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Estudo Pornografia e Violência, Mary Anne Layden, PhD.

17 de jun. de 2019
19 min de leitura

Pornografia e Violência: Um Novo Olhar sobre a Pesquisa

Mary Anne Layden, PhD

Diretora do Programa de Traumatologia Sexual e Psicopatologia 

Centro de Terapia Cognitiva

Departamento de Psiquiatria da Universidade da Pensilvânia

A pornografia é um professor poderoso de crenças e comportamentos e, de fato, fornece as condições ideais para o aprendizado. Ela pode ensinar não apenas comportamentos sexuais específicos, mas atitudes gerais em relação a mulheres e crianças, como são os relacionamentos e a natureza da sexualidade. Certamente, algumas reações importantes são inatas e instintivas, mas a grande maioria de nossas crenças e comportamentos foi aprendida. Uma vez que os aprendemos, também aprendemos se é aceitável se envolver nos comportamentos e às vezes somos estimulados a fazer exatamente isso. Por muitas razões, como veremos, a pornografia é um professor muito eficaz de crenças e comportamentos, e que também ensina a seus usuários que os comportamentos são aceitáveis e os estimula a fazê-lo.

Fatores que afetam a aprendizagem

Aprendemos melhor usando imagens do que palavras, porque as imagens carregam mais informações de uma forma mais compacta. Um olhar de uma fração de segundo em uma imagem pode transmitir mais informações do que uma olhada rápida em palavras. As palavras são frequentemente percebidas como opiniões, enquanto as imagens são frequentemente percebidas como eventos ou fatos. Argumentamos em nossa cabeça contra palavras ou opiniões, mas com muito menos frequência contra eventos ou fatos, particularmente imagens.

Também aprendemos melhor quando estimulados. Se algo ativar nosso sistema nervoso simpático, estaremos mais preparados para lembrar as informações recebidas naquele momento. A estimulação pode vir de excitação, alegria, medo, repugnância ou tensão sexual. Tendemos a lembrar de qualquer experiência que tenhamos nesses estados estimulados.

E a aprendizagem é melhor se for reforçada. É provável que o comportamento recompensado seja repetido, enquanto o comportamento punido é menos provável de ser repetido. Excitação sexual e orgasmo são experiências extremamente gratificantes. Podemos ser naturalmente predispostos a desfrutar das recompensas de excitação sexual e orgasmo, mas aprendemos como, quando e com quem podemos experimentar esses prazeres. Se um novo comportamento sexual produz um orgasmo, é mais provável que o repitamos e o adicionemos ao nosso modelo sexual e repertório.

A aprendizagem também é melhor se vemos modelos interpretarem um comportamento. Vê-los recompensados ou punidos terá alguns dos mesmos efeitos sobre nós, como se tivéssemos sido recompensados ou punidos. Não precisamos experimentar diretamente essas recompensas e consequências. Aprendemos a repetir ou evitar esses comportamentos, vendo o seu efeito sobre os outros.

Finalmente, aprendemos melhor quando a aprendizagem é recompensada. As imagens que contêm modelos que demonstram comportamento sexual, que são recompensadas por isso, que produzem excitação sexual no espectador e são seguidas por um orgasmo, podem ser extremamente eficazes na produção de crenças e comportamentos profundamente aprendidos.

A pornografia pode oferecer todos esses elementos – imagens, excitação, reforço, o exemplo dos outros e recompensa – por isso é um professor poderoso de crenças e comportamentos. Ele fornece as condições ideais para o aprendizado.

Uma categoria de crenças que aprendemos é chamada de “crenças que dão permissão”1. Eles nos dão permissão para participar de um comportamento que gostaríamos de nos engajar, ou que estamos nos engajando e que nos diz que não há necessidade de parar, mudar ou reduzir – eles nos dizem, por exemplo, que o que estamos fazendo é normal, que não faz mal a ninguém, e que todo mundo está fazendo.

