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MONTANISTAS E PENTECOSTAIS O QUE TEM EM COMUM?

4 de fev. de 2018
7 min de leitura

MONTANISTAS E PENTECOSTAIS, O QUE TEM EM COMUM?

• Encontram-se, em diversas épocas, falsos místicos que alteram o verdadeiro conceito da perfeição Cristã: Tais foram os Encratitas e os montanistas nos primeiros séculos, os Fraticelos e certos místicos da idade média. Molinos e Quietistas nos tempos modernos; condenando-os, a igreja assinalou-nos os escolhos que se deviam evitar e, por isso mesmo, o caminho que era preciso seguir. • o examinar esta história, vemo-nos de encontro • com a seguinte pergunta: Somos obrigados a supor que as modernas aparições de • glossolália são a continuação do dom carismático de línguas como ocorreu, por • exemplo, em Corinto? Ou é possível que haja explicações psicológicas para este • fenômeno que tornam a primeira suposição desnecessária e, sobretudo errônea? • O Montanismo • Vamos começar com a heresia montanista. Os escritores pentecostais às vezes se referem ao montanismo como um movimento na igreja antiga do Século II que se lhes assemelha. Um destes autores expressa deste modo: “Uma seita da igreja antiga que pode se classificada de pentecostal é a que foi fundada por Montano da Frigia, que defendia uma estrita disciplina eclesiástica e cria que a igreja receberia um novo batismo pentecostal”. • O mesmo autor cita Eusébio, o historiador da igreja do Século IV, para assinalar que Montano “foi arrebatado em espírito, e introduziu-se numa espécie de frenesi e êxtase irregular, delirando, falando e proferindo coisas estranhas”. Duas companheiras de Montano, Priscila e Maximila, também falaram “numa espécie de extático frenesi”. Entretanto, se é citado o montanismo como um precedente para o pentecostalismo, trata-se de um precedente pouco feliz, o verdadeiro tiro no pé, uma vez que a Igreja condenou-o considerando heréticos os ensina mentos de Montano. Sua posição era que havia chegado a Era do Espírito, e que o Espírito agora falava por meio de • Montano. Ele recebia novas revelações que suplementavam e aumentavam a Bíblia. Considerando que então se iniciara a era final, Montano e seus associados conclamaram as pessoas para se reunirem em Pepuza, Frigia, para esperar o fim do mundo. Montano e seus seguidores foram excluídos da Igreja porque se julgou que a pretensão dele de haver recebido revelações superiores à Bíblia era contrária à • finalidade da Escritura. Portanto, ainda que não se possa negar que entre os • montanistas ocorreu o falar em línguas, o fato de ter ocorrido entre os membros • deste grupo não é propriamente uma grande recomendação. • Vamos ver o que se passou na igreja primitiva em relação a esse movimento. (A igreja estava ficando relaxada na coação ao jejum, mas os montanistas insistiam que a rápida aproximação do fim exigia maior rigidez no jejum que nunca [Tert. Jejum 17.7]). O problema da interpretação da trindade no montanismo gira principalmente em torno da questão do Paracleto, sugere-se que a ideia do Paracleto desempenhou um papel menor, se é que desempenham algum, no primeiro esse estágio do movimento montanista(Schepelern 1929, pg.16); contra essa sugestão se destaca a noção tradicional de que o montanhismo era a fé na missão do Paracleto encarnado na pessoa de montano (Labriolle 1913, 2:135). • A partir das nossas Fontes parece provável que Montano, quando foi pego em a rádio arrebatamento estático, falou do Paracleto na primeira pessoa: Eu sou o paráclito de acordo com Epifânio montando disse “eu sou o senhor Deus todo poderoso que desceu em um homem” (Epif. Haer. 48.11.2); e mais uma vez: “não foi um anjo nem um velho quem veio, mas eu, o senhor Deus” (Epif. Haer. 48.11.9). Dídimo, o cego, transmitiu outro oráculo que tinha ouvido e foi atribuído a Montana “eu sou o pai e o filho e o paracleto” (Dos.trin.3.41). Alguns críticos posteriores do montanismo, com base nesses oráculos, foram levados a sustentar Que montana se identificavam de uma maneira essencial com Espírito Santo, daí, por exemplo Cirilo de Jerusalém ter escrito que montando “teve a Audácia de dizer que ele mesmo era o Espírito Santo” (Cir.H. categoria. 