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CIDADÃO DA PÁTRIA ILUSTRE – O EPITÁFIO DE ABÉRCIO

9 de abr. de 2018
1 min de leitura



Cidadão de pátria ilustre,


Construí este túmulo


durante a vida,


Para que meu corpo


– num dia –


pudesse repousar.



Chamo-me Abércio:



Sou discípulo de um Santo


Pastor [isto é, Jesus Cristo],


Que apascenta seu


rebanho de ovelhas,


Por entre montes


e planícies.


Ele tem enormes olhos


que tudo enxergam,


Ensinou-me as Escrituras


da Verdade e da Vida



E enviou-me até Roma


para vislumbrar


sua soberana majestade


E ver a Rainha [ou seja, a Igreja]


com vestes e sandálias de ouro:


Lá conheci um povo marcado


com um sinal resplandecente.



Também fui à planície da Síria


E vi cidades – como Nísibe –


para lá do [rio] Eufrates.


Por toda parte encontrei irmãos


E tive Paulo por companheiro.



Por toda parte a fé me guiou


E ela me serviu de alimento


Com um Peixe [a Eucaristia]


de fonte, grande e puro,


Pescado por uma Santa Virgem,


Que o entregava a seus amigos.


Ela possui um vinho delicioso


E o serve misturado com pão.



Eu, Abércio, ditei este texto


E o fiz gravar na minha presença


Aos setenta e dois anos.


O irmão que o ler por acaso


Ore por Abércio.


E ninguém erga


outro túmulo


sobre o meu,


Sob pena de multa:


Duas mil peças de ouro


para o fisco romano


E mil para Hierápolis,


Minha pátria ilustre!



(A inscrição, gravada sobre pedra, foi descoberta, em 1883, pelo arqueólogo protestante W. Ramsay, nas proximidades de Hierápolis – Frígia – e hoje se encontra no museu de Latrão).

 
 
 

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