Deus existe? O argumento moral.
Atualizado: 26 de mai. de 2022
O argumento moral
Depois do argumento cosmológico e do ajuste-fino, vamos analisar agora o argumento moral.
As raízes do argumento moral a favor da existência de Deus são encontradas em Romanos 2:12-15, onde o Apóstolo Paulo fala que a humanidade é indesculpável porque tem a “lei escrita no coração”.
O argumento moral em minha opinião é um dos melhores sobre a existência de Deus, pois ele nos mostra que se Deus não existir, não temos como possuir valores morais absolutos, caindo então no relativismo. O relativismo tem se espalhado como um câncer na sociedade, quem nunca ouviu a famosa frase “Isso é verdade para você, não para mim”, ou “não existe um padrão moral, cada um faz o que traz felicidade.” O relativismo prega que não existe nada moralmente errado ou certo, no fundo, tudo acaba sendo uma questão de preferências.
Para os relativistas, a moralidade varia de acordo com a cultura, tempos e influências sociais, a moralidade não transcende a sociedade, mas muda constantemente com ela.
Um erro comum dos relativistas é confundir comportamento e valor, ou seja, eles confundem aquilo que é com aquilo que deveria ser. O que as pessoas fazem está sujeito a mudanças, mas aquilo que deveriam fazer, não. Essa é a diferença entre sociologia e moralidade. A sociologia é descritiva; a moralidade é prescritiva.
Vamos mostrar que o relativismo é um tremendo absurdo, e que na verdade nem mesmo o relativista acredita de fato naquilo que diz. Citando C.S Lewis, que nos seus tempos de ateísmo, foi desafiado pelo argumento moral. “ os homens são assombrados pela ideia de um padrão de comportamento que se sentem obrigados a pôr em prática, o qual se poderia chamar de conduta leal, decência, moralidade ou Lei Natural.”[1]
Em outras palavras, todo mundo sabe que existem obrigações morais absolutas. Uma obrigação moral absoluta é alguma coisa que é ordenada a todas as pessoas, em todos os momentos, em todos os lugares. Uma lei moral absoluta implica o Criador de uma lei moral absoluta.
Toda vez que argumentamos sobre o certo e o errado, apelamos para uma lei superior da qual, assim supõe-se, todos estão conscientes, à qual aderem e não são livres para mudar arbitrariamente. O certo e o errado implicam um padrão ou lei mais elevado, e a lei exige um legislador. Porque a lei moral transcende a humanidade, essa lei universal exige um legislador universal. Isto é, Deus.
Nós fazemos muitos julgamentos de maneira inconsciente, e nem percebemos que necessitamos de um padrão para fazer julgamentos. Por exemplo, quando dizemos que o João é alto, seria alto em relação a alguma coisa, nós o comparamos com outra coisa ou pessoa, temos um padrão de altura pelo qual dizemos que João é superior.
Ninguém poderia dizer o que seria uma linha torta se não soubesse o que é uma linha reta.
Todos nós nos sentimos indignados quando ouvimos que uma criança foi abusada, logo temos certeza que o ato é errado e clamamos por justiça. E porque isso ocorre? Porque sabemos que isso é errado, ninguém precisa nos dizer. Não interessa a sociedade que você vive, abuso infantil sempre foi e sempre será errado, não importa se digam ao contrário. Mesmo se todo mundo disser que 2+2=5, isso não muda o fato real que 2+2=4.
Existe um padrão de valores morais universal, que são valores que todas as sociedades da história perceberam ao longo dos séculos. Por isso não se trata de crer em Deus para ser bom ou não, não é sobre crer em Deus, mas sobre sua existência. Deus é o padrão, sua natureza é a perfeição de bondade, amor e justiça. Então mesmo sem crer em Deus, pode-se ser uma boa pessoa, mas se Deus não existir, quem define o que é bom?
Como disse o autor russo Dostoievski: “Se Deus não existe, tudo é permitido.”[2]
Para ilustrar veja essa história:
O professor, que estava lecionando um curso de ética, pediu um trabalho de final de semestre a seus alunos. Ele disse que os alunos deveriam escrever sobre qualquer aspecto ético de sua escolha, pedindo apenas que cada qual respaldasse adequadamente sua tese com justificativas e provas autênticas.
Um dos alunos, ateu, escreveu de maneira eloquente sobre a questão do relativismo moral. Ele argumentou da seguinte maneira: “Toda moralidade é relativa; não existe um padrão absoluto de justiça ou retidão; tudo é uma questão de opinião: você gosta de chocolate, eu gosto de baunilha’ e assim por diante. Seu trabalho apresentou tanto suas justificativas quanto as provas comprobatórias exigidas. Tinha o tamanho certo, foi concluído na data e entregue numa elegante capa azul.
Depois de ler todo o trabalho, o professor escreveu bem na capa: “Nota F; não gosto de capas azuis!”. Quando recebeu seu trabalho de volta, o aluno ficou enraivecido. Foi correndo até a sala do professor e protestou:
— “Nota F; não gosto de capas azuis!”. Isso não é justo! Isso não é certo! Você não avaliou o trabalho pelos seus méritos!
Levantando a mão para acalmar o irado aluno, o professor calmamente respondeu:
— Espere um minuto. Fique calmo. Eu leio muitos trabalhos. Deixe-me ver … seu trabalho não foi aquele que dizia que não existe essa coisa de justiça, retidão, correção?