Isso “pode ser a influência mais insidiosa da pornografia; ou seja, a aceitação das atitudes (algumas óbvias, algumas mais sutis) expressas na pornografia. Representações pornográficas da sexualidade de mulheres e crianças distorcem a verdade sobre os desejos de mulheres e crianças, e legitimam o senso de direito dos homens, e o uso da força, violência e atos degradantes pelos atores masculinos ”2. Em outras palavras, a pornografia tem a capacidade não apenas de ensinar atitudes e comportamentos sociais, mas também de dar permissão para se envolver neles. As crenças que dão permissão tornam-se liberadoras de comportamento.

A pornografia é um professor ideal dessas crenças libertadoras. Pode ensinar comportamentos sexuais específicos e atitudes gerais em relação a mulheres e crianças, ensinar como são os relacionamentos e ensinar a natureza da sexualidade e, assim, dar permissão para uma ampla gama de ações. Por exemplo, um homem se masturbando com imagens de crianças sorridentes fazendo sexo com adultos, ou de mulheres sexualmente excitadas sendo espancadas, estupradas ou degradadas, está aprendendo que os sujeitos desfrutam e desejam esse tratamento e, assim, aprendem que ele tem permissão para agir desse jeito.

Portanto, a pornografia pode ser um professor, um libertador e um gatilho de comportamentos. A pornografia não é apenas potente, mas multifacetada em seus efeitos. A pornografia pode ensinar o que fazer, com quem fazer, quando e com que frequência, e que é bom faze-lo, e depois estimular o desejo de fazer isso agora.

Não é de surpreender que muitos psicólogos chamam a pornografia na Internet de a nova “cocaína crack”, quando se nota a combinação do poder da pornografia com a sua disponibilidade imediata 24h por dia em qualquer computador, em grande parte gratuita, acessível na privacidade e no anonimato de casa.

Algumas das mensagens de pornografia ensinam crenças e comportamentos. Alguns desses comportamentos são patológicos, ilegais ou ambos. Os comportamentos ilegais são estupro, molestamento de crianças, pedofilia, prostituição, violência doméstica, assédio sexual e algumas parafilias (por exemplo, desvios sexuais como exibicionismo, voyeurismo e bestialidade). Algumas das mensagens de pornografia sobre relacionamentos, sexualidade e mulheres podem ser prejudiciais, mesmo que a pornografia não seja ilegal ou patológica.

Esse aprendizado produz efeitos em atitudes em relação à violência sexual, relacionamentos, a atratividade de um parceiro e a libertação de mulheres, e em comportamentos de violência sexual, pedofilia, assédio sexual, violência doméstica, prostituição, desvio sexual, bebida e comportamento fisicamente arriscado.

Pornografia e atitudes para com a violência sexual

O mito do estupro é um conjunto de crenças de que as mulheres são responsáveis pelo estupro, gostam de ser estupradas, querem ser estupradas e sofrem poucos resultados negativos por causa disso. Vários estudos analisaram a aceitação do mito do estupro após expor os sujeitos a imagens sexuais, tanto violentas quanto não-violentas, e depois alguém também perguntou aos participantes sobre seu uso típico de pornografia.

Homens expostos a imagens que mostravam uma mulher estimulada por violência sexual, e depois a pornografia que envolvia estupro, eram mais propensos do que aqueles que não foram expostos a dizer que a vítima de estupro sofreu menos e que gostou daquilo, e que em geral as mulheres gostam de ser estupradas.3

Homens japoneses expostos a uma representação de estupro em que a mulher gostava do estupro, eram mais propensos a acreditar que as mulheres em geral gostam de ser estupradas, e que elas fazem falsas acusações de estupro quando comparadas aos homens expostos a uma representação em que as mulheres mostravam dor.4

Os homens que viram violência sexual obtiveram pontuações mais altas tanto em escalas que medem a aceitação da violência interpessoal quanto no mito do estupro, quando comparados a homens que viram um filme fisicamente violento ou neutro.5 O aumento de atitudes que apoiam a violência sexual após a exposição à pornografia é maior se a pornografia for violenta do que se não for violenta.6

