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INSTRUÇÕES SOBRE OS RITOS DEPOIS DO BATISMO (Santo Ambrósio, bispo)

19 de jul. de 2018
2 min de leitura

Em seguida banhado nas águas do Batismo, subiste em direção ao sacerdote. Pensa no que se seguiu. Não foi aquilo que Davi cantou: “Como o bálsamo na cabeça que desce pela barba, pela barba de Aarão” [Salmos, 132(133),2]? É o mesmo bálsamo de que fala Salomão: “Bálsamo derramado é o teu nome, por isto as jovens te amaram e te atraíram” [Cânticos dos Cânticos 1,3]. Quantas almas renovadas hoje te amam, Senhor Jesus, dizendo: “Atrai-nos em teu seguimento, correremos ao odor de tuas vestes, para que respirem o odor da ressurreição” [cf. Gênesis 27,27; Cânticos dos Cânticos 4,11-15; Salmos, 44(45),8-9].

Entende de que modo se faz, “pois os olhos do sábio estão em sua cabeça” [Eclesiastes 2,14]. A unção escorre pela barba, isto é, pela beleza da juventude; pela barba de Aarão para te tornares da “raça eleita, sacerdotal, preciosa” [cf. Êxodo 19,6; 1 Pedro 2,9]. Porque todos no reino de Deus somos também ungidos pela graça espiritual para o sacerdócio. Recebeste depois a veste branca, indício de teres despido a crosta dos pecados e revestido a casta túnica da inocência, lembrada pelo Profeta quando diz: “Asperge-me com o hissopo e serei limpo, lavar-me-ás e serei mais branco do que a neve” [Salmos, 50(51),9]. Ora, quem é batizado vê-se purificado pela lei e pelo Evangelho: segundo a lei, porque como um ramo de hissopo Moisés aspergia o sangue do cordeiro; segundo o Evangelho, porque eram brancas como a neve as vestes de Cristo quando revelou a glória de sua ressurreição [cf. Êxodo 12; Hebreus 9,22; 1 Coríntios 5,7; Mateus 17,1-13, Lucas 9,28-36]. Mais do que a neve se torna alvo aquele a quem se perdoa a culpa. O Senhor, por intermédio de Isaías, diz: “Se vossos pecados forem como a púrpura, eu os alvejarei como a neve” [cf. Isaías 1,18-19].

Trazendo esta veste, recebida no banho do novo nascimento, a Esposa diz, nos Cânticos: “Sou escura e formosa, filhas de Jerusalém” [Cântico do Cânticos 1,5]. Escura, pela fragilidade da condição humana; formosa pela graça. Escura, por vir dentre os pecadores; formosa, pelo sacramento da fé. Vendo tais roupas, exclamam estupefatas as filhas de Jerusalém: “Quem é esta que sobe tão alva? Ela era escura; donde lhe veio agora de repente este brilho” [Cântico dos Cânticos [Cântico do Cânticos 6,10]?

Cristo, que assumira uma veste sórdida, como se pode ler em Zacarias, por causa de sua Igreja, ao vê-la em vestes brancas, com a alma pura e lavada pelo banho do novo nascimento, diz: “Como és formosa, minha irmã, como és formosa, teus olhos parecem-se com os da pomba” [Cântico dos Cânticos 4,1], sob cuja forma desceu do céu o Espírito Santo.

Lembra-te então que recebeste a marca espiritual, “o Espírito de sabedoria e de inteligência, o espírito de conselho e de força, o espírito de ciência e de piedade, o espírito do santo temor” [Isaías 11, 1-3]. Guarda o que recebeste. Deus Pai te assinalou, o Cristo Senhor te confirmou e deu o penhor do Espírito em teu coração, como aprendeste com a leitura do Apóstolo [cf. 2 Coríntios 1,21-22; 5,5, Efésios 1,13-14; 4,30].

(Do Tratado sobre os Mistérios, de Santo Ambrósio, bispo – Nn. 29-30.34-35.37.42: SCh 25 bis,172-178 – Séc. IV).

 
 
 

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