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DEFESA DO MÉTODO ESCOLÁSTICO: A MELHOR FERRAMENTA PARA APRENDER A “PENSAR BEM” – J

26 de abr. de 2022
3 min de leitura

O grande problema da pedagogia, em nosso tempo, é sua incapacidade de se renovar de forma adequada, ou seja, fazê-lo de acordo com as demandas exigidas (ou que deviam ser exigidas) por uma realidade complexa como a nossa.

O fracasso do sistema educacional espanhol, tendencioso em sua metodologia e sectário em seus programas, deu no que deu: é visível, dia após dia, o grande número de jovens que terminam seus estudos regulares sem ter conseguido atingir um mínimo de compreensão daquilo que leem, para não dizer a mera articulação de ideias segundo uma ordem racional, ou seja, lógica.

Tanto a hiperfragmentação das narrativas (que repudiam a crua realidade), como uma insalubre tendência de homogeneização (em ruptura com os sólidos padrões de compreensão do passado), tornam a percepção do mundo uma experiência dolorosa, quando não insana, diante do turbilhão de imundície e feiura que são moeda corrente no mercado pós-moderno.

A grande conquista dos tecnocratas da Nova Ordem não foi outra senão a destruição gradual das mentes dos alunos. Diante da crise de valores, que está arrastando e sacudindo o Ocidente, valeria a pena repensar seriamente se as melhores soluções não passariam pela volta aos modelos cognitivos de trinta anos atrás. No caso espanhol, o desastroso LOGSE deu o golpe de misericórdia a um sistema que, até então, era no mínimo eficiente para as necessidades da vida cotidiana. Hoje, no entanto, o sistema não consegue mais que “fabricar” desajustes sociais e outras excrescências (que não podem ser assimiladas por uma mente íntegra moldada pelo sistema educacional tradicional).

Diante de todos esses fiascos e deserções, os grandes mestres do pensamento medieval nos oferecem soluções para sair desse atoleiro (não seria fora de propósito olhar mais uma vez para o Vale do Silício, central telefônica onde a elite mundial do conhecimento põe em prática os mais conservadores métodos de aprendizagem para seus eleitos…) É urgente, em suma, abolir o império das “imagens” não-significativas e reabilitar o mais rapidamente possível o método escolástico: só ele pode proteger-nos da atual farsa pedagógica, que torna impossível, às novas gerações, o simples exercício do pensamento; com efeito, o lema do método escolástico sentenciava que “Pensar é um ofício cujas leis são minuciosamente fixadas”.

Para chegar a essa afirmação, o método parte das premissas de que a filosofia é uma ciência apoiada em uma linguagem própria, além do fato de que o conhecimento se baseia na demonstração: é preciso conhecer as leis da discussão e da inferência, e saber como aplicá-las à realidade, para que não permaneçam mera astúcia verbal. Em plena época de dissolução paranoico-narcísica, relativismo grosseiro e personalismo inerte, o método escolástico propõe uma espécie de rigorosa ginástica intelectual dentro da sala de aula. Para sistematizar esse plano de estudo, o método consolida a compreensão da realidade pela apreensão da linguagem (já se sabe que o homem é homem enquanto animal linguístico).

A correta utilização do método, no sistema escolar, pressupõe pelo menos três fases, a saber:

I) Lectio ou leitura do texto pelo professor. Esta leitura tem três níveis: a) gramatical; b) a explicação do significado do texto; e c) o aprofundamento do sentido do texto;

II) Disputatio ou discussão, que permite ir além da primeira compreensão do texto, apontando novos problemas (que por sua vez são também discutidos);

III) Determinatio: ao final da discussão, o professor contribui com a sua solução.

Deixaremos de lado a disputatio de quodlibet (disputas públicas duas ou três vezes por ano).

Pelas suas enormes riquezas e perfeições intrínsecas, o método escolástico marcou a idade de ouro do pensamento ocidental e trouxe consigo grandes progressos, tanto na ordem cognitiva, como na da lógica e na da filosofia da linguagem.

O melhor da Europa, quando esta se autodenominava “Cristandade”, surgiu da perfeita integração entre Razão e Fé: exercício preciso e justo do “bem-pensar”, que é uma total e dolorosa antítese do nosso presente fatídico, dirigido por efêmeros sofistas, inimigos jurados da Cristandade e do íntegro.

 
 
 

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