Estudo sobre a submissão no casamento
Falar sobre submissão da mulher no casamento, é certamente entrar em terreno escorregadio. Mas isso não deveria ser assim. A submissão bíblica, de maneira alguma é motivo de degradação, muito pelo contrário. Para falar sobre esse tema, precisamos esclarecer 3 pontos. A criação, a queda e a redenção em Cristo.
Criação:
Na narrativa bíblia, após Deus criar todo o universo, ele forma o homem do pó da terra, e diz que tudo era “muito bom”. A única coisa que Deus disse que não era boa, foi a solidão de Adão (Gen 2:18), e Deus então cria a mulher.
O verbo usado para “auxiliadora/ajudadora”; no hebraico עֵזֶר |ʿēzer; o mesmo usado em outras partes da Bíblia para se referir a ajuda de Deus ao povo de Israel. Sabemos que para ajudar, o ajudador sempre está em melhores condições do que o ajudado, então, de modo algum essa posição é indigna.
Vemos que homem foi feito do barro, e a mulher da costela do homem. Ela não foi feita da lama da terra, de um material bruto e sujo, mas da carne. E o que isso significa? Que sua origem pode ser considerada mais refinada e organizada que a do homem.
Vemos que homem foi feito do barro, e a mulher da costela do homem. Ela não foi feita da lama da terra, de um material bruto e sujo, mas da carne. E o que isso significa? Que sua origem pode ser considerada mais refinada e organizada que a do homem.
Não é à toa que nenhum artista jamais pintou a figura de Satanás com traços femininos, mesmo apesar de originalmente Satanás ter sido um anjo, e sempre as figuras angélicas serem retratadas com traços mais femininos. Satanás sempre teve os traços brutos e rudes do homem.
Vemos que a mulher veio para auxiliar o homem, pois o homem é um ser que necessita de auxílio. Caso não precisasse, Deus não teria providenciado. Mas como o próprio Deus disse, “não é bom que o homem esteja só.”
Queda:
Deus advertiu ao casal para não comer do fruto da árvore, mas isso não foi o suficiente. A tentação de Satanás foi dirigida primeiramente a Eva, não por acaso. Mesmo ciente da proibição de Deus, Eva toma as rédeas da situação, não delibera com seu marido sobre se eles deveriam comer ou não o fruto, mas ela simplesmente come, e estende o fruto pecaminoso a Adão.
Eva toma as decisões, enquanto Adão — que deveria proteger e cuidar da mulher que deus havia criado — age passivamente.
Adão não somente age passivamente, mas de modo covarde, pois ao serem questionados por Deus, Adão culpa a mulher, que por sua vez põe culpa na serpente. Adão foi incapaz de proteger sua mulher, e agora a responsabiliza por seu erro.
Parece a narração de um casamento moderno, não? O marido falha em exercer seu papel, a mulher tenta consertar e assume as rédeas do relacionamento, tudo se perde, um coloca a culpa no outro, então vem o divórcio.
A maioria dos casais de hoje são como Adão e Eva, e enquanto não tiverem o entendimento transformado pelo evangelho, entendendo os papéis de cada um dentro do matrimônio, seu fim será o mesmo, serão expulsos do paraíso.
A redenção em Cristo:
A submissão no casamento é um preceito bíblico inquestionável. Não é algo “para época”, mas atemporal, pois é um ensino que tem como fundamento o amor de cristo. A submissão é o antídoto para o veneno que levou ao pecado no jardim do Éden.
O pecado que levou Eva a assumir um papel que pertencia ao seu marido, é o mesmo que atinge as mulheres de hoje, que sentem calafrios ao ouvir a palavra ‘submissão’. Também é o mesmo pecado que leva os homens, ao não cumprirem seu papel no casamento, a se tornarem abusivos, como forma de compensar sua omissão.
Como foi demostrado, a submissão não é subserviência, não é se tornar um “faz tudo”, um escravo. Essa é uma visão errada, que ignora o que a própria Escritura diz.
O texto mais famoso sobre submissão no matrimônio é de Efésios 5, que diz assim: “ Mulheres, sujeitem-se a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja”. (Ef 5:22,23)
Mas não podemos esquecer da parte importante sobre os homens:
“ Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la.” (Ef 5:25)
A palavra da discórdia aqui é ‘sujeitem-se’, ou ‘sejam submissas’, em algumas versões. No texto grego, sujeitem-se (ὑποτάσσω | hupotassó) significa ‘estar debaixo de; sujeita a’. Para se ter uma ideia, o mesmo verbo é usado em Lucas 10:17, onde diz que os demônios estão sujeitos a autoridade de Cristo.
Mas o apóstolo também exige algo dos maridos. Reparem duas coisas. O amor que Paulo se refere ao dizer ‘amem suas mulheres’ é ‘ἀγαπᾶτε; agapate’, o famoso amor ágape, o amor doador e sacrificial que Jesus nos ensina. Por isso, ele ordena que o amor do marido seja como o de Cristo pela Igreja. Repare que “assim como” (καθώς / kathōs), significa do mesmo modo, da mesma maneira. Os maridos devem amar suas esposas da mesma maneira que Cristo amou a sua Igreja, com o mesmo amor.
E o que Cristo fez por amor pela Igreja?
Amou-a até o fim, se sacrificou, suportou seus pecados, perdoou, teve misericórdia, redimiu, cuidou, guardou, fez perseverar.
Dos maridos e mulheres é exigido algo. Cada um é chamado a cumprir seu papel, glorificando a Deus. Não existe mais importante ou melhor, pois um casamento não é uma disputa, mas uma união.
A submissão é algo que esmaga os nossos egos, destrói nossa pretensa autonomia e humilha nossa vontade. Mas é exatamente assim que nos aproximamos de Deus, quando nós diminuímos e Ele cresce em nós.
A história do mundo começa com um casamento, Adão e Eva, que devido ao pecado não um modelo a ser seguido. Mas a consumação de todas as coisas, terminará também com um casamento, o de Cristo e sua Igreja. Isso mostra que o casamento representa muito mais do que normalmente se pensa.
O verdadeiro casamento é baseado no amor, não no amor eros, sentimental e passageiro, mas no amor de Cristo, que é profundo, doador e sacrificial.
Em Cristo, a submissão não é um fardo, mas uma demonstração do verdadeiro amor. — —
Autor: Ramon Serrano
















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