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E SE UM DIA FOSSE REVOGADO O QUINTO MANDAMENTO?

10 de fev. de 2022
3 min de leitura

Será que, um dia, o mundo ainda viverá sob uma espécie de governo mundial? Quem hoje fala nisto, em governo mundial, é tido como um maluco conspiracionista pela maioria das pessoas, correndo sério risco de ser acionado ou até preso.

Ao menos na ficção ainda é lícito delirar um pouco. Combinemos, então, que os parágrafos seguintes são pura especulação ficcional. Não quero ser acionado nem preso.

Imaginemos, então, um dia em que todos os países do planeta, após décadas de esforços da ONU e seus organismos, sejam constrangidos a abrir mão da parte mais significativa de sua soberania nacional para salvar o planeta presumivelmente ameaçado pela degradação ambiental e a superpopulação (mais de nove bilhões de pessoas estariam espalhadas pelos cinco continentes).

Nesse hipotético governo mundial haveria também uma hipotética corte suprema de justiça, algo como o nosso STF em nível global: Supremo Tribunal Planetário, ou STP, como seria carinhosamente chamado pela grande massa populacional distribuída pelo orbe terrestre.

Tanto o governo mundial como sua corte suprema se sediariam nalgum lugar. Na falta de um nome melhor, imaginemos uma Nova Vestfália, uma cidade que seria planejada e construída para esse exato fim. O toponímico seria uma homenagem ao Tratado de Westfália que, em meados do século XVII, na região do norte da Alemanha que levava este nome, conseguiu restabelecer a paz entre as nações europeias, após décadas de guerras e conflitos religiosos. A primeira Vestifália fortaleceu as soberanias nacionais e com isto devolveu a paz ao continente ensanguentado por tantas guerras “cristãs”; a Nova Vestifália, para trazer a paz ao mundo, sepultaria a ideia de nação e pátria, e, com ela, a religião que tanto sangue tinha derramado no Ocidente: o catolicismo.

Pois bem. Continuemos a imaginar. Ainda não é proibido, pois não?

O caso é que hoje me deu vontade de imaginar as coisas mais estapafúrdias, estrambóticas, absurdas mesmo. Já que é absurdo (mas ficcionalmente lícito) fantasiar um possível governo mundial, vamos dar o passo seguinte e imaginar um absurdo e meio: o hipotético Supremo Tribunal Planetário do hipotético governo planetário tomando uma decisão verdadeiramente única e revolucionária na história da espécie humana, devidamente amparada no rigor e nos números da futura Inteligência Artificial: tornaria legal, por período indeterminado, o homicídio doloso, o assassínio intencionalmente cometido, independentemente das causas que o motivassem, justas ou injustas. Ou seja, passaria a ser legítimo matar à vontade, sem restrições de nenhuma espécie.

O argumentos da Corte Máxima, do Supremo dos Supremos, seriam (como seria lógico esperar) copiosa e detalhadamente expostos no jurisdicês próprio dos juízes de sempre, e em mandarim, obviamente, que bem poderia ser a língua oficial do nosso absurdo governo planetário (sobre o protagonismo da China nessa nova ordem mundial seria preciso um delírio à parte, que fica para outro dia).

Quanto ao jurisdicês, nem as décadas futuras nem a Inteligência Artificial poderiam coisa alguma contra o vício supremo dos supremos juízes: continuariam produzindo discursos hermeticamente, estrategicamente fechados. Todos os esforços nesse sentido, gastos por uma provável “central de inteligência artificial”, teriam resultado inúteis.

Opa! Essa “central de inteligência artificial” até que teria uma sigla bem interessante, CIA, que no governo mundial nada teria que ver, evidentemente, com a velha agência norte-americana de informações, mas soaria bem na designação desse que é o verdadeiro cérebro do governo planetário que estamos imaginado: a Inteligência Artificial.

Para consumo popular, seria providenciada uma supersíntese das razões jurídicas da nova lei do assassinato permitido, enviada diretamente aos celulares de quase todos os nove bilhões de habitantes da Terra (só os recém-nascidos não teriam celulares nessa época).

Seria conveniente finalizar esse idiota exercício de imaginação imaginando como as pessoas receberiam, daqui uns quarenta ou cinquenta anos, a notícia da absurda lei e suas injurídicas razões (facilitar o controle populacional do planeta, depois de esgotados todos os meios até então tentados).

Creio que a surpresa não seria tanta: a plena legalização do aborto e da eutanásia, nas décadas anteriores, de certo modo já teriam condicionado mentes e corações para admitir a eliminação do próximo como um fato rotineiro, de grande utilidade pública, fosse um bebê inoportuno ou um velho sanitariamente dispendioso.

 
 
 

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