GLOBALISMO E DESENRAIZAMENTO – Veronica Lademan

“(…) O que muitos idealistas do globalismo não podem aceitar é que é da natureza do homem amar mais fortemente de acordo com a proximidade. Existem laços que estão profundamente dentro do coração e da mente humana e são o centro das comunidades e das culturas.
O amor e a solicitude da pessoa irradiam-se num tipo de caridade que se exprime de forma mais imediata e intensa aos que estão mais próximos dela; podemos pensar nisso como uma “caridade pela proximidade”. Eu amo principalmente a mim mesmo e minha família; esta é a minha primeira e maior responsabilidade na vida. Isso se estende às minhas comunidades, minha nação e ao mundo. Tenho uma solidariedade natural e uma obrigação para com aqueles que compartilham minha pátria, minha história.
Não é correto que eu fique tão perturbada com os sofrimentos na Caxemira quanto ficaria com os conflitos em meu próprio país.
Não tenho a mesma responsabilidade para com os que sofrem no Iêmen e na Síria como tenho para com os que sofrem em minha própria cidade.
Isso não significa que, de alguma forma, o foco de minha atenção dite qualquer hierarquia sobre qual crise é mais ou menos importante como tal, mas determina o que é mais ou menos relativo a mim e à minha esfera de responsabilidades.
(…) Nenhuma teoria, por mais adorável e sedutora no papel, jamais mudará a orientação natural do coração humano. Não existe uma comunidade global.
Isso não significa que estamos todos condenados ao ódio e à suspeita mútuos; podemos olhar para os seres humanos das culturas mais estranhas e reconhecer, neles, sua centelha divina e sua própria dignidade.
No entanto, devemos aprender a cultivar nossas raízes, nossa solidariedade natural.
É bom que um iraquiano se preocupe com o Iraque; é correto que um sírio lamente e sofra a destruição de sua nação em uma guerra civil. Eu nunca o culparia por prestar pouca atenção ao que está acontecendo na Europa ou no Ocidente em geral.
No espírito de compaixão e solidariedade humana, podemos nos solidarizar com aqueles que sofrem com essas catástrofes e trabalhar para melhorá-los como pudermos, através da caridade; aceitar refugiados quando possível, e apoiá-los. Devemos pressionar nossos governos a serem responsáveis em sua política externa, conscientes do grande valor e dignidade do ser humano.
Mas nunca devemos nos envergonhar pelo fato de que nossos corações estão mais ligados ao nosso entorno, nossa herança e aqueles que compartilham as raízes e os fundamentos em que confiamos.”
Rootedness & Refugees
















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