MAS ISTO BASTA

Em tuas mãos, oh Deus, eu me abandono. Vira e revira esta argila, como o barro na mão do oleiro.
Dá-lhe forma e depois, se quiseres, esmigalha-a, como se esmigalhou a vida de João, meu irmão. Manda, ordena. Que queres que eu faça?
Que querem que eu faça? Elogiado e humilhado, perseguido, incompreendido e caluniado, sonsolado, sofredor, inútil para todos, não me resta senão dizer a exemplo de Tua Mãe:
“Faça-se em mim segundo a Tua palavra.”
Dá-me o amor por excelência, o amor da Cruz; não o da cruz heróica, que poderia nutrir o amor próprio, mas o da cruz vulgar, que carrego com repugnância, daquela que se encontra cada dia na contradição, no esquecimento, no insucesso, nos falsos juízos, na frieza, nas recusas e nos desprezos dos outros, no mal-estar e nos defeitos do corpo, nas trevas da mente e na aridez, no silêncio do coração.
Então somente Tu saberás que Te amo, embora eu mesmo nada saiba. Mas ISTO BASTA.
(R. Kennedy – Frades Menores Capuchinhos)
















Comentários