Um efeito similar é visto mesmo quando a pornografia não é violenta. Homens que foram expostos a cenas não violentas que sexualmente objetificam e degradaram as mulheres e depois foram expostos a material que mostrava estupro, disseram que a vítima de estupro sentiu prazer e “conseguiu o que queria”.7 Mesmo as mulheres que foram expostas à pornografia quando crianças têm uma maior aceitação do mito do estupro do que aquelas que não foram.8 Aqueles expostos à pornografia recomendaram uma sentença para um estuprador que era metade daquela recomendada por aqueles que não tinham sido expostos a imagens pornográficas. Isso mostra que eles parecem ter banalizado o crime de estupro.9

Um estudo não apenas expôs participantes a imagens pornográficas, mas também os perguntou sobre seu uso típico de pornografia.10

Esses estudos indicam que o uso da pornografia, mesmo que não inclua a violência sexual, altera crenças sobre estupro e violência sexual. Mulheres mais engajadas com pornografia, são mais propensas a aceitar o mito do estupro, a violência contra as mulheres, crenças sexuais contraditórias, relataram maior probabilidade de cometer estupro e atos sexuais forçados e desprovidos de sentimento. Os usuários de altos níveis pornografia que receberam pornografia desumana e não violenta, mostraram pontuações mais altas em probabilidade relatada de estupro, insensibilidade sexual e comportamentos sexualmente agressivos do que usuários de alto nível pornografia, mas que não receberam as imagens.

Esses estudos indicam que o uso da pornografia, mesmo que não inclua a violência sexual, altera crenças sobre estupro e violência sexual. Se as mulheres gostam de ser estupradas e merecem ser estupradas, não há necessidade de contenção sexual ou frustração do desejo sexual. A pornografia de estupro ensina aos homens que quando uma mulher diz não, o homem não precisa parar. Assim, um homem pode aprender que não há necessidade de prestar atenção a uma mulher que está resistindo, chorando, gritando, lutando ou dizendo não, porque no final ela quer e vai gostar. Ele pode concluir que sua resistência é uma farsa e faz parte de uma dança sexual que leva ao orgasmo. Ele pode supor que até mesmo sua resistência é sexy e sexualmente excitante porque faz parte do modelo sexual. Em outras palavras, a pornografia torna a violência sexy.11

Pornografia e comportamento sexual violento

Violência sexual levam a uma maior probabilidade de comportamento sexual violento. Alguns estudos analisaram as medidas de probabilidade, enquanto outros estudos analisaram comportamentos reais (auto reportados).

A pornografia pode começar a cruzar a linha entre pensamento e comportamento nos tipos de fantasias que podem produzir uma ereção. Um estudo expôs os homens a uma apresentação pornográfica de estupro e uma de não-estupro, e depois pediu-lhes que tentassem alcançar o nível de excitação sexual mais alto possível sem qualquer estimulação direta do pênis. Ao fazer isso, aqueles que foram expostos à apresentação de estupro criaram mais fantasias sexualmente violentas do que aquelas expostas à apresentação sem estupro. Para esses homens, as fantasias de estupro eram agora parte de seu modelo sexual.12

Outro estudo examinou as medidas da probabilidade de futuros comportamentos sexuais violentos, bem como comportamentos reais violentos do passado. Descobriu-se que todos os tipos de pornografia (soft core, hard core, violento e estupro) estão correlacionados com o uso de coerção verbal, drogas e álcool para coagir mulheres sexualmente. A probabilidade de forçar uma mulher sexualmente foi correlacionada com o uso de pornografia hard core, violenta e estupro. A probabilidade de estuprar uma mulher foi correlacionada com o uso de todos os tipos de pornografia, incluindo pornografia soft-core. Todos os tipos de pornografia que não o soft core foram correlacionados com o estupro real. Aqueles que relatam maior exposição à pornografia violenta são seis vezes mais propensos a relatar ter estuprado do que aqueles que relatam baixa exposição.13

Da mesma forma, homens que se envolviam em estupros relataram que “muito frequentemente” leram Playboy, Penthouse, Chique, Clube, Fórum, Galeria, Gênesis, Oui ou Hustler.14 A correlação entre taxas de estupro e taxas de circulação para oito revistas pornográficas (mesmas revistas menos Hustler) indicaram que os estados com taxas de circulação mais altas tinham maiores taxas de estupro.15

