ENCARNAÇÃO

Somente uma vez, No universo inteiro, O Verbo se fez Carne (e de cordeiro). Foi quando Maria, De graça banhada, Bem-aventurada Pelo Criador, Humilde aceitava Ser a doce escrava Do divino amor. Repleta de graça, Disse a Gabriel: — Em mim que se faça O que manda o Céu. E a moça mais rara, Que não se deitara Com homem nenhum, Humilde entregou Seu corpo ao Senhor, Nosso Pai comum: O Espírito Santo, Que tudo germina, Cobriu-a com o manto Da sombra divina. Desde então, a doce Esposa da Luz Sob o seio trouxe O Cristo Jesus, Cujo sangue veio Daquela Maria Que aleitou no seio A divina cria. No entanto, os que temem Ao Pai, neste exílio, Sabem que este Filho Não nasceu de sêmen, Mas da sombra santa Que, ao cobrir Maria Com divina manta, De Deus a envolvia.
















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