AS MENTIRAS PROTESTANTES SOBRE A EXPLORAÇÃO ESPANHOLA NO MÉXICO E PAÍSES VIZINHOS

AS MENTIRAS PROTESTANTES SOBRE A EXPLORAÇÃO ESPANHOLA NO MÉXICO E PAISES VIZINHOS Vamos ver em um trecho da obra de Diane Moczar, algumas referências dos puritanos, palavras, como, índio bom é índio morto. A mentira: os exploradores espanhóis do Novo Mundo foram cruéis e gananciosos. Ao cumprir as ordens de seus mestres católicos, eles trouxeram miséria incalculável aos pacatos nativos do continente americano. Chegamos aqui a um mito que exemplifica como as mentiras históricas geralmente são motivadas por uma combinação de objetivos. A “Lenda Negra” conta que os espanhóis foram um povo cruel e brutal, o que é provado pela maneira como trataram as tribos americanas no século XVI, 0 fato de os conquistadores serem católicos os torna ainda piores; eles e seus missionários reprimiram brutalmente a religião e cultura de povos altamente civilizados como os astecas, levando-os à morte, doença e escravidão, enquanto lhes ensinavam um cristianismo pela violência e imposição. Este conto histórico foi originalmente produto de propaganda política inglesa e holandesa, motivada pelo nacionalismo e pela rivalidade colonial no Novo Mundo, tal como pelo fanatismo religioso dos reformistas protestantes. Até recentemente, a maioria dos livros didáticos ingleses e americanos, desde a escola elementar até a faculdade, incluía algumas versões da Lenda Negra. Por exemplo, na edição de 1996 da obra The American National History of the United States, do professor John A. Garraty, da Universidade de Columbia, lemos que os conquistadores espanhóis “formaram seu império arrancando-o de mãos inocentes; sob aspectos importantes, a colonização da América está entre os piores exemplos de covardia da história humana”. Alguns anos antes, em 1959, um atlas popular informava aos jovens leitores que a economia colonial inglesa dependia da pesca e da agricultura, ao passo que os espanhóis preferiam “a mineração, a pecuária e a escravidão” – a afirmação é ilustrada pela imagem de um espanhol segurando um chicote e açoitando escravos. Segundo esse Atlas, não havia agricultores nas colônias espanholas e, nas inglesas, não havia escravos. No mesmo ano, leitores do Saturday Evening Post, podiam ler as mentiras saboreando como uma verdade, aprendiam que os colonizadores espanhóis haviam deliberadamente infectado os indígenas com varíola para exterminá-los. A situação historiográfica começou a mudar recentemente, em razão do trabalho de alguns historiadores bem preparados que desafiaram a Lenda Negra e conduziram uma bem-vinda revisão desse velho conto. Novos estudos sobre as origens, o crescimento e a disseminação da lenda mostram como a atitude dos anglo-saxônicos não apenas distorceu nossa visão da História como também deteriorou a relação dos estadunidenses com os países sul-americanos. O foco deste texto é como a lenda relata as conquistas espanholas no Novo Mundo. Primeiramente, discutirei o caso do envolvimento espanhol no México, já que para os americanos o México é mais conhecido que as outras colônias da América do Sul. 0 cenário histórico da Lenda Negra Após a expulsão final dos mouros da Espanha por Fernando e Isabel, em 1492, da unificação do país e da criação de uma monarquia central forte, a Espanha entrou na sua era de ouro. As descobertas de um obscuro velejador genovês, cujas expedições Isabel financiara naquele mesmo ano decisivo, revelariam um desconhecido continente para a colonização espanhola e forneceriam uma quantidade de metais preciosos e outras riquezas nunca antes vista pelos espanhóis. A Espanha alcançaria grande prosperidade, poder e prestígio na Europa, Mais ao norte, a Inglaterra, outrora o poder marítimo dominante, estava irritada com o aparecimento desse novo rival e seu sucesso no Novo Mundo e não poupou esforços para reivindicar seus direitos nas terras americanas. Infelizmente, para os navegantes ingleses, não havia minas de ouro na Nova Escócia; o melhor que conseguiram em suas expedições anteriores foi a descoberta de bons locais para pesca, Com o desdobrar do século XVI, os pontos de atrito entre as potências do sul e do norte aumentaram. No final do século, Espanha e Inglaterra eram rivais no comércio, nas colônias, na política e na religião; na segunda metade daquele século, os governantes Felipe II e Elisabete I haviam se tornado inimigos implacáveis. Felipe Fora casado com a meia-irmã de Elisabete, Maria Tudor. Durante seu breve reinado de cinco anos, Maria Tudor foi a única governante legítima e católica depois de Henrique VIII. Elisabete, criada como protestante, havia prometido a Felipe e Maria que quando subisse ao trono permitiria que o catolicismo continuasse a prosperar na Inglaterra. Entretanto, quebrou essa promessa logo após a morte de Maria. Tornou-se rainha e, rapidamente, instituiu uma terrível perseguição aos não anglicanos. Aos olhos de Felipe e da maioria da Europa, Elisabete não era sequer a verdadeira soberana da Inglaterra porque era a filha ilegítima de Henrique e Ana Bolena – e porque Maria Stuart, rainha católica da Escócia, tinha direitos de reivindicar o trono (0 que revela a razão pela qual Elisabete mandou decapitá-la quando teve a oportunidade). Felipe havia decidido apoiar Maria. “Preste bem atenção nesse período da história, veja que as colônias inglesas eram uma frustração econômica e de recursos naturais, o sucesso dos EUA hoje, se deu por conta de muita sabotagem e exploração das colônias espanholas e portuguesas”. Além dessa rixa política, Elisabete levava a cabo a odiosa conduta diplomática de enviar piratas para depredar colônias e navios espanhóis. Esses piratas, os famosos “Cães do Mar” eram recompensados por seus feitos heroicos, que envolviam saquear, assassinar e escravizar colonos espanhóis no Caribe, na Flórida e em outros locais, e confiscar os navios espanhóis carregados de tesouros. A rivalidade religiosa entre Elisabete e Felipe era inexorável e afetou suas respectivas posições políticas na Europa. Felipe tornou-se o grande defensor do catolicismo perante a difusão do protestantismo, enquanto Elisabete apoiava a causa protestante em todo lugar, por razões políticas e religiosas. Felipe foi também um dos grandes defensores católicos do Ocidente contra os ataques ameaçadores dos turco-otomanos à Europa, ataques por terra e mar. A Inglaterra, por outro lado, mantinha alianças comerciais com os turcos, tal como fizeram vários reis católicos franceses. Isso significa que, quando os confrontos reais sérios entre o Ocidente e os turcos ocorreram, os dois mais poderosos Estados do norte mantiveram-se neutros – a menos que se leve em conta a força simbólica enviada pela França para socorrer Viena, em 1683, um tanto tarde naquela situação.
















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