16.8[Reischl-Rupp2.21.4]). Mas uma comparação entre as declarações atribuídas a montando A esse respeito e outras declarações parecidas, tanto cristãs quanto pagãs, daqueles que cultivavam a prática da fala extática poderia parecer indicar que esta interpretação não é exata. Pareceria, antes, que essas fórmulas expressam o senso de passividade como um instrumento ou porta-voz do divino que é característico dessa prática, não a pretensão a si mesmo por parte de um ser humano de reivindicar divindade. Epifânio também se tô montando como dizendo, “veja o homem é como uma Lira”(Epif.Haer. 48.4.1) essa prática parece ter uma espécie de natureza instrumental. • Essa conclusão também é corroborado pelo fato de que por intermédio de maximila, uma das profetisas, o Espírito falou: “eu sou a palavra (rhéma) e o Espírito e o poder” (Eus. Há. e. 5.16.17). Maximila não reivindicou essas prerrogativas para si mesmo mas para o espírito que falava por seu intermédio. O caráter quase litúrgico da Proclamação sugere que essa podia ser uma forma montanhista peculiar da doutrina da trindade. nesse caso a “palavra” se refere ao Logos, com mais ênfase em sua natureza como a Palavra Falada que nas conotações filosóficas e cosmológicas, em geral, implícitas no termo, assim “poder” teria de se referir ao pai mas o termo poder em boa parte do uso Cristão primitivo em geral estava conectado ao Espírito Santo (Herm. Manda. 11.17); (Atenag. Leg. 10.2). • No entanto, o montanismo, no fim, pode ter ido muito mais longe que seus fundadores originais, essa é impressão transmitida pela inscrição descoberta em Numídia: “Flávio, antepassado da família. em nome do pai do filho e do Senhor Montano. O que ele prometeu, ele realizou” (ap. Labriori [1913] 2:195). A inscrição, obviamente, não é de origem pagã; ao mesmo tempo, ela poderia militar contra toda a fé e a prática da igreja católica e ortodoxa de inserir o nome de um santo no nome da Santa trindade. Daí, o esforço para conectar o “montano” citado aqui com Mártir cartaginês Ortodoxa, que tinha esse nome cria uma dificuldade considerável. No máximo, como na famosa passagem de Justino sobre os anjos (Just.1Apol.6.2[Goodspeed, PG.29], esse nome pode estar intimamente ligado aos do pai, do filho e do Espírito Santo, mas não substitui um deles. poderia parecer que é uma inscrição do montanismo posterior. Se for esse verdadeiramente o caso, então é possível deduzir que o montanismo, às vezes no curso do seu desenvolvimento <e parece impossível datar a inscrição) teve entre seus adeptos alguns que tomaram a identificação de Montano com paráclito de forma bem literal, incluindo-o como a terceira pessoa da Trindade. Quer aceitemos isso quer não, os relatos adicionais dos pais da igreja que os montanistas no século IV, foram batizados em nome de Priscila ou de Montano (Bas. Ep 188.1), parece possível que o montanismo nesse estágio posterior de seu desenvolvimento tinha se separado da igreja primacial na doutrina da trindade. • Embora esse seja Decididamente um desenvolvimento posterior, alguma coisa dele talvez estivesse implícito no movimento o tempo todo, Hipólito apesar de reconhecer com toda a justiça que alguns membros da seita montanista “comfessem o pai como o Deus de tudo e o criador de todas as coisas, em concordância com a igreja e testemunhem Cristo de acordo com o evangelho” (Hip. Her. 8.19.2), relatou que havia um grupo