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DEUS É ATO PURO

28 de jan. de 2018
4 min de leitura

DEUS É PURO ATO

Parte I

Possuímos várias faculdades e hábitos, que produzem uma grande variedade de ações, e estas uma multidão inumerável de obras. Assim como as faculdades de ver, ouvir, gostar, apalpar, mover-se, alimentar-se, compreender, querer, e os hábitos de falar, andar, jogar, cantar, correr, saltar, nadar são diferentes, assim também as ações e as obras que provém destas faculdade e destes hábitos, são inteiramente diferentes.

não sucede o mesmo em Deus. N’Ele não há senão uma perfeição simples, infinita, e nesta perfeição um ato único e puro; ou para m exprimir mais santa e sabiamente, Deus, sendo uma perfeição única e soberana, também é um ato puro que é a sua própria essência imutável e eterna.

Nós, miseráveis criaturas, falamos das “ações de Deus” como se ele fizesse todos dias muitas e diversas, apesar de sabermos o contrário. somos obrigados a exprimir-nos assim, pela nossa fraqueza, porque não podemos falar das coisas senão como as entendemos, e só podemos entendê-las segundo a forma por que se passam em nós.

Nas coisas naturais as obras são diferentes umas das outras, porque são também diferentes, uma tão grande variedade de produções, e a inumerável multidão de atos do poder divino, parece-nos, à primeira vista, que esta diversidade se dá por tantos atos quantos são os seus diferentes efeitos e nos exprimimos assim, falando segundo o uso e a maneira por que compreendemos as coisas.

E nisto não ofendemos a verdade, porque, embora não haja em Deus diversidade de ações, mas um só ato, que é a própria De, este ato é tão perfeito, que compreende a força e a virtude de todos os atos indispensáveis à variedade dos efeitos que vemos.

Deus disse apenas uma palavra, e, num momento, foram criados o sol, a lua, e a inumerável multidão de astros, com as suas variantes de brilho, de movimento e de influências.

ele disse logo foram feitas todas estas obras são perfeitas.

DEUS É ATO PURO Parte II

( Obra do Santo e doutor da igreja São Francisco de Sales, tratado do amor de Deus)

Com uma só palavra, Deus povoou o ar de pássaros, e o Mar de peixes, fez surgir da Terra as plantas e os animais que nela vemos, porque, embora o historiador sagrado, acomodando-se ao nosso modo de entender, refere que Deus, nos dias da criação do mundo, repetiu muitas vezes Esta palavra onipotente: faça-se, todavia, propriamente falando, Esta palavra foi única, tanto assim que Davi a chama um sopro ou aspiração da boca Divina, Isto é, um só rasgo da sua infinita vontade, derramando tão poderosamente a sua virtude na variedade das coisas criadas, que o julgam multíplice e diversificado segundo a multiplicidade e a diversidade dos Seus efeitos, ainda que realmente seja um único e simples ato.

Do mesmo modo, São João Crisóstomo observa que o que Moisés disse em muitas palavras ao descrever a criação do mundo, o Glorioso São João o exprimiu numa só palavra dizendo que pelo verbo, Isto é, por esta palavra eterna, que é o filho de Deus, tudo foi feito. Esta palavra pois, simples e única, Teotimo, produz a distinção das coisas; invariável; ocasiona as belas variações; e finalmente imutável na sua eternidade, da sucessão, vicissitude, ordem, lugar e oportunidade a todas as coisas.

Imaginemos, ver de um lado, um pintor fazendo a imagem do nascimento do Salvador, (e escrevo isto justamente nos dias consagrados a este mistério) Certamente ele dará milhares de pinceladas e empregará não somente muitos dias, mas muitas semanas e meses a aperfeiçoar Este quadro, conforme a variedade das personagens e outras coisas que ali quer representar. Doutro lado, observamos um impressor de estampas, o qual, tendo colocado uma folha de papel sobre a lâmina gravada com mesmo mistério da Natividade, aperta máquina, e numa única pressão, teotimo, executa tudo ao trabalho, e imediatamente tirará a imagem perfeitamente gravada, representando delicadamente tudo o que pode ser imaginado segundo o texto sagrado.

Apesar deste trabalho ter sido tudo feito com um só movimento, todavia, terá grande número de personagens e de outras coisas diferentes bem distintas umas das outras, cada uma em sua ordem, em sua posição, em seu lugar, em sua distância e em sua proporção, e quem não conhecesse o segredo ficaria surpreendido de ver um só ato produzir tão grande variedades de efeitos.

E assim também, teotimo, a natureza como o pintor, multiplica e varia as suas ações à medida que as suas obras são diferentes, e carece de muito tempo para realizar grandes efeitos; mas Deus, como o impressor, deu o ser a todas as criaturas que existiram, existem e existirão, por um só ato da sua vontade onipotente, tirando da sua mente, como de uma lâmina perfeitamente gravada, esta admirável variedade de pessoas e seres que se sucedem uns aos outros em todas as épocas, em todas as gerações, em todos os séculos, cada um segundo a sua ordem.

Esta unidade soberana do ato divino é oposta a confusão e a desordem, mas não a distinção ou variedade que ela emprega, e que constitui a sua beleza, reduzindo as diferenças e diversidades à proporção e a proporção à ordem, e a ordem à unidade do mundo, que compreende todas as coisas criadas tanto visíveis como invisíveis, as quais todas Reunidas se chamam universo.

Chama-se universo, talvez, porque toda sua diversidade se reduz a unidade, como se se dissesse unidiverso, Isto é, único e diverso, único com diversidade, e diverso com unidade.

Numa palavra, a Soberana unidade Divina diversifica tudo, e a sua permanente eternidade da vicissitude a todas as coisas, porque a perfeição desta unidade dominando a diferença e a variedade das coisas, dá o ser a todas as diversidades das perfeições criadas, que dispõe da força para as produzir. E a prova disto, é o que é escritura refere, (Gn 1,14) que Deus disse do princípio do mundo: façam-se uns luzeiros no firmamento do céu, que dividam o dia da noite, e sirvam de sinais para mostrar os tempos, os dias e os anos. Vemo ainda agora esta revolução Perpétua e a sequência de tempos e de estações que durará até ao fim do mundo, para nos ensinar que assim como:

” uma palavra dos seus mandamentos pasta para todos estes movimentos”

assim também o único querer eterno da sua Divina Majestade, estende a sua força de século em século até a consumação dos séculos, a tudo o que foi, é e será eternamente, sem que coisa alguma possa existir senão por este único, simples, e eterno ato Divino, ao qual só seja honra e glória (1Tm1,17). Amém.

 
 
 

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