O ANACRONISMO HISTÓRICO SOBRE A EXPULSÃO E O TRATAMENTO AOS JUDEUS DADO PELA E A ESPANHA.
Segundo o historiador italiano vittorio messori: “do ponto de vista jurídico, na Espanha em todos os reinos daquela época os judeus eram considerados estrangeiros, eram acolhidos de forma temporária, sem direito à cidadania. Os judeus eram perfeitamente conscientes de sua situação: sua permanência era possível enquanto não representasse um perigo para o estado, coisa que, segundo o parecer não apenas dos soberanos mas também do povo e de seus representantes, ocorreu com o tempo, por causa de violações da Lei Por parte dos judeus não conversos assim como dos convertidos apenas formalmente, pelos quais a Isabel sentia uma tal ‘ternura especial’ que pôs em suas mãos quase toda a administração financeira, militar e inclusive eclesiástica. Mesmo assim, parece que os casos de ‘traição’ chegaram a ser tantos que não era possível continuar permitindo semelhante situação”. Acrescenta a hipótese (não se pode esquecer que trabalhou segundo o método científico, com ajuda de mais de uma dezena de pesquisadores que dedicaram 20 anos a examinar mais de 100.000 documentos em arquivos de meio mundo): “a alternativa, o dilema ‘converter-se eu abandonar o reino’, impostas pelos Reis católicos, é uma forma simplista, um slogan vulgar, pois não se acreditava nas conversões. A alternativa proposta durante os muitos anos de violações políticas da estabilidade do reino foi: ‘parem de cometerem vossos crimes ou abandonem o reino’. Como confirmação ulterior temos a atividades prévia de Isabel em defesa da liberdade de culto dos judeus, contrariando as autoridades locais, com a promulgação de um seguro real, assim como ajuda para construção de muitas sinagogas (vittorio messori lendas negras da igreja editorial planeta).
Devemos mencionar, que grande parte dos judeus existentes no momento da expulsão de 1492 eram praticamente recém-chegados, provenientes de outras Nações das quais haviam sido expulsos maltratados, ou em busca, simplesmente, de melhor qualidade de vida econômica e social. Este fato faz com que Dumont conclua que, Definitivamente, a Espanha não era para eles mais do que “um refúgio conveniente”.
O decreto de expulsão dos judeus respondeu, Sem dúvida, além do fator religioso, estritamente a motivos sociais. A convivência tornara-se francamente insustentável, especialmente desde os assassinatos dos inquisidores arbués, juglar e do Santo menino de la Guardia (caso de um menino que foi martirizado por judeus e falsos comversos na década de 1480 na cidade de La Guardia). Não podia haver unidade nacional com aqueles que em primeiro lugar semeavam a discórdia, fazendo pouco da eterna paciência dos Reis, o papa e os clérigos. Desta forma entenderam todos: o povo, os nobres, os burgueses, os eruditos, os clérigos e os próprios Monarcas.
A partir desse momento o judeus assumidos abertamente hostis à igreja agora entravam no seio do cristianismo Para poderem conservar seu status social e Fortuna. A opção dada aos judeus e converte-se para permanecer na península significou quase um suicídio tanto para a igreja quanto para o estado, pois os judeus que agora se convertiam eram justamente os mais obstinados e Poderosos, os que haviam resistido à assimilação até o último momento. Esta nova camada de conversas será, sem dúvida, a mais perigosa de todas as que até então se tinham convertido. Com opinião semelhante escreve, escreve o hispanista inglês Stanley Payne: “O paradoxo da história dos judeus Castelhanos foi que a conversão em massa não foi um passo na direção de resolver o problema religioso, mas apenas o tornou mais intenso”. Sem dúvida, os Reis católicos não ignoravam Este quadro. Esta decisão, até hoje desconcertante para muitos, deve ser entendida como subsidiária de uma vontade, tanto da parte dos Reis como da Igreja, de procurar sua assimilação, mesmo à custa de grandes esforços. Não existe positivamente nenhuma Razão melhor do que esta para explicar tal medida.
Não se podem esquecer as grandes expulsões — além de perseguições e assassinatos — registrados nos Reinos protestantes entre suas seitas e com relação aos católicos. Para citar apenas algumas, o célebre caso de 1685, em que foram expulsos da França 70.000 calvinistas, tendo a mesma sorte os anabatistas. Tempos antes, em 1534, o setor radical dos anabatistas haviam expulsado selvagemente de Münster os católicos e luteranos. Em Augsburgo, em 1528, segundo comenta um historiador protestante (Thomas Shahan), centenas de anabatistas foram expulsos por ordem do Conselho da cidade; alguns foram Queimados com ferro em brasa, outros decapitados, e a outros arrancou a língua (Janssen V. 160).
São oportunas, a este respeito, as palavras do conhecido historiador judeu Grata: “os líderes do catolicismo exigiam submissão absoluta a lei canônica; porém, em troca concediam-lhes a permissão de permanecerem nos países católicos; Lutero, ao contrário, exigia a sua completa expulsão (…). Foi ele quem colocou os judeus no mesmo nível dos ciganos (…). Foi ele o motivo pelo qual foram expulsos pelos Príncipes Protestantes”.
Não vemos menção no fato de que o Israel judeu expulsou, de um território que por direito não lhe pertence, mais de um milhão de seus legítimos habitantes, como atualmente denuncia entre outros o historiador judeu Israel shamir. Mais de meio século atrás, o Judeu David goldstein Calculava e 900.000 o número de palestinos expulsos violentamente por judeus em Israel. Compara-se isto com os 80 mil judeus — cifra que varia segundo cada Historiador — expulsos da Espanha católica, e também com o notável tratamento dispensado pelos Reis católicos.
Outro fato que de derruba consideravelmente a tese que sustenta que à medida de expulsão dos judeus da península foi motivada por um pretenso antijudaísmo, é sem dúvidas, o da expulsão parcial e depois definitiva dos mouros. Embora sua atividade subversiva fosse quase insignificante quando comparada a exercida pelos judaizantes, houve momentos de violentos revoltas, especialmente por parte dos mouriscos de Granada. Estes agiram em conjunto com piratas, muçulmanos africanos e Protestantes das regiões saxãs, sempre prontos a apoiar qualquer investida contra a Espanha católica. Anteriormente, em especial durante a guerra de Granada, vários destacamentos turcos haviam combatido junto aos mouros. O perigo mourisco não foi de maneira alguma ilusório. Em 1570 havia sido determinada sua expulsão em outras regiões da Espanha, principalmente a Andaluzia ocidental e Castela. Ainda assim, longe de diminuir sua marcha, continuariam a seguir o islamismo secretamente, muitas vezes com uma violência sem medidas, o que provocará sua expulsão definitiva em 1610.
Tendo isto em vista, surgem perguntas como as seguintes: porque só se guarda lembrança da expulsão promovida pelos Reis católicos, ocorrida há cinco séculos atrás? Por que se omitiu, em praticamente todas as publicações sobre o tema, As condições da expulsão quase Magnânimas oferecidas pelos Reis católicos aos desterrados, sem mencionar tampouco aquelas executadas por outras Nações e religiões de maneira mais degradante? Quem já mencionou, por exemplo, a expulsão dos judeus da Saxônia decretada por Lutero, ou a proibição de Seu regresso à Genebra ordenada por Calvino? Por que é que ninguém diz o que os estados pontifícios não apenas nunca expulsaram os judeus, mas receberam-nos a cada vez que eram expulsos, dando-lhes asilo? Por isso, é inadmissível que sejam justamente os judeus quem mais atacam os pontífices da idade média e moderna.
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