Meninos adolescentes que leram material pornográfico eram mais propensos a se envolver em violência sexual ativa.16 Os infratores sexuais juvenis (violadores juvenis e molestadores de crianças) eram mais propensos a ter sido expostos à pornografia (42% tinham sido expostos) do que jovens que não eram criminosos sexuais (29%) e também a ter sido expostos em tenra idade (cinco aos oito anos de idade), enquanto molestadores de crianças menores de idade foram expostos com mais frequência à pornografia do que aqueles que não molestaram crianças.17 Outro estudo relatou que 29 dos 30 jovens estudados haviam sido expostos a revistas ou vídeos pornográficos, e a média de idade da primeira exposição foi de cerca de 7,5 anos.18 Apenas 11% dos agressores sexuais juvenis disseram não usar material sexualmente explícito.19 Ironicamente, dados esses números, expor adultos à pornografia diminui o número de pessoas que acreditam que a pornografia precisa ser restringida a crianças.20

Da mesma forma, agressores sexuais adultos mostraram uma alta taxa de uso de pornografia hard-core: molestadores de crianças (67%), infratores de incesto (53%), estupradores (83%) foram significativamente maiores em uso do que não-infratores (29%). Os molestadores de crianças (37%) e estupradores (35%) eram mais propensos a usar a pornografia como instigador de suas ofensas do que os infratores por incesto (13%).21

O efeito da pornografia não depende apenas do que você está exposto, mas também com que frequência. Quanto mais frequentemente os homens usavam pornografia e quanto mais violenta a pornografia que usavam era, maior a probabilidade de eles coagirem os outros a fazer sexo, incluindo o uso de coerção física (ou seja, estupro).22

O efeito da pornografia também depende das características dos indivíduos, bem como do uso de pornografia. Os homens que tinham altos níveis de masculinidade hostil e de promiscuidade sexual e que usavam pornografia com frequência, eram significativamente mais propensos a cometer agressão física e sexual do que os homens que eram baixos nesses fatores.23 (Este estudo foi incapaz de determinar se essas características individuais, masculinidade e promiscuidade hostis, poderiam ter sido produzidas pelo uso de pornografia em um ponto anterior da vida.)

Grande parte da pesquisa se concentrou nos homens que perpetram os comportamentos. No entanto, existem estudos que se concentraram nas vítimas femininas. Um deles questionou 100 mulheres que se apresentaram em um centro de crise de estupro. 28% disseram que seu abusador usava pornografia; 58% não sabia se usava pornografia ou não. Daquele cujo abusador usava pornografia, 40% disseram que a pornografia fazia parte do abuso, sendo usada durante o abuso ou pouco antes, e 43% disseram que isso afetou a natureza do abuso.

Nenhuma delas achava que a pornografia diminuía a frequência do abuso, mas 21% achavam que aumentava a frequência e 14% acreditavam que aumentava o nível de violência. De fato, 18% acharam que o agressor se tornou mais sádico com o uso da pornografia. Do total, 12% disseram que o agressor imitou a pornografia e 14% disseram que alguém tentou forçá-las a fazer algo que ele havia visto na pornografia. (Este estudo foi incapaz de determinar se essas características individuais, masculinidade e promiscuidade hostis, poderiam ter sido produzidas pelo uso de pornografia em um ponto anterior da vida.24

Outro estudo constatou que 24% das mulheres pesquisadas indicaram que estavam incomodadas por alguém que tentava fazer com que elas fizessem algo que viram tinha sido visto na pornografia. Aqueles que afirmaram isso eram mais propensos a ter sido vítimas de agressão sexual ameaçada ou real.25

Uma meta-análise de trinta e três estudos (meta-análises examinam descobertas em um grande número de estudos) revelou que a exposição à pornografia violenta ou não-violenta aumenta o comportamento agressivo.26

Esses estudos, como um todo, indicam que muitos tipos de pornografia e seu uso frequente estão ligados a comportamentos negativos – tanto a fantasias violentas, quanto ações violentas reais -, com a pornografia violenta tendo o mais forte efeito negativo. Esses padrões são vistos em adultos e em menores e são encontrados em estudos focados em perpetradores e vítimas.

