CATÓLICOS DEVEM PEDIR PERDÃO PELA INQUISIÇÃO?

CATÓLICOS
DEVEM PEDIR DESCULPAS PELA INQUISIÇÃO?
É importante ter em conta que o desejo de “purificar nossa memória”, como ensinava o João Paulo II a seus filhos, não é algo que deve ser entendido apenas no sentido de reconhecer nossos erros no passado, mas também, como recordava o Cardeal Cottier, de “purificar nossa imagem do passado dos erros promovidos pela propaganda”. Não raro os católicos foram confundidos com certas opiniões e afirmações — muito discutíveis — de certos teólogos e prelados sobre alguns fatos, como se estas constituíssem uma espécie de “Dogma de fé”, aumentando dessa forma o sentimento de culpa dos católicos. surgem imediatamente perguntas com estas em quem devemos acreditar? Como sabemos em que acreditar?
Explica-o bem o doutor camponneto, junto a V. Eduardo Ordonez, fazendo uma importantíssima distinção na qual sempre existiu em suas publicações, e que agora aplica citando o documento memória e reconciliação: deve-se precisar o sujeito adequado que deve pronunciar-se a respeito das Culpas passadas(…). Nesta perspectiva, é oportuno ter em conta, ao reconhecer as culpas passadas e indicar as figuras atuais que melhor poderiam responsabilizar-se por elas, a distinção entre magistério e autoridade da Igreja: nem todo ato de autoridade tem valor de Magistério, pelo que um comportamento contrário ao evangelho por parte de uma ou mais pessoas investidas em autoridade não tem por si mesmo uma implicação do carisma magisterial (…) e não requer portanto nenhum ato magisterial de reparação.
Concluem finalmente estes experientes pensadores católicos que “é falso que a igreja tenha pedido perdão a seus adversários e não a Deus; que tenha renunciado seu passado de glórias e triunfos da fé, que tenha negado a seus Santos e a seus heróis, que tem aceitado as mentiras históricas elaboradas por seus difamadores e de detratores”; em suma, é falso que este meia culpa seja um novo Dogma, uma resolução ex cathedra ou uma retratação do magistério. É falso, inclusive, que toda palavra ou conduta de uma autoridade eclesiástica deva ser tomada como docente, incluindo as palavras e condutas dos intérpretes ou aplicadores deste pedido de perdão.
Não se pode deixar de ressaltar que é um dever ineludível e irrenunciável, não apenas de todo católico, mas de todo homem racional de boa vontade, a busca insistente da Verdade, rechaçando as simplificações, assim como a credulidade excessiva e conformista, tão característica destes tempos.
A este respeito, apontava o Cardeal e Arcebispo de Bolonha, Giacomo Biffi:
Uma vez assimilada estas anotações, digamos assim, de “eclesiologia Sobrenatural e natural”, a pessoa não pode eximir-se de analisar a questão de forma mais concreta: faz-se portanto necessário examinar a credibilidade do que em geral se diz e se escreve sobre a igreja. É preciso averiguar a verdade, salvá-la das alterações, proclamá-la e honrá-la, Qualquer que seja a forma como se apresenta e a fonte da informação. Mais de uma vez, São Tomás de Aquino nos ensina que (“qualquer verdade seja quem for que a diga vem do Espírito Santo”); e seria suficiente esta situação para observar a invejável amplidão de espírito que caracterizava os mestres medievais.
De modo recíproco, é também necessário dizer que as falsidades, as manipulações e os erros devem ser desmascarados e Condenados, qualquer que seja a pessoa que os proponha e por mais ampla que seja sua difusão(…). Se recebo um golpe na face direita, a perfeição evangélica propõe-me oferecer à esesquerda. Porém se se atenta contra a verdade, a mesma perfeição evangélica obriga-me a consagrar-me para restabelecê-la: pois ali onde se extingue o respeito a verdade, começa a fechar-se para o homem qualquer caminho de salvação”.
E finalizando sua notável exortação, diz: “Já é hora de que nos demos conta da grande quantidade de opiniões arbitrárias, de deformações substanciais e de autênticas mentiras que pesam sobre a história da igreja”.
Estas palavras, oportunas e esclarecedoras, deveriam ter uma especial significado, particularmente para os fiéis católicos.
















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