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O AMBIENTALISMO IDEOLÓGICO – Padre Danziec

14 de set. de 2020
2 min de leitura

(…) Desde a sua origem, a palavra latina cultura refere-se à terra e aos já falecidos, estabelecendo uma estreita ligação entre o cultivo da terra, a agricultura e o culto aos antepassados, a piedade filial. Cícero acrescentará, em sua obra Tusculanas: “Um campo, por mais fértil que seja, não pode ser produtivo sem cultivo, e o mesmo vale para a alma não educada. Ora, a cultura da alma é a filosofia”.

Eis tudo! O problema das recentes polêmicas em torno das saídas dos prefeitos do EELV [partido político ambientalista da França] reside nessa filosofia da existência que tende a nos impor um ecologismo doutrinário: um Natal sem árvores de Natal, um verão sem o Tour de France, um olhar para a história sem nuances. Ou, como quer a jornalista e militante LGBT Alice Coffin, um mundo sem casamento e, acima de tudo, sem maridos.

Por causa de sua relação equivocada com a realidade e seu senso ambíguo de prioridades, a defesa do meio ambiente torna-se grotesca. Acima de tudo, cria no homem uma relação com o cotidiano que o despoja de si mesmo. “O Ocidente revela um estranho ódio de si mesmo, que só pode ser considerado como um fenômeno patológico; o Ocidente não se ama mais. Em sua história, ele vê apenas o que é censurável e destrutivo, e não é mais capaz de reconhecer o que é grande e puro”, já observava o cardeal Ratzinger, muito antes de se tornar Bento XVI.

O que se pode conhecer de fato sobre a natureza, quando se ignora as particularidades de sua própria? Qual é a lógica em defender o amor pela comida orgânica e, ao mesmo tempo, desdenhar as tradições alimentares regionais? Como cantar as virtudes do localismo, quando se faz campanha por um mundo sem fronteiras? O ecologismo de superfície e desenraizado segue a mesma lógica do Cristianismo sem caridade e sem verdade.

O historiador Fustel de Coulanges, na sua mais célebre das suas obras, A cidade antiga, acreditava que “o verdadeiro patriotismo não é o amor à terra, mas o amor ao passado”. Em outras palavras, o patriotismo não pode ser reduzido a uma simples devoção à natureza, mas pelo contrário encontra todo o seu desenvolvimento saudável no amor à sua região, ao seu patrimônio. São as famosas “terras carnais” graciosamente evocadas pelo poeta Charles Péguy.

Pretender, na França, defender o meio ambiente esquecendo que as paisagens, a fauna e a flora da França constituem, também, um território que já não é mais, durante séculos, um solo virgem, revela cegueira ou, pelo menos, estreiteza de espírito. Modelados por gerações de homens e mulheres, eles lhe deram uma forma muito particular, com hábitos, costumes e reflexos impregnados pelo Evangelho, como testemunham os cruzeiros em nossas estradas, as Igrejas de nossas aldeias e os albergues de nossas cidades.

A verdade é que este solo, em que nascemos, devemos respeitá-lo e preservá-lo, sobretudo, porque somos seus devedores inadimplentes… E a educação a esse respeito não pode ser reduzida apenas a considerações ambientais. Entre admiração e reconhecimento, a compreensão de todo este ecossistema ocidental não é uma simples questão de piedade filial ou de princípio. É uma questão de preservação, mas também de sobrevivência.


Contrairement aux idéologues écolos, la véritable défense de l’environnement passe par la préservation de l’écosystème civilisationnel occidental
 
 
 

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