Pedofilia, assédio sexual e violência doméstica

O uso de pornografia infantil é um bom indicador de quem pode obter o diagnóstico de pedofilia. Parece ser um melhor preditor do que ter estuprado uma criança. Indivíduos que usam pornografia infantil, tenham ou não atentado contra crianças, são mais propensos a serem pedófilos do que indivíduos que ofendem crianças, mas não usam pornografia infantil. A fantasia pode ser um preditor mais preciso do que o comportamento, possivelmente porque os indivíduos têm mais opções e mais controle sobre suas opções em fantasias do que em comportamentos que dependem da disponibilidade dos outros.27

O estupro não é a única forma de violência sexual perpetrada contra mulheres afetadas pelo uso de pornografia. Muitas mulheres serão assediadas sexualmente em seus empregos e em outros lugares. A probabilidade de assediar sexualmente outra pessoa está significativamente correlacionada com o volume de exposição anterior a materiais sexualmente explícitos.28

A violência doméstica é outra forma de violência contra as mulheres e, como as outras, é aumentada pelo uso da pornografia. A violência pode ser tipicamente física e emocional, mas muitas vezes combinada com violência sexual. Mulheres agredidas experimentaram significativamente mais violência sexual do que mulheres que não foram agredidas.29 Por exemplo, 39% das mulheres agredidas disseram que seus parceiros tentaram fazer com que representassem cenas pornográficas que tinham sido mostradas, em comparação com 3% de outras mulheres.30

O uso de pornografia e álcool pelo agressor aumenta significativamente as chances de uma mulher agredida sofrer abuso sexual. Só a pornografia aumenta as chances por um fator de quase dois, e a combinação de pornografia e álcool aumenta as chances por um fator de três.31

Quarenta por cento das mulheres abusadas indicaram que seu parceiro usava pornografia violenta. Daqueles cujas parceiros usaram pornografia, 53% disseram ter sido solicitadas ou forçadas a promulgar cenas que foram mostradas e 26% foram lembradas de pornografia por abusadores durante o abuso. Quarenta por cento das mulheres vítimas de abuso foram estupradas, 73 por cento afirmaram que seus parceiros usaram pornografia. Esses estudos podem não indicar que a pornografia causa espancamento, mas sugerem que o espancamento pode ser expandido para incluir violência sexual quando a pornografia está envolvida.

Prostituição, parceiros e desvios

Os homens que recorrem a prostitutas, têm duas vezes mais chances de terem assistido a um filme pornográfico no último ano (66%) do que uma amostra nacional (33%). Os homens que frequentam casas de prostituição com maior frequência, são mais propensos a assistir a um filme pornográfico (74%) do que aqueles que recorreram a uma prostituta apenas uma vez (53%). O mesmo padrão é visto com o uso de revistas pornográficas; os homens que vão a prostitutas têm maior probabilidade de ter feito uso de uma revista pornográfica no último ano (75%) do que os homens que foram a uma prostituta apenas uma vez (56%).32

A exposição à pornografia leva os homens a classificar suas parceiras como menos atraentes do que se não tivessem sido expostos33 e a estarem menos satisfeitos com a atratividade, desempenho sexual e nível de afeto de seus parceiros, e expressaram um desejo maior de sexo sem envolvimento emocional.34 Estudantes homens que assistem à pornografia regularmente, geraram mais termos sexuais para descrever o termo “mulheres” do que aqueles que viam pornografia menos regularmente.35

Parafilias são transtornos psiquiátricos da sexualidade, conforme definido pelo Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Americana de Psiquiatria. A parafilia costumava ser chamada de perversão sexual ou desvio sexual. Estes são comportamentos nos quais o objeto do desejo sexual é anormal (por exemplo, um animal), ou o comportamento em si é sexualmente anormal (por exemplo, sadomasoquismo). Algumas parafilias podem ser feitas sozinhas (por exemplo, fetichismo), e algumas envolvem pessoas que não consentem (por exemplo, exibicionismo).