entre os montanistas que, em suas palavras, “concordavam com o dito da heresia noetana dizendo que o pai é ele mesmo o filho e que Ele experimentou Nascimento, sofrimento e morte”(Hop. Her. 8.19.3). Isso é sustentado pelo relato do Pseudotertuliano, contra todas as heresias. Após descrever a blasfêmia usual dos montanhistas, os quais afirmaram que o paráclito, falando por intermédio de montando, tinha ido além da Revelação em Cristo, esse tratato continua para falar de um grupo que seguia Ésquines, que “acrescentou que eles dizem que Cristo mesmo é o filho e o pai”(Pstert. Her. 7.2). em outras palavras, poderia parecer que eles tinham braçada doutrina de que o pai, o filho e o Espírito Santo eram apenas modo sucessivos de manifestação do único Deus. Nesse caso, a manifestação de Deus em Jesus como filho teria sido seguido de manifestação do único Deus em Montano como paráclito, uma manifestação de cada vez, essa linguagem sobre a Trindade era em sí mesma bastante aceitável no século II e mesmo mais tarde; mas quando a igreja foi além dela para formular o Dogma da Trindade, esses montanistas que continuaram usar essa linguagem como forma de incluir Montano nas manifestações de Deus se descobriram hereges também A esse respeito. • Seria um engano concluir a partir disso que o montanismo implica necessariamente essa doutrina. Ao contrário, a declaração mais poderosa do caso contra a doutrina veio do montanista Tertuliano. Em seu tratado contra práxeas, ele acusou esse Presbítero Romano ter dois erros: “ele jogou fora a profecia e introduziu a heresia; ele pôs o paráclito para correr e crucificou o pai” (Tert. prax. 1.5). O tratado era devotado a uma crítica da doutrina que falava do pai sofrendo e sendo crucificado (Ag Her 41); daí seu nome final patripassianismo E foi Tertuliano que, escrevendo como montanista, atacou a doutrina da identidade entre o pai e o filho que alguns de seus irmãos montanistas estavam usando por fim como raciocínio teológico para o sistema deles. Havia espaço para os partidários de ambas as variedades da teologia trinitária da seita montanista contanto que eles são não se casassem de Novo após a morte da esposa. • Em todo caso, o lugar crucial para o exame da relevância do montanismo para história da doutrina da trindade é Tertuliano. É correto dizer que “o que os adeptos individuais da nova profecia fizeram para articulação teológica da doutrina da trindade não veio do montanismo” (Bonwetsch)[1881], PG. 75)? Ou é mais exato sugerir que o montanismo ensinou Tertuliano a pensar no Paracleto em termos mais pessoais do que ele fazia em suas primeiras obras para que ele chegasse uma doutrina da trindade mais metafísica (Loffs[1942], PG. 142)? A segunda alternativa, com determinadas reservas, parece preferível, em parte por motivos totalmente cronológicos. Os primeiros escritos de Tertuliano tendiam a enfatizar o pai, e o filho à custa do Espírito Santo (Tert. Apol. 21. 11. 14) os escritos que datavam definitivamente do período montanista, por sua vez continham uma doutrina da trindade mais metafísica parece que Tertuliano foi o primeiro teólogo a usar a palavra “Trindade” em latim (Tert. Prax. 3.1) o montanismo de Tertuliano ajudo-o a ter percepções por meio das quais a igreja, no fim transcendeu essa fórmula e desenvolveu uma doutrina da trindade mais consistente. • O montanismo declarava inspiração Sobrenatural por intermédio do Espírito Santo como a fonte de sua profecia e apontou o declínio moral da igreja como o principal motivo para ela ter perdido esse poder do Espírito. Os escritores mais ortodoxos do século II e até mesmo do século III sustentavam que essa inspiração do espírito santo não só era possível, mas estava presente e ativa na igreja.

 
 
 

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