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ESQUIZOFRENIA – Pe. Santiago Martín

7 de abr. de 2022
3 min de leitura

Há alguns dias, a 25 e 26 de Março, realizou-se uma reunião na Loyola University de Chicago para discutir a questão da oposição ao Concílio Vaticano II. Foi assistida por um grupo de bispos e cardeais, juntamente com alguns teólogos. Entre outros, incluíam os Cardeais Cupich, Tobin e Maradiaga e o Arcebispo de San Juan de Porto Rico. A tese era que qualquer pessoa que se oponha ao Papa Francisco é, também, um opositor do Concílio Vaticano II. Embora o dedo tenha sido abertamente apontado àqueles que querem a Missa tradicional, as acusações contra muitos outros permaneceram no ar. E, acima de tudo, muitas questões permaneceram.

O que foi dito, em essência, não foi que aqueles que se opunham ao Concílio se opunham a Francisco, mas que aqueles que se opunham a Francisco se opunham ao Concílio. E aqui surge a questão principal: o que significa opor-se a Francisco? Ou esta outra, igualmente importante: quem se opõe a Francisco?

Vejamos alguns exemplos sobre questões-chave: a aceitação da prática da homossexualidade, o sacerdócio feminino ou a comunhão dos protestantes.

Foi o Dicastério para o Clero que pediu que os homossexuais, que não podiam viver a castidade, não fossem ordenados sacerdotes; e foi o Dicastério para a Doutrina da Fé que emitiu um documento pedindo que os casais homossexuais não fossem abençoados. Os redatores destes documentos, e os seus respectivos superiores imediatos, fazem parte da oposição ao Papa, especialmente desde que o próprio Papa lhes deu a sua aprovação para os publicar?

Foi o Dicastério da Unidade Cristã que se recusou a permitir que os luteranos recebessem a Sagrada Comunhão indiscriminadamente e, também, o fez com o apoio do Papa. O Cardeal Koch é também um membro da oposição?

O Santo Padre tem rejeitado pública e repetidamente tanto a ideologia de género como a ordenação sacerdotal feminina. Será que o Papa faz parte da oposição ao Papa?

Além disso, a via sinodal alemã, que defende a aprovação de todas estas coisas, tem sido criticada tanto por alguns bispos alemães como pelas Conferências Episcopais da Polônia e dos Estados Bálticos. Será que todos eles fazem parte da oposição ao Papa? Será que todos aqueles que não concordam com o que os alemães querem aprovar, se opõem ao Papa?

Penso, mesmo, que é necessário perguntar se todos aqueles que querem que o Concílio seja aplicado com uma hermenêutica de continuidade — tanto com a Palavra de Deus, como com a Tradição — são também inimigos do Papa e, consequentemente, do Concílio Vaticano II. Se fosse este o caso, o falecido São João Paulo II e o Papa Emérito Bento XVI, entre muitos outros, estariam em oposição a ambos.

Depois do Concílio, difundiu-se a ideia de que os seus documentos tinham de ser interpretados de acordo com o que se chamava “o espírito do Concílio”, que basicamente promovia a hermenêutica de ruptura com a Palavra e a Tradição. Mas o “espírito do Concílio” nunca foi concretizado e todos o utilizaram para justificar alguma coisa, mesmo as maiores aberrações. Ninguém sabia exatamente em que consistia, porque não estava escrito, mas sabia-se que era suficiente apelar a ele para poder fazer o que se quisesse, da liturgia à doutrina e à moral.

Estamos, agora, tentando reavivar o “espírito do Concílio”, chamando-o por outro nome, algo como o “espírito do Papa Francisco”? Se assim fosse, chegaríamos à conclusão de que não só os Papas recentes e muitos bispos — incluindo membros proeminentes da Cúria Vaticana, para não dizer milhões de sacerdotes e fiéis —, fariam parte da oposição ao Pontífice e, consequentemente, ao Concílio, mas teríamos de concluir que o próprio Papa Francisco é contra o “espírito do Papa Francisco”, o que já nos teria feito ultrapassar os limites do que a lógica nos permite aceitar.

Se assim fosse, o Papa estaria aprovando coisas — tais como os documentos citados — com as quais não estaria realmente de acordo; e, quando se distancia do Sínodo alemão, o que o seu “espírito” está de fato dizendo é que concorda com ele…

Tudo isto é tão absurdo, que se deve esclarecer se é possível aceitar o que o Papa diz e aprova, sem ao mesmo tempo ser contra o Papa. Ou se esclarece isto ou a esquizofrenia se instalará na Igreja.

 
 
 

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