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DO CATECISMO AO CATACLISMO – Pe. Santiago Martín

17 de dez. de 2021
3 min de leitura

Pouco depois do fim do Concílio Vaticano II, em 1967, o Episcopado holandês publicou um catecismo que causou um escândalo nos Países Baixos e em grande parte do mundo. Em 1969, na mesma linha, o Conselho Pastoral holandês foi encerrado. Em 1970, Paulo VI escreveu ao Cardeal Alfrink, Arcebispo de Utrecht e principal líder da Igreja na Holanda, que estava perplexo com o conteúdo do catecismo, e que algumas das suas propostas lhe preocupavam seriamente.

O Prefeito da Doutrina da Fé, Cardeal Sepe, escreveu em 1972 que o catecismo holandês nada tinha a ver com a religião cristã e tinha ultrapassado todos os limites do que era tolerável. O Vaticano ordenou que fossem feitas correções no catecismo em aspectos essenciais do mesmo, mas as autoridades da Igreja holandesa se recusaram, e o máximo que se conseguiu foi que um apêndice com estas correções fosse incluído no livro.

Tudo isto já é História. No entanto, desse pó ainda sai esta lama. Nesta semana, foi publicado um estudo sobre a situação da Igreja nos Países Baixos. Em 1970, no auge do liberalismo naquele país, havia 2,7 milhões de católicos praticantes. Até 2030, restarão apenas 63.000. Entre 1970 e 2008, 400 igrejas foram demolidas ou adaptadas para outros usos, 25 das quais foram convertidas em mesquitas. Neste momento, um templo por semana está sendo fechado. Nos próximos anos, 80 por cento das igrejas perderão a sua função religiosa. Até a catedral de Utrecht foi vendida e o seu atual arcebispo, Cardeal Eijk, disse que o catolicismo, nos Países Baixos, está chegando ao fim; de fato, na sua diocese, a maior do país, permanecerão apenas 15 das atuais 280 igrejas.

Teríamos chegado à situação atual sem aquele vendaval revolucionário que tornou a Igreja na Holanda a mais liberal do seu tempo, o modelo e a força motriz do que foi chamado o “espírito do Concílio”?

Estou certo de que a secularização também teria afetado esse país, mas não da mesma forma feroz, atroz e irremediável. O catolicismo está em retiro no mundo ocidental, mas muito do que está acontecendo se deve a uma aplicação do Concílio Vaticano II em clara ruptura com tudo o que vinha antes.

Para muitos (por exemplo, para a chamada “escola teológica de Bolonha”), há um antes e um depois do Concílio, na medida em que o que existiu antes necessita de profunda revisão, a fim de trazer a Igreja atualizada e em sintonia com o mundo. Além disso, segundo essa visão, o Vaticano II não deve ser lido e aplicado em continuidade com os ensinamentos dos quase dois mil anos de História da Igreja, incluindo os Evangelhos, mas em ruptura com eles. O objetivo é construir uma “nova Igreja”, como alguns andam dizendo agora, no contexto do atual Sínodo da Sinodalidade.

O fato é que os resultados da experiência da “nova Igreja” — nos Países Baixos, Bélgica, França, Alemanha, Áustria, Suíça e alguns países da América Latina — são óbvios e não poderiam ser piores. Vão do catecismo ao cataclismo… Nos Países Baixos, 97% dos dois milhões e meio de católicos praticantes foram deixados à margem do caminho. E, apesar dos números escandalosos, eles continuam a insistir que este é o futuro. Se uma força maligna e diabólica quisesse acabar com a Igreja, não encontraria aliados melhores do que estes, que se apresentam como novos messias e chegam ao ponto de repudiar Jesus Cristo, que consideram ultrapassado, antiquado ou simplesmente mais um grande homem, que no entanto não é Deus, e cujos ensinamentos não podem ser considerados nem definitivos nem divinos.

Poderá o barco da Igreja sobreviver a esta “tempestade perfeita”, caracterizada pelos ataques vindos do secularismo e pelas sabotagens internas desta teologia liberal e modernista?

Sim, irá sobreviver. E também nos Países Baixos. Mas apenas restará um remanescente, aqueles 60.000, que não serão exatamente admiradores do catecismo holandês, mas da Palavra de Deus; e não serão adoradores de teólogos que se apresentaram como superiores a Cristo e que negaram a Sua divindade. Serão adoradores do Filho de Deus e filho de Maria, que O proclamarão, no meio da sua pobreza e assediados pelo mundo, como o seu único verdadeiro redentor e libertador.

 
 
 

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