IRINEU, VÍTOR E O PRIMADO ROMANO
Por Fábio Morais,
O Primado Romano é, neste grupo, negado quase que diariamente pelos protestantes, apesar de incontestável, à luz dos documentos indiscutíveis a nós legados pela antiguidade cristã.
S. Irineu (afirmamos nós, católicos, cobertos de razão) constitui uma das principais testemunhas da primazia romana.
Com efeito, a clareza com a qual se expressa em ‘Adversus Haereses’ é inatacável (versais minhas):
—- “…ad hanc enim ecclesiam propter POTENTIOREM PRINCIPALITATEM necesse est omnem conveniere Ecclesiam, hoc est, eos quis sunt undique fidelis, in qua semper ab his, qui sunt undique, conservata est ea quae est ab apostolis traditio” (3,2) —-
Thiago Dutra, no blog chimfrim do Elisson Freire, traduz corretamente, embora de latim não entenda patavinas (versais minhas):
—- …”Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela, por causa da sua AUTORIDADE PREEMINENTE, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos’”. —-
Roma, pois, para S. Irineu, tem uma “AUTORIDADE PREEMINENTE”.
É guarda infalível da Tradição Apostólica.
Todas as igrejas devem concordar com ela.
É S. Irineu quem o diz.
Todavia, houve a famosa controvérsia Quartodecimana, acerca da Páscoa, quando o Papa Vítor resolveu excomungar as igrejas da Ásia Menor por se recusarem a seguir a praxe de Roma.
Ora, diante disso, S. Irineu escreve a Vitor, buscando a paz, em vista da unidade da Igreja.
Eis uma das passagens de S. Irineu (segundo o ‘e-cristianismo’, site PROTESTANTE) (versais minhas):
—- “ aqueles presbíteros que GOVERNARAM A IGREJA antes de Sotero E SOBRE A QUAL PRESDIS AGORA , digo Aniceto e Pio, Higino com Telésforo e Xisto, também não o observaram e não permitiram que seus seguidores o observasse. Ainda assim, ainda que eles mesmos não o observassem, nem por isso tiveram menos paz com os das igrejas em que aquilo era observado, sempre que vinham a eles; ainda que guardá-lo, então, fosse mais uma oposição aos que não o guardavam. E também EM TEMPO ALGUM DESLIGARAM ALGUÉM SÓ POR CAUSA DA FORMA. Mas os próprios presbíteros diante de vós, que não o observavam, enviaram a eucaristia àqueles das igrejas que o observavam. E quando o bendito Policarpo foi à Roma, nos dias de Aniceto, e tiveram pequena desavença entre eles igualmente a respeito de outras questões, reconciliaram-se de imediato, sem discutir muito um com o outro nesse assunto. Pois nem Aniceto conseguiu persuadir Policarpo a não observá-lo, porque ele sempre o observara com o apóstolo João e o restante dos apóstolos com quem se associara; nem Policarpo persuadiu Aniceto a observá-lo, pois este dizia que era obrigado a manter a prática dos presbíteros anteriores a ele. Sendo assim, eles comungaram um com o outro e, na igreja, Aniceto cedeu a Policarpo, sem dúvida por respeito, o ofício de consagrar; e se separaram em paz, ficando toda a igreja em paz; tanto os que observavam como os que não, mantendo paz”(ver aqui: http://www.e-cristianismo.com.br/…/irineu-e-a-igreja-em-rom…). —–
Percebam as expressões acima destacadas .
Para S. Irineu, Vítor “GOVERNA A IGREJA!
S. Irineu não diz que Vítor governa “A IGREJA DE ROMA”, mas “A IGREJA”, sem maiores esclarecimentos.
A Igreja INTEIRA, portanto.
S. Irineu afirma que Vítor preside TODA A IGREJA (‘SOBRE A QUAL PRESIDIS AGORA…”)
Porque para S. Irineu, em Roma residia a “POTENTIOREM PRINCIPALITATEM”, a “AUTORIDADE PREEMINENTE”…
Por isso, deixa patente que o bispo de Roma TINHA AUTORIDADE PARA EXCOMUGAR as igrejas da Ásia (versais minhas):
—- “Ainda assim, ainda que eles mesmos não o observassem, nem por isso tiveram menos paz com os das igrejas em que aquilo era observado, sempre que vinham a eles; ainda que guardá-lo, então, fosse mais uma oposição aos que não o guardavam. E também EM TEMPO ALGUM DESLIGARAM ALGUÉM SÓ POR CAUSA DA FORMA.” —-
Ou seja: PODERIAM TER DESLIGADO, mas não o fizeram.
