CIDADÃO DA PÁTRIA ILUSTRE – O EPITÁFIO DE ABÉRCIO

Cidadão de pátria ilustre,
Construí este túmulo
durante a vida,
Para que meu corpo
– num dia –
pudesse repousar.
Chamo-me Abércio:
Sou discípulo de um Santo
Pastor [isto é, Jesus Cristo],
Que apascenta seu
rebanho de ovelhas,
Por entre montes
e planícies.
Ele tem enormes olhos
que tudo enxergam,
Ensinou-me as Escrituras
da Verdade e da Vida
E enviou-me até Roma
para vislumbrar
sua soberana majestade
E ver a Rainha [ou seja, a Igreja]
com vestes e sandálias de ouro:
Lá conheci um povo marcado
com um sinal resplandecente.
Também fui à planície da Síria
E vi cidades – como Nísibe –
para lá do [rio] Eufrates.
Por toda parte encontrei irmãos
E tive Paulo por companheiro.
Por toda parte a fé me guiou
E ela me serviu de alimento
Com um Peixe [a Eucaristia]
de fonte, grande e puro,
Pescado por uma Santa Virgem,
Que o entregava a seus amigos.
Ela possui um vinho delicioso
E o serve misturado com pão.
Eu, Abércio, ditei este texto
E o fiz gravar na minha presença
Aos setenta e dois anos.
O irmão que o ler por acaso
Ore por Abércio.
E ninguém erga
outro túmulo
sobre o meu,
Sob pena de multa:
Duas mil peças de ouro
para o fisco romano
E mil para Hierápolis,
Minha pátria ilustre!
(A inscrição, gravada sobre pedra, foi descoberta, em 1883, pelo arqueólogo protestante W. Ramsay, nas proximidades de Hierápolis – Frígia – e hoje se encontra no museu de Latrão).
















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