Ebionismo, o pai teológico do islamismo.

Nesse artigo pretendo falar um pouco sobre a influência do ebionismo sobre o islamismo. Para quem não sabe, ebionismo é um heresia cristã primitiva, derivada de um problema doutrinário do relacionamento entre cristianismo e judaísmo. Inicialmente isto tinha a ver somente com a questão se um cristão deveria seguir a Lei do Velho Testamento ou não. Neste nível, haviam alguns judaizantes moderados, que obedeciam eles mesmos a Lei, mas não tentavam constranger outros a fazer o mesmo; e aqueles de uma posição mais extrema, que não somente seguiam a Lei, mas sentiam que todos os cristãos verdadeiros deveriam fazê-lo. As fontes de nosso conhecimento sobre o Ebionismo são, o testemunho dos antigos escritores anti-heréticos, as traduções do Velho Testamento pelo ebionita Simaco, bem como certas porções da literatura Pseudo-Clementina. A partir destas fontes, é possível reconstruir a teologia ebionita ao menos em suas características principais. Parece que em sua origem, o Ebionismo está relacionado com o Judaísmo Essênio, pois alguns de seus princípios parecem ter sido tomados daquele tipo de Judaísmo – a rejeição de sacrifícios de animais, a doutrina da existência de um princípio do bem e um princípio do mal, embora ambos venham de Deus, e vários detalhes menores. De acordo com os ebionitas, há um princípio do bem e um princípio do mal. O último é o senhor desta era, mas o primeiro governará na era porvir. Enquanto isso, o princípio do bem é revelado neste mundo através de seu profeta, o qual veio em várias encarnações. Adão, Abel, Isaque e Jesus são encarnações do profeta do bem. Mas, desde o tempo de Adão, cada encarnação do profeta do bem é acompanhada por sua contraparte, que serve aos propósitos do princípio do mal. Caim, Ismael e João Batista, são manifestações do princípio do mal, o qual também é chamado de o princípio feminino. Dentro deste sistema de pensamento, Jesus é sobretudo um profeta do princípio masculino, ou princípio do bem. À parte deste Jesus é simplesmente um homem a quem Deus escolheu para proclamar sua vontade. Jesus não nasceu de uma virgem, e foi em seu batismo que ele recebeu do alto o poder que o habilitou a cumprir sua missão. Esta missão não consistia em salvar a humanidade – uma obra que está além das capacidades humanas – mas em chamar a humanidade à obediência da Lei, que foi dada pelo princípio masculino. De fato, a Lei era o âmago da espiritualidade ebionita e, embora eles não oferecessem sacrifícios sangrentos, eles enfatizavam a circuncisão e a observância do Sábado. O Ebionismo nunca foi uma doutrina muito difundida, e parece ter desaparecido quando a igreja tornou-se cada vez mais gentílica e menos judaica. Isto não significa, contudo, que ele não representou um desafio para a igreja dos primeiros séculos. Pelo contrário, o que estava em jogo aqui era a singularidade de Jesus Cristo em contraste com a possibilidade de adaptá-lo de tal modo que ele simplesmente poderia ser sobreposto à antiga religião judaica. De qualquer modo, esta seita, embora pequena, é importante, pois ela pode ter influenciado Maomé, o fundador do Islamismo. Maomé nasceu no ano de 570, na cidade de Meca – região da atual Arábia Saudita –, o fundador da religião islâmica, Maomé (Muhammad, em árabe). Órfão de pai e de mãe desde muito cedo, o menino é educado pelos beduínos e, depois, pelos próprios parentes. Com 25 anos, casa-se com uma viúva, de nome Cadija, cuja visão religiosa provavelmente exerceu forte influência sobre ele, Cadija era ebionita. Após receber suas “visões”, Maomé se sente na missão de espalhar a nova religião ao seu povo, condenando o paganismo de sua tribo. Como não foi muito bem recebido, fugiu para Medina em 622 A.D. Neste ano, que marca o início do calendário islâmico, Maomé decide mudar sua estratégia: ao invés de conseguir prosélitos pacificamente, o profeta começa a implantar o Islão por meio de expedições políticas e militares – leia-se: pelo fio da espada –, de modo que, ainda durante a vida do profeta, toda a Península Arábica foi colocada sob o seu domínio. Sem entrar em detalhes para não alongar muito, o islamismo nada mais é que uma mistura herética entre judaísmo, cristianismo e interpretações gnósticas, ou seja, foi um ebionismo para as massas. Na tentativa de aumentar seu poder, Maomé viu uma forma de agradar cristãos e judeus misturando as duas religiões. Tanto que no islamismo, Moisés, Abraão e Jesus são figuras tidas em alta honra. Mas principalmente sobre Jesus seus erros teológicos são grotescos, além de negar a ressurreição corporal, invalidando todo o processo de salvação, eles negam a crucificação de Jesus, fato que é historicamente muito bem aceito por diversas correntes de historiadores. O islã bebeu na fonte ebionita, suas heresias apenas se desenvolveram com o tempo, a ponto de se tornarem completamente incompatível com o cristianismo (não que o ebionismo fosse) nem mesmo sua ideia de Deus pode ser reconciliada com o Deus cristão, pois são naturezas totalmente opostas.
Enfim, esse artigo foi somente uma breve forma de mostrar o quão absurdo o islamismo é, já que se deriva de uma erro baseado em outro erro. A tentativa de distorcer a verdade e adapta-la para justificar a própria vontade não é nova, muitos já se utilizaram dela. Como diz a Bíblia, são cegos guiando cegos.
Bibliografia:
A Igreja dos tempos bárbaros – Daniel Rops Uma história do Pensamento cristão vol 1- Justo Gonzalez
















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