JORNAL DOS BISPOS ITALIANOS DEFENDE FILME DA NETFLIX ACUSADO DE NORMALIZAR A PEDOFILIA – Carlos Este

[A Netflix lançou um filme, Cuties, no qual meninas de 11 anos aparecem em atitudes claramente provocativas e sexualizadas, a ponto de a própria empresa ter que retirar o ‘trailer’ com o qual o anunciava nas redes sociais. Os próprios consumidores condenaram a fita com um recorde de notas negativas (mais de um milhão). Mas o jornal oficial do episcopado italiano, Avvenire, em matéria assinada por Andrea Fagioli, preferiu atacar aqueles que protestam contra o filme].
“A campanha contra a Netflix não se explica”, começa o artigo. “Não há ‘sexualização escandalosa de adolescentes’, como escreveram alguns dos 600.000 signatários de uma petição”.
Antes de continuar, convido os leitores a dar uma olhada (rápida) no trailer do filme feito pela própria Netflix, para que vejam por si mesmos se existe “sexualização de adolescente” (aos 11 anos já se é um adolescente?), como acreditam os seiscentos mil usuários que protestaram; ou se não, como acredita o redator do jornal episcopal italiano.
Para o autor da matéria, Andrea Fagioli, quem protesta é porque “ou não viu o filme ou se limitou a ver o trailer. Ou talvez não o tenham compreendido, ou o julgaram de um ponto de vista incorreto”. O ponto de vista correto, entenda-se, seria aquele que considera digno de elogio ver meninas de 11 anos em atitudes de ‘strippers’, porque na verdade o que há no filme é uma denúncia da sexualização da infância. Portanto, tudo se justifica…
Trata-se, originalmente, de um filme francês, Mignonnes, que conta a história de Amy, uma garota muçulmana senegalesa, de 11 anos, que mora em um bairro superpopuloso na França. Ela se junta a um grupo de outras pré-adolescentes que, em cenas de dança hipersexualizadas, imitam contorções de strip-tease.
E como é uma ‘denúncia’ (como afirmou a própria diretora), Andrea Fagioli e, por extensão, o episcopado italiano, não vê nada de escandaloso no filme. Pelo contrário. Não parece pesar nada, em seu julgamento, a ideia de que as atrizes que atuam são, obviamente, meninas em torno de 11 anos e que foram levadas a se exibir daquela forma (além do fato de que o álibi da ‘denúncia’ abre um gigantesco campo de possibilidades para a legitimação da pornografia leve, incluindo, como neste caso, a pedofilia). Ou acredita Fagioli que somente, ou principalmente, irão ver o filme aqueles que se interessam pelo ‘conteúdo da denúncia social’ e não aqueles que se sentem atraídos por menores?
Numa época em que a Igreja, desde 2002, tem sofrido como uma verdadeira praga os casos de pedofilia no clero e seu encobrimento por bispos (causando não poucas deserções de cargos), é no mínimo problemática a incapacidade do órgão de imprensa dos bispos italianos de perceber o verdadeiro problema de um filme rejeitado por milhões de espectadores por mostrar meninas se rebolando sob medida para pedófilos.
El diario de los obispos italianos defiende la película de Netflix acusada de normalizar la pedofilia
















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