— Sim — respondeu o aluno.
— Então que história é essa de você vir até aqui e dizer que isso não é justo,
que não é certo? — perguntou o professor. — Seu trabalho não argumentou que tudo é uma questão de gosto? Você gosta de chocolate, eu gosto de baunilha? — Sim, essa é a minha ideia.
— Então, está tudo certo — respondeu o professor. Eu não gosto de azul.
Sua nota é F!
De repente, surgiu a lâmpada acima da cabeça do aluno. Ele percebeu que, na realidade, acreditava nos absolutos morais. Acreditava pelo menos na justiça. Além do mais, estava acusando seu professor de injustiça por dar-lhe uma nota F baseando-se apenas na cor da capa. Esse fato simples destruiu toda a sua defesa do relativismo.[3]
A moral da história é que existem absolutos morais. Se você realmente quer que os relativistas admitam isso, tudo o que precisa fazer é tratá-los de maneira injusta. Suas reações vão revelar a lei moral escrita no coração e na mente deles. Na história, o aluno percebeu a existência de um padrão absoluto de retidão por meio da maneira pela qual ele reagiu ao tratamento do professor. Da mesma maneira, posso não considerar que roubar é errado quando roubo de você. Mas veja quão moralmente ultrajado me sinto quando você me roubar.
A moralidade só pode existir se Deus existir, sem Deus não existe padrão de certo ou errado.
Se Deus não existisse, porque seria errado matar? Torturar? No reino animal não existe moralidade. Um leão não é imoral quando ataca e mata uma zebra, mas porque se nós atacarmos e matarmos uma pessoa inocente é errado?
Até mesmo quando o ateu diz que Deus é mal, ele inconscientemente admite uma padrão moral pelo qual faz seu julgamento.
Em sua época de ateísmo C.S Lewis se questionou:
“ meu argumento contra Deus era que o Universo parecia cruel e injusto demais. Mas de que modo eu tinha esta ideia de justo e injusto? Um homem não diz que uma linha está torta até que tenha alguma ideia do que seja uma linha reta. Com o que eu estava comparando este Universo quando o chamei de injusto? ”[4]
Como já afirmei, sem um padrão pelo qual medir as coisas, os valores como justo, injusto, certo e errado se tornam questão de opinião pessoal, e nenhuma opinião vale mais do que a outra.
Se a lei moral não existe, então não existe diferença moral entre o comportamento de Madre Teresa de Calcutá e o de Hitler. Do mesmo modo, afirmações como ”Assassinar é um mal”, “O racismo é errado” ou “Você não deve abusar de crianças” não possuem significado objetivo. São simplesmente as opiniões de alguém, expostas ao lado de declarações como “O gosto do chocolate é melhor que o da baunilha”. De fato, sem a lei moral, termos simples carregados de valor como “bom”, “mau”, “melhor” e “pior” não teriam significado objetivo quando fossem usados no sentido moral. Mas nós sabemos que possuem significado. Quando dizemos, por exemplo, “A sociedade está melhorando” ou ”A sociedade está piorando”, estamos comparando a sociedade a algum padrão moral que está além de nós mesmos. Esse padrão é a lei moral que está escrita em nosso coração.
Em resumo, acreditar no relativismo moral é argumentar que não existem diferenças morais verdadeiras entre liberdade e escravidão, igualdade e racismo, cuidado e abuso, amor e ódio, ou vida e homicídio. Todos nós sabemos que tais conclusões são absurdas. Desse modo, o relativismo moral deve ser falso. Se o relativismo moral é falso, então existe uma lei moral objetiva, existe o criador dessa lei, que é o padrão, esse padrão é Deus.
Os ateus não conseguem explicar a lei moral, pois para eles “existe apenas o material, mas o material não possui moralidade. Quanto pesa o ódio? Existe um átomo para o amor? Qual é a composição química da molécula do homicídio? Essas perguntas não fazem sentido porque partículas físicas não são responsáveis pela moralidade. Se os elementos materiais fossem os únicos responsáveis pela moralidade, então Hitler não teve verdadeira responsabilidade moral por aquilo que fez — ele tinha apenas moléculas. Isso não faz sentido algum, e todo mundo sabe disso. Os pensamentos humanos e as leis morais transcendentes não são coisas materiais, assim como as leis da lógica e da matemática também não o são. Eles são entidades imateriais que não podem ser pesadas ou fisicamente mensuradas. Como resultado, não podem ser explicadas em termos materiais, por meio da seleção natural ou por qualquer outro meio ateísta.”[5]
No final de tudo, o ateísmo não pode justificar por que algo é moralmente certo ou errado. Ele não pode garantir os direitos humanos ou a justiça final do Universo. Para ser ateu — um ateu coerente -, você tem de acreditar que não existe realmente nada de errado com homicídio, estupro, genocídio, tortura ou qualquer outro ato hediondo. Pois se a vida humana não passa de um insignificante aglomerado de moléculas que acidentalmente se formaram, pouco importa que fim leve.
Ramon Serrano
O Caminho
Referências:
[1] Cristianismo Puro e Simples, C.S Lewis. P.21.
[2] Fiodor Dostoiévski, Os Irmãos Karamazov.
[3] Norman Geisler & Frank Turek, Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu p.131
[4] C.S Lewis, Cristianismo Puro e Simples. p.21.
[5] Norman Geisler & Frank Turek, Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu p.140.
















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