da igreja incluindo também mais um pouco de filosofia grega, sem dúvida, houve a vitória sobre o pensamento clássico, mas a vitória pela qual alguns teólogos cristãos estavam dispostos a pagar um preço bem alto.

Eles de várias maneiras, afirmam a tese de que Cristo veio como revelador da verdadeira filosofia, antiga e ainda nova, como correção e também o cumprimento do que a mente filosófica já tinha apreendido. Essa tese recebeu sua exposição mais autoritativa nas apologéticas de Clemente de Alexandria. Este, como outros apologistas, é representado como um HELENIZADOR completo que adaptou à fé cristã para se ajustar às pressuposições de uma filosofia estranha porque”a tradição da igreja era uma coisa estranha para ele tanto em sua totalidade quanto em cada detalhe” (Harnack 1931), daí, seus escritos serem interpretados como exclusivamente, apologético no intento. Mas o tema predominante de sua autoria foi, o problema de treinar sabiamente o imaturo na doutrina cristã e na vida cristã. Mas Clemente na obra exortação aos gregos, dirigiu um apelo aos seus colegas filósofos para completar de mundo aceitando Cristo(H.Chadwik, 1966). Ele denominou o que eles tinham aprendido a respeito da natureza suprema da realidade de pequena centelha , capaz de ser apagada na chama, um traço de sabedoria e um impulso de Deus (Clem.str. 6.17.149.2). Ele reprovou-os por estarem satisfeitos com a percepção religiosa que pintava a divindade como suas religiões a pintavam, enquanto a percepção filosófica deles tinha excedido em muito essas imagens imperfeitas. A representação de Zeus

era “uma imagem de uma imagem”, mas a verdadeira imagem de Deus estava no logos; portanto, a autêntica “imagem da imagem” (Clem. Prot. 10.98.4)

 
 
 

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