Para S. Irineu, Vítor é o chefe da Igreja.
Caros irmãos católicos, isso lembra, a vocês, alguma coisa ?
A mim lembra!
Lembra S. Inácio de Antioquia aos Romanos, cuja tradução retiro-a também do ‘e-cristianismo’, SITE PROTESTANTE (para não me chamarem de “tendencioso”) (versais minhas):
—- “Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja que recebeu a misericórdia, por meio da magnificência do Pai Altíssimo e de Jesus Cristo, seu Filho único; à Igreja amada e iluminada pela bondade daquele que quis todas as coisas que existem, segundo fé e amor dela por Jesus Cristo, nosso Deus; À IGREJA QUE PRESIDE na região dos romanos…” (ver aqui: http://www.e-cristianismo.com.br/…/inacio-de-antioquia-epis…)
S. Irineu e S, Inácio, dois testenunhos incontestáveis do Primado Papal.
Especificamente sobre S. Irineu, sabemos que nasceu na Ásia Menor, foi discípulo de S. Policarpo, que por sua vez privou da companhia e dos ensinamentos do Apóstolo apóstolo João.
É autoridade acima de qualquer contestação.
E reconheceu o primado romano, como vimos acima.
Se não o houvesse reconhecido, a sua atitude SERIA INTEIRAMENTE OUTRA!
Para demonstrá-lo, passo a palavra ao terror dos hereges, o Pe, Leonel Franca (versais minhas):
—- “A carta de Irineu…é, pelo contrário, para quem não é cego voluntário, uma das suas provas [ do Primado de Roma] mais claras. Poucos homens do século II possuiram a erudição, a intrepidez, a autoridade de Irineu. Discípulo de S. Policarpo, que o fora do apóstolo S. João, passara a sua juventude na Ásia. Mais tarde veio para o Ocidente e foi bispo das Gálias. Escreveu um grande volume contra as heresias do seu tempo e, quando explodiu a perseguição, deu animosamente a vida pela fé. Tal é o santo que escreveu a Vítor. – Suponhamos, por um instante, verdadeira a hipótese do sr. Oiticica [com quem então Leonel Franca debatia]: antes de Vítor todos os bispos eram iguais; a sua intervenção [de Vítor] na Ásia foi o primeiro ato autoritativo do bispo de Roma fora da sua diocese. A Irineu, portanto, ESSE ATO DEVERIA AFIGURAR-SE COMO UMA USURPAÇÃO; MAIS, COMO UMA DEFORMAÇÃO ESSENCIAL NA IGREJA PRIMITIVA. Qual então o dever do santo, sábio e intrépido pastor ? DENUNCIAR AO MUNDO ESTE DETURPADOR DA OBRA DE CRISTO COMO DENUNCIARA OUTROS HEREGES, DIZER-LHE, ALTO E BOM SOM, QUE AS SUAS EXCOMUNHÕES, INJUSTAS E USURPADORAS, NÃO TINHAM EFEITO, que ele [S.Irineu] e os outros bispos continuariam pacificamente a comunicar com os seus irmãos da Ásia Menor; que o maior de todos os males era, por uma ambição mesquinha e pessoal, desnaturar e perverter toda a antiga instituição de Cristo. ISTO DEVERIA FAZER IRINEU na hipótese desesperada do sr. Oiticica. Que fez ? Reconhece implicitamente ao Papa plenos poderes de excomungar , mas procura “decenter” [isto é:nos limites da conveniência] que não use da sua severidade em coisa que não interessa a fé” (Polêmicas, Agir, 1953, pp. 394-395). —-
S. Irineu queria a paz.
Nada além disso.
Não questionou a legítima autoridade juridicional de Vítor.
Antes, a atestou.
Atestou-a S. Irineu, como antes dele atestara-a S. Inácio e, depois de ambos, os demais Pais da Igreja.
Para a desgraça do protestantismo…
















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