O desvio sexual pode ser aprendido. Alguns homens podem inicialmente olhar para pornografia apenas por curiosidade. Alguns podem subir para tipos mais pesados, porque o material mais leva já não os estimula. De qualquer forma, eles podem aprender crenças e comportamentos desviantes com isso. As coisas que costumavam despertar aversão, agora parecem menos incomuns e até normais, e com o tempo, parecem sexy. Através da pornografia, os homens que nunca teriam considerado o sexo que envolve fezes (coprofilia), urina (urofilia) e animais (bestialidade) podem agora aprender, ficar excitados e se até se engajar nessas mesmas coisas.

Indivíduos que já sofrem com esses desvios preferem significativamente a pornografia que retrata seu próprio desvio, mas também gostam de pornografia que retratam outros desvios, especialmente pornografia sadomasoquista, embora em menor escala.36 Aqueles que foram expostos à pornografia eram mais propensos a acreditar que comportamentos sexuais inusitados e patológicos eram mais comuns e mais normais. Essas crenças são crenças que dão permissão e tornam-se liberadoras de comportamento. A frequência de sexo com animais, sexo em grupos e sexo com violência foi o dobro naqueles expostos à pornografia desviante quando comparados àqueles que não eram.37

Relacionamentos, Libertação das Mulheres e Comportamento Arriscado

O uso de pornografia tem vários outros efeitos negativos. Uma delas é uma compreensão alterada dos relacionamentos. Para os homens, maior uso de pornografia foi associado a uma maior aceitação do sexo fora do casamento para os indivíduos casados, maior aceitação do sexo antes do casamento e menos centralização na criança durante o casamento.38 O desejo reduzido pelas crianças é especialmente pronunciado em um desejo reduzido de crianças do sexo feminino.39

Aqueles que foram expostos a pornografia, reduziram seu apoio para o movimento de libertação das mulheres. Isso é verdade tanto para homens quanto para mulheres.40

Para os homens, o uso de pornografia é mais correlacionado com o uso excessivo de álcool.41

A pornografia também encoraja comportamentos fisicamente arriscados. Na pornografia não é mostrado ninguém contraindo e morrendo de AIDS, e nenhuma consequência negativa é mostrada por se praticar essas condutas sexuais consideradas desviantes.

No entanto, tipos desviantes de comportamento sexual carregam uma série de riscos físicos. O mais óbvio é adquirir doenças sexualmente transmissíveis, inclusive o HIV. Estes podem levar a outras doenças e distúrbios (por exemplo, cancro do colo do útero e infertilidade). O comportamento sexual envolvendo fezes e urina pode levar à gripe, pneumonia, hepatite A, hepatite C e parasitas intestinais. O sexo anal pode causar o rasgo do tecido anal, fissuras anais e perfuração de órgãos internos. A ruptura do tecido anal facilita a entrada do vírus HIV no corpo.

Por exemplo, a pornografia retrata o sexo com o maior número possível de estranhos do que o normal, desejável e sem consequências, e os que usam pornografia têm mais parceiros sexuais do que outras pessoas. O fator mais associado à transmissão do HIV é o aumento do número de parceiros.

Resumo

O grande corpo de pesquisa sobre pornografia revela que ela funciona como um professor que dá permissão, e um gatilho de muitos comportamentos e atitudes negativas que podem prejudicar gravemente não apenas os usuários, mas muitos outros, incluindo estranhos. O dano é visto em homens, mulheres e crianças, e em adultos casados e solteiros. Envolve comportamentos patológicos, comportamentos ilegais e alguns comportamentos que são ilegais e patológicos. A pornografia é uma oportunidade igual e uma toxina muito letal.

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Referências:


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38 Carroll, et al. (2008)


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40 Zillmann & Bryant (1984)


41 Carroll, et al, 2008)

Tradução: Ramon Serrano

 
 
 

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